Love Like Thunder
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Após quase seis meses longe, Flint visitava Sunyshore novamente. Era ótimo respirar o clima daquela cidade e sentir os raios de sol em sua face depois de tanto tempo naquele castelo da Liga. Como resultado de seu treinamento pesado e da fama que tinha por Sinnoh, o rapaz finalmente foi aceito na Elite Four, especializando-se em pokémons do tipo fogo e realizando seu desejo de mostrar ao mundo o quão bom ele e seus parceiros poderiam ser. Entretanto, essa posição exigia muito de seu tempo e por isso desde o dia em que foi aceito ele não visitava aquela cidade. Felizmente havia conseguido uma brecha para sair do castelo naquele dia e estava bastante feliz, queria muito ver uma certa pessoa novamente.
Ele deu seus primeiros passos dentro da cidade quando uma mão puxou seu ombro de forma violenta, fazendo o ruivo virar-se assustado para a pessoa que havia sido tão grossa. Era um homem, que não carregava uma expressão muito amigável.
‘’Ei, você é amigo do Volkner?’’ o rapaz assentiu, ainda assustado por ser abordado tão de repente. O homem lembrava-se que aquele rosto andava para todos os lados com o antes dito, e quando o reconheceu não perdeu tempo. ‘’Pois faça o favor de dizer a ele que aquele maldito ginásio não é a única coisa que precisa de eletricidade aqui, as moradias estão sofrendo quedas de energia constantes desde a última vez que o idiota melhorou o seu ginásio, mas ele simplesmente parece não ligar!’’
‘’Calma aí, senhor.. eu prometo que vou falar com ele sobre isso’’ ele respondeu calmo, mesmo não tendo muita certeza sobre o que o homem falava, e assim que ouviu a resposta o cidadão largou o ombro do treinador com hostilidade.
Flint observou o homem grosseiro ir embora, finalmente tendo tempo para observar o quanto a cidade havia mudado. Ele lembrava-se de Sunyshore como um lugar enorme, porém consideravelmente vazio. Havia apenas algumas casas simples, o mercado, um centro pokémon e o ginásio abandonado, na qual seu amigo virou líder após a aprovação da Liga; porém agora haviam grandes passarelas cobrindo a cidade inteira, painéis solares sobre todos os lugares e o farol, antes velho e despedaçado, agora completamente novo e belo. Volkner havia construído tudo aquilo? Nos seus telefonemas para o treinador, ele apenas comentava que havia feito 'pequenas mudanças' em Sunyshore, mas o ruivo nunca imaginou que na verdade ele havia modernizado o lugar inteiro.
Querendo ver o amigo imediatamente para matar a saudade e comentar sobre essas 'mudanças', ele se dirigiu ao ginásio que também havia mudado bastante, dando uma aparência totalmente nova e tecnológica. Estava fechado, e ao começar a chamar o nome do líder uma garota com um Shinx em seus braços apareceu.
''Desculpe, mas Volkner não se encontra no ginásio... ele está fora há dias e não tem previsão pra voltar'' a menina comentou um pouco sem graça. Ela foi encarregada de dar essa notícia a todos que chegassem em busca de uma batalha, porém sentia-se mal pelos treinadores que voltavam para casa sem nenhuma luta.
''Como assim? E você sabe onde ele está agora?'' perguntou educado, ainda confuso com toda a situação.
''Bem, parece que ele perdeu a vontade de batalhar, por isso raramente aparece por aqui. Ao invés disso ele passa a maior parte dos seus dias naquele farol, inclusive deve estar lá agora, mas ele não quer visita-... ei, moço!'' a menina gritou para tentar pará-lo ao perceber que assim que havia dado a informação o rapaz correu na direção do lugar, mas foi em vão.
E no topo do farol, Volkner mais uma vez ele observava o pôr-do-sol pela vidraça ao lado de Raichu. Era uma rotina diária, subir no farol e ficar lá até o sol descer no horizonte. Aquele era seu local favorito, não só porque havia construído a estrutura, mas também porque lá era o único local que o loiro poderia ter paz, sozinho, e na maioria das vezes olhando no binóculo para ver o grande castelo da Elite Four, por motivos pessoais que apenas ele sabia. De repente, Raichu ergue suas orelhas como um sinal de alerta e corre para o lado de fora, deixando seu mestre com grandes suspeitas sobre o que ou quem poderia ser.
''Hey, Volk!'' o rapaz cumprimentou ao entrar na sala, trazendo Raichu em seus braços. Exatamente como ele havia suspeitado.
''Saindo as escondidas da Elite Four?'' o outro brincou, mas no fundo estava feliz por isso ter acontecido.
''Ingrato, eu sai pra te visitar, ok?'' ele fingiu raiva, deixando Raichu livre para ficar ao lado de seu mestre e abraçou o rapaz.
O abraço durou bem mais tempo que qualquer outro que eles já tiveram. O treinador da Elite ficou extremamente feliz ao abraçar o amigo após tantos meses, eles sempre foram parceiros inseparáveis e qualquer demora parecia uma eternidade. Gostava de senti-lo em seus braços, o apertando forte enquanto sentia seu perfume.
Após um tempo os dois se separaram. Flint ficou ao lado do rapaz e de costas para o horizonte, preferindo olhar para o amigo que observava a paisagem do lado de fora. Ele não havia mudado muito, continuava com a mesma aparência de adolescente; cabelo repicado, sempre com o mesmo corte e olhos caídos. O ruivo achava o líder ainda mais belo daquela maneira, concentrado em alguma coisa enquanto os últimos raios de sol refletiam na vidraça, iluminando sua face. Entretanto, sua expressão estava bem diferente da habitual, 'chocante' de sempre; era uma expressão cansada e melancólica, fazendo seu olhar se transformar em um de tristeza e tédio.
O treinador da elite pensou em comentar sobre isso, mas resolveu deixar de lado e falar sobre coisas mais animadoras.
'' 'Pequenas mudanças',huh?'' o mais alto brincou, repetindo as palavras que o amigo o dissera nos telefonemas. ''Cara, você modernizou a cidade inteira! Sabe, eu sempre soube que você era um nerd por tecnologia, mas eu nunca imaginei que você fosse fazer algo tão grande''
''Não foi grande coisa, eu só fiz o necessário; a cidade precisava de muita eletricidade e como Sunyshore é a cidade do sol, resolvi construir passarelas para ocupar o espaço vazio e instalar painéis solares, para gerar a eletricidade necessária. O sistema funciona perfeitamente graças ao sol forte'' ele explicou em um tom de voz calmo, como se tudo aquilo fosse algo simples. De fato, ele não achava seus feitos tão incríveis, então não gostava de se gabar por isso.
''Diga o que quiser, mas isso ainda é genial''
Volkner então se afastou da vidraça e caminhou em direção a saída do farol com Raichu e Flint ao seu lado, falando sem parar sobre como era a Elite Four, mas o seu amigo continuava em silêncio. Isso estava o incomodando bastante, algo realmente havia mudado no rapaz durante sua ausência e ele não conseguia entender o que era. Ele pensou em falar sobre esse assunto e os problemas da cidade que o cidadão havia comentado mais cedo, porém mais uma vez decidiu deixar essa conversa séria para outra hora.
Após alguns minutos eles já estavam na casa do líder, sentados na mesa de estilo tradicional japonês enquanto bebiam e um CD aleatório de rock tocava no ambiente. Terminando mais uma lata, o ruivo depositou com força o objeto na mesa ao mesmo tempo que degustava o sabor amargo da cerveja.
''Cara! Você não tem ideia da batalha que eu tive antes de vir pra cá'' ele falou com intensidade, tendo um rápido flashback de todos os momentos da sua luta.
O loiro deu mais um gole na bebida alcoólica e não respondeu, mas o lançou um olhar de interesse para incentivar o outro a continuar.
''Uma garota veio me desafiar e nossa, quanta força! Foi uma batalha incrível, meus pokémons lutaram com tudo que puderam mas no final a pirralha venceu... malditos Empoleon e Garchomp'' ele balançou a cabeça de forma negativa ao lembrar do dano que eles causaram aos seus companheiros, mas ainda os admirava pelo poder e confiança na garota. ''Ela deve estar enfrentando a Cynthia nesse momento, tenho certeza''.
''Acho que a conheço'' o menor comentou, fazendo o ruivo se surpreender um pouco ao ouvir o amigo falar após tanto tempo de silêncio. ''Uma treinadora de cabeço azul e touca me desafiou pra uma batalha semana passada. Eu não estava com vontade, mas ela insistiu tanto que eu acabei aceitando só pra ela ir embora e, bom, se esse Garchomp dela for tão monstruoso quanto você diz, tenho certeza que é ela''
Os dois riram um pouco e o ruivo observou o líder de ginásio, reparando o quão lindo era seu sorriso, o fazendo suspirar triste quando o outro voltou a mesma expressão desconhecida de antes. Ele odiava ter que falar sobre isso, mas sabia que se não tomasse nenhuma atitude ele nunca iria saber a verdade por trás disso. Então Flint respirou fundo, colocando uma expressão séria em seu rosto e preparando-se para falar sobre o assunto.
''Volkner, o que tá acontecendo com você?'' o rapaz perguntou firme, fazendo o outro virar seu olhar para si com clara surpresa pela pergunta repentina.
''Não entendi'' ele respondeu frio, mas seu tom demonstrava que ele de fato sabia o que o maior queria dizer.
''Cara, você anda depressivo e distante, completamento diferente do Volkner que eu conheço. Uma treinadora me disse que você passa seus dias naquele farol, e quando sai gasta toda a eletricidade de Sunyshore para melhorar o ginásio sendo que você nem gosta de ficar lá. As pessoas estão reclamando, elas precisam de energia também sabia?'' ele falou tudo de uma vez com uma voz dura mas ao mesmo tempo preocupada, respirando para retomar o folego e mudando para seu tom amigável de sempre. ''O que houve? Pode me contar''
O loiro riu sarcástico, voltando a tomar sua cerveja e desviando o olhar do outro. Ele ouvia as pessoas comentando o tempo inteiro pelas suas costas que 'o líder de ginásio era um irresponsável' ou que 'líder de ginásio havia mudado', mas não imaginava que o rapaz também falaria sobre isso. Se havia algum motivo por trás disso, Volkner obviamente não falaria.
''Você não entende, nunca entenderia''
''O quê? Cara, eu sou seu melhor amigo há anos e sempre te ajudei com seus problemas'' ele respondeu um pouco ofendido com a afirmação.
Algo naquela frase vez Volkner suspirar, fechar seus olhos com raiva, se levantar da mesa e caminhar com pressa até a varanda de sua casa, apoiando seus braços no parapeito enquanto tentava respirar e ter um pouco de paz. Ele sabia que o ruivo viria atrás logo depois, mas não aguentaria ficar de frente para o rapaz por mais tempo naquela mesa.
Após Flint ter sido aceito na Elite Four, muitas coisas haviam mudado na vida dos dois. O treinador do tipo fogo progredia mais e mais a cada dia, sempre ficando mais forte e derrotando quase todos que conseguiam chegar até ele, ganhando bastante status na Liga Pokémon. Entretanto, com Volkner acontecia o contrário. Seus dias ficaram monótonos, as batalhas se tornaram cada vez mais entediantes e para ocupar seu tempo, ele resolveu investir na tecnologia para a cidade, construindo painéis solares em toda Sunyshore para gerar eletricidade, principalmente para os puzzles em seu ginásio; quanto mais complicado os puzzles, menos treinadores ele teria que ver e enfrentar.
Em resumo, o motivo de sua indiferença era Flint. Volkner sabia disso, ele não escondia de si mesmo o fato de que o amava há muito tempo e esses sentimentos eram os principais responsáveis por deixá-lo tão triste após a partida do amigo. Ele já havia se acostumado com o rapaz ao seu lado todos os dias, todos os momentos, e agora que Flint estava sempre tão distante sua vida havia sido tomada pelo tédio e monotonia. O líder tinha consciência de que era bastante egoísta querer o outro sempre tão perto, e de qualquer forma, uma hora ou outra as habilidades do treinador o abririam várias portas, fazendo seus destinos se separarem. Ele sabia de tudo isso, mas seus sentimentos eram fortes demais para controlar e por isso Volkner preferia reprimi-los, tentando deixar sua mente ocupada apenas com assuntos sobre a cidade e tecnologia, mas era em vão.
Volkner estava apaixonado por Flint, mas não era uma paixão qualquer; era amor. Isso o fazia sofrer ainda mais ao pensar que esse amor não era recíproco, afinal, eles eram 'melhores amigos', era um fato que não iria mudar
Dando um suspiro triste ao lembrar de tudo isso, ele ouviu passos lentos virem em sua direção até sentir a figura parar atrás dele, se recusando a virar-se e encarar o rosto do outro.
''Volk, eu não quero te dar lições ou reclamar sobre suas atitudes, se estou falando isso é porque sou seu amigo e me preocupo com você''
O loiro apertou as mãos no parapeito, suspirando mais uma vez. Ele tinha que lembrar desse detalhe todas as vezes?
''Eu não quero ficar bravo com você, então por favor me deixa sozinho'' o rapaz disse entredentes, dando meia volta e voltando para dentro de casa sem olhar no rosto do outro.
Ele caminhava para qualquer lugar de sua casa quando duas mãos seguraram seus braços com violência, pressionando-o contra a parede mais próxima. O loiro se surpreendeu com a atitude atrevida do maior, nunca imaginaria que a pessoa calma e relaxada que era Flint poderia fazer algo do tipo. O ruivo apenas o manteve preso, encarando os olhos azuis que demonstravam pura despreocupação mesmo estando sobre controle do treinador de fogo. Seus corpos estavam muito próximos e o menor podia sentir a respiração agitada do outro tocar seu rosto, causada pela adrenalina do momento. Ele não ia mentir, mesmo que Flint estivesse fazendo isso porque estava irritado, era uma sensação extremamente excitante.
''Você sabe que me prendendo desse jeito só faz parecer que você quer me beijar, certo?'' o menor brincou com seus próprios sentimentos, tendo a certeza de que após essa frase o rapaz o soltaria.
''Talvez eu queira'' ele respondeu de uma forma sensual, mudando o foco de seu olhar para os lábios do amigo.
Aquela resposta realmente surpreendeu Volkner. Ele jamais esperaria que o outro dissesse algo desse tipo de uma forma tão natural, mas pelo tom de sua voz, ele sabia que não poderia estar brincando. E mesmo se estivesse, decidiu entrar de vez naquela brincadeira perigosa.
Com suas mãos presas e podendo movimentar apenas sua cabeça, ele aproximou ainda mais seu rosto do dele, até um ponto em que os lábios estavam se encostando levemente.
''Você não sabe nada'' o loiro sussurrou, fechando seus olhos ao sentir o toque.
Quebrando a pequena distância que havia entre os dois, Volkner o beijou, finalmente experimentando o gosto de ter os lábios de Flint colado aos seus. Começou leve, ambos aproveitando daquela recém-descoberta sensação, até que o desejo tomasse conta de seus corpos e permitisse um contato mais forte. O líder de ginásio sentiu sua pele inteira arrepiar quando Flint soltou seus braços e começou a acariciar seu corpo, pondo uma mão em suas costas e outra atrás dos fios loiros, o puxando para um beijo mais profundo. Tomado pelo desejo e paixão, não demorou muito para o menor passar sua língua nos lábios do mais velho pedindo passagem, que logo foi concedida. O gosto da boca do rapaz era indescritível, o sabor forte e amargo do álcool misturado com o doce natural do mais velho rapidamente o viciaram, fazendo o treinador querer permanecer sua vida inteira naquele ato.
Volkner agora estava livre para tocar o ruivo, atrevendo-se a levantar a camisa amarela e alisar seu peitoral; seu corpo era magro, porém forte. Inerte pela excitação daquele contato com a pele morena do amado, ele inconscientemente afastou um pouco suas pernas devido ao volume que se formava debaixo do jeans. Flint percebeu isso e, ainda o beijando, encaixou sua perna entre as do menor até sentir a intimidade do rapaz, sorrindo ao ouvi-lo gemer com o toque.
Era apaixonado, era intenso, era elétrico.
Queriam continuar por mais tempo, mas precisaram interromper para recuperar o fôlego. Eles se afastaram poucos centímetros, ficando exatamente como mais cedo, antes de todo esse ato ocorrer. Seus lábios ainda se encostavam levemente, deixando ambos sentirem a respiração descompassada do outro. Volkner então deu mais um de seus sorrisos sarcásticos. Ele havia amado tudo aquilo, mas não poderia deixar seu amor o enganar e o fazer acreditar que Flint gostava dele; ele sabia que não era verdade.
''Arrependido?'' o loiro perguntou em tom humorado, mas ainda temendo a resposta.
''Por que eu me arrependeria?'' ele respondeu, encostando seus lábios no pescoço do rapaz e distribuindo vários beijos e chupões naquele local.
Volkner tentou, mas não conseguiu segurar o gemido ao ser acariciado pelo maior daquela maneira. Ele estava ficando louco com tudo isso, e se continuasse sabia que se magoaria ainda mais depois. 'Flint só está agindo assim pelo momento, ele não gosta de mim e logo vai se esquecer de tudo isso, enquanto eu vou ficar sofrendo', pensava.
Com a dura verdade assombrando sua cabeça, ele afastou o maior contra sua própria vontade, triste por ter que interromper aquele momento que provavelmente nunca voltaria a acontecer.
''O que foi?'' o ruivo perguntou inocente com confusão em seu rosto.
''Para... por favor'' ele desviou seu olhar, fitando qualquer lugar que não fosse o rosto do rapaz.
''Eu não entendo... você não gostou?'' ele perguntou novamente, insistindo para mais um beijo porém sendo impedido.
Volkner não tinha só vergonha de dizer seus motivos, ele tinha medo. Se ele revelasse seu segredo, a amizade entre os dois definitivamente não seria mais a mesma e Flint se distanciaria ainda mais, não se daria bem com o fato de que seu melhor amigo era apaixonado por ele. Entretanto, aquele era o momento ideal para ser sincero com seus sentimentos, oportunidade como essa não apareceria novamente. Afinal, meras deduções não poderiam definir o futuro de sua vida e nunca saberia a real reação se não perguntasse.
Ele respirou fundo, pronto para contar a verdade para o rapaz. Pensando novamente sobre isso, Flint ainda era seu melhor amigo e mesmo que a resposta fosse ruim, a amizade dos dois não acabaria por causa disso.
''Não é isso'' ele começou com um tom que, apesar de parecer firme, carregava receio. O loiro então olhou nos olhos castanhos do outro, nunca sendo tão sincero na sua vida. ''Acontece que é difícil demais eu te amar e você me beijar sem sentimento nenhum''
Flint adotou uma expressão de surpresa após aquela revelação. Nunca, nem em um de seus melhores sonhos, havia imaginado que o líder de ginásio falaria algo assim. Não era segredo que desde que era criança viu algo especial em Volkner e, com o passar dos anos, esse 'algo' havia se transformado em um sentimento mais forte que uma simples admiração ou amizade. Machucou demais o fato de que ao ser aceito na Elite Four ele precisaria se distanciar do rapaz para dedicar seu tempo aos treinos e desafios, por isso assim que se familiarizou mais com o lugar e viu uma brecha para poder sair, sentiu-se livre para finalmente visitar o amigo após quase seis meses. Entretanto não pensou que sua visita seria tão quente.
Percebendo que estava em transe e o outro esperava uma resposta, voltou para a vida real e sorriu amigável, sempre encarando aquelas orbes azuis.
''Você não sabe nada'' ele respondeu, aproximando-se do ouvido do loiro, dessa vez sem ser impedindo, e sussurrando. ''Eu te amo há mais tempo que você imagina''
O ruivo mordeu a ponta da orelha do líder ao revelar seu segredo. Volkner se arrepiou mais uma vez ao ouvir aquilo. Era a melhor coisa que havia escutado em sua vida, mas seu lado racional o fazia repetir para si mesmo que era mentira, que Flint estava enganado e mais tarde poderia se arrepender de tudo isso.
Vendo que ambos precisavam pensar, Volkner conseguiu sair debaixo do ruivo e voltou para a varanda, se escorando no parapeito e observando o mar, que assim como sua cabeça, estava bastante agitado naquela noite. Flint ficou parado olhando o outro refletir, compreendendo que Volkner precisava de um tempo para si e por isso resolveu não insistir mais.
''Tudo bem, você deve pensar que estou mentindo, eu entendo'' ele disse calmo. ''Mas saiba que eu não estou, eu te amo de verdade, tenha certeza disso! Então quando sua cabeça esfriar e decidir o que quer fazer sobre nossos sentimentos, me liga... eu volto no mesmo instante''.
Flint sentia muita vontade de dar um beijo de despedida no rapaz, mas não queria complicar ainda mais seus pensamentos, então apenas saiu. Volkner ouviu os passos se afastarem e a porta abrir e fechar, só então sentindo um enorme vazio e solidão. Ele colocou dois dedos sobre seus lábios, lembrando-se do beijo intenso que os dois tiveram naquele momento de pura eletricidade. Estava feliz, porém perturbado também; queria ter finalizado o assunto e pedir para que os dois ficassem juntos de uma vez, mas precisava de uma confirmação com mais calma. Ele estava completamente certo de seus sentimentos, mas temia que Flint não; por isso deu um tempo não para si, mas para ele, e quando o outro tivesse plena certeza do que sentia voltaria a ligar.
Semanas depois, ele ligou, e não demorou para Flint voltar.
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