No retorno ás aulas, Caleb apareceu com a palma das mãos machucadas, cobertas de band-aids e não têm tido também a mesma energia de antes pois frequentemente ele acabava adormecendo em meio a aula depois de se cobrir com o próprio agasalho parecendo um grande tatu bola em cima da carteira escolar para sempre ser acordado por Mariko ou Jimin quando o professor aparecia na sala e um babão de sono Caleb deslizar a cabeça pra fora da gola feito uma tartaruga idosa.
— Que isso, cara? – Preocupou-se Jimin olhando para o amigo que se sentava atrás, Mariko sentava-se ao lado e tinha em sua face a mesma preocupação.
Caleb se sentou reto em sua cadeira, fungou seu nariz vermelho e vagarosamente sacudiu a cabeça negativamente:
— Nada não.
— Nada não? Mal tem saído com a gente desde que voltaram as aulas. – Mariko disse. – A gente só se fala por mensagem de texto e olhe lá, muita vez você some.
Caleb resmungou alguma coisa que foi inaudível quando a aula começou ao a professora Sally entrar na sala.
— Bom dia, crianças. Como estamos todos? Vejo muitas carinhas de sono aí, ein? – Ela disse brincalhona e cheia de uma energia muito estranha para aquelas poucas horas da manhã. – Também vamos guardando o celular, sim?
Jimin foi guardando o seu em sua bolsa após enviar algumas mensagens de texto, Caleb nem tirara o seu da bolsa, basicamente caiu no sono logo após chegar e aquela visão toda branca lá fora, o frio e poucas pessoas e carros passando na rua eram mais ainda de uma assistência visual pra pegar no sono que só de pensar nisso, ele já se viu com a cabeça balançando como aqueles cachorrinhos que movem a cabeça com o movimento do carro no parabrisa para depois ele levantar a cabeça e inspirar profundamente.
— Tenho uma novidade para vocês. Vão ganhar um novo colega de sala. – A ruiva e grisalha professora Sally anunciou. – Pode entrar.
Um garoto aparentemente muito tímido entrou, todo tão cheio de agasalhos que parecia que se alguém o empurrasse, sairia rolando. Seu cabelo louro bem platinado e olhos esverdeados com uma pele tão pálida que suas bochechas estavam coradas por causa do frio, Caleb lembrou-se muito de alguém.
— Consegue se apresentar, querido? – Perguntou a professora Sally cuidadosamente, ao garoto que media cerca de 1,5m.
Ele deu um tímido passo adiante, abriu sua boca e veio em voz fraquinha:
— Beau. Beau Dominicans.
— Isso é um nome ou um feitiço? – Uma voz veio do fundo da sala, Owen Sweetkins era o valentão da escola. Caleb virou os olhos ao ouvir a voz do rapaz. Com aquilo, Beau pareceu ficar ainda mais embaraçado e a senhora Sally colocou confortavelmente as mãos nos ombros do menor e ia falar algo até ser interrompida:
— O seu é Sweet, mas de doce provavelmente tem é o traseiro. – Caleb retrucou automaticamente com um olhar arrastado ao se mover preguiçosamente para trás e ficar pendurado sobre a cadeira. Ergueu uma sobrancelha. Para efeito, a sala riu e Owen fechou a cara. Era um cara que ninguém ousava mexer já que ele era bem grande em altura além de musculoso, mas não estava no time dos atletas.
Aparentemente aquilo fez com que Beau se sentisse já com pessoas a quem se apoiar, tanto que ele se sentou logo no canto que Caleb estava também e o menor até sorriu, grato, para o maior que retribuiu com um sorriso de canto e um sinal de positivo com o dedo e depois, com o mesmo dedo apontou pra si mesmo.
— Caleb. – Se apresentou, com a cabeça apoiada nos braços que estavam deitados sobre a carteira, Jimin e Mariko também se apressaram a se apresentar. Do grupo, Jimin era o que menos se expressava, raramente acontecia.
Depois disso, Beau parecia aos poucos se libertar de suas camadas. Não apenas as camadas de timidez quanto também dos seus muitos agasalhos que foi removendo aos poucos para guardar provisoriamente no armário da Sra. Sally pois ainda não tinha recebido a chave para o seu próprio. Depois de conseguir puxar ele de seu escudo, souberam que ele era filho de uma francesa com um brasileiro e estava agora morando por lá já que a agência que seus pais trabalhavam abriu uma nova filial por aquela cidade. Caleb reconheceu a situação dos pais ocupados já que ele também os tinha, assim soube que também quem cuidava dele da maioria das vezes era sua avó Elizabeth, que coincidentemente já morava por ali.
—
— Tá querendo briga, é? – Um irritado Owen nervoso bateu com força as costas de Caleb contra os armários no corredor na troca de sala de aula, seus amigos já tinham ido para a outra sala. Aparentemente se afetou bastante como que Caleb havia dito antes.
— Acabou a cocaína, foi? Por isso tá nervoso? – Caleb retrucou, ele não se intimidara nem um pouco. Suas mãos nos bolsos, olhando para o rapaz de pouco caso.
Owen fechou a mão direita e se preparou para agredir Caleb quando, de repente, um grupo dos atletas da escola apareceram: — Ow!! – Exclamou um deles e Owen baixou a mão, olhou ameaçador uma última vez para Caleb e sumiu ao virar o corredor.
— Tu ta bem, cara? – Perguntou um deles ao se aproximar. Todos vestiam a jaqueta do time da escola.
Caleb não contava que eles apareciam e realmente iria partir para cima do valentão se fosse necessário.
— Eu sei lidar com Owen. – Caleb respondeu, a mesma expressão facial que estava a pouco mas agora se relaxou e olhou para o rapaz, provavelmente líder do grupo. – Eu acho que vocês deviam conversar com ele na verdade.
Eles franziram o cenho se pergunto do porquê. Cumprimentaram Caleb e depois seguiram para seu rumo, o que não havia tanto o que fazer já que os campos esportivos da escola estavam cheios de neve mas se ofereceram para remover o acúmulo de onde fosse possível para que os estudantes pudessem se locomover pelos arredores da escola. Aquele grupo de atletas tinham um profundo respeito por Chris e seu histórico na escola além da sua própria história de vida também e era por isso que decidiram dar o maior apoio possível para Caleb.
— Nossa, o que foi tudo isso no corredor? – Mariko perguntou quando Caleb entrou na outra sala, Jimin no smartphone e Beau olhando curioso para ele enquanto o mesmo se sentava.
Caleb coçou uma das sobrancelhas e deu de ombros:
— Só gente precisando de ajuda.
—
Alex abrira sua Coffee Shop pontualmente como sempre e já havia gente aguardando na porta, o que ele sorriu cumprimentando-os e avisando que abriria em alguns momentos.
Pendurou suas roupas pesadas contra o frio em um mancebo numa salinha privativa para ele e funcionários, vestiu o avental verde-escuro, jeans e sapatos leves amarelo pálido.
Em poucos instantes já era possível sentir o revigorante aroma de café fresco sendo preparado após ele abrir a Coffee Shop, despertando o sorriso dos consumidores que adentravam o recinto que inalavam o cheiro quase afrodisíaco da bebida quente. Claro, havia quem pedia bebida gelada, mas ele não achava estranho pois em qualquer momento sabia que era ótimo aproveitar de uma bebida quente ou gelada.
Pouco após o meio-dia, Caleb apareceu com Mariko, Jimin e Beau. Alex recepcionou-os com um sorriso.
— Boa tarde, pessoas. Esse aqui eu não conheço. – Indicou Beau que deixou-o ficar mais corado do que já estava e que, se possível, enfiaria a cabeça no agasalho como uma tartaruga.
Caleb apresentou Beau, que ficou calado, aparentemente voltara com tudo sua timidez.
— Muito prazer, Beau. Vocês já almoçaram? – Perguntou Alex e todos balançaram a cabeça positivamente, o grupo se sentou em uma mesa, mas Caleb sentou-se ao balcão.
— Eu já posso pedir aquele café irlandês? – Ele disse com os cotovelos sobre o balcão de madeira e o rosto pousado na palma das mãos cobertas de band-aid.
Alex riu:
— Só daqui a uns 5 anos. O que aconteceu com suas mãos? – Alex observou e pegou nas mãos dele, deslizou o polegar sobre um dos curativos.
— Ah.. Hm... Um projeto. – Caleb de repente soltou um sorrisinho e pousou seu polegar sobre o de Alex e fez uma sutil carícia. – Sabe... Entrou um filme agora nos cinemas e eu realmente tava querendo ir. Quer ir comigo?
— E seus amigos? Não querem ir? – Perguntou Alex.
— Não é da praia deles esse tipo de filme. – Caleb respondeu, seu olhar não se desviava dos olhos de Alex.
O loiro de avental assentiu.
— Claro. Por que não, né? – Alex aceitou a oferta. – Sábado?
— Eu pensava em hoje mas, claro, sábado. – Caleb disse. Lembrou que o expediente do café entraria no meio e poderia atrapalhar, definitivamente não queria atrapalhar o ganha pão de Alex. Internamente, Caleb comemorava vigorosamente.
— Então... ? – Alex disse e indicou as mãos, Caleb segurava as dele agora de modo não mais tão sutil.
— A-ah. – Exclamou. – Sim, são macias. Quem é sua manicure? – Caleb riu.
— Besta. – Alex soltou uma risada também. – Aqui, leve para seus amigos. – Deu um cardápio para o rapaz. – Vai que querem algo, pois só estão no celular.
Realmente, todos estavam no smartphone exceto por Beau que olhava tudo curiosamente. Caleb voltara para mesa com um sorrisão no rosto, que Mariko perguntou o que houve.
— Eu tenho um encontro.
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