Love Is War
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Manhattan, Estados Unidos
10 de Janeiro de 2013
08h56
Era um dia muito bom em Manhattan. Principalmente para três países que tinham acabado de se mudar para aquela cidade. Sim, países, porque nessa estória cada país tem seu representante humano, que é exatamente igual à qualquer outra pessoa.
Voltando aos nossos três países, mas especificamente França, Espanha e o antigo Prússia, eles estavam entretidos em uma casa de ferragens que haviam achado. É claro que a casa não era deles, mas quem disse que o incrível Prússia ligo para aquilo? Invadiram mesmo.
- Gilbert... – Antonio, o espanhol, chamou o prussiano – Por que a gente não tem namorada?
- Porque não precisa – foi a resposta, curta e direta.
- Mas a gente precisa sim! Você não sabe como é mágico ter uma namorada! Perfeita, elegante e simpática!
- Hunf... Mulher assim não existe. Elas podem ser legais assim nos cinco primeiros minutos, mas depois se tornam psicopatas. Elas nos dominam Antonio. Elas nos manipulam, arranjam filhos para cuidarmos e o pior é que quando estão grávidas ficam esquisitas, gordas e irritadas, andando como pinguins e comendo até terra.
- Que coisa horrível... – Antonio exclamou, seus olhos verdes se arregalando levemente.
- É, horrível!
Gilbert sorriu. Era um sujeito estranho. Tinha 20 anos, magro e franzino, mas não tinha nenhum problema de saúde, como anemia ou anorexia. Pelo contrário, comia como um elefante. Tinha o cabelo acinzentado, como se cal tivesse caído nele, e olhos vermelhos como sangue. Além de uma risada e estranha e megalomaníaca e o péssimo hábito de repetir a palavra “incrível” toda hora...
Antonio, o espanhol, era diferente. Era amigável e simpático, 25 anos e de porte atlético, mas nada exagerado. Tinha o cabelo de cor chocolate e espevitado, que caíam em algumas pontas pela testa. Os olhos verdes eram animados e felizes, sempre correndo de um lado ao outro, porque além de tudo o espanhol também era hiperativo.
- Acho que Antonio quer uma namorada... – Francis sorriu, em seu canto.
- É, eu quero!
- Vai ficar querendo!
- Coitado Gilbert, deixe o garoto ser feliz...
Francis era o mais elegante dos três. Era francês, romântico e um tantinho fresco. Seus olhos eram de um azul brilhante e escuro, seu cabelo elegantemente cortado e penteado, preso num pequeno rabo de cavalo. Era fraco pra falar a verdade, gostando mais de conversar do que de brigar, apenas aproveitando os prazeres da vida em seus 20 anos.
Obviamente nenhum deles tinha essa idade realmente. Eram países de milhares de anos, mas para não ficar estranho diziam que tinham aquela idade pois aparentavam aquilo.
Gilbert se levantou e andou de um lado para o outro da casa de ferragens, aqui e ali... Não tinha nada para fazer. Por que tinha se mudado para aquele lugar mesmo? Lá era bonito e amigável, mas era chato. Queria voltar para Alemanha, mas daria muito trabalho. Era melhor ficar por aqueles lados mesmo...
Ao mesmo tempo que eles discutiam de deviam ou não ter uma namorada, três garotas andavam em direção à aquela casa de ferragens. Eram Alice, Isabela e Thaís. As três tinham alugado uma casa na praia por um tempo em Manhattan, já que eram brasileiras e em seu país de origem tinham uma vida boa, podendo de vez em quando tomar a liberdade de tirar férias como aquelas.
- Ai, tô cansada de andar... – reclamou Thaís, sentando em um banco ali perto – Por que a gente não veio de carro? Se eu me lembro, a gente alugou um também.
- Mas a gente andou muito pouco! – Isabela disse para a outra – A praia também é pertinho! E além disso, andar faz bem à saúde.
- Mas eu tô com fome também! – Alice reclamou, as mãos apertando a barriga.
- Bem... Eu tenho uma laranja aqui... – Isabela abriu a pequena bolsa que trazia – A gente pode dividir e...
Nem teve tempo de terminar a frase. As duas voaram e quase saíram no tapa pela pequena laranja, que acabou devorada em poucos minutos.
- Ei! Era minha! Vocês duas parecem leões disputando um pedaço de carne!
- A gente estava com fome oras...
Isabela deu de ombros. Era a mais calma das três, com 21 anos. Tinha um longo cabelo loiro, até pouco mais abaixo dos ombros, olhos castanhos, mas usava lentes de contato que clareavam um pouco seus olhos, restando um tom de chocolate derretido. Não era a mais forte do grupo, nem a mais simpática, sendo até um pouco tímida demais.
Thaís era a mais nova, com apenas 20 anos. Tinha o cabelo escuro, preto como a noite. Era chatinha, de acordo com Alice, mas também tinha pontos fortes. Apesar de ser preguiçosa, um tanto irritadinha, etc etc... Ela ainda era muito divertida quando se conhecia direito, além de nunca te abandonar. Era magra, fraca e sem músculos ou coisas que destacassem seu corpo.
Alice era a mais “vida loka” das três. Era um tanto estranha, anormal e aleatória, sendo completamente confusa 60% das vezes. Podia se contradizer sem maiores problemas. Era um pouco desbocada, falando o que pensava. Tinha o cabelo loiro um tanto encaracolado nas pontas e vários tons de loiro. Os olhos eram castanhos amendoados e que, às vezes, contra a luz pareciam verdes claros. Era uma pessoa razoável quando se tratava de beleza física.
E essas três figuras andavam pelas ruas de Manhattan em direção a praia, ainda discutindo um pouco pela laranja quando encontraram um martelo no meio da calçada.
- Olha, um martelo!
- Não, é um elefante disfarçado de martelo...
- Calem a boca – Alice olhou as duas – Deve ser daquela casa de ferragens logo ali... Vamos levar lá e perguntar.
- Claro senhorita óbvia – Thaís sorriu.
- Meu nome é Thaís e eu sou muito sarcástica hahaha – ela fez uma voz de retardado e se virou, andando até a casa de ferragens – Vamos logo bicho pau.
Elas entraram discretamente na casa de ferragens, mas como não tinham ninguém na porta acharam melhor chamar.
- Oi! Tem alguém aqui? – Isabela perguntou, aumentando a voz.
- Claro que tem! O incrível eu está aqui! – Gilbert surgiu, acenando – O que as madames fazem aqui hein?
- Em primeiro lugar, não somos madames e em segundo, viemos devolver esse martelo. É seu ou de alguém que você conheça?
- Hum, deve ser daqui... Eu não sou dono da loja sabe? Só entrei.
- Hum, deixa aí então – Alice largou a ferramenta em cima de uma mesa.
- Podem ir embora já – Gilbert cruzou os braços.
- Educação é sua marca mesmo – Thaís olhou feio para ele.
Quando Gilbert ia responder com sua já famosa educação, Antonio e Francis surgiram, fazendo as três garotas se assustarem. De onde eles tinham surgido?
- Nossa, que chicas más guapas... – Antonio sorriu para o francês.
- Oh... Belles.
- Ei, seus bobos... Falem para elas irem embora! – Gilbert sacudiu os dois para voltarem a prestar atenção nele.
- Por quê? Elas parecem garotas legais. Podem ficar aqui e conversar com a gente Gil... Deixa elas ficarem – Antonio disse.
- Claro... Eu adoraria conversar com elas.
Gilbert se emburrou em seu canto, mal-humorado por ser contrariado. Alice foi puxada para um canto por Francis e eles começaram a conversar.
- Então, eu sou o Francis. E você, quem é hein? Deve ter um nome muito bonito para fazer par com tamanha beleza...
- Alice – ela torceu o nariz para aquela cantadinha barata.
- Eu não disse? Então, mora por aqui?
- Não. Eu vim de férias. Aluguei uma casa na praia.
- Ah... Meus amigos e eu nos mudamos para cá faz pouco tempo – ele sorriu – Eu morava na França antes, em Paris... E você? De onde é hein querida?
- Brasil. Moro em São Paulo, mas quem sabe eu me mude para algum outro país ainda esse ano... Ou no próximo, sem certeza ainda sabe?
- Hum... E pra onde você se mudaria?
- Ou Inglaterra ou Alemanha ou Rússia. São países muito interessantes.
- Hum... Posso saber por quê? – o francês não conseguiu disfarçar sua inveja.
- Bem, a Alemanha é a terra dos meus avós e é linda, além de ser perfeita em leis e ordem. Lá o povo é educadíssimo. A Rússia também é linda, a cultura é perfeita e a literatura fantástica. E a Inglaterra... Bem, lá é perfeito. Londres é linda, a cidade mais perfeita da Europa. E os ingleses são lindos também. Além das universidades inglesas serem ótimas. Eu sonho em ser professora de Literatura sabe? É meu sonho dar aula em Oxford.
Francis lembrou-se de seus inimigos: o inglês, o alemão e o russo. Deviam estar rindo dele agora. Rindo muito. E ele se sentia horrível. Encarou Alice, que olhava as unhas distraidamente.
- É, você combina com os ingleses...
“Mas eu gosto das difíceis mesmo...” pensou o loiro.
Antonio puxou Thaís pela loja de ferragens, lhe apresentando as coisas, falando de si mesmo e de seu país, ou seja, de si mesmo. Falava pelos cotovelos, de tomates, romanos e italianos, brigas, vikings e pirataria. Thaís apenas ouvia, sem saber o que dizer.
- Anh... Antonio? Tá me ouvindo?
- Você disse alguma coisa?
- Sim... Eu acho que já sei bastante da Espanha. Pode parar de falar dela.
- Oh, desculpe. Eu acho que falei demais – ele coçou a nuca – Me fale um pouco de você então.
- Ah, não tem muita coisa pra falar de mim não... Eu moro no Brasil, sou uma garota comum, estudo como todas as outras... Vida normal.
- Você deve ter mais do que isso... Tenho certeza.
- Ah bem, não tenho não.
- Você tem irmãos?
- Dois. Um mais velho e um mais novo. Meu irmão mais velho já é até casado e mora no Rio de Janeiro. Eu já fui lá algumas vezes... É lindo.
- Deve ser uma cidade tão linda quanto Madrid.
- Eu nunca viajei para a Espanha.
- Um dia te levo lá querida.
- Pode ser né... Seria uma boa ter você como companhia Antonio.
Antonio sorriu, tirando uma rosa de sabe-se lá onde e entrando para a garota. Ela sorriu, acenando em agradecimento, e continuou andando com ele, falando mais e mais sobre suas vidas, Antonio cada vez mais impressionado.
- É, sobrou a gente... – Isabela disse, tentando puxar assunto com o albino.
- Sobrou você. Estou ouvindo música.
- Quem?
- Mc Catra.
- Um funkeiro com fones? Que milagre! – ela disse sarcástica.
Gilbert sorriu e tirou os fones de seu celular, fazendo aquele horrível som ecoar por toda a casa de ferragens. Isabela tapou os ouvidos e olhou zangada para ele, franzindo as sobrancelhas. Ele sorriu, nem ligando para ela.
“Droga, eu preciso me distrair desse som horroroso...” ela pensou, procurando alguma coisa para fazer.
- Mas que porra de barulho todo é esse?! – ouviram uma voz zangada lá da rua – Seus malditos! Parem com isso!
- Quem tá aí? – Gilbert abaixou um pouco o volume, para alívio de Isabela.
- É o Arthur – Francis explicou, chegando com Alice. Como a conversa não fora produtiva entre os dois, ele achou mais interessante conversar com o amigo.
- Que seja...
- Lá vem o chato... – Francis murmurou.
- Olha como fala comigo bastardo do vinho! – Arthur quase deu um tapa no outro – E quem são essas duas? Nunca vi.
- São Alice e Isabela. Elas chegaram aqui agora a pouco, junto com uma terceira, mas ela ainda tá conversando com o Antonio... – Francis explicou.
- Hum...
Arthur era inglês. Como os outros, também era um país. Era mais alto que Francis, menos elegante e fresco. Era loiro, 23 anos, olhos verdes e tempestuosos. O que mais lhe marcava eram suas grossas sobrancelhas quíntuplas, que subiam por sua testa. Delas que vinham seu apelido “Sr. Sobrancelhas”.
- E aí Sr. Sobrancelhas? Tudo bem? – Gilbert riu.
- Albino desaforado...
Então os olhos de Arthur pararam sobre Alice, que conversava sobre alguma coisa com Isabela. O loiro corou quando ela se virou e encarou ele de volta. Alice sorriu distraidamente, mas era um sorriso só para ele e bonito.
- Anh... H-hello.
- Oi...
- Gente! – Antonio surgiu correndo, trazendo uma Thaís corada – Essa garota é muito legal! Ela é incrível!
- A gente entendeu Antonio... – Francis torceu o rosto.
- Francis tá com ciúmes – Gilbert riu.
- Non mesmo.
- Ciumento... – Gilbert riu com sua estranha risada.
- Que tal a gente almoçar na praia? – Antonio sorriu.
- Agora? – Arthur desviou os olhos de Alice.
- Não inglês burro, ontem – Francis não perdeu a chance.
Os dois se encararam com tanta violência que chegaram a sair faíscas daqueles olhares assassinos. Alice achou melhor interferir antes que eles voassem pelo chão se estapeando.
- Gente... Calma – ela segurou o braço dos dois – Acho a ideia do Antonio legal. Que tal meninas?
- De boa, desde que esse estrupício não leve esse celular cheio de funk – Isabela encarou Gilbert, que sorriu maldoso.
- Eu pensei em levar minhas caixas de som...
- Ninguém merece ouvir seu mau gosto.
Gilbert ia quase revidar quando Thaís cortou os dois, levantando a mão discretamente, sinal que queria dizer algo.
- A gente pode ir para casa se trocar antes?
- Mas a gente tá com o biquíni por baixo... – Isabela disse, dando de ombros – Vamos logo antes que escureça.
- Mas ainda são oito da manhã...
- Thaís! Para de frescura! Vamos pra praia logo.
Todos concordaram e começaram a andar. Gilbert com seu funk, Isabela fuzilando o albino por causa daquilo, Antonio babando em Thaís, Arthur perseguindo Alice com o olhar, Francis querendo enforcar o inglês, Alice totalmente alheia e no mundo da lua e Thaís tentando sair das vistas daquele espanhol grudento.
É, era um grupo bem normal...
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