Love Circus

2 Segunda parte


Notas iniciais
Oi gente, então eu disse que postaria o último capítulo no fim de semana, mas eu acabei viajando e voltei pra casa apenas no domingo, então desculpem a demora.

Dois Meses Depois...

Eu batucava a caneta sobre a mesa enquanto lia impaciente as cláusulas do contrato que precisava da minha assinatura. Conforme meus olhos passavam vagarosamente por aquelas linhas desinteressantes, indo e voltando repetidas vezes por ter esquecido o que já tinha lido antes, minha mente vagava para outros lugares muito além das paredes de vidro da QC, muito além até mesmo de Star City, parando naquela pequena mulher de cabelos loiros e olhos tão azuis como o azul do mar e imaginando onde ela estaria agora e o que ela estaria fazendo. Provavelmente treinando para mais uma de suas apresentações impecáveis.

Já fazia dois meses que eu não tinha nenhuma notícia dela, sequer um telefonema. E esse silêncio estava acabando comigo. Na última vez em que vi Felicity, combinamos de jantar no outro dia e quando cheguei para buscá-la no horário combinado, sua cunhada me disse que ela teve que ir embora antes, porque havia surgido um imprevisto, uma emergência, ela dissera e que Felicity sentia muito e pedia desculpas. Quando lhe perguntei o motivo dela ter ido tão de repente, ela apenas respondeu vagamente que a mãe de Felicity precisou dela. Eu ainda deixei meu número de telefone com a morena para que Felicity pudesse me ligar e esperei por cada minuto em cada um desses malditos sessenta dias, mas Felicity nunca me ligou e eu me pergunto se eu fui tão importante para ela, quanto ela foi para mim.

Desde o dia em que a conheci, eu soube que ela era a mulher certa, que ela era aquela pela qual eu esperei por todos esses anos. E ao vê-la com minha Luna, essa certeza só se confirmou. Assim como eu, Luna se apaixonou por Felicity no primeiro instante e todos os dias ela pergunta quando é que vamos vê-la de novo e eu, para não desanimá-la e também para não me deixar perder as esperanças, respondo que será muito em breve. Luna se contenta temporariamente com essa resposta, mas logo já volta a perguntar por ela e dizer como já sente saudades. Meu coração se aperta todas as vezes que a minha pequena estrelinha diz isso.

Massageei a têmpora e me recostei na cadeira para descansar um pouco, mais uma vez me peguei pensando em Felicity e me esqueci dos papéis que estava em minhas mãos, tem sido assim nos últimos dois meses, eu não consigo pensar em mais nada que não seja ela. Suspirei aborrecido e fechei os olhos por um instante, tentando manter o equilíbrio e dissipar esses pensamentos apenas por alguns minutos e talvez quem sabe, algumas horas. Voltei a abrir os olhos e fixei meu olhar em Sara que bateu na porta e entrou assim que eu permiti sua passagem.

— Bom dia, chefinho. – falou com seu habitual sorriso ao se sentar na cadeira em frente minha mesa.

— Sara, já pedi para não me chamar assim. – falei pela milésima vez, mas Sara nunca ouvia.

— E como eu vou te chamar se você é meu chefe? Devo chamá-lo de Ollie aqui dentro também?- perguntou com um sorriso, ela, Thea e Laurel me chamavam assim desde que éramos crianças.

— Oliver está bom.

— Oliver é muito pessoal, aqui dentro somos dois profissionais e você é meu chefe. – deu de ombros.

— Se eu te demitisse eu não seria mais seu chefe e você não precisaria mais me chamar assim. Tommy também adoraria que você não trabalhasse mais. – falei com um sorriso perverso já considerando essa alternativa.

— Você não se atreveria! Eu te processo por demissão sem justa causa. – Ameaçou. Gargalhei alto.

— Sério Sara, seu marido é o CEO de uma empresa importante, por que você precisa trabalhar? Ou por que não vai trabalhar com ele? – perguntei apenas para irritá-la.

— Porque uma mulher não deve depender do marido. E eu poderia enumerar um monte de motivos para que eu não trabalhe com ele, mas darei um bem simples. – ela me olhou com certa malícia e eu soube que acabaria sobrando para mim. – Eu preciso ficar aqui e cuidar para que você arrume uma namorada, você anda bastante mal humorado ultimamente, está precisando urgentemente de uma, Ollie. – me remexi inquieto e fechei a cara para a loira a minha frente que sorriu ainda mais. – Sério Ollie, já passou da hora de você se casar.

— Agora eu sou Ollie?- ignorei todo o resto e foquei apenas nisso, eu não queria admitir que Sara tinha razão, mas também não estava a fim de me envolver com ninguém, por que ninguém mais me interessava.

— Você só ouviu isso? – perguntou aborrecida. – Você prometeu à Laurel que encontraria alguém para te ajudar a cuidar da Luna e ela precisa de uma mãe, tem coisas que só uma mãe poderá orientá-la quando ela precisar, sabe disso, não sabe?

— Eu sei disso e eu sei que eu prometi, mais ainda não encontrei alguém que eu possa ter certeza de que seria a pessoal ideia para isso. – fiz uma pausa, minha mente dizendo que isso não era verdade. — Ou talvez eu já tenha encontrado, não sei. – me corrigi.

— E como você sabe se não permite que ninguém se aproxime de você e de Luna?

— Por que eu não posso permitir que alguém crie um vínculo com a Luna se não for para permanecer na vida dela, Sara. Ela é uma criança e se apega muito fácil às pessoas, eu não quero vê-la sofrendo se essa pessoa tiver que ir embora depois. – falei com certa amargura ao pensar que era exatamente o que estava acontecendo.

Isso não passou despercebido para Sara que me analisou atentamente por um instante. Senti necessidade de desviar o olhar dos olhos perspicazes dela, eu não queria que a minha tristeza me entregasse, mas já era tarde demais.

— Você já conheceu essa pessoa e essa pessoa foi embora, não foi? – deu voz ao meu pensamento, eu quase ri ao constatar que estava certo sobre a pergunta que ela faria.

— Sim. – respondi com pesar.

— Quem é? E quando?

— Há uns dois meses, ela só estava de passagem pela cidade, desde que foi embora eu não tive mais notícias dela. – soltei outro suspiro aborrecido.

— E como Luna a conheceu se ela esteve aqui por tão pouco tempo?- perguntou com curiosidade.

Protelei por um momento, cogitando se contava ou não para Sara.

— Você vai rir ou talvez até me achar infantil, mas eu a conheci no circo que levei Luna, ela era uma das acrobatas ou algo assim.

Olhei para Sara assim que terminei de falar e ela não esboçava nenhuma reação. Sua sobrancelha estava arqueada como se estivesse surpresa e sua expressão era séria, séria até demais para essa Sara.

— Ok. – disse por fim. – Então você pretendia fugir com o circo?

Eu esperava que fosse Sara a rir da situação, mas me vi curvando sobre a mesa e doendo a barriga de tanto rir. Sara realmente cogitava que eu pudesse deixar minha vida e ir embora com o circo?

— Sara. Você. Realmente. – não consegui terminar, eu ria sem parar enquanto Sara me encarava confusa. – Talvez eu pudesse me tornar um equilibrista ou trapezista. São tantas opções... É óbvio que eu não iria embora com o circo, de onde tirou isso? –perguntei após conseguir me controlar, mas estava me segurando para não rir novamente.

— Ufa! – soltou o ar aliviada. – Não consigo imaginar minha sobrinha subindo por aqueles negócios e fazendo aquelas coisas perigosas lá no alto. E muito menos consigo imaginar você vestido com aquelas calças e macacões apertados e brilhosos. – disse com desdém e eu fiz uma careta imaginando a cena também.

— Eu acho que fico melhor de terno e gravata. – falei e Sara concordou prontamente comigo.

— Já pensou na possibilidade de ir atrás dela e quem sabe, casar com ela? – perguntou de repente mudando completamente o tema da nossa conversa.

— Eu iria e pensaria nisso caso tivesse ao menos o número de telefone dela.

— Homens, sempre tão acomodados! – rolou os olhos e balançou a cabeça em negativa.

— O que você queria que eu fizesse? Deixei meu número com a cunhada dela e ela sequer me ligou!

— Não me admira que ela não tenha ligado, Ollie. Por que tem que ser ela a correr atrás?

— Mas eu já disse que não tenho o número de telefone dela.

Sara rolou os olhos mais uma vez.

— Existem tantos outros meios. Em que século você vive?! – Sara estalou os dedos como se fosse óbvio e talvez fosse mesmo, eu tinha o nome dela, o nome do circo e a internet. Mas mais uma vez, eu não queria dar razão para ela.

— O que você veio fazer aqui mesmo, Sara?- perguntei fingindo impaciência, ela riu.

— Eu fiz aquela seleção que você me pediu e vim trazer os papéis para você assinar a admissão da nova funcionária do departamento de TI.- disse ela já me entregando mais um monte de papéis. – E também informar ao meu querido chefinho que amanhã vou tirar o dia de folga para levar minha sobrinha preferida, que por acaso é a sua filha, ao cinema.

Semicerrei os olhos e olhei para minha funcionária/ex cunhada/ amiga de infância folgada que se dava o dia de folga no meio da semana e peguei os papéis para assinar.

— Adiantaria se eu dissesse que não? – perguntei por perguntar, eu já sabia a resposta.

— Não mesmo.

Balancei a cabeça concordando e peguei a caneta, ia apenas rubricar o documento e entregar os papéis de volta para Sara quando o nome da contratada em questão me chamou a atenção. Precisei ler duas vezes para ter certeza se havia lido certo. Será que eu estava vendo coisas?

— Sara. – chamei sua atenção com minha mudança súbita de humor e me levantei da minha cadeira e sai detrás da minha mesa. – Eu te daria um beijo se eu não estivesse tão apressado para conferir uma coisa. – entreguei a ela os papéis e saí em disparada em direção à porta de saída. – Tire folga hoje também, você merece Sarinha.

Soprei um beijo para ela e sumi pelo corredor que levava até o elevador. Entrei apressado e apertei o botão equivalente ao andar do TI. Minha ansiedade se tornava ainda maior conforme o elevador ia descendo lentamente, até que finalmente as portas se abriram.

Eu sentia meu coração pulsar contra meu peito cada vez com mais força conforme eu caminhava pelo corredor. E Ele deu um solavanco ainda maior quando meus olhos caíram sobre a loira de cabelos presos que estava de costas para mim e organizando uma pasta de documentos. Encostei-me a parede e me permiti observá-la por um minuto, saboreando da sensação maravilhosa que era reencontrá-la outra vez.

— Felicity Smoak. – chamei sua atenção e ela se virou para mim ainda mordendo a tampa da caneta que estava em sua boca. Seus olhos cresceram gradativamente assim que ela me viu e sua boca se abriu com a surpresa. – Oi, eu sou Oliver Queen. – disse sem conseguir parar de sorrir ao vê-la desajeitada e confusa ao me ver parado em sua frente.

— Oliver...- ela sussurrou. –Eu não esperava encontrá-lo aqui. E muito menos esperava que você fosse o Sr. Queen.

— Não, o Sr. Queen era o meu pai. – brinquei para descontrair aquele momento de tensão pós-reencontro.

— Claro! Mais ele está morto e você não. Quero dizer, você é o Sr. Queen, o meu, o meu chefe. – ela disse um pouco rápido demais, meneei a cabeça a olhando com diversão, eu estava encantado com esse seu lado todo atrapalhado. Ela continuou a balbuciar – Isso significa que você pode vir ao departamento de TI e me ver me enrolando, mas isso vai acabar. Acabar em três, dois, um. – Ela calou-se e puxou uma grande quantidade de ar para os pulmões, soltando-o lentamente em seguida.

Decidi que deveria ir direto ao ponto.

— Quando Sara me entregou os papéis para sua contratação, eu quase não acreditei. Tive que vir até aqui para ver com meus próprios olhos que Felicity Smoak era a mesma que eu conheci dois meses atrás, no circo.

— Oliver, eu sinto tanto! Eu não queria ter ido embora sem falar com você, mas eu não tive escolhas, eu...

— Hey. – a interrompi. – Eu não vim aqui para te cobrar uma explicação, juro que não estou aqui para isso. Mas será que poderíamos, sei lá, almoçar? Gostaria muito de conversar com você. Mas não aqui.

— Hoje? Agora?- perguntou em dúvida, ela balançava a caneta em sua mão nervosamente.

— Bom, eu estava mesmo saindo para o almoço, se você não se importar, eu gostaria da sua companhia. E eu não quero dar-lhe a chance de ir embora outra vez. – brinquei, Felicity corou.

— Eu não vou mais embora. – garantiu ainda envergonhada e levantou pegando sua bolsa. – Podemos ir então?

— Sim. – dei-lhe passagem e espalmei minha mão em suas costas quando ela já estava ao meu lado, inclinei-me para sussurrar em seu ouvido. – Eu sei que não vai mais embora, porque eu não deixarei. — A senti arfar concordando comigo e sorri satisfeito.

...

— Estou curioso, felicity. Como a garota do circo veio parar exatamente na QC?

Levei Felicity ao meu restaurante favorito de comida italiana, escolhemos uma mesa para dois e após fazermos nosso pedido, decidi que já era hora de obter as respostas daquela que tanto perturbou meus pensamentos desde que foi embora. Felicity bebericou de seu suco de laranja calmamente para só então me responder:

— Eu amo o circo, Oliver. Eu fui criada debaixo daquelas lonas de circo e quando minha mãe resolveu que não queria mais essa vida para ela e foi embora, eu decidi ficar com meu pai porque para mim, não tinha nada melhor do que aquele mundo mágico. Mas a minha verdadeira paixão sempre foi a informática, mesmo crescendo naquele meio artístico, meu passa tempo favorito sempre foi aparelhos tecnológicos e quando eu terminei o ensino médio, eu decidi que era hora de seguir por outro caminho. Então eu fui morar por uns tempos com minha mãe em Las Vegas e depois me mudei para Massachusets para estudar no MIT, como você deve ter visto no meu currículo. – Concordei prontamente, mesmo sabendo que eu não analisei seu perfil e sim seu nome. Mas Sara deve ter analisado e deve ter sido essa uma das razões para que ela contratasse Felicity. – Eu me formei muito recentemente e então Helena, a minha cunhada, teve bebê.

— Eu me lembro dela. Foi ela que me disse que você teve que ir embora antes. – falei ao me lembrar vagamente da morena segurando um bebê quando eu a vi.

— Sim. Helena é quem faz aqueles números desde que eu fui embora e desde que se casou com meu irmão, Roy. Como eu havia acabado de pegar meu diploma da faculdade e ainda não tinha arrumado emprego, Helena me pediu para substituí-la durante seu resguardo e eu fiz como uma despedida do circo. Passamos por quatro cidades e foi aí que viemos para Star City e eu conheci você. E conhecer você foi a melhor coisa que me aconteceu, Oliver. Quando eu vi você foi completamente diferente, foi como se toda a minha vida fizesse sentido. E Luna, eu me vi tão apegada naquela pequena e em tão pouco tempo que quando eu fui embora, fui de coração partido. Por favor, não pense que só por que não o procurei durante esse tempo, não significa que vocês não tenham sido importantes para mim. – Felicity buscou minha mão enquanto falava e a apertou suavemente, foi impossível conter o sorriso que eu dei para confortá-la e incentivá-la a prosseguir. – Eu estava muito ansiosa por aquele jantar, ansiosa por te ver novamente, eu já tinha planos de vir morar em Star City, tinha planos de tentar conseguir um emprego na QC, mas eu juro Oliver, quando eu te vi aquele dia no circo, ainda de calça social e camisa o que claramente indicava que você mal saiu do trabalho e levou sua filha para o espetáculo, eu soube que você era alguém importante, mas eu não sabia que você era o CEO da empresa que eu pretendia trabalhar em breve.

— Sei disso, Felicity. Você ficou tão surpresa quando me viu que eu não tive dúvidas de que você não fazia ideia. – a tranquilizei. – Por favor, me fale sobre o porquê você precisou viajar ainda na quinta.

— Certo. Na quinta feira de manhã eu recebi uma ligação de Las Vegas, minha mãe tinha sofrido um acidente de carro e estava no hospital entre a vida e a morte. Entenda, eu não tinha seu número e não tive tempo de pensar em mais nada que não fosse ir até minha mãe e me certificar de que ela ficaria bem. Minha mãe passou vários dias no hospital e eu não quis deixá-la nem por um segundo, quando ela finalmente teve alta, eu ainda quis ficar cuidando dela durante a recuperação e nisso já tinha se passado mais de mês. Helena foi ao meu encontro depois e me contou que você tinha deixado seu número com ela, mas como eu já tinha recebido uma ligação do RH da empresa marcando uma entrevista semana passada e depois de receber a notícia que seria admitida, eu decidi que o procuraria quando já tivesse me mudado para cá. Como eu faria isso, eu ainda não sabia, mais sabia que de um jeito ou de outro eu o encontraria. – finalizou com um sorriso.

— Só não sabia que seria tão em breve e na mesma empresa em que você trabalha, não é? –Perguntei com um sorriso que foi correspondido por Felicity que confirmou meu raciocínio. – Eu entendo que você precisou ir por sua mãe e fico mais aliviado agora que sei da verdade. Eu fiquei tão confuso e tão perdido nesses dois meses Felicity. Eu não pensava em nada mais que não fosse onde você pudesse estar e porque não tinha ligado.

— E eu sinto muito mesmo. Mas eu estou feliz, Oliver. – Ela disse assim que o garçom serviu nosso almoço e se retirou. – Estou feliz por encontrá-lo e poder explicar o motivo pelo qual tive que ir e mais feliz ainda por você me perdoar e por entender.

— Eu jamais poderia deixar de entender o que você fez, felicity. E jamais poderia pedir que ficasse enquanto sua mãe precisasse de você. Eu faria o mesmo em seu lugar, portanto, não se preocupe mais com isso, já passou. – Estendi minha mão até o seu rosto e acariciei sua bochecha rosada, ela estava ainda mais linda do que quando a vi. E aquele sorriso que ela esboçava, aquele sorriso tinha o poder de iluminar todo o meu dia.

— Obrigada Oliver. – ela falou assim que abriu os olhos. – Preciso confessar que senti muita falta disso. – e como quem quisesse me mostrar do que estava falando, ela inclinou ainda mais seu rosto na direção da minha mão e eu sorri satisfeito.

Terminamos nosso almoço em um clima agradável. felicity perguntou sobre Luna e eu lhe contei como minha pequena sentia falta dela e ela me fez prometer que a levaria para ver Luna o mais rápido possível. Quando já estávamos no carro à caminho da QC, não pude deixar de fazer uma observação muito importante sobre o visual novo de Felicity.

— Tenho que dizer que fiquei bastante surpreso em ver esse seu lado executivo, em nada se parece com aquela mulher que conheci há dois meses.

Felicity riu.

— Você não esperava encontrar esse meu lado nerd, não é? – balancei a cabeça negativamente escondendo um sorriso. – Mais precisa saber que essa é a verdadeira Felicity Smoak, aquela que você conheceu era apenas uma parte de mim, uma encenação.

— Seja como for, eu gosto de você bem do jeitinho que você é. E até mesmo esses óculos têm lá o seu charme. – Falei com sinceridade e olhei de relance para ela, vendo-a corar levemente. Ela era adorável!

Entrelacei nossas mãos e fomos todo o resto do trajeto em um silêncio agradável.

— Eu acho que é aqui que nos despedimos. – Eu disse assim que Felicity saiu do elevador no departamento de TI da empresa. Coloquei a mão nas portas, impedindo que fechassem. – Quando vou te ver novamente?

— Contando que você é o chefe, acredito que você possa vir aqui quando quiser. – ela disse com um sorriso.

— Sim, mas me refiro à te ver fora da empresa.

Felicity pensou por um instante.

— Que tal um piquenique no sábado? Eu quero muito ver a Luna. Se você não se importar, é claro.

— Um piquenique parece ótimo e ela vai adorar, principalmente quando souber que vai ver você.

— Sábado então, mas não conte nada a ela, quero fazer uma surpresa.

A semana pareceu se arrastar, tanto para mim, quanto para Luna que mal se aguentava de ansiedade para que chegasse logo o grande dia, principalmente porque ela queria muito saber de quem se tratava a visita surpresa que a aguardava no sábado. Durante toda a semana, Felicity e eu almoçamos juntos, eu nunca fui tão disposto para a QC, como estava indo nessa semana e apesar de ter muito trabalho, além das várias reuniões, eu estava sempre de bom humor. Contei à Sara que a Felicity que ela havia contratado era a minha Felicity e depois de almoçar duas vezes conosco, Sara era totalmente a favor de um relacionamento futuro entre nós dois.

Quando o tão esperado sábado finalmente chegou, a mansão Queen estava uma verdadeira loucura. Com a ajuda de Thea e Raísa, Luna preparou um enorme banquete no jardim com diversos lanches e frutas, forrou um carpete na grama, colocando seus vários brinquedos para que pudéssemos brincar, montou a mesa de chá de suas bonecas, pediu uma cama elástica e uma piscina de bolinhas e espalhou livros e almofadas sobre o carpete juntamente com os brinquedos.

Quem visse toda aquela arrumação, pensaria que haveria uma festa ali e não só um piquenique para três pessoas, mas eu precisava admitir que as três tinham arrasado na decoração.

Depois do almoço, Diggle foi para a cidade buscar Felicity e Thea foi com ele, ela tinha combinado com Sara de irem às compras e segundo ela, por mais que estivesse ansiosa para conhecer Felicity, não queria estragar esse momento ‘família’ que teríamos com Luna. E eu, estava ajudando Luna a escolher a roupa que usaria.

— O que acha do vestido rosa que a tia Sara me deu, papai?- ela apontou para o vestido de renda guipir que Raísa segurava em sua mão.

— Não sei, acho que o macaquinho ficaria melhor.

— Mas eu quero ficar muito bonita para o nosso piquenique e nossa visita surpresa papai, por isso quero o vestido. – disse ela, decidida.

— Então que seja o vestido que a tia Sara deu, princesa. – falei já colocando Luna de pé sobre a cama e pegando o vestido com Raísa.

— Como estou?- Ela me olhou em expectativa segurando a barra do vestido e sorrindo para mim. Fiz suspense. – E então papai, como estou?- Perguntou já bastante ansiosa.

— Está linda, estrelinha. A princesa mais linda que eu já vi. – Abracei-a apertado e girei com ela em meus braços.

Raísa prendeu os cabelos de Luna para o lado e calçou nela as sandálias. Descemos assim que ela estava pronta e Luna saiu em disparada quando ouviu o carro estacionar na entrada principal. Eu fui atrás dela.

Luna observou atentamente Diggle dar a volta no carro e até se colocou nas pontas do pés para olhar dentro do veículo quando ele abriu a porta para que a pessoa descesse. Permaneci parado como uma estátua, apenas observando a beleza da mulher que saia de braços abertos para receber minha filha, com um sorriso de tirar o fôlego estampado em seu rosto.

— Feliciity! – Luna gritou antes de se jogar nos braços dela. – Você voltou! Você voltou para nós!

Ela falava ainda abraçada à Felicity, que nesse momento dirigia seu olhar para mim, ainda parado apenas as olhando de longe. Eu não sabia exatamente se era a beleza de Felicity que me prendia no mesmo lugar, ou se era a emoção do encontro das duas que estava me deixando hipnotizado. Eu não tinha palavras para descrever aquela cena.

— Eu voltei minha fadinha, eu estou aqui. Estava morrendo de saudades de você.

Felicity a apertou ainda mais contra si, tirando-a do chão e vindo ao meu encontro. Colocou Luna de volta ao chão quando parou em minha frente.

— Isso é para você, fadinha da lua. – falou lhe entregando uma sacola que Luna pegou animada. – É para brincarmos em nosso piquenique. Por que não abre lá dentro enquanto eu falo com seu papai?

— Tá bom mais não demorem. Eu quero te mostrar o que a tia Thea e eu fizemos para o nosso piquenique.

Luna agradeceu Felicity e correu para o interior da mansão curiosa para saber o que tinha na sacola.

— Hey.- Ela disse com um sorriso tímido.

— Hey. – Me aproximei ainda mais dela, enlaçando sua cintura e capturando seus lábios em um beijo rápido e inesperado. – Está linda. – falei ao me afastar.

— Obrigada. É a primeira vez que o vejo sem terno e gravata e devo dizer que fica ainda mais lindo como alguém normal, Oliver Queen. – falou ao se aproximar para mais um beijo.

— E eu devo dizer que Felicity Smoak está mais uma vez me surpreendendo ao me mostrar outro lado que eu ainda não conhecia. Pergunto-me quantas facetas essa mulher incrível ainda tem escondido.

— Isso depende, Oliver. – Olhei na profundidade azul de seus olhos e esperei pela conclusão de sua frase. – Depende muito de qual lado você despertará em mim.

— Eu espero que apenas coisas boas, por que eu sempre vou me empenhar para dar-lhe tudo que merece, Felicity, o melhor de mim.

Sem esperar mais nem um segundo, eu a trouxe para mais perto de mim, selando nossos lábios em um beijo terno e cheio de amor. Sim, amor. Eu já amava aquela mulher e a queria em minha vida para sempre. Deixá-la ir embora já não era mais uma opção. Movíamos nossos lábios calmamente e sem pressa, até que certa pessoinha reapareceu já muito agitada por nossa demora.

— Papai! Felicity! Vocês estão demorando muito. – Luna abraçou minhas pernas e só então se deu conta do que tinha visto ao vir ao nosso encontro. — Você está namorando a Felicity, papai?- Perguntou com alegria na voz. Seus olhinhos brilhavam. A peguei em um braço e segurei a mão de Felicity com a minha mão livre.

— Ainda não princesa. Você gostaria de que Felicity fosse a minha namorada? – Felicity permanecia calada enquanto caminhávamos pela mansão, indo para o jardim dos fundos, apenas observando minha pequena interação com Luna. Nós dois ansiávamos pela resposta da pequena.

— Eu gosto da Felicity, ela é muito legal e acho que ela deveria ser sua namorada e..

— E o que, estrelinha? – perguntei curioso, Luna ficou receosa de dizer em voz alta, então ela colocou suas mãos em meu ouvido e sussurrou para que só eu pudesse escutar.

— Eu queria que ela fosse a minha mamãe.

Olhei para Felicity que estava tão emocionada quanto eu. Ela tinha escutado o que Luna havia dito em voz baixa, seus olhos marejaram e ela se aproximou de mim e de minha filha, sussurrando para Luna que havia deitado sua cabeça em meu ombro.

— Fadinha, eu te amo tanto que para mim, você é sim a minha filhinha.

Felicity beijou a pontinha do nariz de Luna e ela desceu dos meus braços já correndo com Felicity pela grama até o nosso piquenique. Era incrível ver como era forte a conexão das duas, como se realmente fossem mãe e filha. Eu observava apaixonado as minhas meninas conversarem animadamente enquanto brincavam de pentear e maquiar as bonecas de Luna. Felicity era ótima com crianças e Luna simplesmente a idolatrava, ela tinha Felicity inteiramente em suas mãozinhas. A certa altura, eu servi de cobaia para Felicity me maquiar e Luna pintar minhas unhas, era isso que acontecia quando se tinha duas mulheres em casa. Depois dessa super produção, nos sentamos os três para o chá da tarde com as filhas da minha estrelinha e eu tive que caber no banquinho rosa e segurar entre dois dedos a mini xícara com o café imaginário que estávamos tomando. Também brincamos de futebol, na cama elástica, piscina de bolinhas e quando já estávamos bastante esgotados e famintos, finalmente podemos saborear a comida de verdade que Raísa preparou com todo carinho. Nosso dia acabou com nós três na piscina.

Não foi nenhuma surpresa que três meses depois, Felicity e eu já estivéssemos namorando e um ano depois, nos casamos em uma cerimônia reservada apenas para a família e os amigos próximos. Nove meses depois do nosso casamento, Felicity trouxe para a minha vida mais duas alegrias, nosso filho Lorenzo e logo e seguida, nossa pequena Aurora. Felicity era a melhor mãe do mundo e Luna logo passou a chamá-la de mãe também. A amizade e cumplicidade das duas sempre foi um relacionamento invejável.

E eu amo aquela mulher. Felicity me deu a maior alegria da minha vida, os nossos filhos que são nossos anjinhos, as estrelinhas do meu céu. Mas Felicity, ela chegou para mim como um sopro de ar fresco, iluminando minha vida e tornando meus dias ainda melhores com seu amor e seu sorriso. Felicity me curou de todas as formas que se possa imaginar e meu amor por aquela mulher cresce a cada dia, é por ela e por nossos filhos que meu coração bate e é ela a dona do sorriso que eu trago no rosto.

Eu poderia dizer que fomos felizes para sempre, mas isso só acontece em contos de fadas que Felicity e eu contamos para as crianças antes de dormir. Nós sempre tivemos nossos desentendimentos e nossas brigas, mas isso só serviu para fortalecer o nosso amor e nossa união. Não existe um só dia que eu não seja grato pela esposa maravilhosa que tenho e eu faço questão de mostrar para ela todo o meu amor e minha devoção e o quanto sou feliz por tê-la ao meu lado.

E como eu poderia imaginar que conheceria a mulher da minha vida em espetáculo de circo? Felicity Smoak é sem dúvidas o amor da minha vida e o meu raio de sol, a estrela mais brilhante que me guia pela escuridão. Aquela que escolhi amar e respeitar, pelo resto de nossas vidas, até que a morte nos separe.

“No palco, na praça, no circo, num banco de jardim, correndo no escuro, pichado no muro... Você vai saber de mim.”

Fim.

Notas finais
Então galera, this is it. A gente se vê em Smoaks Medicine ou quando eu resolver postar uma One (que na verdade já tenho uma em mente). Até a próxima, bjo,bjo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!