Love Of Friends
8 Capítulo VIII
Notas iniciais
-O que foi? –Perguntou Nico, talvez se referindo a minha careta.
-Nada.
-Thalia, você mente muito, muito mal. Agora anda, me diz. –Pressionou.
O que mais me intrigava era que eu não mentia mal. Pelo contrário.
-N-a-d-a. –Repeti, bem pausadamente.
-Não vai dizer, hein?
-Hum-hum. –Balançei a cabeça negativamente. E Nico me pegou de surpresa. Fazendo cócegas na minha barriga!
Tenho que admitir que me arrepiei um pouco com seu toque. Qual é, eu tenho certeza que você também se arrepiaria quando alguém passa os dedos pela sua barriga freneticamente. Ainda mais se esse alguém é o di Angelo.
-P-p-para! N-nico, vai bat-ter o sina-na-nal-l! –Repreendi, e graças aos deuses, o sinal tocou!
-Ta bom, Lia. Te vejo no intervalo.
-Na verdade, seu horário é igual ao meu. Por que será? –Porque você subornou a diretora pra isso, burra. Então, né, consciência, era pra ser segredo.
-Porque é o destino, oras! –Brincou. Só se a Thalia mudou de nome.
-Vamos logo, di Babão.
-Ei!
Eu ri e fui até a sala de história, com Nico no meu encalço. Sentamos juntos, lá no fundão.
-Vish! Esqueci o fone! –Resmunguei. É óbvio que nós não assistimos aula, só dormimos e escutamos música.
Peguei um de Nico, sem pedir, e encaixei no ouvido. Ele estava escutando “Perfect”, do Simple Pan. Sorri. Gostava da música. Ainda mais de quem dividia o fone comigo.
Empurrei silenciosamente minha carteira até a sua, até que encostassem-se. Nico aprovou com um sorriso. Deitei minha cabeça em seu peito e fechei os olhos, enquanto recebia um cafuné.
-Boa aula, Lia. –Ouvi Nico, rindo. Depois dormi, porque, colinho do Nico + folga da aula de história não é todo dia.
-Não me pega! –Gritou a menininha.
-Pego sim. –O garoto respondeu.
Eram duas crianças, no Central Park. Uma garotinha com um vestido preto de alcinhas até os joelhos, olhinhos azuis radiantes como o céu e delicadas, porém compridas, ondinhas negras como cabelo.
E o garotinha que brincava consigo era um encanto. Estava com uma calça jeans mais escura que o normal e uma camiseta dos Transformers cinza escura. Seus cabelos, ainda mais negros que os da garotinha, eram lisos e bem aparados; mas isso não impedia de algumas mexas caírem sobre os olhos, da mesma cor que o cabelo.
-Ei, Thalia, espera! –Ele pediu, encurvando-se e apoiando as mãos no joelhos.
-Já cansou, Nico? –Ela perguntou inocente, se aproximando.
-É claro que não! –Ele levantou-se em um pulo e relou no pulso dela. –Te pegue-ei!
-Ei! –Gritou risonha, correndo atrás do amigo, que saiu em disparada em meio as árvores.
Alguns minutos se passaram. A garotinha andava com medo. Estava perdida. Adentrara demais no bosque lateral. E não sabia mais por onde sair.
Começou a chorar compulsivamente.
-Nico! N-nico, me ajuda!
-Thalia! Thalia, cadê você? –Ouviu Nico chamando-a, logo aparecendo ali. Ele a abraçou. Ela se sentiu melhor.
-Onde você estava? –Sussurrou.
-Do seu lado, o tempo todo.
Sorriu.
-Thalia! Lia, acorda! –Senti alguém me sacudindo. Abri os olhos debilmente, apenas para me deparar com um par de orbes negras maravilhosas. Me encantavam. – Vai ficar me encarando até quando?
-Ah! Quer dizer, já parei, Nico, já parei. O que que foi, hein?
-Acabou a aula, princess. Vamos para a aula de matemática agora. –Riu da minha careta.
-Tá zoando, né?
-Nop.
-Aaah.
-Vem logo. Ou vou te carregar...
-Tudo bem, tô indo! –Peguei a bolsa e fui atrás dele, que estendia a mão para mim segurar. Sorri imensamente e a peguei. Arrepiei, de novo, e sem querer corei.
Por mais que eu tentasse pensar em outra coisa (tipo equações, raízes quadradas de números maiores que 4912848239802 e centímetros cúbicos), meu pensamento voltava à Nico. E ao sonho que eu tive. Aquela garota era eu. E o menino, Nico. Há dez anos atrás. Por que o sonho veio agora?
-Eu... Lia!... Não... Vai... Amor... –Escutei Nico murmurar, dormindo ao meu lado. Sorri, fazendo uma ligação com as palavras. Claro que não, sua tapada!
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