Love Love Chiquititas
47 Capítulo 47
Notas iniciais
Capítulo 47:
Pov. Paçoca
Esses dias eu estava pensando muito, lembrei-me do meu passado e cheguei a derramar uma lágrima. Eu tive uma infância muito triste, minha mãe bebia como uma louca e não estava nem aí para eu e meu pai, ela saía de noite e voltava só no dia seguinte. Até que teve uma vez que ela não voltou, deixando apenas uma carta dizendo que iria para bem longe com um amante. Foi uma das piores épocas para mim e meu pai, que era o meu maior exemplo, ele sim era um grande homem. Por causa de tudo isso ele ficou muito abatido e perdeu o emprego, e na busca de um trabalho novo o ônibus que ele estava capotou e ele morreu. Eu fiquei sem rumo, sem saber para onde ir e como eu não tinha ninguém da família por perto, decidi levar minha vida nas ruas mesmo. Para sobreviver precisei entrar em muita coisa errada, me envolvi com uns caras barra pesada e isso virou a minha cabeça. Eu vejo no pessoal do orfanato quem eu queria ser, alguém feliz e amado, sem rancor, mas depois que você é conhecido como eu sou conhecido, fica difícil mudar, pois as pessoas não acreditam mais em você.
Paçoca- Eu quero mudar... –Disse para mim mesmo.
Pov. Cris
Eu estava com Rafa na sala, nós conversávamos muito e ele como sempre, estava sendo um fofo.
Rafa- Cris... Eu sei que pode parecer estranho, mas você é muito especial pra mim.
Cris- Você também é muito especial pra mim Rafa.
Rafa- É sério?
Cris- Muito sério.
Rafa- Você quer... –Ele ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido por alguém entrando no orfanato.
Levamos um susto quando percebemos que quem havia chegado, era o Doutor José Ricardo acompanhado do Júnior e da Carol.
D. José Ricardo- Olá crianças.
Olá Doutor José Ricardo- Dissemos em coro.
D. José Ricardo- Estão todos aqui?
Vivi- Algumas pessoas estão lá em cima, mas pode deixar que eu vou chama-las.
Vivi subiu e em alguns minutos voltou com o resto do pessoal. Eles cumprimentaram todos e se juntaram a nós.
D. José Ricardo- Bom... Como vocês sabem o orfanato está sem uma diretora, ou melhor, estava.
Mili- O senhor já decidiu quem vai ficar no lugar da Dona Carmem?
D. José Ricardo- Sim Mili! Depois de muita conversa, eu cheguei a conclusão de que a pessoa mais indicada para o cargo é a Carolina.
Nossa alegria era aparente, todos ficamos muito felizes com a decisão do D. José Ricardo, pois a Carol era quase uma mãe pra gente.
Bia- É sério?
Junior- Muito sério pessoal.
Todos nós fomos abraça a Carol que estava muito contente também.
Carol- Eu queria te agradecer novamente por esta oportunidade que o senhor está me dando. –Disse para D. Joé Ricardo.
Depois de um tempo o D. José Ricardo e o Júnior foram embora e apenas a Carol ficou.
Carol- Gostaram da surpresa?
Mosca- Não poderíamos ter uma notícia melhor Carol.
Carol- Que bom! Eu estou muito feliz por estar aqui, também.
Depois de um tempo eu lembrei que Rafa ia me dizer alguma coisa antes de tudo acontecer e então resolvi chamar ele. Nós fomos para o pátio e sentamos no banquinho.
Rafa- Porque me chamou Cris?
Cris- É que eu fiquei curiosa com oque você ia me falar mais tarde.
Rafa- A ta...
Cris- Você não vai dizer?
Rafa- É que eu to com vergonha!
Cris- Que é isso Rafa? A gente é amigo, não precisa ter vergonha.
Rafa- Então é assim que você me vê?
Cris- Assim como?
Rafa- Como amigo.
Cris- Claro você é o meu melhor amigo!
Rafa- Esse é o problema!
Cris- Como assim? Você não quer ser meu amigo?
Rafa- Não...
Cris- Então você não gosta de mim? –Eu disse com os olhos cheios de lágrima.
Rafa- Não é isso Cris! Você sabe que eu te adro... Só não sei se entenderia.
Cris- Rafael, você me acha Burra?
Rafa- Claro que não! –Disse ele dando uma pequena risada.
Cris- Então tenta!
Rafa- É que eu queria que a gente fosse mais que amigos, sonho com isso todos os dias.
Cris- É sério?
Rafa- Sim... Mas eu sei que pra você não é assim, então não se incomode, eu não falo mais nisso, prometo!
Cris- Calma Rafa! Que disse que eu não gosto de você assim?
Rafa- Você gosta?
Cris- Já faz um tempo! Mas eu pensava que você não correspondia.
Rafa abriu o sorriso mais sincero que eu já tinha visto.
Rafa- Então você aceita namorar comigo?
Cris- Mais que aceito!
Nós levantamos e eu o abracei. Depois disso fomos chegando cada vez mais perto e nos beijamos. Eu não estava nem acreditando que o que eu mais sonhava estava acontecendo.
Pov. Paçoca
Eu queria muito me redimir com todo o pessoal, por isso decidi não fazer nenhum tipo de ameaça para conseguir entrar no orfanato. Ao invés disso preferi ir até o orfanato e conversar com a responsável por eles. Quem sabe se eu contasse toda a minha história ela não fizesse com que eu entrasse. Fui até o orfanato, mas não tive coragem para entrar, pois com certeza todos estariam lá, por isso decidi ficar um tempo lá fora. Depois de um tempo uma mulher toda vestida de preto foi para fora, ela estava varrendo a calçada. Resolvi ir até ela.
Paçoca- Oi.
Ernestina- Oi. O que você quer? –Disse meio desconfiada.
Paçoca- Calma, eu não vou fazer nada. Qual o seu nome?
– Ernestina!
Paçoca- Você é a diretora do orfanato?
Ernestina- Quem me dera! A diretora agora é a Carol.
Paçoca- Eu posso falar com ela?
Ernestina- E sobre oque você que falar?
Paçoca- Assuntos pessoais, foi mal. Mas eu posso ou não?
Ernestina- Venha, eu te levo até a sala dela.
Paçoca- Não!
Ernestina- Porque não?
Paçoca- É que eu fico um pouco envergonhado, me sentiria melhor se ela viesse até aqui.
Ernestina- Eu vou ver se ela pode, mas não garanto nada! –Disse ela entrando no orfanato.
Depois de um tempo a Ernestina voltou com essa tal de Carol.
Carol- Posso ajudar?
Paçoca- Sim, eu preciso conversar com você... –Eu disse olhando para Ernestina para ver se ela se ligava de que era para sair.
Carol- Ernestina pode ir limpando lá pra dentro, depois você continua aqui.
Ernestina saiu bufando.
Carol- Porque você não quis entrar?
Paçoca- Digamos que o povo lá dentro não vá muito com a minha cara.
Carol- Eles te conhecem?
Paçoca- Sim. Quer dizer... Mais ou menos, porque agora eu me considero outra pessoa.
Carol- Vamos sentar ali. –Disse ela se direcionando para uns banquinhos e eu fui logo em seguida. –Como assim outra pessoa?
Paçoca- Eu vou te contar toda a minha história, até porque você parece ser confiável.
Carol- Não se preocupe oque nós conversarmos aqui não vai sair daqui sem a sua autorização.
Eu contei toda a minha história, desde quando era menor até me envolver com os mulekes na rua e virar praticamente um inimigo do pessoal aqui do orfanato.
Carol- Eu entendo que tudo foi muito difícil, mas porque você ta me contando isso?
Paçoca- É que nesses dias eu fiquei pensando em tudo isso e cheguei a conclusão de que esse cara agressivo é uma máscara. Eu queria me redimir com todo mundo, o que eu sinto falta é de ter uma família, amor, etc.
Carol- E como você pretende fazer isso?
Paçoca- Eu não sei como essas coisas funcionam, mas teria como eu entrar no orfanato?
Carol- Até tem, mas você não causaria nenhuma confusão aqui?
Paçoca- No começo vai ser difícil de eles acreditarem em mim, mas eu prometo que não vou causar nada, se eu causar você me manda pra qualquer lugar, pode ser?
Carol- Tudo bem, eu acredito em você. Mas não quebre essa confiança, ok?
Paçoca- Pode deixar! –Disse dando um sorriso.
Carol- Eu não posso fazer você entrar exatamente agora, hoje eu vou sair pra resolver algumas coisas e já vejo isso. E você fique por perto.
Paçoca- Aham!
Carol- Bom, agora eu tenho que ir. Tchau Paçoca.
Eu sei que essa história de virar bonzinho da noite pro dia é um tanto clichê, mas foi oque aconteceu, eu simplesmente caí em mim.
Continua...
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