Love Of Friends
16 Capítulo XVI
Notas iniciais
Vocês já tiveram a concreta certeza de que estão totalmente fudidos, tipo assim, sem salvação?
Isso dá até nome de filme: Fudidos sem salvação.
Criativo, mas desnecessário.
Voltando, Calipso parecia que estava tentando entrar no Guiness com o recorde de maior chororô. Caralho, é só um carro lindo, caro e que causa inveja!
“Só” isso? Nossa, eu nem choraria no lugar dela.
Pare de ser irônica, só eu posso.
–Para de chorar, não foi nada! –Eu resmunguei, saindo do carro para checar. Ok, estava pior do que eu imaginava.
Tipo assim, carro sem para-choque tá na moda, ninguém vai notar a diferença! E também não tem problema falha na pintura, é efeito dálmata e é tudo de bom.
Vai que cola.
Eu xinguei o maldito poste de todos os nomes feios que me vieram na cabeça (Calipso estava entre eles, mas eu xinguei baixinho), depois eu chutei ele e o mandei tomar no cu. Rachel fico me encarando de dentro carro como se dissesse “O que há com essa pessoa?”. A porra da culpa é do poste!
Mais um nome de filme: Thalia Grace — A culpa é do poste (By: Mary Lynch)
Eu voltei até as duas patricinhas. Calipso estava chorando um Oceano Pacífico e a Curupira tentava acalma-la.
Você está fazendo bullying com os Curupiras. Eles vão te perseguir.
Desculpem, Curupiras.
Bom, depois de alguns segundo, caiu a ficha de que eu acabara de bater em um p... Quer dizer, atropelar acidentalmente um poste com um carro chiquérrimo.
B.O.S.T.A.
Mais uma ideia brilhante brotando.
–Valeu a carona, Calipso, Rachel... Tchau.
E novamente eu sai correndo, deixando para trás um carro, um poste, minha futuramente possível assassina e a futuramente possível advogada dela. Isso é, além da certeza de que estava fudida.
Droga, isso só aconteceu porque eu sai sem o di Angelo. Que porra, di Angelo!
A culpa é das estrelas do di Angelo. E da merda do poste-idiota-que-se-suicidou.
*
Eu cheguei no colégio arrastada. Se meus pés pudessem gritar, eles provavelmente gritariam palavrões bem feios para minha pessoa por força-los tanto. E eu mandaria eles se fuderem. E eles gritariam de volta que eu era uma abusadora de pés. E eu enfiaria eles em um pote de água quente, e eles morreriam.
Foco, criatura, foco.
Logo eu avistei o di Angelo. Quer dizer, não que eu estivesse procurando ele nem nada, eu só o vi sem querer depois de andar por todo o estacionamento procurando ele.
Capacidade de mentir, cadê você? Lembre a dignidade de aparecer também, se ver ela!
–Nico, te achei! –Eu exclamei feliz, puxando ele da rodinha de testosterona que tinha formada num canto e o arrastando para perto do carro dele. –Eu estou fudida, me ajuda?
–Espera, pause, ancora una volta, con più calma. Explica de novo. –Ele disse fofamente, com aquela carinha de cachorrinho que não entendeu porra nenhuma que você disse, sem contar que ele fica muita mais gostoso falando italiano.
Se controla.
–Eu peguei carona com a Calipso, depois eu bati o carro dela, depois eu sai correndo. –Expliquei. Talvez ele pudesse dar um mortal e nocautear a Calipso, sei lá.
–Vish... –Ele olhou para mim, depois para os coturnos dele, depois para o horizonte, que na verdade era o portão. –Droga! Se esconde, se esconde!
Ele me empurrou para dentro do carro dele, e entrou logo depois de mim, assim nós dois ficamos espremidos no banco do motorista. Eu olhei para a mesma direção que ele, e pude ver um carro sem para-choque entrando pelo portão, com uma morena praticamente cuspindo fogo dirigindo ele.
–Puta que pariu... –Eu me amaldiçoei. Nico me olhou divertido. Eu lhe dei um tapa no braço. – Para de rir, di Angelo!
–Só você pra fazer cagada na meia hora que eu te deixo sozinha, Grace.
–Só você pra ter o pouco juízo de me deixar meia hora sozinha!
Ele riu, e eu não me aguentei e o acompanhei. Mas nós paramos quando Calipso deu uma volta bem grande com o seu recentemente danificado veículo e parou do lado do carro de Nico.
–Pro banco de trás! –Ele sugeriu, e eu pulei pra lá rapidamente, depois me abaixei no chão. Calipso estacionou, desceu junto de Rachel e começou a bater no vidro do carro de Nico. Ele abriu a porta e fui para fora.
–Nicholas, onde está Thalia? –Ela sibilou como eu nunca havia ouvido. Estava com os olhos inchados e dez vezes maiores que o normal, como aqueles bonequinhos infernais, versão fofa do Chuk, os Littles Lets Pet Shop, eu acho. E a maquiagem parecia ter sido refeita, mas com falhas.
–Bom dia, Calipso. Eu estou bem, e você? Obrigada por perguntar da minha família, ela vai ótima, é a sua? É, eu também fiquei sabendo que a Hanna Montana é a Miley Cyrus, inacreditável, né? –Ele disse irônico e eu fiquei emocionada.
Formado na faculdade Thalia de ignorância e sarcasmo!
Ela suspirou. –Desculpa Niquito. Eu estou muito irritada. Foi mal, mesmo. –Deu um sorriso e o abraçou.
Tipo assim, o ABRAÇOU.
Ninguém, ninguém, abraça o meu Nico e sai impune.
Eu revirei os olhos umas quinhentas vezes enquanto aquela droga de abraço já tinha virado quase SuperBonder. Ela finalmente soltou-o e o encarou. E eu tipo: Voumataressavadia.
–Mas, sério, eu preciso falar com ela. Sabe onde ela está? –Ela perguntou, dando uma fungada. Nico sorriu.
–Não, ela meio que está me ignorando. Ei, que tal dar uma passada na secretaria comigo? Eu preciso dar uma palavrinha com o Percy, ele disse que estaria lá falando com o assistente do clube de natação. –Ele inventou gesticulando. Calipso deu uma risadinha típica de putas que querem ser comidas mas se fazem de tímidas.
E você aí se mordendo de recalque porque ela está vendo o sorriso lindo dele.
Tá, eu admito. Eu estou com ou pouquinho de recalque sim.
–Oi, eu sou Rachel. –Rachel, que ainda não tinha sido notada, se apresentou.
–Prazer, Rachel, eu sou Nicholas, mas pode me chamar de Nico. –Ele disse rindo, depois pegou na mão de Rachel, deu um beijo e a girou. Ela sorriu envergonhada.
–Ok, eu vou com você, Nico. Mas antes tenho que guardar minhas coisas no armário. Te encontro na entrada do colégio, ok? Vamos, Rach. –Calipso disse, agora meio raivosa, encarando Rachel como se ela fosse um carrapato no cachorro premiado. Rachel deu um sorrisinho bobo pra Nico, um tchauzinho e saiu atrás da Calipso.
Eu estava cuspindo líquidos inflamáveis de raiva.
As putas sumiram e eu sai do carro violentamente. Nico tinha um sorrisinho cínico para o nada, mas eu sabia que aquele sorriso era para mim.
O bitcho faz ciúmes em você e ainda ri disso. Sua babaca.
Eu não estou com ciúmes!
–Qual o interesse na curupira? –Eu ralhei.
–De nada, Thalia, não foi nada salvar sua pele. Sim, tá tudo bem comigo, não se preocupe. É, eu sei, eu vou ter que aturar a Calipso o resto do dia, mas tudo bem por mim. –Disse irônico de novo.
Como foi que você disse? Ah, lembrei! Formado na faculdade Thalia de ignorância e sarcasmo!
Para de zoar comigo, consciência.
–Blá, blá, blá. Qual o interesse na curupira? –Eu repeti.
–Hm. Curiosa você. –Ele avaliou, me encarando divertido.
–Nico, porra! Qual o interesse na curupira?
–Nenhum, além de fazer ciúmes... –Ele começou, e eu senti meu sangue ferver. E dessa vez não foi porque Nico estava me agarrando.
–EU NÃO ESTOU COM CIÚMES! EU NEM DISSE NADA! EU...
–...Na Calipso.
Droga. Droga de bochechas também!
Haha. Tá mais fudida que antes! Vai, jumenta.
–Ah.
Nico caiu na gargalhada e eu fiquei lá, encarando ele meio emburrada e envergonhada. Ele fica lindo demais rindo também.
–Que foi, Gracinha? –Ele perguntou, me olhando nos olhos e fitando minha expressão de poucos amigos. –Tira essa bico do rosto. Ou o lindo di Angelo vai tirar.
Eu não me mexi, o desafiando. Se eu queria que ele tirasse?
Sim ou claro?
Então Nico rapidamente colocou meu corpo entre ele e o carro, com um sorrisinho pervertido, e foi aproximando seu rosto do meu. Meu coração disparou automaticamente, tanto que eu conseguia senti-lo até no dedinho do pé.
Resista, resista, resista, resista!
Então ele ficou assim, imóvel, com o rosto dois centímetros do meu, as orbes negras me olhando intensamente. O seu cheiro italiano era uma delícia, quase tão bom quanto vodka, tequila e amarula misturadas.
Bom aniversário aquele. Nico fez um streap tease.
Eu senti minha bochechas ficando mais vermelhas, e os meus olhos não desgrudavam dos lábios dele. Mas que porra!
Ele sorriu. E eu sorri pra diminuir meu constrangimento. Nico se afastou devagar, seu sorriso fofo virando convencido.
–Pronto. –Ele disse, se afastando de um jeito “sou pegador” e deu uma piscadela pra mim. Ficou meio ridículo.
Só então percebi que ele tinha mesmo tirado o meu bico.
–Aff, di Angelo. –murmurei para o nada e comecei a andar para a entrada dos fundos do colégio, torcendo para que o meu garoto distraísse Calipso.
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