Love In the Work
33 Capítulo 32
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte e tateei a parte da cama ao meu lado e vi que estava sozinha na cama. Passei um tempo deitada com a preguiça me dominando, até que resolvi me levantar. Fui até o banheiro e me olhei por um instante no espelho, tentei arrumar meus cabelos com as mãos, mas nada adiantou. Eu já não possuía tantas olheras, já que eu tinha dormido melhor esses dias. Admito, já estava com saudades do trabalho, da correria do meu dia a dia, estava ficando um pouco cansativo aquelas férias tão prolongadas. Não, não que eu não estivesse gostando de usar esse tempo pra ficar mais com Damon, pra cuidar mais de mim, mas aquilo tudo se tornava entediante.
Peguei minha escova de dentes e coloquei uma certa quantidade de creme dental em cima de suas cerdas, liguei a torneira e comecei á escovar meus dentes. Quando acabei, penteei os cabelos e fiz uma leve maquiagem com um batom bem claro. Peguei um vestido branco com pequenas flores rosa — vestido no qual eu adorava usar — e coloquei pequenos brincos também brancos.
Peguei uma sapatilha e desci, dando de cara com Jeremy e Damon assistindo uma partida de futebol na televisão. Passei direto deles e fui pra cozinha, pegando um pão e partindo no meio, pegando apenas uma metade do mesmo e passando um pouco de manteiga. Peguei minha chícara com a foto de um cachorrinho estampado na frente dela e coloquei até a metade de café, depois misturei com leite.
Comi calmamente enquanto observava os rapazes assistindo o jogo. Eles estavam tão animados com aquilo, como se a sua vida dependesse de torcer por aqueles times, de gritar junto com os outros torcedores, de tentar influenciar as jogadas daqueles jogadores gatos.
Sim, eu e minha tia apenas assistíamos jogos de futebol por causa dos jogadores, que sempre costumam ser lindos. Damon nunca gostava de ver futebol comigo porque eu falei isso pra ele, e de certa forma pude sentir ciúmes em sua voz. Admito, ele fica muito fofo com ciúmes.
Terminei de comer e subi novamente pra escovar meus dentes. Ao descer, o jogo já tinha terminado, e Jeremy e Damon estavam na cozinha. Ao me ver, Jer disse:
– Bom dia maninha! — disse e me abraçou.
– Bom dia. — sorri o abraçando de volta — Bom dia amor.
– Bom dia. — Damon sorriu e me deu um leve beijo.
– Quem ganhou o jogo? — perguntei curiosa
– Espanha.
– Ui Piquet, que delícia. — disse e vi Damon criar uma carranca no rosto — Mas nenhum Piquet é melhor do que um certo Salvatore. — disse e ele me pegou pela cintura, cochichando em meu ouvido.
– Também acho que uma certa Gilbert é melhor que a Shakira. — disse e deu um beijo perto da minha orelha, eriçando os pêlos do meu pescoço e braços.
– Tô sobrando aqui. — disse Jeremy levantando as mãos, como se quisesse ser notado.
– Que nada bebêzinho da Lena, é ou não é docinho? — perguntei apertando suas bochechas.
– Não. — respondeu fazendo um beicinho.
– Então corta aqui. — disse colocando as pontas dos dois dedos indicadores juntas, fazendo-os rir. — Então, que tal irmos passear? Tô louca pra sair dessa casa, não faço nada aqui.
– Boa ideia. Vamos. — disse Damon pegando na minha mão.
– Quer ir também, Jer? — perguntei
– Não, podem ir, vou pra casa de um amigo jogar videogame com ele.
– Vê se volta cedo, viciado.
– Sim senhora. — disse juntando os pés e batendo continência, me fazendo rir.
Saímos e fomos pra pracinha, compramos um sorvete e nos sentamos em um banquinho. Ao voltar pra casa, um suposto ladrão vinha correndo em nossa direção e esbarrou fortemente em mim, me fazendo sentir uma tonteira enorme. Uma sensação de desmaio cometeu-me imediatamente, me fazendo perder o fôlego por alguns instantes, mas logo senti os braços fortes de Damon ao meu redor.
– Você está bem, Lena? — perguntou Damon preocupado, a tonteira não era mais tão intensa.
– Sim, é só que quando eu tinha uns dezessete anos eu tinha umas crises de labirintite muito fortes, e agora esse homem esbarrou em mim e o mundo rodou. — disse colocando a mão na testa.
– Tem certeza que você está bem?
– Sim, é só a minha labirintite reaparencendo, lembra de quando eu passava mal no escritório por conta disso? — perguntei e Damon assentiu. — Então, é só isso, vai passar, na casa da minha tia tem remédio, vamos. — disse e continuei caminhando.
Ao chegarmos em casa fui até o armário e peguei um daqueles comprimidos que o médico tinha me receitado e peguei um pouco de água, colocando garganta á baixo todo o conteúdo do copo. Resolvi subir e desançar um pouco.
– Quer que eu fique com você até você pegar no sono? — perguntou Damon ainda preocupado.
– Não precisa se preocupar Dam, você sabe que de vez em quando eu tenho essas crises, eu vou subir e caso a tia Jenna chegue, você fala que eu fui descançar, ok?
– Ok amor. — sorriu e me beijou.
Subi até meu quarto e vesti minha camisola, deitei-me na cama e fiquei esperando o sono vir de olhos fechados. Pensei que poderia ser uma possível gravidez, e logo uma alegria tomou de conta de todo o meu corpo com a ideia, mas logo esvaíu. Essa bendita labirintite sempre me atormentou, se eu tivesse de ficar grávida, não seria agora, afinal, eu já menstruei esse mês.
Pensando no assunto, logo peguei no sono.
Tive sonhos meio estranhos, nos quais eu estava com um longo vestido bege e uma barriga gigante, como se eu estivesse grávida a muito tempo. Depois, me acordei com um leve barulho na janela e percebi que estava sozinha na cama. Logo, adormeci novamente, sonhando mais uma vez.
Dessa vez o sonho realmente me amedrontara. Eu estava no meio de uma sala totalmente branca e cheia de espelhos ao meu redor. Eu me encontrava apenas de peças íntimas, e tinha uma barriga de aproximadamente oito meses.
Em um desses espelhos vi o reflexo de Damon. Ele estava lindo. Com um smoking preto, gravata em tons escuros e uma calça social também preta. Ele chegava perto de mim com sorriso debochado, irônico. Se aproximava cada vez mais, mas quando chegava perto apenas ficava fazendo círculos á minha volta, e logo, começou a rir, uma risada amarga.
– Dam? — perguntei — Por que você ri de mim?
– Olhe só pra você Gilbert. Uma ridícula. Uma pobre coitada. Nem pra me satisfazer sexualmente consegue. E aí, engravida de outro e resolve me dar esse golpe, com a esperança de tomar tudo o que tenho. Não funcionou, vadia.
Meus olhos começaram á molhar-se, e logo, as lágrimas banhavam meu rosto.
– Não diga isso de mim, Dam. Eu te amo. — dizia em meio aos soluços.
– Me ama nada. Vadias como você não amam ninguém. Olhe pra mim. Sou fino e rico. Olhe só pra você. Uma traíra, sem vergonha. Vadia.
– Não diga isso de mim, Dam, por favor. — chorava enquanto olhava pra sua cara, para seu sorriso de deboche, de humilhação.
– Vadia! — gritou
Acordei como um pulo, meu rosto era coberto por lágrimas, Damon estava á tempos tentando me acordar, me mexendo, tentando me tirar daquele transe do sono. Vi a cara de preocupação de Damon, e o abraçei fortemente.
– Eu te amo, Damon, não me deixa. — dizia enquanto chorava com o rosto em seu pescoço. — Não me deixa. — implorava
– Eu não vou te deixar, meu amor. Eu te amo também, ok? — disse me abraçando
– Não me deixa. — disse ainda chorando, e ele logo pegou meu rosto entre suas mãos.
– Você é a coisa mais preciosa da minha vida. — dizia olhando nos meus olhos — Eu nunca vou te deixar meu amor. Nunca. — disse e meu choro já tinha cessado. — Vou ficar com você aqui, ok? — perguntou e eu apenas assenti.
Ficamos abraçados ali, até que vi que Damon tinha pegado no sono. Fechei meus olhos e logo dormi também. Dessa vez não tive sonhos conturbados, apenas sonhos lindos. Lindos. Com meu Damon.
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