Love Games

2 Insetos


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Ela não podia mais sair pela casa usando apenas uma toalha à procura do uniforme da escola. Teria que ter o cuidado de esconder os absorventes quando fizesse as compras. E provavelmente não poderia mais assistir sua novela preferida à noite.

Morar sob o mesmo teto que um homem estava se provando mais complicado a cada segundo.

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A primeira semana foi uma sucessão de momentos silenciosos e desconfortáveis. Kanda não falava. Respondia quando algo lhe era perguntado, embora fossem sempre respostas curtas e frias. Na maior parte do tempo, ficava trancado em seu quarto. Lou Fa não sabia o que tanto ele fazia lá dentro, mas não tinha a menor vontade de perguntar. A verdade era que morria de medo do garoto mais velho. Road por outro lado... Não conseguia reprimir a ação quase involuntária de franzir o cenho ao pensar na forma como ela reagira quando havia lhe contado.

“-Uau, você acabou de me dizer que o presidente do conselho estudantil, incrivelmente gostoso está morando na sua casa?-Road perguntou, os olhos brilhantes de animação enquanto ela olhava pelo canto do olho o japonês esperando com uma expressão impaciente a garota mais nova para irem andando juntos. –Tirou a sorte grande!Pouca coisa poderia ser melhor do que isso. Só se fosse o Allen, aí sim.


-Road, não é nada definitivo. Muito menos algo que eu possa aproveitar. O pai dele é um amigo muito próximo da minha avó cujo filho mais velho é um músico muito famoso que saiu em turnê. Kanda não pôde ir, mas o senhor Tiedoll se recusou a deixá-lo sozinho então... Acabamos desse jeito. Tenho que ir. Estou com medo dele agora, não é exatamente a pessoa mais paciente do mundo. Até amanhã, Road. –Acenou animadamente para a amiga enquanto ia em direção ao rapaz de cabelos longos.


-Aproveite bastante. Não é todo dia que uma garota tem um cara daqueles à sua disposição. E não é como se fosse traição ao Allen nem nada parecido. Por isso, divirta-se e não faça nada que eu não faria três vezes!-Sua amiga disse antes que se afastasse completamente, fazendo com que um rubor subisse até suas bochechas. ”


Como as garotas poderiam gostar tanto dele?Não era idiota, via os sussurros no corredor mesmo sendo considerada uma “excluída” socialmente. Os olhares apaixonados das garotas. Os suspiros. Ele era lindo, verdade. Mas como alguém poderia se apaixonar por alguém tão frio e distante?Lou Fa sorriu ao lembrar-se do sorriso terno, dos olhos prateados gentis e dos fios de cabelo branco que estavam sempre presentes em seus sonhos. Pessoas como Allen Walker é que deveriam ser admiradas por todos. Pelo menos é o que pensava.

Deixou de lado sua paixão platônica para se concentrar no dever de álgebra. Já estava feito, mas gostava de revisar os cálculos. Era excepcionalmente boa em matérias exatas, o suficiente para ser vice-presidente da Equipe de Matemática na escola. Estava no meio de uma conta particularmente complicada quando seu celular tocou, fazendo-a perder a concentração.

-Alô?

-Oi, Lou Fa!

-Rikei!- Lou Fa arqueou uma sobrancelha. Rikei era um grande amigo de infância, cresceram juntos e passaram a estudar na mesma escola quando entraram no ensino médio, naquele mesmo ano. Ele havia entrado no conselho estudantil no começo do ano letivo e Lou Fa sabia que a essa hora ele deveria estar ocupado. –Você não deveria estar na reunião do conselho?

-Devia, mas o presidente surtou com uma das propostas apresentadas pelo Walker e a Lenalee resolveu terminar mais cedo hoje.

-O quê...?-Sua voz falhou. Kanda e Allen haviam brigado?Eles se conheciam?–

-Cara, pensei que os dois fossem sair no tapa. O presidente pode até ser uma pessoa reservada, que dá a impressão de que nada pode o abater, mas na verdade eu acho que ele é bem fácil de perder o controle.

-Está tudo bem com o Allen? –Mordeu o lábio inferior em preocupação.

-Sim, pode ficar tranqüila. Não chegaram a se agredir de verdade, mas eu fiquei me borrando nas calças com medo da cara que o presidente fez. Ele e o Walker não se dão bem. Não, não é só isso. Eles realmente se detestam. De qualquer forma, eu e o Shiful conseguimos ingressos para aquela exposição esse final de semana. Quer ir?

-Não brinca!-Exclamou com os olhos brilhantes de animação, esquecendo momentaneamente o assunto sobre o qual falavam. –Pensei que estivesse esgotado.

-Comprei de um conhecido meu que desistiu de ir. Vai ter um monte de projetos inéditos, foi uma sorte tremenda!Você vai?

-Claro que vou!Não perderia isso por nada. Que tal nos encontrarmos aqui em casa as nove, já que é mais perto do centro de convenções?

-Tudo bem. Vou ligar para o Shifu e a gente se vê no sábado.

-Até lá, Rikei. –

Desligou o telefone com um sorriso no rosto, mas que logo desapareceu ao se lembrar do que Rikei havia dito. Kanda e Allen se detestavam. Não imaginava ser possível existir alguém com quem o garoto de cabelos brancos pudesse não se dar bem.

A porta da sala se abriu, revelando o motivo de sua confusão. Kanda havia entrado com o rosto vermelho (de raiva, como poderia concluir) e uma expressão ameaçadora no rosto.

-O-oi, Kanda. Vou começar a fazer o jantar. –Balbuciou. Agora entendia muito bem o lado do Rikei quando ele falou que se “borrara nas calças” por causa da expressão ameaçadora que Kanda havia feito mais cedo naquele mesmo dia. Deveria ser muito parecida com a que ele fazia naquele momento. –Ahn... Como foi a reunião do conselho estudantil?

Opa. Não pretendia perguntar isso, mas acabou saindo sem querer. Por sorte, ele não se incomodou em responder, apenas lançou um breve olhar em sua direção antes de subir para seu quarto, em passos firmes e raivosos. A chinesa estremeceu quando ouviu o estrondo da porta se fechando. Talvez o humor dele não tivesse melhorado muito. Suspirou, cansada, e resolveu se ocupar com o jantar. Pensou em fazer alguma coisa que o japonês gostasse , quem sabe o humor dele não melhorasse um pouco?Entretanto, descartou essa idéia rapidamente. Não sabia do que ele gostava, e tinha medo de perguntar. Faria qualquer coisa mesmo.

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-Então... Vovó falou que iria jantar na casa de uma das amigas. Todas as quintas-feiras é dia de carteado, então geralmente ela não come comigo. Espero que não se importe. –Lou Fa disse enquanto olhava para um ponto muito interessante no seu prato.

-Hun. –Kanda respondeu com indiferença enquanto enfiava uma colher de sopa fumegante na boca.

Ficaram em silêncio por alguns minutos.

-Você participa de mais alguma atividade extracurricular no colégio, Kanda?Imagino que não, o conselho estudantil deve tomar muito do seu tempo. Tenho um amigo, Rikei, que é um membro também. Ele está sempre ocupado com várias reuniões importantes, então quase nunca nos vemos pessoalmente, mas trocamos torpedos e emails o tempo todo. Também nos falamos ao telefone algumas vezes, mas não muito. Minha amiga Road é quem mais liga para mim. Você deveria vê-la, é a garota mais baixa do primeiro ano, talvez até do colégio inteiro também. Ela é legal. Muito mesmo. Não é como aquelas garotas que só pensam em caras bonitos e maquiagem. Tipo aquelas que suspiram quando você passa no corredor e... Deus, eu preciso aprender a calar a boca!Desculpe, desculpe, desculpe!Quando eu fico nervosa eu começo a falar sem parar e não consigo processar o que eu estou dizendo, demora um pouco para cair a ficha de que disse alguma besteira. Minha mãe costumava dizer que... –A chinesa parou de falar ao observar que Kanda apenas a observava com uma sobrancelha levemente arqueada.

-Qual o seu problema?-Ele perguntou sem cerimônias antes de direcionar novamente sua atenção ao prato de sopa.

Ótimo. Provavelmente agora ele pensava que ela era completamente insana. Respirou fundo. Estava completamente errada ao achar que sua vida iria seguir normalmente com alguém como Kanda morando sob o mesmo teto. Ele deveria a odiar agora. Passariam as semanas seguintes sem trocar uma palavra e ficaria um clima estranho. Ele iria lançar aqueles olhares frios em sua direção o tempo todo, não conseguiria mais se concentrar e então fracassaria em todos os testes...

-Eu te ajudo a lavar a louça. –O japonês falou subitamente enquanto se levantava e recolhia os pratos e talheres.

Lou Fa piscou, interrompendo seus pensamentos sobre como arrumaria um emprego como faxineira depois de não conseguir entrar em nenhuma faculdade. Não estava preparada para uma mudança tão súbita de atitude por parte do moreno. Será que ele era bipolar?

-Vai ficar aí parada?-A voz de Kanda soou irritada da cozinha. Assim era melhor... De certa forma.

-Ah... Certo. –Não conseguiu evitar o sorriso ao se levantar para ajudá-lo. Talvez ele não fosse tão ruim, afinal.

Algum tempo depois, todos os pratos estavam devidamente limpos e guardados nas prateleiras. Estavam prontos para subir e finalmente ter uma merecida noite de sono, quando Lou Fa repentinamente sentiu algo passar entre suas pernas. Estremeceu. Quando olhou para baixo, havia uma barata perigosamente próxima de seu calcanhar. Gritou e subiu em cima do balcão da cozinha.

-Aaaah!Inseto!Inseto!Mata, mata!-Fechou os olhos com força enquanto abraçava as pernas. Graças a deus estava usando uma calça.

-Por que tanta confusão por causa de uma baratinha?-Kanda disse enquanto suspirava e pegava um papel. Havia se assustado com o grito repentino, pensara que havia sido algo sério.

-Eu odeio insetos!

-Não, você tem medo deles. –Ele corrigiu enquanto capturava a barata com a folha. -Pronto. O que planejava fazer se eu não estivesse aqui?Ficaria aí, esperando sua avó chegar?

Ela não respondeu, enquanto um rubor tingia sua face e Kanda deu uma risada curta, fazendo com que a chinesa arregalasse os olhos. Nunca tinha o visto rir antes.

-Não acredito em uma coisa dessas. Vou soltá-la lá fora. –Ele disse enquanto abria a janela e deixava o inseto ir embora.

-O quê?M-mas e se ela voltar?-Lou Fa empalideceu.

-Acho pouco provável.

-Mas não é impossível. Se ela for ao meu quarto enquanto eu durmo e quando eu acordar ela esteja andando em cima de mim?

-Não seja dramática. –Ele revirou os olhos enquanto saía da cozinha.

-É verdade!Se isso acontecer, vou invadir o seu quarto à noite para que você possa me defender!-Ela disse segurando em seu braço para impedir que ele a deixasse ali sozinha. Quem sabe a barata não resolvesse voltar?Não que estivesse com tanto medo assim.

Claro que não.

Infelizmente, ele pareceu entender o gesto e o que havia falado de forma totalmente errada. Seus olhos pousaram na mão fina e delicada em seu braço e depois se encontraram com seus olhos castanhos. Lou Fa se viu afundando naquela íris negra.

-E-esquece o que eu falei, certo?Assim você não entende errado. — Ela disse virando o rosto corado. Ele acenou levemente a cabeça, mas ela não viu. –Então, vamos dormir?

-Certo. –Ele hesitou por um momento antes de acompanhá-la, desligando as luzes no caminho. –

Após subirem as escadas em silêncio pararam em frente ao quarto de hóspedes onde Kanda dormia.

-Boa noite Kanda. –Disse e em seguida bocejou demoradamente. –Até amanhã.

-Boa noite. –Isso era raro. Ele geralmente não respondia. –Se estiver com tanto medo assim e realmente aparecer uma barata no seu quarto, tudo bem me chamar. –Completou rapidamente enquanto fechava a porta, não dando tempo para que ela respondesse.

Lou Fa piscou uma, duas vezes e beliscou levemente o braço para ter certeza de que não havia acabado pegando no sono e agora estava sonhando.

Notas finais
Sabiam que o Kanda é um personagem horrível de se trabalhar?Sério, tive problemas para mantê-lo o máximo possível como no mangá, sendo a fanfic UA e tentando progredir a história. Por isso não fiquei exatamente feliz com o final do capítulo. A cena do inseto foi só porque é algo que a Lou Fa odeia segundo o fanbook e eu precisava de um motivo para começar a fazer com que eles interagissem. O Kanda rindo parece estranho, mas eu já vi várias vezes ele dando aqueles sorrisos de deboche no mangá. Encarem a risada dele do mesmo jeito.