Love Of Friends
25 Capítulo XXV
Notas iniciais
Acordei, MUITO misteriosamente, na minha cama. Estava com uma preguiça do caralho de levantar, então eu só virei de lado pra dormir de outro jeito.
O pior erro da minha vida.
–OIIIIIIIIIÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ THALS! MANINHA DIVA! QUE BOM QUE JÁ ACORDOU, VAMOS COMPRAR VESTIDOS???????!!! –Eva estourou meus tímpanos, com aquela cara de Barbie paraguaia rebocada de maquiagem.
–Não. Não me chame de maninha diva. Não acordei. Mas eu agradeço se você calar a boca. –Cobri minha cara com um travesseiro.
–Ah, Thals! Vem, levanta! –Ela me puxou, só que Eva tinha a força de uma borboleta com AIDS, então eu pude continuar jogada preguiçosamente no colchão. –THALIA!
–Me deixa, sua psicopata. Nem te conheço. –Resmunguei.
–Nem te conto o babado! A Sissi me convidou para esta da piscina dela! –Disse toda animada, se sentando na beirada da cama.
–Hm. A Silena, você quer dizer?
–Sissi!
–Como você conheceu a criatura?
–Peguei seu celular, óbvio! Liguei pra Silena, pra Annabeth, pro Percy e pro Nico. –Explicou.
Nível de atenção aumentado pra 100% depois do nome “Nico”. Nem dei importância ao fato de ela ter pego meu celular.
–Espera, ele atendeu? –Ralhei, me sentando.
–Ele quem?
–O Nico, sua anta!
–Ah... Não. Uma pena. Ele é muito gato, pela foto do perfil no Whatsapp. –Ela sorriu sonhadora.
Puta. Vadia do caralho. Desgraçada. ELE É MEU, SUA VACA DOS INFERNOS. SÓ EU POSSO ACHA-LO GATO.
–Hm. Não mecha mais no meu Whatsapp. –Forcei indiferença para não enforca-la.
–Tá. Vamos ser arrumar pra ir na festa da Sissi, mana?
–Não. Sou. Sua. Mana. E EU vou me arrumar pra ir na festa da “Sissi” sozinha. –Praguejei, saindo de perto do ser e seguindo para o banheiro.
Essa Eva vai dar trabalho.
*
Eram 10:10 da manhã quando eu estava pronta, com uma roupa por cima do biquíni pra parecer sexy sem ser vulgar.
Mas Eva estava vulgar sem ser sexy.
Tá, tudo bem, o biquíni dela era lindo, ela tinha um corpo perfeito e o cabelo dela estava hidratado até demais.
E isso não quer dizer que eu tenha ficado com inveja!
Só quer dizer que você ficou com recalque.
Enfim, eu tentei ignorar a perfeição dela enquanto me arrastava escada à baixo. Zeus estava com um terno cor-de-rosa comendo uma torrada com patê, e Hera tomava um chazinho.
–Oh! Que linda você está! –Ela disse, e eu já ia franzir as sobrancelhas e perguntar “Você fumou?”.
–Obrigada, titia. –Eva sorriu, aparecendo do nada.
Claro. O elogio foi pra Eva. Não pra mim.
O recalque está no aaaaaaa-aar, o recalque está noooo aaaaar.
Toma no cu. E essa música ficou podre pra caramba.
O RECALQUE ESTÁ NO AR!
–Onde você está levando a Eva, Thalia? –Zeus perguntou, com aquela cara de não-dê-maconha-pra-ela.
–Ah, eu li em um cartaz que temos que levar cachorros pra passear com frequência. E eu não quero pulgas no meu quarto. –Sorri cínica. Hera bufou como uma cachorra também.
Eva não se tocou que eu acabara de chama-la de cachorra. Burra.
–Não vou responder você, engraçadinha. Voltem logo. –Zeus ordenou, como um cachorro.
Família de cães. Só eu tenho pedigree.
Na verdade, seu pedigree é falsificado.
Eva me seguiu até a enorme mansão da Silena em silêncio.
*
Tínhamos andado sei lá quantas quadras, mas eu estava morrendo.
De sedentarismo, né, gorda?
Eva parecia muito bem, sem nenhuma gota, repetindo, NENHUMA gota de suor na cara mal lavada dela. O que me fez querer meio que empurra-la na frente de um caminhão em alta velocidade.
Um caminhão de galinhas em alta velocidade, pra ela morrer com as migs.
–Você tá suando, Thalia. –Ela fez uma cara estranha.
Não, não, tô sangrando transparente.
–É, eu sei. Estamos chegando, só falta uma quadra.
–Que pena. Essa paisagem é tão linda! –Eva disse, e eu olhei em volta pra detectar a “paisagem” além da caçamba de lixo, do muro com um órgão reprodutor masculino pichado e do velho barrigudo tomando cerveja na calçada.
Só tinha lixo.
–Com certeza. É uma paisagem muito bonita mesmo. Tão bonita que ofusca minha visão. –Ironizei.
A parte da visão ofuscada é verdade. Velho feio.
Finalmente, depois de mais de uma quadra, nós chegamos a casa da “Sissi”. Era uma mansão enorme e cor-de-rosa, cheia de janelas frufrus com cortinas frufrus, um jardim maio do que o quarteirão, cheio de flores alegres, uma fonte com um anjinho cuspindo água e, bem no centro de tudo, uma estátua em tamanho real de Afrodite feita de prata.
Eu ainda me pergunto como não confunde aquele lugar com um salão de festas estupidamente exagerado.
–AAAAHHHHHHHH MEUDEUSDOCÉU! QUE CASA PER-FEI-TA! –Eva surtou, dando pulinhos e gritinhos.
Patricinhas. Quando o mundo perceberá que elas são dispensáveis?
Apertei o interfone naturalmente.
–Alô? –Disse alguém.
–Oi, aqui é Thalia Grace, convidada de honra da Srta. Beauregard para uma festa de piscina denominada “Aqui-a-silena-é-rainha”. –Eu disse.
–Ah, claro. Trouxe os dez reais?
Droga. Droga. Droga. Droga droga droga droga droga droga droga droga.
Não que eu tivesse esquecido esse detalhe, mas eu esqueci esse detalhe. E o pior de tudo era que, na verdade, eu não tinha dez reais. Não tinha míseros DEZ REAIS para entrar na porra da festa da Silena.
Porque Zeus é um cachorro.
E você é uma cachorra pobre. Mas agora, respira fundo.
Contei até dez bem devagar. Esse tipo de acontecimento mexia muito com meu psicológico. Quer dizer, eu ficava irritada pra caralho, com vontade de chutar narizes.
–Não, eu não trouxe! Esqueci! –Eu disse, no interfone.
–Sinto muito, não pode entrar.
–OLHA AQUI, SUA ORDINÁRIA, ABRE ESSE PORTÃO ANTES QUE EU MASTIGUE ELE E DEPOIS CUSPA NA SUA CARA.
–Thalia, calma. –Eva disse. –Eu tenho dez reais.
–Sim, estúpida, mas precisamos de vinte! VINTE! –Eu gritei, exaltada.
Eva olhou bem pra mim. Olhou pro chão. Olhou pra mansão da Silena e deu de ombros.
VADIA. ELA VAI ME DEIXAR PRA FORA.

–Até mais, Thalia! –Ela deu um sorrisinho, se dirigiu ao portão, entregou dez reais ao porteiro e passou desfilando no jardim.
Um, dois, três, quatro... O CARALHO!
FILHA DA VACA, PROTIPUTA, DESGRAÇADA, INFELIZ! VACA.
–EVA! Evaaaaaaaa! Volta aqui! Eva! EVA! –Eu comecei a espernear, me pendurando no portão, com o carinha que estava lá me olhando com uma cara de “Sai, estrúpicio”.
Depois de estourar as cordas vocais chamando a cadelinha, eu sentei na calçada derrotada.
DERROTADA PORRA NENHUMA. ELA VAI VER QUANDO EU DER UM JEITO DE ENTRAR NESSA MERDA E QUEBRAR TUDO. INCLUSIVE O NARIZ DELA.
Respira, se acalma, Thalia. Inspira, expira, inspira, expira, inspi...
–THALIA! –Gritou um elemento.
–Cala a boca!
–Thals, abre os olhos.
–NÃO! SE MANCA DAQUI!
Onde nós paramos? Ah, sim. Inspira, expira, inspira, expir...
–Thalia.
–Não enche.
–Thaliaaa!
–Sai.
–ABRE ESSA PORRA DESSES OLHOS, GRACE! EU ESTOU AQUI, SEMI-SEMINU CHAMANDO VOCÊ E VOCÊ COM ESSA CARA DE DOIDA! –Nico gritou, com aquele jeito inconfundível de me chamar de Grace. E a parte do “semi-seminu” chamou a atenção.
–Ah, oi Niquito. –Eu abri meu sorriso mais meigo.
–Porque você está sentada na calçada fazendo ioga, Grace? –Ele se sentou ao meu lado, então eu reparei que ele estava pronto para ir a festa da Silena também. Só que com camisa, o que conserva um pouco minha sanidade. Só um pouco.
–Eva não quis me levar com ela e eu não tenho dez reais. –Carinha de gato de botas que caiu da mudança nível master modo on.
–Hm... Essa Eva é peituda? –Ele perguntou na cara de pau, ignorando (1) minha cara de gatos de botas que caiu da mudança, que até hoje era infalível e (2) meu ciúmes.
Ganhou um olhar apocalíptico de resposta. – NÃO.
Ele riu –Thals, eu tô brincando! Mas vem, eu te pago a entrada. –Me roubou um selinho.
Eu ruborizei até o dedinho do pé. E me deu um ataque de asma, e eu fiquei tossindo que nem louca.
Maldita asma desgraçada.
–Vem logo, Thalia. –Ele me puxou da calçada e nós fomos juntos para a entrada.
Di Angelo salvando o dia com sua presença!
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