Love Of Friends
12 Capítulo XII
Notas iniciais
E nós regressamos. De volta à rotina CD Nirvana-Blusa do AC/DC-Nutella-TÉDIO já faz três horas. Eu quero o meu Nico. Que no momento deve estar "pegando" a Vadialipso.
Nico. Di. Angelo. Droga, cara. É isso que Nico é, uma droga. Uma das bem viciantes e gostosas.
Não alucina, criatura.
Beleza, cadê meu celular agora? CELULAR, CARALHO, ONDE VOCÊ SE METEU?
–JASOOOOOON! -Gritei, saindo do meu quarto. — MEU CELULAR!
–Eu não sei onde tá. -Ele passou por mim com uma expressão "foda-se essa merda" e se trancou no banheiro. Irmão desgraçado.
–HEEERAAAAAAAA! -A vaca. -Viu meu celular, Herinha? -Perguntei (falsa e) docemente para ela, que também passou por mim.
–Você saiu com ele daqui quando esbarrou no meu vaso de Margaridas.
Ah, é mesmo. Então eu fui na biblioteca, dei de cara com o tribufu, larguei o celular na bolsa de Nico e voltei pra casa... Droga, minha vida também é uma droga.
Bufei irritada. O que fazemos em situações como essa? Ah, lembrei. Vamos ao Starbucks, afundar a raiva no café junto com o Marshmelow.
*
Isso, obrigada, mundo. Tá chovendo. Combina tanto com minha desgraça que eu até daria um abraço em pinguins texanos.
Hã?
Despejei adoçante tediosamente no copo e escorei o rosto nas mãos. O Starbucks estava vazio, só eu, a atendente Jessi, pelo crachá no uniforme brega, e o celular de merda dela, que era mais querido que minha pessoa no recinto.
Até a porta bater estrondosamente e o celularzinho Motorola de 2004 cair no chão, deixando Jessi pasma.
Eu aprovo esse tipo de pessoa que bate a porta.
Com esse pensamento, me virei e vi a cabeleira negra mais linda do mundo. Nico. Meu coração disparou e desviei o olhar para a atendente de novo,virando o banquinho do balcão. Jessi, pelo jeito, havia esquecido do celular, porque agora só tinha olhos para o Nico. Meu Nico.
Ele se sentou do meu lado, sem perceber que era eu.
–Um café, por favor. -Pediu.
–Claro! -Ser vadia está na moda, minha gente.
Abri minha bolsa rapidamente e tirei de lá um gibi do Chico Bento, para tampar meu rosto. Eu estava com um pouco de medo se, caso eu falasse com Nico, ele, sei lá, fosse embora (de novo).
–Oi. -Ele disse quando me notou.
–Oi. -Respondi, espiando-o pelo canto do olho. Ele sorria muito.
–Thalia, eu sei que é você.
Mano, comoassimnãopossonemdarumadeespiã?!
Joguei o gibi no balcão, frustrada. Ele riu.
–Achei que estivesse bravo comigo. -Admiti.
–Eu estou.
–Mas por que?
–Por causa do Luke. -Ele bufou fofo. Eu revirei os olhos.
–Caveirinha, eu nunca vou te deixar por causa de um homem, tá? Muito menos vou ter alguma coisa com o Luke. -Prometi, vendo seus olhinhos brilharem.
Atenção, a próxima cena pode te dar vontade de morrer (ao menos, foi isso que senti):
No mesmo momento em que eu fui dar lhe um beijo na bochecha, Nico fez o mesmo. Eu podia prever o beijo que teríamos, e seria lindo e QUENTE. Quer dizer, isso se certa labisgoia oxigenada, julgo a mula da Jessi, não tivesse, tipo assim, tacado café na minha roupa.
–Ah, desculpa. -Ela pediu falsa. — Vou pegar um guardanapo.
–Não precisa. -Me levantei, peguei o resto do meu capuccino e joguei no cabelo dela. -Vem Nico. -Puxei-o pela mão para fora da espelunca, deixando Jessi molhando a cara na pia estilo estou-tendo-uma-convulsão.
Não importava quantas putas malditas eu tivesse que chutar para proteger meu Nico. A visão dele sorrindo de mãos dados comigo, em um dia chuvoso, em uma Nova York nublada, fazia tudo valer à pena.
É isso que eu chamo de "Amor de Amigos". Só isso.
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