Love In Your Eyes

77 Cap. 77/2 – DE CARA COM O INIMIGO


Notas iniciais
Oi gente,

Segue mais um capítulo.

Em especial para minha querida nova leitora, que fez uma " maratona" de Love In... e recomendou a FIC com tanto carinho.

*** liferreira ***

Muito Obrigada querida, pela atenção e pelo carinho. ;)

Boa Leitura♥

CAPÍTULO 77/2 – DE CARA COM O INIMIGO

BELLA – POV

Estava muito frio. Mas o lugar continuava tão lindo como quando conheci da primeira vez.

Lembrando-me de imediato dos sonhos que tive com ele, das risadas que eu e as meninas dávamos, das brincadeiras, e de como me sentia livre aqui.

Era irônico pensar, que justamente nesse lugar onde me sentia viva, poderia ser o lugar onde estaria morta. E só de pensar assim, meu coração se enchia de angústia e medo.

A vida é muito mais complexa do que podemos imaginar.

Nós crescemos, adquirimos responsabilidades, amamos. O mais fácil é amar. E também o mais complicado. Amar verdadeiramente outro ser humano, é abrir mão de uma parte do seu ser, uma parte de sua alma. É abdicar de vontades próprias e satisfazer as do ser amado.

E eu aprendi desde muito cedo o que é o sentimento.

Amo Edward, tão profundamente e tão verdadeiramente, que consigo colocar sua vida antes da minha. E é esse sentimento que me faz ter forças, e estar aqui.

Entrei dentro do chalé, e fui para o quarto, guardar minhas coisas. Não sabia quanto tempo ficaria aqui, esperava que tudo acabasse o quanto antes. Mas precisava agir naturalmente sem levantar suspeitas. Afinal se meu perseguidor estivesse me vigiando, não poderia sequer imaginar, que eu estivesse com algum tipo de plano, segurança, ou arma.

Diante desses pensamentos, abri todas as janelas, retirei os lençóis que protegiam a mobília, e dispensei os caseiros. Inventei uma desculpa qualquer que estava de férias e gostaria de ficar sozinha. Lógico que Benjamin e Maggie, o casal de velhinhos, desconfiaram, perguntando onde estavam as meninas, já que sempre estávamos juntas aqui, e disfarcei dizendo que viriam mais tarde.

Solicitei para Benjamin, que antes de partir, deixa-se a velha picape com o tanque cheio, pois iria até a pequena vila próxima dali, comprar alguns mantimentos e ração para Marley.

Antes porém, saí para uma caminhada, levando comigo, fitas vermelhas, e algumas pás, que carregava no carrinho de gelo. Eu era louca de estar fazendo isso, mas não era burra. Se ouvesse ao menos alguma chance de sair viva, desta situação, eu agarraria com unhas e dentes.

Dentro da casa de máquinas, onde ficava o gerador de energia, eu sabia que tinham algumas armas escondidas. E as peguei também. Eu e as meninas as colocamos ali, anos antes, com medo de algum ataque de animal, ou para se proteger de algum intruso. Eramos tão medrosas que na primeira noite aqui sozinhas, sem conseguir dormir, desenhamos uma rota de fuga. Que consistia em sair pela passagem secreta que tinha atrás do armário de toalhas e chegava ao quarto das máquinas.

Lógico que tudo não passava de uma grande brincadeira. A passagem secreta, nada mais era, uma passagem para que em caso de ter algum problema com o aquecedor, em dias de neve intensa, era utilizado para fugir do frio congelante.

Mas nas mãos de três mulheres bêbadas pelo conhaque, apavoradas depois de assistir um filme de terror e com o som do vento, e galhos batendo, foi o suficiente para se tornar uma trajetória de fuga. Planejamos o trajeto, colocamos velas em pontos específicos, e todas as armas de caça que achamos pela propriedade, que pertenciam ao antigo dono, formaram um acernal na casa de máquinas. Tudo isso elaborado e desenhado em papel de hambúrguer. Que continuava preso com um prego no quartinho.

Eu sorria sozinha lembrando desse dia mágico. As meninas e seu “Forte Pink”, como carinhosamente apelidamos. Já que Alice fez questão de pedir a Benjamin, que a casa de máquina fosse pintada dessa cor, fazendo o velho rabugento torcer o nariz.

Munida dos artefatos, segui o caminho planejado. A cada árvore, que na minha imaginação eu achava importante, eu amarrava o tronco com um pedaço de fita vermelha, cavoca a terra com gelo com a pá e escondia uma espingarda. Fiz isso cinco vezes, até chegar na gruta.

Que era meu possível esconderijo.

Ficava bem escondida, no meio dos arbustos, que hoje estavam bem maiores do que da última vez, quase tampando completamente a entrada. Ali ficava minha única chance de sobreviver, caso precisasse fugir, e eu sabia disso. Agora bastava eu ir até a cidade e comprar água, alguns biscoitos, trazer alguma coberta, e jogar lá dentro. Afinal podia ser meu refúgio por alguns dias.. sabe-se lá!

Mia, a garota da Indonésia que vivia em um buraco como casa, sentiria orgulho de mim. Shavi, meu amigo guerreio, também ficaria surpreso. – pensei e sorri tristemente me lembrando dessas pessoas que tanto me ensinaram.

Gargalhei alto, lembrando-me de Jacob. Se imagina-se que suas aulas, e ler o manual do FBI, me ajudariam no que estou fazendo hoje, jamais teria permitido.

Joguei de voltas as coisas que não utilizei no carrinho, chamei Marley, que farejava tudo alucinadamente, e voltamos para o chalé. Sorri, quando o vi todo agitado, latindo para Corin, a cadela da mesma raça, que pertencia a Maggie.

- Vai namorar vai! – comandei e gargalhei quando me lambeu – Mas volta logo! – gritei vendo ele correr em disparada atrás dela.

O frio aumentava intensamente. E tendo em vista o vento forte, o ceú escurecendo rápido, e o alerta de tempestade que Maggie avisou que viria, eu precisava me apressar.

Cheguei ao chalé, e a neve começava a cair lentamente. Coloquei as coisas no lugar, e corri para dentro, para pegar a chave da picape e seguir para a Vila. Assim que entrei, notei um bilhete colado na porta de entrada da cozinha.

“ Bella, infelizmente a gasolina que estava armazenada na garagem foi insuficiente para a picape o o aquecedor do chalé. Não acredito que dê nem para chegar a Vila. Eu vou tentar ir e voltar com mais, antes da tempestade. Mas não sei se vai dar tempo. Se isso ocorrer, não se preocupe, amanhã bem cedo, e estarei aqui com mais. As rodas já estão com as correntes. Mas não aconselho se aventurar por si só, se acabar a gasolina com você na estrada, poderá ficar congelada. Por favor acredite em mim!

Na cozinha, deixei uma “caça” pronta para você. A sua preferida, Pato com molho pardo, e batatas. Tem mais alguns mantimentos, e coloquei um pouco da ração que tinha aqui para o Marley. Amanhã quando trouxer o combustível, trago alguma comida para seu café da manhã.

Se cuide mocinha, e nada de teimosia.

Com amor, Maggie e Banjamin.

PS – Benjamim manda dizer, que há bastante conhaque na adega, e o aquecedor está ligado no máximo.”

Suspirei frustrada e depois sorri, pelo carinhos dessas duas pessoas lindas.

Sem muito o que fazer, tomei um banho rápido e me agaselhei bastante. Como tudo á partir de agora era uma icógnita, não poderia me dar ao luxo, de ficar de pijama e pantufas. Por isso voltei a colocar algumas meias de lãs, duas calças, várias blusas, um grande casaco, e botas de neve.

Vesti Marley, com um corpete de lã apropriado para ele, e descemos para comer.

- Marley, não sei se essa ração está muito boa amigo, que tal provar comigo um pouco de pato, com batatas? – perguntei afagando sua cabeça e orelha, e pelo balanço da calda e grunhido, ele havia concordado.

Comemos, e logo estávamos na sala, assistindo um filme.

Minha mente não se concentrava em nada, além de Edward. Perdi a conta de quantas vezes pensei em pegar o celular para ligar, mas resistia. E ele continuava desligado em cima da mesinha.

Eu não poderia falhar agora.

Se era a mim que o stalker queria, ele iria ter. Com sorte meu plano daria certo. E Edward e minha família ficariam salvos. Tentava convencer a mim mesma, tocando a Glock que peguei de meu pai, preso na minha cintura.

Um tiro. Era a única chance que eu tinha.

Papai, espero que tenha me treinado direito.

E com esse pensamento peguei o telefone do chalé, e fiz minha última ligação.

- Billy Black – atendeu meu tio do outro lado da linha, alguns toques depois.

- Tio Billy, sou eu Isabella Swann

- Graças a Deus! minha filha, onde você está?. Jacob ligou avisando que havia desaparecido, estão todos preocupados á sua procura...

- Tio, eu sinto muito, não tenho muito tempo para falar – interrompi – Por favor, mande alguns agentes para cá, amanhã..

- Agentes?.. Isabella o que você está aprontando, me diga onde está! – pedia nervoso.

- Eu vou falar, mas antes me prometa que não contar para Edward, e para ninguém, por favor, nem o senhor pode vir aqui – as lágrimas começavam a cair, e o medo tomando conta do meu corpo – Estou fazendo isso para proteger quem amo. Por favor me prometa – supliquei.

- Bella...

- Por favor!! – supliquei soluçando...

- Eu prometo, me diga onde está, é qual seu plano.

Contei tudo, onde estava, meu plano, que consistia em manter o stalker ocupado comigo, enquanto o agentes do FBI chegassem para prendê-lo.

- Deus!! isso é loucura!!! , onde aprendeu essas coisas, com certeza não foi com Charlie – exclamou com raiva

- Foi com seu filho – tentei sorrir – Eu li o manual do FBI – disse orgulhosa

- EU VOU MATAR JACOB! – gritou – Olha Bella, admito que tem 50% de chance isso dar certo, mas querida, os outros cinquenta, podem dar muito errado. Por favor eu te imploro – sua voz embargada — Desista disso, saia daí agora mesmo, eu te pego no aeroporto...

- Não posso... eu cheguei até aqui, e não vou desistir agora!. Eu conto com você,mas com ou sem sua ajuda, vou seguir em frente – falei firme

- Merda!.. você com certeza é uma Swann – gemeu – Olha.. já acionei os agentes, enquanto conversávamos, vou dar instruções, e agora mesmo sairão em missão. Mas por favor Bella, tome cuidado. Jamais vou me perdoar se alguma coisa acontecer com você. Pense.. Edward vai acabar com minha vida!

- Eu vou tomar cuidado, eu prometo – sorri, da reação exagerada em relação a Edward – Por favor, não entre em contato com ele – pedi novamente.

- Eu prometo! – disse baixinho – Se cuida Bella, eu amo você querida!

- Eu também amo você tio Billy. Adeus! – me despedi, desligando.

Agora era só aguardar.

Peguei alguns cobertores e deitei no sofá, com Marley enroscado em minhas pernas, e devo ter cochilado, pois acordei com uma forte ventania agitando as árvores, e os galhos batendo nas janelas.

O assovio do vento, me congelava os ossos de medo. Levantei e olhei através da cortina. A neve caia, forte. Eu rezava, para que isso não impedisse os agentes de chegaram aqui a tempo.

Eu caminhava de volta para o sofá, quando escutei uma grande batida na porta. E meu corpo retesou. Olhei para o grande relógio em cima da lareira, cinco horas da manhã. Muito cedo.

A batida forte na porta itensificou, chamando minha atenção novamente. Marley latia grave.

- Shhh amigão, calma. Devem ser Maggie e Benjamim, eles disseram que viriam cedo, para trazer os mantimentos e a gasolina lembra? – eu disse, tentando acreditar nas minhas próprias palavras.

Caminhei em direção á porta, com Marley rosnando furioso atrás de mim, como nunca tinha visto.

Girando as chaves, e soltando as trancas, abri a porta devagar, esperando encontrar qualquer pessoa ali. Menos aquela que estava á minha frente.

- O que você está fazendo aqui? – perguntei nervosa, vendo que era tarde demais, quando senti o frio cano da pistola em minha testa.

Notas finais
Oiê gente..

Quem bate á porta?

Mistérios... mistérios... ;)

♥♥♥ Beijos c/ carinho...

Lyyssa