Love Of Friends
1 Capítulo I
Deslizei meus dedos suavemente pelo CD. Era só um CD, não deveria ter valor. Mas para mim aquele CD era sagrado. Extremamente sagrado.
Suspirei com saudades dele. Nico, você tinha mesmo que ir nessa droga de viagem? Eu fui descobrir logo nesse momento que você é mais importante para mim do que eu pensava.
Deixe-me explicar minha situação. Sou Thalia Grace. No momento estou com uma blusa do AC/DC do meu melhor amigo no meu quarto, meio depressiva, conversando com um CD do Nirvana. Que eu ganhei do meu melhor amigo. Que foi viajar. E por esse motivo estou quase tendo um treco.
Respirei fundo ouvir os gritos do meu pai do primeiro andar. Coisas do tipo "Sai desse quarto" ou "Aquele seu namoradinho mexe mesmo com você". Na verdade, o último é de Jason.
Ah, Nico, Nico, Nico. Chega logo, porra.
Peguei o pote de Nutella do meu lado e enfie o dedo ali. Estava quase acabando, e eu não sairia daquele quarto por nada. Nico...
Me levantei contragosto e me dirigi ao banheiro. Meus cabelos, não importava quanto tempo eu passasse sem pentia-los, continuavam perfeitamente arrumados. Quem me dera ter um rosto assim também.
Olheiras profundas, cara de choro. Deus, eu estava um zumbi. Hora do banho.
Água foi relaxante em cada músculo do meu corpo. Eu quase desmaiei de tanta moleza que me deu naquele momento. Por sorte tinha a saboneteira.
Enquanto ficava dd bobeira no chuveiro, reparei alguma coisa na pia. Um papel vermelho sangue. Sorri toscamente me lembrando daquele dia.
Eu havia brigado com Nico. E me sentia mal por isso. Muito mal. E o motivo do meu descontrolamento foi Calipso, aquela garota que vive dando em cima dele. Acho que ela não percebeu ainda que em todas as roupas do Nico tem um T e um G na gola. Ele me pertence, Vadialipso.
Eu estava trancada no meu quarto, brava e arrependida ao mesmo tempo. Esse sentimento era um tanto estranho para mim naquela época. Efim, eu estava agonizada.
Até que um papel desliza por baixo da porta. Um lindo papel vermelho sangue.
"Oi.", dizia.
Peguei uma caneta preta na minha mochila escolar.
"Oi.", respondi e passei o papel por baixo da porta.
"Ciúmes?"
Ri baixinho. Como ele sabia?
"Não. Deixe de ser convencido."
"Deixe de ser orgulhosa e abra a porta."
"Não."
"Então está com ciúmes."
É, eu estava. E muito.
"Já falei pra parar de ser convencido!"
"Já falei pra abrir a porta."
Sorri. Ele sempre vencia. Depois disso abri a porta, e tive o privilégio de passar uma tarde inteira jogando God Of War com Nico. E o papel ficou sobre a pia na hora de escovar os dentes e dormir.
E lá estava eu, pensando novamente em Nico. NICO!
Sai do banho e neguei por qualquer outra roupa que não fosse a camiseta AC/DC de Nico. E qualqur outro CD a não ser o do Nirvana. E ter qualquer outro pensamento que não fosse sobre ele. Típico, não?
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