Love, Lies And Smiles.
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Our Love, My Lie, Your Smile
Nosso Amor, Minha Mentira, Seu Sorriso.
A resposta de Hinata não veio, ela permaneceu parada e calada o que apenas deixou Hanabi ainda mais aflita e nervosa, até decidir abordar as coisas de uma outra forma.
- Certo, já vi que as minhas palavras não vão ser suficientes. Então vou adotar outra tática.
Com demasiada força ela segurou os pulsos de Hinata bem em cima dos cortes ainda mal cicatrizados o que a fez soltar um gemido e puxar os braços para longe da irmã.
- Você ficou louca?
- Dói não é? Incomoda não é? Porém eu posso te garantir que essa dor não é nada comparada com coisas como o arrependimento, e você não sabe o que é isso.
- Eu não sei? Você acha que não existem coisas das quais eu não me arrependo de ter feito?
- E alguma delas causa um arrependimento forte o suficiente para te sufocar? Por que se você não sabe o que é isso, eu te explicarei. Afinal é isso que eu senti durante cada dia que eu fiquei longe de você. Eu sempre soube o que você passava, sempre soube o que você sofria e Deus... Somente eu sei como eu me sinto e me culpo todos os dias sabendo que podia ter feito diferente. Eu deveria ter ido contra as decisões do nosso pai, deveria ter ido contra tudo isso e ficado ao seu lado não importando o quão ruim fosse a situação, você é a minha família e o mais próximo que eu tenho de uma mãe. Você não sabe como eu me senti viva quando Naruto apareceu, quando eu percebi que surgiu alguém que poderia reparar todos os meus erros e proteger você! Se você partir, se entrar naquele avião...
- Ele irá atrás de mim se realmente me amar...
- Pelo amor de Deus não seja assim tão idiota! – ela aumentou o tom. – Você não pode ser realmente tão burra assim Hinata! Como você acha que foi para ele ficar esse dias na casa do Ko observando o quanto Madara feriu você em apenas um único dia quando ele sacrificou três anos para tentar impedir isso? Ele falhou no momento em que você se machucou, no momento em que Madara colocou as mãos em você, todos os planos, todos os sacrifícios, todos os erros de Naruto se tornaram injustificáveis. Se você tivesse saído ilesa ele estaria lutando com todas as forças por você nesse momento. Você prefere ficar reclusa a sua vida, culpando a tudo e a todos pela sua infelicidade. É verdade que você não tem culpa pelos erros do papai. Mas você não é totalmente inocente quando o assunto são as decisões do Naruto.
- O que você quer dizer com isso?
- Que você ou é realmente idiota ou é apenas cega demais! Ele te ama tanto a ponto de escolher sacrificar a si mesmo em prol da sua segurança, ele preferiu arquitetar planos e destruir qualquer perigo que pudesse se aproximar de você do que simplesmente aceitar o destino e fugir com você esperando pelo dia em que seriam pegos e provavelmente mortos. Você sabe quantos tiros ele tomou nesse tempo? Sabe quanto ele feriu? Quão ferido foi? Conhece os pecados que ele cometeu nesse tempo? Por que se você realmente quer partir primeiro conheça tudo que ele fez de errado para te proteger e use como desculpa que não pode conviver com o fato dele ter mentido, manipulado, levado pessoas a morte e matado. Existem coisas que não podemos deduzir baseado em atitudes, mas quando os parâmetros que usamos são coisas como as que Naruto fez por você, ou ele ama você mais do que a própria vida ou ele é apenas um lunático tarado que quer o seu corpo, e bem com os seus peitos, eu tenho que admitir que se eu fosse homem tentaria cometer um incesto.
- Hanabi!
- Certo, certo... Voltando ao assunto, ele não irá atrás de você exatamente pelas coisas que eu te disse. Não importa o que o coração dele possa dizer, enquanto ele manter na cabeça que falhou em proteger você mesmo após tudo isso, eu duvido muito que ele vá voltar atrás e ir atrás de você.
Sem esperar uma resposta da irmã, ela deixou o quarto e seguiu para a sala. Tendo certeza de que Hinata não a seguiu, ela pegou seu celular e ligou para Konohamaru.
- Bom eu já fiz a minha parte, agora é com você.
- Ok.
Na casa de Konohamaru as coisas estavam diferentes, embora a poucas horas atrás a casa ainda estivesse bem movimentada, agora estava apenas ele Naruto e Sasuke ali, e o Uzumaki só continuou por lá graças a insistência do Sarutobi vendo que o braço de Naruto estava longe de ter melhorado e ele mal conseguia movê-lo.
- Você sabe que mesmo com o braço assim não seria nada anormal para mim. Já houveram ferimentos piores...
- É mais você nunca esteve tão mal psicologicamente. – respondeu Sasuke enquanto com bebida para ele e Konohamaru e uma caneca de chocolate quente para Naruto.
- Chocolate sério?
- Você está tomando antibióticos pesados, nada de álcool para você.
- Fala sério...
- Estamos falando, e Naruto você tem que ir atrás dela.
- De novo com isso Konohamaru?
- Olha, Hanabi acabou de me ligar e como nós imaginávamos, eu duvido muito que a Hinata virá até você, não importa o que seja dito a ela, provavelmente apenas você será capaz de mudar tudo isso. E Naruto você não pode deixar ela simplesmente partir, não depois disso tudo. Você não merece passar o resto da vida mergulhado em arrependimentos e tristeza.
- E como deve ser a minha vida Konohamaru? Eu irei atrás da mulher que eu machuquei e enganei e como num passe de mágica tudo simplesmente se resolve e somos felizes para sempre?
- Se está acontecendo comigo e Sakura, por que não pode acontecer com você e Hinata?
- Por que você pelo menos deu informações a ela!
- Não fale merda, você sabe muito bem que eu só disse meias palavras, afinal assim como você, eu não pretendia sair dessa vivo! Só que veja, nós fomos contra todas as expectativas, contra qualquer lógica e mesmo com nossa experiência praticamente nula conseguimos derrubar Madara, já é um milagre estarmos vivos, então quem disse que o destino não pode cometer mais um pequeno favor a nós? Vá atrás dela, não espere ser tarde demais para perceber o que você está perdendo. Eu poderia te obrigar a fazer o certo, tanto eu quanto Konohamaru poderíamos esfregar a verdade na sua cara e fazer você deixar de ser tão teimoso com mais algumas horas de conversa. Mas eu já estou cansado e você não é uma criança que precisa ser guiada. Você me salvou várias vezes nos últimos anos assim como eu te salvei e se você foi inteligente o suficiente para salvar nossas vidas tantas vezes, certamente tem alguma inteligência para enxergar o correto.
- De que adiantou tudo isso? Ele conseguiu pegá-la no final...
- Porra para de parecer uma mulherzinha que acabou de quebrar a unha e fica choramingando pelos cantos. Se Madara a pegou no final é por que você não foi forte o suficiente, tudo que você precisa fazer é ser forte o suficiente para garantir que nada disso irá se repetir outra vez. Ela está machucada fisicamente e psicologicamente, com você, pode ser que ela saia disso tudo sem sequelas, mas sem você. Eu duvido muito. Então pare de ficar chorando pelos cantos, pegue o primeiro táxi que passar na rua e vá até o aeroporto impedi-la, e eu sugiro que vá rápido, provavelmente ela deve estar entrando em um táxi nesse momento já que o voo dela sai em pouco mais de uma hora.
Ele se afastou da onde os dois estavam, precisava pensar, pensar sozinho. Tudo ainda estava confuso demais, embolado demais. Precisava de tempo, tinha que colocar seus pensamentos no lugar e pensar com calma nos próximos passos... Não... O grito em negação veio alto em sua mente, movido pelo toque dele naquele pequeno objeto no bolso de sua calça. Com um suspiro ele tirou o objeto do bolso e lá estava a aliança que usou durante o curto namoro com Hinata, uma das únicas provas reais de que aquele relacionamento realmente existiu e de que agora seguia para um fim irreversível.
Com um novo grito em sua mente o seu coração deu um salto, era como se os seus sentimentos estivessem finalmente respirando após anos confinados. E em meio a aquilo tudo, apenas a imagem dela permanecia, apenas a vontade de não deixa-la partir. Ele ignorou tudo, ignorou quem ele se tornou, os erros que cometeu ou o medo de ser rejeitado por ela. Colocou o casaco mais grosso que achou em sua mala, calçou seus sapatos e seguiu para fora da casa pegando o primeiro táxi que passou.
O tempo correu, passou muito mais rápido do que ele esperava e logo começou a deixa-lo preocupado, o trânsito não parecia dar sinais de que ajudaria e o aeroporto ainda estava longe. Vendo que não teria outra opção, ele pagou a corrida e deixou o táxi. Correu o máximo que seu corpo permitia ignorando o vento gelado que quase cortava seu rosto ou a dor quase insuportável do ferimento em seu ombro que aos poucos começava a romper os pontos e a ardência já presente indicava que o mesmo começava a sangrar outra vez. Quase meia hora havia se passado quando ele finalmente chegou ao aeroporto. Estava suado, os músculos em sua perna queimavam reclamando do esforço sem aviso prévio assim como sua cabeça latejava pela dor no ombro. Com mais uma curta corrida ele chegou frente ao painel que informava os voos internacionais e naquele momento ele sentiu todas as forças de seu corpo desaparecerem quando todos os voos para o Japão programados para aquele horário já tinham decolado.
Todos os pensamentos em sua mente passaram de forma rápida e confusa obrigando ele a encostar em uma pilastra para manter-se de pé, era impossível no final. Era o destino reservado para ele então, estar sozinho.
- Você veio.
A voz o pegou distraído e ele quase deu um salto de onde estava. Ela estava ali, na sua frente.
- Você? Como... O seu voo...
- Eu não embarquei não é obvio? Eu já tinha desistido de embarcar antes mesmo de sair de casa, tanto que eu não trouxe nenhuma mala.
- Então por que...
- Por que eu vim? Em um primeiro momento por que Hanabi estava prestes a me bater, e em um segundo momento, por que eu precisava saber se você viria ou não.
Ele tentou responder mais sentiu a vista embaçar enquanto seu equilíbrio falhava.
- Naruto? Está tudo bem com você?
Ela levou as mãos até o peito dele e se surpreendeu quando uma de suas mãos voltou ensanguentada. No momento seguinte ele perdeu completamente o equilíbrio e começou a perder a consciência deixando-a apavorada e obrigando-a a segurá-lo para que ele não caísse no chão.
- Naruto? Naruto! Por favor me ajudem aqui! Preciso de ajuda!
Ele apagou. Não soube dizer por quanto tempo ou o que aconteceu após desmaiar. Sabia apenas que agora sua consciência começava a voltar e estava mais desorientado do que nunca. Por breves segundos sua visão permaneceu fraca até finalmente começar a se acostumar com a pouca claridade do local. Ele enxergou um teto branco e ao olhar para o lado viu uma janela que escondia um cenário provavelmente amarelado por de trás das persianas. Na parede frente a cama de hospital onde estava havia um relógio que marcava 6:03. Ao olhar para o lado oposto a janela ele pode enxergar que ela estava ali, com o rosto apoiado na cama e em um sono aparentemente leve demais. Tentando mover o braço próximo a ela percebeu que não possível, além de fazer a ferida doer novamente sentia uma queimação incômoda sempre que tentava mover o braço. Dando-se por vencido e usando o outro braço ele passou a mão nos cabelos dela e segundos após ela se moveu rapidamente aparecendo ter acordado no susto. Sem olhar para nada além dele ela deixou naquele momento que o olhar dela encontrasse o dele e deixa-se claro para ele o que as palavras não fariam tão bem como aquele olhar.
Fazia tempo que não tinha um olhar tão sincero para ela, fazia tempo que não se permitia explorar os cantos da alma dela como costumava fazer. E com aquele gesto ele finalmente entendia tudo que se passava nela. O modo como dois lados travavam uma briga ferrenha, um deles insistindo para que ela partisse e o esquece-se, o outro no entanto tentando mantê-la motivada a continuar ali. A continuar com ele. Era no entanto um olhar diferente. Não era vazio ou despedaçado como os olhares anteriores dela. Era um olhar mais inocente e claramente preocupado, um olhar como o de anos atrás. E lá estavam os sentimentos intocados dela, cada um deles.
- Hinata eu...
- Não fale. Não ainda. Já deve ter ficado claro para você, mas eu preciso dizer. Preciso colocar tudo isso em palavras também. Eu não vou mentir, não vou ser hipócrita e dizer que não estou magoada, que estou de certa forma decepcionada. Mais eu sou obrigada a reconhecer que muitos não fariam metade do que você fez apenas para me manter longe de tudo, e principalmente disso, — ela mostrou os curativos nos pulsos. – eu fui egoísta, pensei apenas no meu sofrimento. Joguei tudo em cima de você sem nem ao menos tentar entender o que você realmente passou ou tentar compreender as suas atitudes. Foi preciso quase apanhar da minha irmã para perceber que eu faria o mesmo por você. Eu te culpei por ter me abandonado e mesmo após saber por que você o fez eu continuei cega graças aos três anos que passei longe de você. Eu não vou negar que te amo, e não vou negar que é por amar você que eu tenho raiva do que você fez! Saber que você estava arriscando a própria vida, que fez coisas que podem ficar para sempre marcadas em você e que passou por tudo isso sozinho. Eu imagino quantas noites você passou em claro, quantas noites quis fugir de tudo enquanto eu estava segura no meu apartamento em Londres ou em alguma sala de aula pela faculdade. Mas... Você não falhou e sabe disso não é? Se Madara tivesse descoberto que você estava preocupado comigo, se ele tivesse juntado esses pontos antes eu certamente estaria morta agora não é? – ele balançou a cabeça concordando. – Então, no final eu sai quase ilesa disso tudo e aqui estamos nós, frente a frente. Eu fui ao aeroporto por que precisava saber, eu precisava saber se você desistiria de mim ou tentaria me impedir de ir embora. Mesmo sabendo que você me amava, eu precisava saber que ainda me queria e precisava confirmar o quanto eu ainda preciso de você.
Ela deu uma pausa quando as lágrimas a interromperam obrigando-a a secar o rosto diversas vezes antes de voltar a falar.
- Eu quero saber de tudo Naruto, quero que você me conte tudo um dia, seja hoje, amanhã ou daqui a vinte anos. Quero carregar tudo isso assim como você carregou o peso da minha três anos atrás.
Com certa dificuldade e contra a vontade dela ele sentou na cama e tentou levantar, mas parou ao perceber que ainda estava tonto.
- Eu te amo e essa é a verdade. Eu nunca quis magoar você, nunca quis lhe causar tanto mal, mas é verdade que eu precisava que você sentisse raiva de mim, que estivesse ressentida. Isso a manteria longe de mim por tempo suficiente caso eu precisasse me reaproximar de você temporariamente. Mas agora que tudo está acabado, eu não sei o que fazer, não sei como lidar com toda essa situação, eu não sei se luto por você ou se vou embora para sempre.
A resposta dela veio em forma de um beijo que estava desesperado a tempos, um beijo que a muito aquele sentimento que mantinha ambos os corações juntos ansiava. Ele não fez nenhuma objeção ao gesto, pelo contrário. Sentir o beijo dela, senti-la em um momento finalmente sincero fazia os últimos anos parecerem apenas uma série de pesadelos.
- Hina...
- Hum...
- Casa comigo?
A pergunta a pegou desprevenida, ela abriu os olhos espantada e não conseguiu esconder o brilho dos mesmos ou o seu rosto corando, muito menos o largo sorriso que se formava em seu rosto.
- C-Como?
- Quer casar comigo?
- A-Assim? Tão rápido?
- Rápido? Pelo amor de Deus já desperdicei três anos, não quero perder mais nenhum momento, por mais curto que ele possa ser. – ele a beijou.
- Eu... – ele a beijou outra vez. – Eu aceito.
Algum tempo depois.
A mala aberta sobre a cama denunciava que eles chegaram a pouco tempo, o que de fato era verdade. Ainda estavam no começo da lua de mel e era apenas o terceiro dia de viagem. Ficariam uma semana em uma ilha privada na Antígua e depois iriam para outro destino que apenas ele conhecia. Estavam casados enfim, felizes o suficiente para transformar o passado em uma ferida já cicatrizada.
- Aqui é lindo!
A frase foi dita no exato momento em que ele a abraçou pela cintura e lhe beijou o pescoço para depois observar o lugar com o queixo apoiado no ombro dela. Não havia nada a frente a não ser um extenso mar de uma agua cristalina. Ela por sua vez afrouxou o abraço dele e virou ficando de frente para ele.
- É perfeito sabia?
- Sou obrigado a concordar, acho que é impossível ficar melhor.
- Hum... E se eu disser que pode?
- Hum... Eu diria... Me convença.
- Eu estou grávida.
The end
Notas finais
Foi corrido não é? Eu sei, ficou corrido demais, eu tentei resolver mais sinceramente eu não conseguia ver nenhum final diferente. Fiz três versões diferentes desse capítulo, uma mostrando cenas diferentes, outra mostrando o casamento e mais cenas após ela revelar a gravidez. Mas embora as outras versões tenham ficado bem maiores e mais extensas não me agradaram tanto e eu acabei deixando-as guardadas, pode ser que um dia eu as solte aqui como um capítulo extra, quem sabe ;D.
Sobre o final, eu realmente queria escrever mais, fazer um capítulo mais extenso e com mais conteúdo, mas no fim prefiro deixar o que acontece a seguir na imaginação de vocês!
Me pediram também no capítulo 21 para fazer uma segunda temporada... Não descarto fazer uma nova temporada, mas é 99% certo que eu não farei. Nunca fiz continuações e eu não trabalhei o roteiro de Love, Lies and Smiles de uma forma que permita uma continuação com qualidade. Mas pode ser que se a inspiração vier e algo decente sair eu lance capítulos extras como bônus. Mas ressalto que é altamente improvável disso acontecer.
Novamente eu peço desculpas se acharem o final "vago" demais, mas queria as coisas menos clichê e dessa forma cada um de vocês acaba tendo seu próprio final!
E por último eu quero agradecer a cada um de vocês que acompanhou Love, Lies and Smiles, aturou meus atrasos, comentou os capítulos ou mesmo quem apenas leu e permaneceu no anonimato, não importa, o importante é que enfim termino esse projeto da melhor forma que eu consegui no momento. É isso, obrigado pessoal e até uma próxima leitura!
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