Love Hurts!
11 Como treinar o futuro papai!(II)
Notas iniciais
“Amar, é quando não dá mais pra disfarçar;
Tudo muda de valor, tudo faz lembrar você;
Amar, é a lua ser a luz do seu olhar;
Luz que debruçou em mim;
Prata que caiu no mar;
Suspirar, sem perceber;
Respirar o ar que é você;
Acordar sorrindo;
Ter o dia todo pra te ver...”
Amar É....
Roupa Nova
Apartamento de Connor (sábado, 25/2 – 18: 38 p.m)
Kim Burguess
Surpresa. Era a melhor palavra para expressar minha reação ao saber que Sarah estava dormindo com Connor.
Bem, tecnicamente não Com, apenas No Mesmo Quarto. E as meninas também, eu sei. Mesmo assim era algo impensável até três semanas atrás especialmente porque minha amiga ainda guardava mágoa pela forma como as coisas haviam acontecido entre eles.
Quando Claire Rhodes me procurou no distrito uma semana e meia atrás convidando-me para o chá de bebê que estava preparando para Sarah (coisa que nós, amigas mais intimas deveríamos ter pensado a séculos!!) não hesitei em aceitar mesmo sabendo o quanto minha amiga era avessa a surpresas, fato que omiti da senhorita Rhodes por não querer entristecê-la já que demonstrou estar bastante animada, o que me deu a certeza de que as meninas (e Sarah também) haviam conquistado mais um membro da família Rhodes. Recomendei-lhe apenas que se preparasse para uma reação pouco (ou nada) efusiva da parte dela.
Outro motivo que me fez aceitar o convite, além de acreditar que nossa presença ajudaria a amenizar o desconforto de Sarah, fora o fato de estar roxa de saudade dela e das garotas visto que tinha ido até o apartamento de Connor somente uma vez, juntamente com Adam, Gabby e Matt, no domingo, desde que se mudara para lá.
Havíamos ido levar o restante das coisas miúdas (roupas, sapatos, brinquedos) que ficaram para trás basicamente pela pressa de Connor em tirá-la daquele ambiente estressante, aproveitando para contar-lhe que locáramos um espaço onde guardamos seus poucos móveis (o que gerara protestos de sua parte) entregando-lhe a chave do lugar junto com o cartão contendo o endereço, avisando que pagáramos três meses adiantados (mais protestos vindos desse fato).Depois disso, nenhum de nós havia retornado, nem mesmo para uma visita rápida.
Conversei com Sarah três dias depois dessa visita, em seu horário de almoço no Med. Na ocasião ela contou-me que a irmã convencera Connor a reformar o quarto de hospedes a fim de acomoda-la melhor juntamente com as meninas e ao mesmo tempo preparar o espaço para a chegada do baby revelando que, após uma conversa franca, ele a convencera a permanecer morando lá até dar à luz. Detalhe: não sei por que, omitira estar dividindo o mesmo quarto com ele.
Também contara ser alguém da Dolan, uma pessoa de confiança da Claire, a responsável por buscar as meninas na escola ao final do dia para que não chegassem tarde a casa permanecendo com elas até que ambos ou um deles chegasse.
De minha parte, contara-lhe como andavam as coisas com Jay.
Ele ainda estava zangado com todos nós por termos ficado do lado de Connor (opinião dele, não minha) e não do seu quando, atendendo ao chamado de Gabby, buscara Sarah em seu antigo endereço assumindo (finalmente!) a responsabilidade de cuidar dela e do filho, o que era uma contradição já que ele próprio era quem mais cobrava tal atitude do pai do bebê (vai entender!!).
Este era, na verdade, o motivo pelo qual evitávamos visitá-las. Decidíramos, todos nós, por mais que nos doesse, procurar ela e as meninas penas quando toda a situação entre ele, Sarah e Connor se resolvesse. Ao ser questionada sobre nossa ausência, justifiquei-me com o excesso de trabalho, o que era verdade, em parte. Outro fator que contribuiu para nossa decisão foi o termino do relacionamento do Jay com a Erin, conferindo-lhe um mal humor ainda maior. Estava um porre ultimamente, fazendo com que repetisse para mim mesma que era uma fase, que logo passaria e não valia a pena pôr em risco minha carreira assassinando meu parceiro com um tiro, uma facada ou outro objeto qualquer que estivesse a mão, ou mesmo com minhas próprias mãos!!
—Fiquem a vontade. O que precisarem peçam as meninas, elas sabem melhor do que eu onde encontrar tudo por aqui – a voz de Claire me tira do devaneio – Vou pegar uma toalha e roupas limpas para aquele bife gigante que chamo de irmão! – brinca, revelando estar de bom humor – Como foi que vocês ficaram neste estado bonequinha!? – interroga, olhando para Emma enquanto abre o guarda roupa.
—Estava me perguntando o mesmo! – Gabby endossa, sinalizando para que Adam e Matt pusessem Marina e Emma direto dentro do boxe no banheiro – Podem ir garotos, cuidamos de tudo daqui em diante – dispensa-os.
—Ok – Matt responde, ele e Adam batendo continência fazendo as garotas rirem antes de se retirarem, voltando para a sala.
—O museu fechou, nós fomos almoçar na área de alimentação e depois Connor sugeriu ir à praia brincarmos na areia – Emma explica começando a despir-se com a ajuda de Sylvie, Gabby fazendo o mesmo com Marina.
—Coitado!!! – dizemos em coro, rindo da expressão confusa feita por Claire – Brincar na areia para as duas mocinhas aqui é sinônimo de rolar a beira mar, mergulhar na água e rolar na areia de novo além de construir piscinas – explico.
—Ahh... Acho que essa informação meu irmão desconhecia! – exclama ela, divertindo-se, pendurando uma calça jeans, uma camisa e uma box, todas as peças em tons de azul escuro, quase preto, em seu braço direito, toalha sobre o mesmo ombro – Vou levar as coisa para Connor. Precisam de ajuda?
—Não, não, fique tranquila, sabemos nos virar com estas mocinhas aqui! – garanto, apertando o nariz de Marina.
—Ok. Espero vocês na sala então – diz, sorridente — Nada de olhar o quarto quando passarem, ouviram? Quero que o vejam junto com a Sarah e o Connor – avisa, saindo em seguida.
—Ela me parece uma boa pessoa – Sylvie comenta, dobrando as roupas sujas de Emma e Marina, pondo-as dentro de um cesto no canto da parede, assobiando, chamando nossa atenção – Uau! Que quarto lindo – exclama olhando a volta e fazemos o mesmo.
—Onde estavam dormindo gatinha? – pergunto, encostando-me ao batente da porta do banheiro, toalhas penduradas no braço.
—Nossa cama estava aqui no lugar da do Connor. A dele estava no canto, junto a janela – explica, indo mais para o canto do boxe ensaboa-se, abrindo espaço para Gabby começar a banhar Mama – Ainda bem que já vamos voltar para nosso quarto. Connor é bem inquieto sabe, demora a dormir – comenta e troco um olhar cúmplice com Gabby.
—Por que será!? – Sylvie indaga, rolando os olhos e não seguro o riso.
—Sei lá! Só sei que as vezes dava vontade de perguntar se tinha formiga na cama dele – Emma resmunga fazendo-nos rir ainda mais.
—E ele e Sarah, como estão princesa? Eles conversam? – pergunto, cuidadosa.
—Conversam às vezes. Mais quando estão no carro do que aqui, em casa – revela, ligando o chuveiro novamente, tirando shampoo e sabonete — Aqui passam a maior parte do tempo separados, estudando, as vezes estudam juntos também, ou lendo, ou assistindo televisão com a gente – completa, esticando a mão após retirar toda a espuma, pedindo a toalha e entrego-lhe.
—Conno cozinha melhor do que Sarah! – Marina confidencia nos fazendo rir novamente.
—Verdade – Emma anui, saindo do boxe – Ele é muito bom na cozinha – elogia, ficando de pé sobre um tapete enquanto se enxuga – Tia Kim, pode pegar nossas roupas no armário? Estão nas portas do lado esquerdo – avisa.
—Só na cozinha?? –Sylvie cochicha quando passo por ela e tenho que me esforçar para segurar o riso.
—Mas no geral estão se dando bem não é? Não estão brigando nem nada estão? – quero saber, indo até o móvel, abrindo as portas indicadas por ela, pegando um vestido para Emma e outro para Marina além de calcinhas, sentando sobre o colchão após entregar-lhe o seu, observando-a enxugar-se e arrumar-se.
—Tia Kim, penteia meu cabelo – pede, entregando-me uma escova, ficando de costas para mim.
—Então princesa, como eles estão? Notou ou escutou algo? – insisto, escovando seu cabelo, notando que ainda havia areia neles.
Na verdade, desde que Connor as levara para seu apartamento aquela tarde, temíamos ter tomado a decisão errada ao ligarmos contando o que estava acontecendo.
—Sem brigas, não se preocupe – escuto a voz grave e me sobressalto, levantando da cama num pulo.
—Tia Kim está preocupada com você e Sarah, Connor – Emma diz, calçando uma sandália de dedo.
—Estamos bem, dentro do possível – afirma, entrando no banheiro, pondo as roupas sujas no cesto, acenando para Marina que estica os braços em sua direção, saindo após mandar-lhe um beijo – Não está sendo fácil, admito, mas estamos nos entendendo aos poucos, passo a passo – garante, indo até o guarda roupas, pondo um pouco de perfume, calçando um docside — Fizeram a escolha certa, fique tranquila Kim – assegura, lendo meu pensamento, voltando-se para nós – Sarah já deve estar chegando. Vou para a sala, fiquem à vontade – avisa.
—Já estou pronta, posso ir com você?– Emma pergunta, correndo para junto dele sem esperar resposta, segurando sua mão – Será que podemos dar uma espiadinha no quarto, só uma pequenininha assim? – pede, usando os dedos para exemplificar o que queria.
—Nem pensar! Quero estar vivo quando meu filho nascer e desafiar minha irmã vai de encontro a essa vontade – brinca ele, sorrindo enquanto sai do quarto com Emma grudada em sua mão, seguindo para a sala.
—Impressionante! – ouço Sylvie dizer e me volto para ela.
—O que é impressionante? – pergunto.
—A força de atração desse homem! – responde, suspirando, explicando ante minha expressão confusa – Acaso não notou como, mesmo sem querer, acompanhamos cada movimento dele enquanto estava aqui dentro?
—Não acompanhamos não!- retruco.
—Pior que acompanhamos – Gabby declara, saindo do banheiro com Marina nos braços – Até eu, que estava ocupada dando banho na Mama, notei. Falando nisso, vocês poderiam dar uma arrumada no banheiro dele antes de sairmos. Tem quase tanta areia lá dentro quanto à beira mar – exagera, enxugando Marina.
—Vou limpar lá dentro e você arruma aqui Sylvie – sugiro, dirigindo-me para o banheiro.
—Gente, que ninho é este em seu cabelo? – ouço Gabby reclamar e me volto, rindo ao ver a careta gozada que fazia – Até com ajuda do creme tá difícil de desmanchar.
—Conno fez trança. Duas – Marina conta, mostrando os dedinhos, saltitando.
—Imagino a qualidade dessas tranças! –Gabby diz, rolando os olhos e rio, me concentrando em limpar o banheiro, Sylvie fazendo o mesmo dentro do quarto, recolhendo as sapatilhas úmidas das meninas.
Dez minutos depois deixamos o cômodo indo para a sala com Marina.
—Marina, minha princesa! Está cada dia mais fofa! – April exclama, agachando-se para abraçá-la assim que entramos na sala.
—Está mesmo – Miss Goodwin anui, afagando a cabeça dela.
—Todos já chegaram? – pergunto, olhando a volta, notando que além de April e Miss Goodwin, Natalie Mannig, Ethan Choi, Will Hasltead, Dóris, doutro Latham e uma médica que não lembro o nome, estavam presentes, além de Kid, Severide, Otis, Hermmam e Cindy.
—Quase – Claire responde, sorrindo satisfeita – Faltam apenas três pessoas, afora aqueles que avisaram que não poderiam vir. Minto, faltam quatro pessoas, mas duas se ofereceram para trazer Sarah e...- cala-se, dando atenção a seu celular – Chegaram!!!
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Sarah
—Muito obrigada pela carona doutora Beker – agradeço ao saltar do carro em frente ao prédio onde ficava o apartamento de Connor – E obrigada pelos presentes. Aos dois – agradeço novamente, voltando-me para doutor Charles, que também descera, retirando as sacolas antes que eu o fizesse.
—Era o mínimo que podíamos fazer depois que a fizemos perder a carona do doutor Choi e da April – doutor Charles diz.
Na verdade, não havia combinado nada com os dois. April perguntara se queria carona já que Ethan iria até o apartamento conversar com Connor, mas como me atrasei ajudando Daniel e Ava com uma paciente, os liberei do compromisso.
Quando estava na sala dos médicos me preparando para sair, os dois entraram trazendo quatro sacolas cada um. Três, as maiores, contendo bonecas e ursinhos para Emma e Marina, duas com batas e um vestido para mim (essas da doutora Beker) e três ainda não sabia o conteúdo pois optei por abri-las quando estivesse em casa já que estava ficando tarde e ainda teria que pegar um taxi pois com oito sacolas seria complicado pegar o metrô (minha barriga havia aumentado consideravelmente na última semana). Quando mencionei o que pretendia, Ava Beker se ofereceu de imediato para me trazer em casa (me surpreendendo). Tentei declinar alegando que iria atrapalhar, pois teria que mudar seu trajeto, mas ela prontamente rebateu meu argumento.
—Bobagem. Já iria, ou melhor, vou mudar mesmo. Levarei doutor Charles em casa, então não me custa nada levar você também – dissera.
—Além do mais, nada é distante quando se está de carro minha querida – Daniel alegara, sorrindo gentilmente.
O que ambos enrolaram e não souberam explicar direito era o porquê de tantos presentes (não engoli muito bem a desculpa de os terem comprado por conta de ter-me mudado recentemente).
—Mais uma vez obrigada – reitero, tentando pegar as sacolas de volta.
—Nós a ajudaremos a subir. São muitas sacolas para carregar sozinha ainda mais estando cansada minha querida – doutor Charles argumenta e estreito os olhos encarando-os.
—Certo, o que está acontecendo? Por que os presentes e todo este cuidado em me trazer em casa? – questiono enquanto caminho para a portaria do edifício, acenando, retribuindo o sorriso e o cumprimento do porteiro quando passo pela guarita adentrando o mezanino do condômino de luxo onde Connor mora, parando apenas quando chego a frente dos elevadores – Então, estou aguardando a resposta – insisto, levando uma mão a barriga, alisando-a carinhosamente, fazendo uma careta ante o festival de chutes que o bebê começara a realizar. Esse garoto não é fácil!
—Tudo bem doutora Reese? Está sentindo alguma coisa? – Daniel questiona preocupado.
—Não, nada. Só meu filho que parece ter decido começar a jogar futebol justamente agora! – exclamo, fechando os olhos, me encostando a parede enquanto o elevador não chega, respirando devagar para espantar a dor causada pela movimentação dele.
—Está vendo como foi bom tê-la trazido e estarmos subindo com você? – doutora Beker argumenta, posicionando-se de forma a reter as portas sinalizando para que eu entrasse antes deles – Caso passe mal estaremos aqui para socorrê-la– fala em tom divertido – Desculpa – pede ante meu olhar assassino.
—Doutor Charles, poderia me responder, por favor – peço, me voltando para ele após apertar o botão do quinto andar – Doutor Charles? – insisto, o mesmo mexendo em seu celular, fingindo não ouvir.
—Chegamos – anuncia no exato momento qeu me preparava para questiona-lo, saindo sem me responder.
—Não sei por que a expressão “salvo pelo gongo” me veio à mente! – exclamo antes de segui-lo, Beker saindo por último.
—Anda muito tensa e desconfiada doutora Reese. Deve ser a convivência com Lobo Mau – brinca, desta vez não se importando em esconder o riso quando me volto para ela.
Não podia deixar de dar-lhe razão. Ao menos no que diz respeito a andar estressada e desconfiada, mas isto nada tinha a ver com o fato estar vivendo com Connor. Ou talvez tivesse, não sei. A verdade é que me sentia desta forma e certas atitudes de meus colegas e amigos só faziam reforçar meu estado de espírito.
—Por que vai tocar a campainha? Lobão ainda não te deu a chave? – Beker questiona ao me ver apertar o botão na parede lateral a porta e respiro fundo novamente, estranhando tanto a demora (geralmente não precisava dar mais do que um toque) quanto o silencio, questionando-me se ele já estaria em casa com as meninas.
—Se não tivesse chegado me avisaria – verbalizo meu pensamento apertando o botão mais uma vez, massageando minha têmpora esquerda, começando impacientar-me.
Quando me preparava para repetir o toque, escuto o som da chave girando e me posiciono de frente para a porta, que é aberta por Connor. Ele me surpreende ao sair do apartamento rapidamente barrando minha passagem, fechando-a atrás de si, segurando a maçaneta, fazendo uma careta de desagrado ao ver a doutora Beker, justificando-se antes que eu pudesse protestar.
—Quero que saiba, não concordei com isto. Por mim teria sido comunicada de tudo – afirma, olhando dentro de meus olhos – Está se sentindo bem? – questiona, franzindo o cenho preocupado.
—Só estou cansada, querendo tomar um banho, comer e descansar – enumero, escutando uma leve batida na porta a suas costas – Connor, por que fechou a porta? Deixou Marina e Emma sozinhas dentro de casa? Aconteceu alguma coisa a elas? – interrogo, me alarmando, tentando passar por ele.
— Estão bem, fique tranquila – garante — E não estão sozinhas – avisa.
—Como não? Eu estou aqui, você está aqui... — reflito um segundo –O que está acontecendo Connor? Quem está com as meninas?– quero saber, ele respirando fundo antes de responder.
—Minha irmã preparou uma surpresa para você – revela, ficando de lado, abrindo a porta de supetão, quase acertando Claire, que olha assustada.
—Surpresa! – escuto as vozes de Kim e Gabby anunciarem, as próprias surgindo por detrás dela, sorridentes.
Kim toma a dianteira, vindo me abraçar antes que entrasse em casa
— Relaxe, sei que não gosta disso, mas Claire fez com a melhor das intenções – cochicha em meu ouvido, enquanto corro a vista pelo interior do apartamento, reconhecendo todos os meus amigos do Med e fora dele, minhas irmãs e Claire. Bem, quase todos – Vamos entrar? – convida, afastando-se, me encarando insegura.
Anuo com um meneio de cabeça, incapaz de falar, dirigindo um olhar acusador a Connor antes de me obrigar a sorrir educadamente. Um a um se aproximam, me cumprimentando com beijos, abraços e apertos de mãos.
Sou conduzida por Kim e Claire ao centro da sala, só então notando a decoração, as mesas com comidas e principalmente o enorme cesto próximo a mim onde alguns pacotes e sacolas haviam sido colocados.
—Olha Sarah, são presentes para você e pro bebê – Emma anuncia, segurando minha mão, fazendo-me sentar, pegando um embrulho azul que põe sobre meu colo – Agora que chegou podemos abrir.
—Devagar boneca, deixe sua irmã respirar – Connor pede e ergo os olhos para ele num pedido mudo – Porque não mostra a decoração a doutor Charles e doutora Beker enquanto a levo ao quarto para que possa se refrescar e trocar de roupa, o que acha? – sugere, segurando minha mão, fazendo-me levantar e acompanhá-lo — Avisei que não era uma boa ideia – ouço-o dizer quando passamos por sua irmã sem importar-se se os demais ouviriam e estanco, obrigando-o a fazer o mesmo, voltando-me para os convidados.
—Desculpem por isso – peço, sorrindo amarelo – Obrigado a todos pela presença. Deem-me um minuto para me recompor e já volto para abrir os presentes...
—E ver nosso quarto, Sarah – Marina acrescenta, ansiosa.
—Isso também – concordo, sorrindo para minha irmã – Não se preocupem, depois de um bom banho ficarei nova em folha – garanto, apertando firme o braço de Connor, deixando-me conduzir até seu quarto – Feche a porta – ordeno assim que entramos atirando minha bolsa sobre a cama, ele obedecendo.
—Sarah, me desculpe por.…- começa dizer, mas interrompo aplicando-lhe uma sonora bofetada.
—Isto é por ter permitido que sua irmã fizesse esse....essa coisa...de surpresa e não ter dado um jeito de ao menos me alertar sobre o que encontraria ao chegar! – esbravejo, aplicando-lhe outra bofetada antes que retrucasse – Isto é por fazer meus amigos e nossos colegas de trabalho pensarem que não gostei de vê-los aqui.
—Eu pensei que não...- tenta justificar-se e outra vez o interrompo.
—Levou Marina e Emma a praia? – questiono.
—Sim, porque.... – corto-o acertando seu rosto novamente do mesmo lado, a pele ficando ainda mais vermelha, meus dedos marcados sobre a mesma – Posso saber o porquê de ter apanhado mais uma vez? –bufa, os olhos azuis faiscando. Sabia que estava muito perto de fazê-lo perder o controle, mas não me intimido. Mereceu cada uma delas.
—Esta foi por ter levado minhas irmãs a praia sem passar protetor solar. Já viu o rosto de Emma como está? E Marina? Está parecendo um camarão de tão vermelha! Sabe os riscos de um câncer de pele hoje em dia, ainda mais em crianças? Elas têm pele mais sensível do que a nossa, seu estúpido, não pode expô-las sem a devida proteção – discurso, apertando a mão firmemente, resistindo a tentação de dar-lhe outra bofetada.
—Eu não...Eu...esqueci – admite — Sinto muito Sarah, não foi de propósito – pede, levando uma mão a nuca visivelmente sem graça – É que Claire chegou me apressando para que saísse logo, e tive que arrumar tudo às pressas e...
—Pare de dar desculpas ou pôr a culpa de seus atos ou da falta deles nos outros, Connor – bufo, encarando-o – Estava responsável por elas hoje, sabia que teria que sair de casa, tinha que ter se preparado adequadamente. E se tiverem insolação e ficarem doentes, já pensou como vai ser? – reclamo, massageando minha têmpora novamente – Quer saber: a culpa foi minha. Deveria saber que não estava pronto para cuidar de duas crianças sozinho – reconheço, suspirando exasperada.
—Me desculpe – reitera – Por tudo – acrescenta, triste– Eu realmente deveria ter posto freio em Claire e quando não o fiz, deveria ter dado um jeito de te avisar com antecedência. Quanto às meninas, reconheço que não soube como lidar nem me preparei para cuidar delas sem sua presença, mas foi apenas a primeira vez. Não tenho filhos ou sobrinhos que possam me servir de base. Cometi erros, eu sei, e sinto muito se coloquei a saúde delas em risco, mas prometo que não acontecera ....- volto a interrompe-lo, desta vez com um beijo, calmo, despretensioso, casto.
Fico na ponta dos pés, as mãos segurando seu rosto, mantendo-o quieto muito embora não precisasse fazê-lo já que não fizera menção de afastar-se ou me afastar. Ao contrário. Passada a surpresa inicial, pousara as mãos em minha cintura apoiando meu gesto correspondendo a cada movimento meu.
Durante um tempo indefinido (grande o suficiente para chamar atenção de nossos amigos) permanecemos assim, lábios colados, ora aumentando ora diminuindo a intimidade do beijo, cessando-o apenas ao escutarmos o “OH” seguido pelo som de risos pouco depois de a porta ser fechada.
Hesitantes, nos separamos ficando alguns segundos mergulhados um nos olhos do outro, em silencio, ele sendo o primeiro a quebrá-lo.
—Vou deixar você se trocar – diz, se afastando devagar, caminhando em direção a porta.
—Connor – chamo antes que saísse e volta-se – Desculpa as bofetadas. Eu me estressei com a surpresa e quando vi as meninas meio que me descontrolei. Desculpa – reforço ganhando um de seus sorrisos maravilhosos.
—Tudo bem. Mereci cada uma delas – afirma, piscando antes de sair fechando a porta.
Respiro fundo, retendo o ar, soltando-o lentamente, enxugando as lágrimas que teimam em cair com a ponta dos dedos.
—Malditos hormônios! – praguejo, caminhando para o banheiro, onde após me despir tomo uma ducha morna reconfortante, aproveitando para massagear minha barriga, catando suavemente, acalmando meu filho... Nosso filho.
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Connor
Fecho a porta ao deixar o quarto recostando-me a ela olhando o nada, confuso com tudo que acontecera momentos atrás.
Quando decidi, num impulso, alertar Sarah antes que entrasse em casa, esperava qualquer coisa menos a reação que teve, especialmente quando ficamos a sós. As bofetadas ainda ardiam. E como!
—Mãozinha pesada a sua minha linda! – exclamo massageando o local que acertara três vezes – Mas a boca é doce como mel mesmo quando fala coisas desagradáveis – murmuro baixinho, desencostando-me, caminhando de volta a sala, imaginando quem teria sido o responsável pela interrupção a pouco – Não sei se agradeço ou xingo – pondero, vendo todos rostos voltarem-se em minha direção quando adentro o ambiente novamente.
—Como ela está? – Natalie é a primeira a falar, se aproximando seguida de perto por Maggie, April e Gabby.
—A doutora Beker nos contava que tinha reclamado de mal-estar quando subiam no elevador – April comenta, lembrando-me da incomoda presença da referida.
—Não, eu disse que ela estava fadigada pelo dia trabalhado e incomodada com os chutes do baby – corrige-a, me encarando – Como foi seu dia Lobo mau? Divertiu-se com as pequenas? – pergunta, voltando-se para Emma e Marina, franzindo o cenho.
—Não comente – ouço Kimberly pedir, cortando o comentário que ela ensaiava.
—Sarah está bem doutor Rhodes? – Miss Goodwin quer saber, preocupada.
—Ela está bem – afirmo – Daqui a pouco estará conosco. Por favor, não se preocupem. Sirvam-se e fiquem à vontade – peço, sorrindo, voltando-me para as meninas, somente agora percebendo o que ela (e certamente as mães presentes) percebeu de imediato.
—Deveria ter posto protetor solar antes de ir à praia – Hermman fala parado a meu lado, seguindo meu olhar.
—Bloqueador – Cindy, sua esposa, o corrige passando por nós carregando uma bandeja com suco, refrigerante, fatias de bolo e salgados, pondo-a sobre a mesinha próximo ao local onde as crianças se encontravam, sentando-se.
—Isso, bloqueador – Hermman anui, fazendo uma careta ao me encarar – Bateu o rosto em algum lugar lá dentro? – pergunta.
—Na mão da Sarah, com certeza! – Gabby Dawson exclama indo sentar-se junto a Cindy.
—Estranho, quando Kim e eu abrimos a porta parecia estar tudo muito bem obrigado – Claire comenta ao passar com outra bandeja, servindo as pessoas, que se dividiam em grupos pelo apartamento.
—Foram vocês então – digo, olhando a detetive amiga de Sarah, que sorri amarelo indo sentar-se junto ao namorado.
—Foi ideia de sua irmã – Sylvie Brett defende a amiga, seguindo-a.
—Tenham dó, lobos maus não são muito bons em fazer bondade – Ava Beker brinca, sentando-se em um dos bancos junto ao balcão, rindo enquanto morde um empanado.
—Quer gelo? – Will pergunta, segurando o riso.
—Não precisa – declino, fechando a cara, passando para trás do mesmo – Só preciso que me deem uma folga, ok? O dia já foi cansativo e estressante por demais – assumo, abrindo a geladeira, pegando uma cerveja.
—Rotina na vida de pais doutor Rhodes, logo se acostumara – Daniel garante, recostando-se ao balcão – Não foi tão ruim assim foi? As meninas estavam animadas, você também está com uma cara boa, apesar de vermelha. Mais vermelha – comenta, Will, Ethan, Beker, Latham, além dele próprio, rindo divertidos.
—Ok, não foi – reconheço, tomando um gole enquanto observo as pequenas – Na verdade foi bem divertido. Salvo alguns momentos de estresse. Como os pais fazem para levar filhas mulheres ao banheiro? Não dá pra entrar com elas no masculino muito menos no feminino sem causar transtornos. Não fosse a ajuda de uma funcionária teria me visto em maus lençóis...Bem, me vi...Um pouco – lembro, tomando outro gole.
—Pensou em usar o fraldário? – Maggie pergunta e franzo o cenho – Existem para isso – informa, indo ajudar Claire.
—O problema é que a maioria não possui vasos sanitários – April comenta, encostando-se a Ethan, que envolve sua cintura.
—Verdade. Mas já vi em alguns lugares banheiros masculinos com fraldário anexo. Poucos, mas vi – Nat informa, olhando-me atenta – Deveria ter posto protetor em você também Connor. O lado direito de seu rosto parece-me um pouco inchado.
—O inchaço não é culpa apenas do sol – Will solta e o fuzilo com o olhar, minha atenção sendo chamada por Sarah, que retorna usando um vestido em tons de azul e verde, soltinho, o laço abaixo dos seios destacando a barriga já bastante visível.
—O que está fazendo Will? – escuto Nat perguntar pouco antes de sentir algo ser pressionado contra meu queixo.
—Pronto, pode babar a vontade – Will brinca, e o encaro novamente – De nada – fala, rindo.
—Está melhor? – Nat pergunta assim que ela se aproxima de nós.
—Muito. Desculpem o mal jeito quando cheguei – pede, dando atenção a Marina, que correra até ela puxando-a pela mão.
—Presentes Sarah, abra os presentes – pede fazendo-nos rir.
—Ok, vou abrir – anui, sentando na cadeira anteriormente indicada por Claire – Por qual começo? – questiona a pequena, que pega um embrulho grande de cor cinza.
—Este – indica, pondo-o em seu colo.
—De quem é? – April pergunta, curiosa.
—Não tem nome – diz ela, girando-o.
—É meu – doutor Latham avisa – Esqueci-me de por cartão.
—Sem problema – digo enquanto Sarah começa a abri-lo, Cindy intervindo.
—Não Sarah, tem que tentar adivinhar antes de abrir – alerta, as demais mulheres presentes anuindo.
—Certo – concorda, girando-o novamente, apertando – Não é muito pesado, já que Marina conseguiu pegar....é fofo, porém firme..
—Fofo e firme? – Brett questiona, arqueando uma sobrancelha.
—Uhum – confirma, apertando mais uma vez, sorrindo – Uma bolsa – diz, rasgando a embalagem, revelando que acertara – É seu mesmo doutor Latham? – questiona, enrugando o cenho.
—Sim, por quê? – devolve nosso mentor e me pergunto o mesmo, entendendo o porquê quando exibe a frente da bolsa fazendo-me reter a garrafa de cerveja antes que chegasse a boca, Will engasgando com o gole que sorvera.
— Só pra constar: não tive nada a ver com isto! – Beker defende-se, erguendo a mão.
—Devo discordar – doutor Charles rebate – De tanto chamar Connor de lobo mau e Sarah de chapeuzinho acaba nos influenciando. Fica no subconsciente e quando menos esperamos vem a tona – argumenta.
—Também comprou algo com este motivo doutor Charles? – não consigo evitar perguntar, ele erguendo a mão sem graça – Alguém mais? – pergunto vendo várias mãos se erguerem – Sério?
—É um desenho muito engraçado Connor – Will, que também erguera a sua, justifica – E tem tudo a ver...
—Em que exatamente Deu a louca na chapeuzinho tem a ver conosco? – questiono apontando de mim para Sarah.
—Além de ser uma releitura onde lobo e chapéu não são exatamente o que parecem? – Hermman pergunta – O que? – retruca ante meu olhar inquisidor — Tenho filhos pequenos. O mundo dos desenhos é um velho e querido amigo que me salvou diversas vezes. Vai por mim, nada como o desenho certo para transformar monstrinhos em anjinhos por quarenta e cinco minutos! – exclama fazendo todos rirem. Bem, quase todos.
—Não seja mal humorado Rhodes, é um desenho bom onde aquela imagem de malvado do lobo é alterada – Daniel argumenta, tocando meu ombro.
—Nem tanto mestre, nem tanto! – Beker comenta, indo sentar-se perto de Sarah – Posso sugerir que os meus sejam os próximos já que estão dentro do tema? –pede.
—Claro – Sarah concorda, pondo a bendita bolsa de lado, sinalizando para que Emma pegasse as sacolas indicadas por ela.
—Já vi que esse vai ser um chá longo. Muito longo – suspiro, apoiando os braços sobre o balcão, observando-a abrir os presentes.
—Só relaxe Connor – Ethan aconselha.
Um a um os presentes vão sendo abertos revelando uma infinidade de roupinhas, macacões, camisetas (algumas temáticas como as presenteadas pelo chefe Boden que trazia bordado o emblema do departamento 51) outras lisas, sapatinhos de vários tamanhos (alguns nosso filho só usaria quando começasse a andar), meias, escovas e fraldas, muitas, milhares, de vários tamanhos que, segundo Cindy e Nat seriam suficientes para uns dois meses!!
Em poucos minutos o sofá, o cesto e o puff ao lado da cadeira onde Sarah se encontrava, estavam repletos de presentes para nosso filho, para as meninas e para ela.
—Agora, que tal irem ver como ficou o quarto? – Claire sugere – Vocês quatro vão ver enquanto nos servimos do jantar – diz, segurando-me e puxando pelo braço.
—Ebaa, quarto novo! – Emma e Marina vibram, fazendo o mesmo com Sarah.
Seguimos para o quarto de hospedes deixando os demais na sala.
—Devagar meninas – recomendo ao vê-las imprensar Sarah contra a parede na ansiedade de entrar – Vamos fazer o seguinte: vou abrir, vocês entram e depois nós entramos – sugiro, erguendo os olhos para ela, que acena afirmativamente – No três – aviso, erguendo uma mão – E ..três! – exclamo, abrindo a porta.
—Pulou um e dois – Marina ralha.
—Mas tudo bem – Emma diz, segurando a mão da irmã – Vamos Mama – chama, entrando juntamente com ela, seus gritinhos de satisfação trazendo sorrisos a nossos rostos.
—Você primeiro – digo gesticulando com a mão.
—Juntos –pede, estendendo-me a mão.
—Juntos – anuo, entrando a seu lado.
O quarto estava realmente lindo, digno dos gritinhos que recebera.
Claire optara por um papel de parede floral, porém discreto, em cores suaves. No lado da parede do banheiro as camas de Emma e Marina formavam um L tendo uma escrivaninha separando-as criando um espaço de estudos. Nas paredes acima das mesmas, nichos com bonecas e bibelôs, sobre elas, ursinhos dividiam o espaço com os bonecos do filme que as presenteara.
No lado oposto estava a cama de Sarah, a cadeira para amamentação, o armário, que havia sido remodelado ganhando uma cômoda anexa sobre a qual uma bandeja de madeira além de potinhos decorados, tinham a companhia do boneco de um pequeno...lobo!
—Até tu Claire! – bufo, baixinho, voltando minha atenção para o berço do qual Sarah aproximara-se, alisando a madeira clara, o tecido que revestia a lateral, o cortinado preso a haste saliente.
Por alguma razão a peça me pareceu familiar.
—Foi nosso – a voz de minha irmã soa as minhas costas e me volto – Nosso berço – aponta, entrando, sorrindo ao ver as meninas brincando sobre as camas – Descobri que estava guardado em um dos quartos em casa. Falei com o designer, ele avaliou e disse que só precisaria fazer uma pequena reforma no gradeado – conta, demonstrando – Antes não dava para alterar a altura. Agora dá – diz, afastando-se o suficiente para ver nossos rostos – Então? Gostaram? – pergunta, mordendo o lábio.
Olho para Sarah, que se senta na cama, abraçando uma almofada, olhando a volta emocionada. Aguardo-a falar tão ansioso quanto minha irmã.
—Está lindo Claire. Tudo está lindo. E perfeito – afirma, enxugando uma lágrima –Não sei como te agradecer por isto – indica as irmãs com um gesto de cabeça – Muito obrigada – agradece.
—Por nada – Claire diz, sentando a seu lado – Se me permitir, te faço apenas um pedido – começa dizer e congelo – Mesmo que você e meu irmão não fiquem juntos, que as coisas entre vocês não funcione, prometa que não vai afastar Connor do filho – pede fazendo um nó brotar em minha garganta – Não o afaste Sarah, é só o que te peço.
—Jamais faria isso – assegura, me encarando – Jamais! – reitera, me prendendo em seu olhar.
—Claire, obrigada – Emma agradece, abraçando minha irmã, quebrando o laço invisível entre nós.
—Me deem licença – peço, saindo sem esperar resposta, retornando a sala a passos largos, seguindo direto para a cozinha, pegando outra cerveja na geladeira.
—Tudo bem doutor Rhodes? – Daniel questiona, me olhando por sobre os óculos.
—Tudo — minto, sentindo o nó aumentar. Eu precisava sair dali urgente ou sufocaria – Com quem Will está falando? – pergunto ao notar meu amigo na varanda, a porta fechada, gesticulando, bravo.
—Jay – Ethan informa – Will ligou para o irmão depois que as meninas perguntaram. Ele retornou somente agora – explica.
A desculpa que precisava, penso, caminhando para a varanda, fechando a porta após entrar.
—Ok, se é isto que você pensa não posso fazer nada – Will declara, me encarando – Até mais, cabeça dura – diz, desligando em seguida.
—Onde seu irmão está? – pergunto direto.
—No Molly’s – informa, segurando meu braço quando faço menção de sair — Não está pensando em ir até lá, está? – questiona.
—Não estou pensando — digo, ele me soltando – Vou – afirmo, retornando ao interior do apartamento seguido por ele.
Discretamente pego minha carteira e chaves, aproveitando que todos estavam distraídos conversando, para sair sem ser notado.
—Onde pensa que vai? – questiono-o ao notar que me seguia.
—Com você evidente. Não estou a fim de ter que tirar um dos dois ou ambos da cadeia – bufa.
—Não vai não. Se sairmos os dois irá chamar atenção e não quero isso – digo, detendo-o – Me faça um favor Will: fique com Sarah caso eu não volte antes que o chá termine – peço, voltando a caminhar em direção ao elevador – E não se preocupe, não pretendo me atracar com seu irmão, ele não faz meu tipo – provoco, ele esticando o dedo do meio em resposta.
—Ligue quando estiver retornando – pede e ergo o polegar, optando por descer pelas escadas.
Dez minutos depois estou saindo do prédio.
Sigo direto para o bar. Estaciono na lateral, respirando fundo antes de abrir a porta e entrar, parando após fazê-lo, correndo o olhar pelo ambiente, localizando-o na metade do balcão, cerveja na mão, atento a alguma coisa na televisão.
Me aproximo devagar, xingando Otis baixinho por anunciar minha presença fazendo o irmão de Will se voltar com cara de poucos amigos.
Sento no banco a seu lado agradecendo por não ter se afastado.
—Boa noite doutor. Pensei que estava no tal chá de bebê da Sarah – Definitivamente vou esganar você Otis!!— Vai beber o que?
—Cerveja – peço, pondo o dinheiro sobre o balcão, fitando o aparelho na parede a nossa frente – Como está o jogo? – pergunto a guisa de puxar assunto, ele respondendo após alguns minutos.
—Chato – limita-se dizer sorvendo um gole de sua cerveja, voltando a ficar em silencio fitando o aparelho sem me olhar.
Durante longos minutos permanecemos assim, lado a lado, bebendo e assistindo ao jogo de futebol.
—Jay, sei que agi como um cafajeste com Sarah....
—Ainda bem que Alguém reconhece — declara aumentando ligeiramente o tom de voz.
—Mas estou tentando corrigir meu erro...
—Por que o segredo, pra começar? – me interrompe novamente, girando no banco, ficando de frente para mim – Estava com vergonha dela? Não é boa o suficiente para ser uma Rhodes? É boa pra te satisfazer, pra estar na sua cama, mas não para que saibam que estão juntos. Ah, mas espera, Não Estão Juntos! – ironiza — A única razão de tê-la levado para sua casa é ficar bem na fita, manter a imagem de bom moço, correto, decente – cospe, me olhando com raiva – A estrela do Med, príncipe herdeiro de uma das maiores fortunas da cidade não pode manchar sua imagem não é mesmo?
—Não se trata disso Jay. Estava inseguro tinha medo...
—Medo? Medo de quê? Ser xingado, menosprezado, criticado? – corta-me mais uma vez.
—Medo de me expor, de expô-la, em especial pelo segundo motivo que citou – afirmo, tomando um gole de minha bebida – Minha família, eu, somos complicados. Meu pai destrói tudo que toca, a começar pela vida dos filhos. Tinha saído de uma relação complicada com Robin Charles parte da qual ela presenciou. Antes disso já havia passado por outras relações catastróficas, nada sadias, que me fizeram perder a esperança em viver uma relação saudável, decente – confesso, girando a garrafa sobre o balcão – Não estou me justificando. Minha atitude inicial não tem justificativa. Estou contando a verdade, como me sentia quatro meses atrás – digo, ponderando o que deveria contar-lhe – Se importa se formos sentar em uma mesa? – questiono, levantando, aguardando que fizesse o mesmo.

Por um segundo pensei que não aceitaria meu convite, respirando aliviado quando se adianta indo até uma mesa no canto. O sigo após pedir duas cervejas a Otis, sentando-me a sua frente.
—Estava passando por um momento turbulento. Tinha descoberto, da pior maneira possível, que a mulher com a qual cogitava me casar abortara clandestinamente o filho que esperava...meu filho – revelo vendo o espanto tomar sua face – Poucas pessoas sabem, por isso te peço segredo. Não por mim, mas pelos envolvidos. Sarah foi uma vítima de meu estado de espirito naquele momento. Saiba que a respeito muito e jamais a trataria da maneira como tratei – asseguro – Estava confuso, irritado, revoltado, querendo viver de aventuras, não me prender a ninguém. Mais uma vez não se trata de desculpa, mas constatação de um fato – silencio lhe dando tempo absorver as informações – Se não assumi meu filho, Sarah, antes, foi devido ao afastamento que ambos nos obrigamos sem palavras, ela por raiva, eu pelas razões que lhe contei – faço nova pausa, observando-o atentamente – Jay, ela e as meninas sentem sua falta. Se quer continuar a me odiar, tudo bem, mas faça as pazes com Sarah. Ela não fez nada de errado. Apenas respeitou o desejo que manifestei aquela época, nada mais. Não quero faze-la sofrer ainda mais com a perda de sua amizade – peço, aguardando sua resposta por longos minutos.
—Não o odeio doutor Rhodes – afirma – Apenas me irritei por terem mantido segredo. Todos. Você, Sarah, Kim e até mesmo meu irmão. Se estava com raiva do pai do bebê era por julgar que ele sabia e não queria assumir a responsabilidade, mas...Me deixe continuar – pede, erguendo uma mão – Quando descobri que era você, fiquei com mais raiva por se tratar de alguém próximo, alguém em quem confiava e não esperava que tivesse tal atitude – garante.
—Como disse antes, estava passando por uma faze turbulenta – reafirmo – Se quer continuar com raiva, que seja apenas de mim, não dela. Faça as pazes com Sarah, por favor – reitero, encarando-o – Que me diz?
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Apartamento Connor (23:00 p.m)
Narrador
—As meninas apagaram – Kim anuncia, retornando a sala sorridente, recostando-se a bancada da cozinha.
—Foi um dia exaustivo para as duas – Gabby comenta, terminando de enxugar a louça – E Sarah?
—No quarto com Claire – comunica, pegando um docinho – Parece que alguém que tinha ficado de vir não pôde e quer vir almoçar com ela e Connor amanhã.
—Falando nele, onde está? Faz um tempão que não o vejo – Adam alerta, depositando a bandeja com copos sobre a pia.
—Verdade. Depois que voltou do quarto não o vi mais – Matt lembra.
—Doutor Halstead, sabe onde doutor Rhodes está? – Kim pergunta ao vê-lo aproximar-se com Nat, ambos tensos.
—Foi ao Molly’s falar com Jay – conta fazendo a detetive engasgar.
—Quem foi ao Molly’s? – Sarah pergunta, retornando a sala em companhia de Claire.
—Connor, conversar com Jay – Will reafirma, justificando-se diante do espanto dela – Tentei ir com ele, mas não...- se cala ao escutar a porta ser aberta – Onde diabos estava? Pedi para avisando quando estivesse voltando – xinga ao ver Connor entrar.
—Desculpe mãe, esqueci – ironiza, olhando a volta – Todos já foram? – pergunta, atirando a chave sobre o aparador, a voz soando levemente arrastada.
—Andou bebendo Connor? – Claire pergunta, irritada.
—Trouxe um presente – aponta para Sarah, ignorando a irmã, quase caindo ao dar um passo, sendo amparado por Jay.
—Acho mais acertado dizer que fui eu a trazê-lo – corrige o detetive, ajudando o cirurgião a firma-se.
—Ou isso – Connor diz, caminhando até o sofá, atirando-se sobre ele – Fala pra ela que veio fazer as pazes porque ainda a ama, Halstead – ordena com o rosto enfiado na almofada, fazendo Claire e os demais voltarem-se para ele.
—A primeira parte é verdade. A segunda é imaginação dele – garante o detetive, indo ao encontro da amiga – Me desculpe por ser um idiota cabeça dura. Mas deveria ter confiado em mim – reclama.
—Para que fosse atrás do doutor Rhodes de arma em punho? – Kim acusa.
—Isso! – Connor anui, erguendo uma mão, deixando-a cair novamente.
—Não faria nada disso – defende-se ele, Connor discordando.
—Faria sim – afirma, erguendo a mão outra vez.
—Tá, talvez fizesse mesmo, mas pelo menos ele saberia de cara e não depois de quatro meses – argumenta apontando Connor, não dando chance a Sarah rebater – Eu sei que estava apenas fazendo o que ele disse que deveriam fazer. Mas contou para Kim e Gabby, confiou nelas. Por que não em mim?
—Porque ia atirar em mim, já disseram isso – Connor resmunga, mudando de posição, afundando mais o rosto no estofado.
—Ele é sempre assim quando bebe demais? – Matt pergunta, segurando o riso.
—Não, é pior – Will afirma, apoiando as mãos no encosto do sofá – Esse trouxa aqui disse que veio fazer as pazes, é verdade? – interroga, olhando diretamente para o irmão.
—É mas...
—Sem mas – interrompe-o o médico – Se forem em busca de culpados não vai acontecer. Está na hora de pôr uma pedra sobre o que passou e seguir em frente. Você errou, Sarah errou, Connor errou...
—Isso ai, errei – o cirurgião fala contra o estofado.
—Já sabemos, agora fica quieto e dorme – Will ordena, dando dois tapinhas em seu ombro – Todos tivemos nossa parcela de erro nessa confusão. O importante é que o principal responsável reconheceu seu erro a tempo e vai corrigi-lo... E na hora que deve intervir fica calado, o infeliz – resmunga, dando um tapa na cabeça do cirurgião – O fato é que todos estamos corrigindo nossos erros neste caso. Agora só falta você. Acabe logo com isso – pede.
—Foi para isso que vim não foi? – Jay indaga, voltando-se para Sarah – Espero que possa me desculpar por ser teimoso – pede, abraçando-a – Não garanto que não irei implicar com o belo adormecido ali, mas vou me esforçar – sussurra em seu ouvido fazendo-a rir.
—Pra mim está ótimo assim – garante a médica, afastando-se gentilmente – Senti sua falta.
—Também senti a sua cachinhos – afirma, afagando seu cabelo – As pequenas?
—Dormindo. Estavam exaustas com tantas novidades – responde – Venha nos ver amanhã, e vocês também – convida, voltando-se para os amigos – Vamos almoçar juntos como nos velhos tempos.
—Não terá visitas amanhã? – Kim pergunta, olhando da médica para Claire.
—No meio da tarde – avisa a empresaria – O que não impede que permaneçam – garante a jovem, olhando o irmão, desolada.
—Não se preocupe senhorita Rhodes, ele não está bêbado – Jay garante – Tomou um antialérgico no caminho, por isso está assim.
—Mas ele tinha bebido – Will lembra, preocupando-se.
—Sei disso, mas teve uma reação muito forte a alguma coisa no bar. O rosto estava ficando inchado rapidamente – conta o detetive – Ele já tinha parado de beber a uns vinte minutos quando tomou a medicação.
—Mesmo assim é perigoso – Sarah preocupa-se, agachando-se a frente de Connor, virando seu rosto para que pudesse examina-lo – Ainda está um pouco inchado. Will, poderia leva-lo para o quarto, por favor – pede, levantando.
—Te ajudo – Adam se oferece, apoiando um braço de Connor sobre seu ombro, Will fazendo o mesmo.
—Ele vai ficar bem? – Claire pergunta, tensa.
—Vai sim, não se preocupe – Sarah tranquiliza-a – Quer dormir aqui? – convida.
—Não, obrigada. Ainda tenho que acertar algumas coisas para amanhã – diz – Connor vai ficar bem mesmo não vai?
—Já está. Acordou quando o pusemos na cama– Will avisa, retornando, Adam a seu lado – O medicamento que tomou é seguro mesmo tendo bebido um pouco, fique tranquila. Estava indo tomar um banho quando o deixamos. De qualquer forma, vi que na farmácia tem um antagonista que pode usar Sarah, mas acho que não vai ser preciso- afirma, olhando a hora no relógio em seu pulso – Vamos indo Nat? Helen deve estar preocupada.
—Vamos sim – anui a pediatra, pegando sua bolsa – Boa noite Sarah, Claire – despede-se, fazendo o mesmo com os demais.
—Boa noite e obrigada por ter vindo – Sarah agradece, acompanhando-os até a porta.
—Nós também vamos indo – Kim avisa sendo imitada por Gabby – Boa noite linda. Sonhe com os anjos – deseja, beijando seu rosto – Vai agora turrão? – indaga, olhando para Jay.
—Vou. Depois de montar vigília por duas noites seguidas, quero dormir um pouco – conta, abraçando a médica mais uma vez, beijado -lhe a fronte – Boa noite cachinhos. Nos falamos amanhã.
—Boa noite Jay. Que bom que estamos bem – declara, sorrindo.
—Boa noite Sarah. Te ligo amanhã confirmando ou não o lanche da tarde, ok? – Claire despede-se, apertando sua mão.
—Boa noite e obrigada, estava tudo divino – agradece, abrindo a porta para o grupo passar, permanecendo no batente até que entrassem no elevador, acenando em despedida.
Após entrar, fecha-a a chave, verifica se a da varanda está fechada, se não há nada ligado, apaga as luzes dirigindo-se para o quarto onde as irmãs dormem tranquilamente.
Cobre-as dando beijos em seus rostos antes de sair, indo ao quarto de Connor, batendo antes de abrir a porta, encontrando-o sentado sobre o colchão enxugando o cabelo.
—Foram embora – informa, caminhando até ele, parando a sua frente – Como se sente?
—Melhor – responde o cirurgião – E você, está feliz? – quer saber.
—Uhum, muito – assegura, tirando a toalha de suas mãos, passando a enxugar-lhe o cabelo – Obrigada. Sei que não deve ter sido fácil procurar Jay.
—Na verdade meu único temor era de levar um tiro – diz em tom divertido, ficando sério em seguida – Desculpe ter feito tantas besteiras ultimamente – pede, esfregando os olhos, bocejando – Prometo melhorar...com o tempo...se me der...chance – balbucia, deixando o corpo cair sobre o colchão – Acho que o antialérgico está voltando a fazer efeito – comenta, fazendo o corpo deslizar para cima.
—Vou te deixar dormir – avisa ela, fazendo menção de sair, ele retendo-a.
—Espere, fique só mais um pouco – pede, acariciando a mão – Só uns minutinhos assim – indica com os dedos fazendo-a rir.
—Só um pouquinho porque estou em dívida com você – argumenta, sentando-se reclinada sobre os travesseiros que ele arruma.
—Não me deve nada. Eu quem devo – corrige-a, deitando-se com a cabeça em seu colo – Obrigado por ter me trazido de volta a vida, meu amor – sussurra de olhos fechados, envolvendo sua cintura com os braços, aconchegando-se mais a ela.
—Digo o mesmo – Sarah sussurra, sorrindo enquanto afaga seus cabelos ainda úmidos – Meu amor – sopra, suspirando profundamente, permanecendo deitada junto a ele até ambos adormecerem sem sequer perceberem.
“....O amor é furacão surge no coração sem ter licença pra entrar;
Tempestade de desejos, um eclipse no final de um beijo;
O amor é estação, é inverno, é verão, é como um raio de sol;
Que aquece e tira o medo de enfrentar os riscos, se entregar...”
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