Love In One Day
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Tenho que achar a capa dessa fic.../random Segunda capitulo, como prometido Obrigado pelas reviews! Aproveitem! o/ Kissuuuuus
Cap2
São sete da manhã.
Pelo menos é o que o despertador alega.
De acordo com os meus vários bocejos seguidos, ainda não era hora de acordar.
Mas não estava a fim de levar outro sermão do professor.
Levantei-me do sofá, sentindo todos os músculos do meu corpo gritando de dor. Espreguicei-me, bocejando alto e passando a mão pelos cabelos desarrumados.
Precisava de um banho.
Em passos sonolentos, fui até meu quarto, abrindo a porta e deparando-me com uma cena cômica e ao mesmo tempo adorável.
Ruki numa posição que só havia visto em livros de ioga, dormindo profundamente, enquanto abraçava o travesseiro.
E me peguei sorrindo como um idiota babão.
Por um minuto, havia esquecido o motivo de eu ter ido dormir no sofá, mas só de olhar para aquele pequeno anjinho dormindo, as lembranças de ontem vieram a minha mente.
Ainda não sabia absolutamente nada sobre ele. De onde era, se tinha família, um lar. Mas já me sentia tão apegado a ele. A ponto de abraçá-lo e protegê-lo, desejando que não fosse embora.
Sentei-me na cama, ao se lado, afagando de leve seus cabelos loiros. Sentindo os fios macios entrelaçados meus dedos, num carinho suave.
Sua vozinha tímida pronunciando seu nome para mim me fez sentir tão pateticamente feliz, que era como se aquilo tudo fosse uma grande loucura.
E era.
Aos poucos o pequeno foi abrindo os olhinhos escuros, ainda sonolento, fitou-me.
Piscou várias vezes, se acostumando com a claridade e sentou-se na cama, coçando os olhos, numa tentativa de afastar o sono.
- Dormiu bem? — Perguntei ainda sorrindo.
-...Sim... — Murmurou, ainda sonolento, olhando para a bagunça da cama. — Gomen...
Olhei-o confuso e Ruki apontou para os lençóis e travesseiros fora do lugar.
- Não se preocupe, Ruki-kun. Eu faço isso também. — Sorri, dando uma leve afagada em seus cabelos.
Ele assentiu, meio corado com o apelido.
- Você quer ir pra sala, ver tv? — Ele virou para me encarar. — Eu vou tomar um banho e depois faço um café para gente, ok?
- Certo... — Ele levantou-se, colocando o travesseiro no lugar e andando calmamente para sala.
Sorri. Peguei uma muda de roupa e segui para o banheiro.
Quando voltei à sala, o baixinho estava com os olhos vidrados na tv, sem ao menos piscar.
Crianças eram todas iguais.
Fui para cozinha, fazer nosso café. Ou ao menos, tentar.
Depois de queimar três torradas, colocar sal no café e o ovo mexido grudar na frigideira, estava mais que comprovado que morreria de fome se não existisse a comida semi-pronta.
Apanhei alguns biscoitos dentro do armário, as três únicas frutas da casa e a caixa de leite. Arrumei rapidamente a mesa e chamei Ruki para tomar café.
Ele entrou na cozinha meio hesitante e olhou para mim e para mesa. Puxei a cadeira para ele, que se sentou meio envergonhado.
Sentei-me do lado oposto, comendo uma maçã, enquanto ele, timidamente, se servia de leite com biscoitos.
E eu parecia àqueles velhos tarados, observando com um sorriso bobo, o garotinho comer seus biscoitos.
Devo confessar, que me controlei muito para não apertá-lo, quando após beber o leite, ficou com um adorável bigodinho branco no lábio superior.
Depois do café, deixei a louça entre a pilha de outros pratos e copos que eu sempre prometia a eu mesmo lavar depois que voltasse da faculdade.
Olhei para o relógio da cozinha e de acordo com ele, eu estava atrasado de novo.
Peguei minhas coisas com pressa e parei na sala para falar com o pequeno.
- Ruki-kun, eu tenho aula agora, então fique aqui me esperando, tá bom? — Ele assentiu, me encarando. — Eu volto na hora do almoço, mas se sentir fome, pode pegar algo na cozinha! Itekimasu! — Acenei rapidamente, passando pela porta.
- Iterashai.... — Parei por um segundo, processando a palavra e sorri.
Fechei a porta e corri para o elevador.
RxR
Voltei um caco pra casa.
Só tive aulas chatas e levei sermão por dormir na aula. Pelo menos eu havia chegado na hora — em cima da hora, para ser exato.
Puxei o chaveiro do bolso e destranquei a porta.
Olhei direto para o sofá, pensando encontrar o pequeno lá, sentando vendo televisão. Mas ele não estava.
Fui olhar na cozinha e nada dele. Só havia uma coisa de diferente: a pilha de louça não estava mais entupindo a pia.
Ergui uma sobrancelha, desconfiado, mas continuei a procurar por Ruki. Olhei no meu quarto, no pequeno escritório e nada dele.
Por segundos pensei que ele poderia ter ido embora e aquilo já estava me deixando aflito.
Mas me acalmei ao ouvir o som do chuveiro ligado. Estava tão nervoso que nem percebi o com do chuveiro.
Já mais aliviado, voltei à cozinha para tomar água. Voltei a sala, sentando-me no sofá e ouvi a porta do banheiro abrir.
- Ruki-kun, já che...- A palavra ficou presa na garganta com a cena. -guei...
Aquilo era demais para a sanidade de um homem aos vinte anos.
Ruki estava enrolado numa toalha tão branca quanto sua pele. As mãos pequenas agarrando fortemente o pano preso na altura do peito. Os fios claros e úmidos colados no rosto.
Deus...como uma criança de dez anos podia ser tão...sexy?
Neguei nervosamente com a cabeça e sem pensar, joguei o resto da água fria na minha cara.
O baixinho olhou-me assustado, tentando entender o que eu fizera.
Esbocei um sorriso sem graça, mentindo, dizendo que estava tudo bem.
Mas não estava.
Iria precisar de mais uns vinte copos de água fria.
- Gomen....- começou a falar. — Fui tomar banho, mas...esqueci de pegar roupa...e...fiquei sem jeito de mexer nas suas coisas. — Desculpou-se baixinho, mexendo os pés, em sinal de nervosismo.
- Está tudo bem. — Tranqüilizei-o. — Você podia ter pego, sem problemas. Espere aqui.
Fui até o quarto e peguei uma blusa para ele vestir.
Ele pegou a blusa e voltou ao banheiro, saindo poucos minutos depois. E novamente o ajudei a dobrar as mangas da blusa, que ficara enorme.
- Pode pegar sempre que precisar, Ruki-kun. — Falei, ao terminar de arrumar a blusa.
- Hai...Arigatou... — Falou, agarrando com força a barra da blusa.
Afaguei seus cabelos e lhe ofereci um sorriso, que foi retribuído por um meio sorriso tímido.
- Agora, — Falei me levantando do chão. — como foi que minha louça sumiu? — Indaguei, com a mão no queixo, pensativo.
- Eu... — Pronunciou-se, envergonhado. — Eu lavei...desculpe...fiz mal? — Perguntou inseguro.
Arregalei os olhos, surpreso. Ele havia lavado aquele Monte Fuji de louça!?
Senti-me humilhado.
- Claro que não, pequeno! — Abaixei até ele. — Na verdade, você salvou minha vida! Acho que aquela louça ficaria acumulando até dominar a casa.
Ele cobriu a boca, tentando abafar as risadas e senti meu peito aquecer.
A risada dele era tão boa de se ouvir.
Após isso, fomos decidir o que comer. Na verdade eu decidi, pois Ruki nem quis opinar.
Uma bela refeição de que não sabe cozinhar.
Pizza.
Entrega rápida para barrigas famintas.
Coloquei a pizza sobre a mesinha da sala, enquanto Ruki trazia os talheres e os copos.
Sentamos no chão, um ao lado do outro e começamos a atacar aquela maravilha de frango com catupiry.
Olhei de esguelha para Ruki, que comia timidamente, assoprando o pedaço quente da massa.
Eu precisava saber algo mais sobre ele, fora seu nome. Saber de onde vinha, ou se tinha alguém que poderia estar preocupado com ele.
Afinal ele deve ter vindo de algum lugar.
- Ruki... — Ele colocou o pedaço na boca e virou-se para mim. — Eu preciso saber...de onde você é?
Engoliu a comida na boca e ficou cabisbaixo.
Sei que aquilo trazia alguma lembrança ruim pra ele, mas eu precisava saber mais coisas sobre ele.
- Gomen Ruki, mas eu preciso saber... — Insisti, erguendo seu rostinho, buscando seus olhos com os meus. — Onde fica sua casa? Seus pais devem estar preocupados e...
- Não tenho... — Balbuciou, desviando o olhar para algum ponto qualquer da parede.
- Eles faleceram? — Perguntei incerto, temendo machucá-lo ainda mais.
- Não...Mas para mim sim... — Falou, voltando a abaixar a cabeça. — Meu...padrasto me expulsou de casa faz três dias... — As lágrimas começando a surgir no canto dos olhos.
- Ruki...
- Minha mãe não fez nada... — Ele piscou e uma lágrima escorreu solitária pela bochecha rosada dele. — Ficou do lado daquele homem...não se importou com o próprio filho...Ela morreu pra mim...
Não pensei duas vezes em puxá-lo para perto de mim, abraçando-o com força.
Suas mãos agarraram minha blusa com força. As lágrimas agora descendo livremente pelo rosto bonito. Soluços baixinhos eram os únicos sons ouvidos na sala.
Deixei-o chorar. Um choro que devia estar preso desde que saíra de casa.
Apenas fazendo um carinho suave em seus cabelos, murmurando palavras para acalmá-lo.
Depois dele se acalmar, soltei-o, encarando seus olhos, agora vermelhos e meio inchados.
Passei o dedo por suas bochechas, trilhando o caminho das lágrimas até seus olhos, secando-as.
- Gomen, pequeno...Não queria te fazer chorar. — Desculpei-me, acariciando sua bochecha.
- Está tudo bem... — Murmurou, ainda choroso, enxugando os olhos com as mãos. — O que você vai fazer agora? — Perguntou, sem me encarar. — Me levar a polícia, para eu voltar para casa e ser expulso de novo?
E aquelas palavras doeram no meu peito, como facas.
- Não! Claro que não! — Disse sem pensar. — Ruki...você pode ficar...se quiser... — Falei hesitante, temendo ser rejeitado.
Ele encarou-me surpreso.
Talvez não esperasse essa reação de minha parte.
Na verdade nem eu esperava que eu reagisse assim.
- Eu...posso? — Perguntou inseguro.
- Claro, se assim quiser, Ruki. — Segurei seu queixo, virando se rosto para mim. — Não vou te obrigar a nada, pequeno.
Ele encarou meus olhos de tal maneira, que senti arrepios percorrerem meu corpo.
Tão profundo, tão inocente, tímido, delicado...desprotegido.
- Eu...quero. — Falou baixinho, e eu sorri.
- Então, você fica. — Acariciei sua bochecha, fazendo-o corar. — Que tal terminarmos a pizza?
Ele assentiu um pouco mais animado e continuamos a comer.
Naquele dia eu não fui trabalhar.
Tudo o que eu queria era passar o resto do dia perto de Ruki.
Tendo certeza de que ele não se sentiria sozinho.
Continua...
Notas finais
Reviews pleeeaaaase? .3.
Fale com o autor