Love Is War
2 Capítulo 2 - Disgusting.
Notas iniciais
O caminho foi longo e parecia interminável a meu ver. A paisagem que antes admirava da janela do carro agora causava a mim ânsias de vomito. Os escombros todos jogados pelas ruas davam um tom sombrio a aquela cidade antes tão calma e pacata. Alguns corpos definhavam ali mesmo na rua onde alguns poucos corriam tentando evitar o inevitável. Respirei fundo levando as palmas das mãos à boca em uma tentativa inútil de conter uma gorfada. Puxei o ar com toda a minha força tentando ao máximo me segurar, atitudes que chamaram a atenção de meu pai que me encarou com desprezo.
- Está com nojo Drew? – Chamou-me pelo segundo nome forçando a minha cabeça contra o vidro para que visse alguns soldados matando friamente duas crianças pequenas, deviam ser judeus... Isso era tão cruel que não pude evitar que me rosto se contorcesse fazendo meu pai acertar-me com um tapa. – Não deve ter nojo, não deve ter dó Drew Bieber. – Disse ele segurando-me pelo cabelo ainda empurrando minha cabeça contra o vidro do carro. – Eles são como baratas Justin, você deve esmagá-los sem dó, pena ou compaixão e muito menos se arrepender. Nos estamos limpando o mundo de uma espécie contagiosa como a deles. Você consegue entender o que eu estou falando? – Perguntou-me asqueroso, fazendo com que eu o encarasse.
- Sim papai eu entendi o que quis dizer. – Respirei fundo sem tirar os olhos dos seus. A escuridão de seus olhos era assustadora, ele era tão sem vida.
— Se entendeu mesmo Drew, não vai se incomodar em dizer-me o que eles são não é mesmo? – Ele continuou com as mãos em meus ombros. E disse-me rudemente – Prossiga Drew.
Eu suspirei em uma tentativa inútil de acalmar-me, mas só de ter aquele ser humano monstruoso que eu tinha a obrigação de chamar de pai já me assustava.
- El-Eles são bab-baratas e... – Fiquei sem ar quanto senti seus dedos atingirem minha bochecha esquerda causando-me uma dor imensa.
- Se pestanejar vai ser pior Justin. – Ele me encarou já com a mão levantada pronto para acertar-me novamente.
Assim que olhei para minha mãe, senti uma dor maior que a do tapa, ela chorava baixinho escondendo o peito de Jazzy em seu peito enquanto meu irmão do meio Jaxon me encarava com pena, muita pena.
Jaxon Bieber era meu irmão mais novo, o do meio se contasse com Jazzy, naquele tempo ele possuía quatorze anos foi tomado pelo nazismo assim como boa parte de meus amigos e familiares, não o culpava já que com o pai que tínhamos era muito fácil culpar os judeus por todos os tapas que recebíamos.
Jazzy Bieber era minha pequena garota com apenas cinco anos a garota já tinha visto coisas que provavelmente se as crianças dos tempos atuais vissem teriam que ser levadas pelo resto da vida ao psicólogo por trauma.
De todos nos, os Bieber, sabia que a que mais sofria era minha querida e tão protegida mãe. Ela não tinha culpa de nada, tivera que casar cedo e com dezessete anos ficou grávida de mim, coisa que era muito comum naquela época. Minha bela mãe era obrigada a ver seus filhos apanharem por não entenderem o que significava a guerra, não entenderem o motivo de tanto ódio contra os judeus, um ódio sem motivo.
Eu lagrimejei enquanto via sua mão ir de encontro com a minha face, uma, duas, três... Dez vezes. Assim que ele me soltou olhando-me com desprezo coloquei as mãos no rosto e limpei qualquer resquício de lagrima que ameaçava saltar dos meus orbes.
Fechei os olhos e tentei descansar um pouco e pouco me custou para cair em um sono profundo.
Quando abri meus olhos, logo encarei a janela do carro e a paisagem agora era totalmente outra. Estávamos em uma estrada toda esburacada de terra a o redor era possível se ver um grande descampado e pouco depois um floresta imensa e fechada, supus que estávamos chegando ao nosso destino.
Estávamos todos quietos e novamente senti o meu estomago embrulhar quando vi um galpão velho todo cercado por arames e homens do exercito nazista protegiam a entrada. Algumas pessoas faziam o trabalho duro trajando velhos trapos listrados em azul. Não sei os poderia chamar de pessoas, humanos... Eles já haviam perdido qualquer tipo de humanidade que tinham, eram magros e esses possuíam uma fisionomia triste e cansada, os braços caídos nas laterais do corpo demonstravam toda a rendição daqueles homens e mulher que haviam tido suas vidas roubadas por seres sem coração. O fim da cerca chegou e nossa viajem durou apenas mais vinte minutos até chegarmos à nova residência Bieber.
Jazmyn correu para casa minutos depois de chegarmos e foi seguida por Jaxon que estava animado para conhecer o nosso novo lar. Eu fiquei parado na porta do carro observando a estrada vendo se conseguia ver o campo de concentração do lugar onde estávamos, mas infelizmente era impossível.
Papai posicionou-me ao meu lado e pude vir a raiva exalar de todo o seu ser.
- Se quiser Justin posso te levar lá agora. Se você tem tanta pena deles, porque não decide se tornar um deles? – Ele estava sendo cruel comigo, enquanto rudemente falava comigo suas mãos apertavam meus pulsos. – Você sabe do que eu sou capaz não sabe?
Eu apenas assenti amedrontado e ele me largou ali indo em direção a casa em passos fortes. Toquei meus cabelos e tentei conter um berro de raiva que queria sair de dentro de mim. Quando ia me virar para entrar por entre os portões vi uma menina que aparentava ter minha idade andando devagar como se tentasse não ser notada. Eu resolvi chamá-la.
- Ei garota. – Gritei em um tom médio. Suficiente para ela virar-se para mim e arregalar seus olhos azuis claríssimos. Assim que me viu ela girou os calcanhares e correu para dentro da floresta... Suspeita, muito suspeita, mas linda devo admitir.
Não que eu tenha conseguido ver muito dela, já que seus cabelos cobriam boa parte de seu rosto. Os cabelos eram em um tom acobreado e caiam em ondas leves até a altura de suas costelas. Percebi que ela não era muito alta e que seus olhos eram em um azul tão claro quanto o céu que fazia nos verões passados em Berlim. E seus lábios eu pouco vi, reparei apenas que estavam entreabertos devido ao susto e eram avermelhados em um tom quase vinho.
Balancei meus cabelos e tornei a virar-me de costas para o emaranhado de mato... Segui em passos firmes para a nova mansão Bieber, um pouco maior que a antiga.
Fale com o autor