Love Hurts
1 Passive Me Agressive You
Notas iniciais
Girls Like You — The Naked And Famous
Run, whirlwind runCorra, como a ventania corre
Further and further awayMais e mais rápido
Into the sunEm direção ao sol
In 20 minutesEm 20 minutos
Everyone will remember you when you're goneTodos só lembrarão de você, da maneira que se foi
And your heart, is a stoneE o seu coração, é uma pedra
Buried underneath your pretty clothesEnterrada embaixo dessas roupas bonitinhas
Don't you know people write songs about girls like you?Você não sabia que as pessoas escrevem músicas sobre garotas como você?
What will you do when something stops you? O que você faria quando algo te parasse?
What will you say to the world? O que você diria para o mundo?
What will you be when it all comes crashing O que será de você quando tudo desmoronar
Down on you little girl? Sobre você, garotinha?
What would you do if you lost your beauty? O que você faria se perdesse sua beleza?
How would you deal with the light? Como você encararia a luz?
How would you feel if nobody chased you? Como você se sentiria se ninguém se importasse com você?
What if it happened tonight? E se tudo isso acontecesse essa noite?
How would you cope it the world decided to Como você agiria se o mundo decidisse
Make you suffer for all that you were? Fazer você sofrer por tudo que foi?
How could you dance if no-one was watching Como você poderia dançar se ninguém estivesse assistindo?
And you couldn't even care if they were? E você não pudesse sequer sair da pista?
What would you do if you couldn't even feel? Como você se sentiria se não pudesse sentir absolutamente nada?
Not even pitiful pain Nem mesmo dor deplorável?
How would you deal if the indecisions Como você lidaria com as decisões vazias
Eating away at the days? Devorando a você no decorrer dos dias?
Don't you know people write songs about girls like you? Você não sabia que as pessoas escrevem músicas sobre garotas como você?
About girls like you Sobre garotas como você
About girls like you Sobre garotas como você
Don't you know people write songs about girls like you? Não sabia que as pessoas escrevem músicas sobre garotas como você?
About girls like you Sobre garotas como você
About girls like you Sobre garotas como você
Everything you say is fire Tudo que você diz é fogo
All the claims you lay, you lier Todas as reinvindicações que você estabele, você mente!
Everything you say is fire Tudo que você diz é fogo
See it in the grey, you crier Veja isso sem cinza, seu chorão
O vento batia em seu rosto, as lágrimas deslizando sobre sua face perfeita como porcelana, ela estava em desespero. Ainda podia ouvir o eco da risada seca e maldosa que pouco antes havia deixado-a apavorada. O eco se repetia em sua mente, não a deixava em paz "Corra como a ventania, pequena! Corra o mais longe possível, tente acompanhar o sol!" O riso a deixava desconcertada, era algo sem humor, o brilho nos olhos daquele que ela acreditou que a amava não passava de puro prazer ao vê-la aterrorizada. Um brilho maníaco que ela nunca imaginou que veria. Tudo que ele havia dito era tão duro, a garota sabia que não tinha como escapar das ameaças "Te darei 20 minutos! Mas depois disso, todos só lembrarão da maneira que você se foi." E mais risadas... Aquelas risadas... Não pertenciam ao rosto antes tão querido por ela, agora tão amedrontador.
"Eu te entreguei meu coração!" Ela havia gritado. Com sarcasmo ele apenas respondeu com calma e um leve inclinar de cabeça.
"Seu coração é uma pedra. Uma pedra enterrada de baixo dessas roupinhas bonitinhas." O que fora aquilo? Ele nunca havia demonstrado tanto... O que seria aquilo? Ódio? Acidez? Rudeza? Ou somente... Indiferença? De uma coisa ela sabia, ele estava obcecado. Não parava de repetir a mesma frase... "Eu escrevi uma música para você..."
Ela também sabia disso, ele havia dito enquanto ainda estavam juntos, enquanto ele ainda era... ele. Mas agora, o que ele era? O que ela era?
E as perguntas que ele lhe fez, aquilo ficava voltando, assim como tudo que ele tinha dito "O que você faria se algo tentasse te parar?" Não sabia...
"O que você diria para o mundo?" Não sabia...
"E se o seu céu azul caísse sobre você agora? O que você sentiria?" Não sabia...
"E se de repente, a sua beleza sumisse? O que você faria? Como você ia encarar o mundo?" Não sabia...
"Como você se sentiria se ninguém se importasse com o que você diz, faz, com o que você quer, com você?"
"EU NÃO SEI!"
"Hora de começar a pensar, pois... E se tudo isso acontecesse essa noite?"
Tinha que parar de pensar nisso... Parar... Parar... PARAR! Não conseguia, eram os ecos. Cada vez mais fortes, "e se?" "e se..." "e se...?", eles atrapalhavam seu rítmo, mas continuaria correndo. Olhando para trás, sentindo que a risada a seguia. O riso seco. O riso sem alma. O riso sem vida.
E ele continuava perguntando.
"E se o mundo decidisse te punir por tudo que você já fez, garotinha?"
"Mas eu nunca fiz nada, o único monstro aqui é você!"
"Monstro, eu? Bem, então como você dançaria se ninguém estivesse assistindo?" Mais uma risada maníaca. "Oh, melhor! E se você não pudesse deixar a pista?"
"Por que está fazendo isso comigo? Por que não me deixa ir embora, já não foi o suficiente?"
"Oh, não, não... Você não sabe o que é o suficiente para mim, e se você não pudesse sentir nada? Absolutamente nada além de pura dor, agonizante, torturante, terrível dor? Como você tomaria as decisões no seu dia-a-dia?"
"Me deixe ir embora, por favor..." Agora sua voz era apenas um suspiro, as lágrimas caiam sem som, ela nem mesmo tinha aqueles soluços típicos de uma crise de choro, a situação já havia piorado além desse ponto.
E o pior era a repetição, a frase que tornava tudo mais maníaco ainda. Quando ele de repente mudava completamente o assunto e ficava sussurrando pelos cantos. "Eu escrevi uma música para você... Escrevi uma música à ela... Escrevi, escrevi sim... Escrevi uma música sobre ela, oh, escrevi... Escrevi uma música sobre garotas como ela..."
O que raios ela queria saber de uma música? Por que não a deixava em paz... Por que? O que ela havia feito? Estava ali, quieta, por que ele tinha de ser tão mau? O que foi que ela fez? O que foi que ela fez?
"Você não lembra querida?" Segurou suas bochechas, apertando-as. "Não lembra o que me disse naquela noite depois do baile?" Ela tentava se soltar em vão, as lágrimas caíndo cada vez mais. A risada que ele soltou era definitivamente de um completo louco, maníaco. Seu hálito se comparava a sua aparência no momento, um completo descuídado, um completo oposto ao jovem que era antes. "Você dizia, que tudo que eu falava te acendia. Acendia esse brinquedinho aqui..." Tocou-a e riu. "Oh, baby, tudo que você diz é como fogo para mim... Oh..." Risadas. Aquelas risadas.
Ele estava sendo maldoso, maldoso demais. Conseguiu levá-la até lá, fazendo-a acreditar que era apenas uma fantasia, uma nova maneira de... esquentá-la com seu fogo.
"Tudo você trás a tona, seu mentiroso!" Ela gritou sem conseguir se conter, tentava expor tudo que estava sofrendo, mas palavras não eram suficientes para demonstrar o pânico que sentia...
"Oh, baby, tudo que você diz é como fogo..." Risadas. Aquelas malditas risadas.
Começou a pensar, obviamente não sairia viva dali, mas por que a demora? Preferia que fosse logo a ter que passar por essa tortura.
"Sabe o que me fez te trazer aqui? Sabe qual foi a gota da água?" Opa, algo que a interessava, saber o por que de tanta tortura. "Lembra-se quando eu lhe disse que iríamos a um enterro? De um parente?" Ela apenas assentiu. Subitamente ele estava exatamente como antes, o jovem bonito e sereno que ela conhecia, mas bravo, sujo e enojado, restava saber se era pelo próprio cheiro ou pela situação que iria descrever. "Você me disse que tinha que comprar um vestido. Conheço-te, sei que qualquer lugar é um bom lugar para ir vestida bem, isso não foi exatamente uma coisa estranha, todas as mulheres gostam de estar bonitas, até em enterros." Ela enxugou uma lágrima em seu ombro, estava surpreendentemente feliz por ainda restar algo do seu antigo amor dentro do monstro que a prendeu. "Mas quando você saiu daquele provador, vestindo aquele vestido curto, brilhante e vermelho... Aquilo foi a gota d'água."
"Mas... Mas... Você..."
"Mas, mas, mas o quê? Eu lhe disse! Disse que iríamos para um enterro, não um casamento! E você lembra o que me disse? Lembra o que me disse enquanto eu estava ali, pacientemente esperando você ficar pronta para o enterro de alguém que eu admirava?" Ela negou, não se lembrava, não pensava que era algo tão... Grandioso. "Você me disse: Então veja esse em cinza, seu chorão. A partir daquele momento, eu me decidi por acabar logo com isso."
Voltou, então, a ser o maníaco de antes.
Isso a aterrorizou ainda mais, saber que ele escolheu ficar daquela forma apenas para assustá-la. Enxugou o rosto e correu mais e mais. Não podia ficar naquele lugar quando descobrissem, quando vissem, quando... Oh, Deus, eles descobririam! Eles veriam! Ela deveria estar morta, morta! O eco de sua voz continuava ali "Eu escrevi uma música para você". Será que isso significava que não o amava, ter fugido? "Sobre você..." Sempre que se via em uma situação sem solução aparente se olhava no espelho e se perguntava o que sua patrona faria. "Eu sou como fogo para você, eu posso te queimar com as minhas palavras?" Oh, droga, ela sabia exatamente o que sua patrona faria! "Sobre você..." E sempre que ela chegava a conclusão do que a patrona faria, ela fazia igual. "Tudo que eu digo é fogo?" Mas dessa vez ela simplesmente não poderia fazer igual! "Você sabia que eu escrevi uma música para você, amor? Pois é, está na minha casa, dentro do armário, hum... Você gosta disso não é? Está lá, numa caixa, bem guardado. Quem sabe um dia eu te dê? Por enquanto vamos cuidar dessas roupas que estão nos impedindo..." Oh, não, não podia!
O eco... O eco...
Lembrou-se de gritar com ele. "Tudo você trás a tona, seu mentiroso!" Não devia ter o feito, ele não estava mentindo ao trazer o seu pior a tona, estava ajudando aos outros a saberem do quão ruim ela era, e ela era terrível... "Sobre você..." E por que diabos ela escolheu justamente essa patrona? "Eu te queimo com meu toque também ou só com o que digo, baby?" Fechou os olhos enquanto corria pela grama alta e enquanto o capim batia em seus joelhos imaginou-se em frente ao espelho, perguntando-se: O que Julieta Capuletto faria? "Sobre aquela música... Eu... Bem, eu queria te pedir que não a pegasse, só leia ela quando eu disser que estou pronto, tudo bem?" Julieta morreria pelo seu amado. "Claro, querida, em cinza está ótimo." Mas ela não era Julieta. "É uma canção... Sobre você."
***
A polícia encontrou o corpo da garota antes do corpo do garoto, mas soube na hora quem dos dois que morreu primeiro. O corpo dela fedia quando foi encontrado, e era por isso que foi encontrado. A principio todos achavam que o desaparecimento do casal era uma simples fuga amorosa de adolescentes, mas depois de encontrado o corpo dela começaram as suspeitas de que o jovem havia matado a namorada e fugido.
Ela fora encontrada em um fundo falso dentro do armário dele, agarrada à uma folha como se sua vida dependesse daquilo, morreu não de fome, mas de envenenamento. Havia bebido de uma garrafa de vidro pequena, para no máximo 20ml de um coquetel de substâncias químicas cuidadosamente preparadas para efeito rápido. Acredita-se que antes ela foi paralizada pelo veneno, para depois morrer aos poucos pela falta de ar e paralização dos músculos cardiovasculares.
A carta que foi encontrada junto ao corpo era toda rimada, o que indicava que poderia ser uma poesia ou uma música e fora escrita à mão. Tinha ao todo 26 páginas de letra miúda e pouco espaçada. Sem dúvida quem a escreveu teve uma inspiração tremenda. Resumidamente era sombria, falava sobre uma bruxa que enfeitiçava a todos com sua beleza esplendorosa e não tinha delicadeza alguma com seu marido, um jovem príncipe que resolveu por fim à vida da maldosa, mas como era um homem bom optou por fazê-la sofrer ouvindo todos os pecados que cometeu e por fim, assistir ao suicídio daquele que a amava. A bruxa então também matou-se por não aguentar conviver tendo conhecimento de toda sua maldade.
A polícia então soube imediatamente, pela descrição da poesia, onde encontrar o jovem. E encontrou-o. Uma casa de veraneio, a qual, de acordo com os amigos, o casal chamava de "nosso castelo". Sua morte foi tão cruelmente planejada que fez com que até os mais duros policiais se assustassem.
Tudo foi maldosamente filmado e, não se sabe como, compartilhado na internet dias após encontrarem os corpos. Suspeitam de alguém da equipe de investigação, mas nada foi confirmado. Ele amarrou-se em uma corda e prendeu na cadeira da garota, que estava pendurada na beirada da escada. Se a menina, amordaçada e com os braços e pernas atados, levantasse-se para fugir, a cadeira cairia da mureta imediatamente, puxando a corda e fazendo com que ele fosse enforcado.
Se não levantasse, veria seu amado morrer lentamente de fome e sede, assim como ela. Não havia outra escolha, tentou arrastar a cadeira, mas totalmente amarrada o máximo que fez foi levá-la cada vez mais para trás, assim prendendo ainda mais a corda no pescoço do rapaz.
"Você não sabia que as pessoas escrevem músicas sobre garotas como você?"
Aquilo era um dos piores tipos de tortura já vista, e impossibilitada de ouvir mais uma vez a tão temida frase levantou-se e tirou as amarras com dificuldade, ouvindo o ranger das vigas de madeira que sustentavam seu namorado, agora quase morto, pelo pescoço.
Ele ainda teve fôlego para sussurrar uma última vez, sorrindo maníaco.
"Garotas como você."
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