— Oy! — Reclamou Alex quando Chris tirou seu fone de ouvido e colocou no próprio, ouvindo um tanto e depois enfiando de volta no ouvido de Alex. O mesmo parou a música em seu MP3 Player e olhou para Chris com censura.

— Mah que! Você fica ouvindo essas músicas antigas aí e música árabe do nada. Maior confusão, cara. – Chris debochou, deitou a cabeça no colo de Alex que ainda olhava para o mesmo com a mesma expressão facial.

Eles estavam sentados na escada da biblioteca, Chris deitado todo folgado e sua cabeça nas coxas de Alex que ouvia sua musiquinha.

— Pra sua informação, é Mr. Sandman das The Chordettes, é uma música vintage ... E provavelmente deve estar falando também do álbum Harém da Sarah Brightman, que lançou quase agora. – Alex adorava falar de música, inclusive seu gosto era bem eclético. Chris debochava, movendo a mão, abrindo e fechando como se falasse algo. – Seu babaca, se levanta.

— Um babaca que tu ama, né? – Chris abriu os olhos e sorriu, um sorriso folgado e brincalhão, falou um tanto baixo, ali não era exatamente um local público. Alex corou um pouco e franziu o cenho, o rapaz não estava mentindo.

— Deixa você. Deixa... – Respondeu calmamente, voltando a ouvir sua música.

— Prontinho!! – A voz de Nishi se sobressaiu em meio a música quando ela apareceu pulando por trás deles o que fez a bolsa aberta sacudir e assim um dos livros de lá pular de lá e pousar bem no rosto de Chris que gemeu sonoramente.

Alex, depois de se recuperar do choque daquilo tudo, pôs-se a rir e bastante.

— Ah, o karma... Quando ele vem... – Falava em meio ás risadas enquanto Chris tirou o meio pesado livro do rosto todo avermelhado e passando a mão no nariz pra ver se não estava sangrando.

— Aaah. – Gemeu Nishi em um lamento. – Mil desculpas, Chris! Acho que não fechei a bolsa direito.

— Você acha, é? – Falou Chris num tom anasalado segurando o nariz, ainda a verificar se estava sangrando ou não e pondo-se sentado, o cabelo bagunçado, Alex continuava a rir. – Cala a boca.

A garota coletou o livro e enfiou na bolsa, dessa vez tendo certeza de que a fechara direito. Ela havia ido na biblioteca alugar um livro enquanto os rapazes esperavam na escadaria. Claro que haviam algumas pessoas olhando para eles depois do acidente com o livro, alguns riam o que fez Chris sentir o rosto queimar.

— Tá pegando fogo. – Riu Alex, cutucando a bochecha do ‘amigo’.

Chris rapidamente aproximou o rosto do de Alex e lhe deu um rápido selinho, o que fez Nishi corar e dar uma risadinha. Agora era Alex que estava pegando fogo, o rosto todo vermelho.

— Te incendiei então, não foi? Quando vou poder apagar esse fogo? – Debochou Chris, que voltou com aquele sorriso folgado e brincalhão no rosto, com malícia.

— Seu idiota, sabe como é perigoso essas coisas em público. Ainda mais... Ainda mais...

— Ah que se dane. – Riu Chris.

— Eu tinha as minhas suspeitas mesmo, então vocês são... – Nishi disse, em tom de voz baixo, como se o governo norte-americano estivesse de olho neles. Sentou ao lado deles, bem encostada — ... namorados?

— Ah... Não. Não exatamente... Existem certos obstáculos que.... – Alex começou, em tom de voz baixo mas não tanto quanto de Nishi.

— Eu não me importaria de lutar contra esses obstáculos. – Um orgulhoso Chris se destacou do trio, não falou baixo, apenas em tom normal.

— Você sabe que não é assim... – Alex disse, cuidadosamente.

— E já fizeram sexo? – Soltou Nishi do nada.

Os rapazes olharam para ela, um olhar enviesado... “Nossa, Nishi, de todas as pessoas...” – Foi o que pensaram.

— N-N-Não... Não... E-Eu... N-Nós não temos pressa com isso... – Gaguejou Alex, nervoso, soltou os longos cabelos do laço, juntou os cabelos tudo de novo e prendeu novamente.

— Decisão dele. – Um bicudo Chris respondeu.

— Eu já. – Novamente Nishi solta outra bomba que fez novamente os rapazes olharem para ela, com um olhar torto e surpreso, como se tivesse revelado que era serial killer de colecionadores de adesivos. – O que? É normal. Eu tenho um namorado. É só tomarem as precauções, embora não engravidem, mas... Existem as DSTs, então... Como a HIV... Que existe tanto entre relações hetero quanto homossexuais mas insistem em apenas estampar a cara dos gays nisso... Acho que to falando demais, né?

— É que normalmente nosso primeiro contato é através das páginas de reprodução do livro de biologia, né... – Respondeu Chris mordiscando o canto de uma das unhas. – Parece que leu bem o panfleto que entregam na porta da escola. – Riu.

Alex estava bem surpreso com a quantidade de informações, a experiência e, especialmente, em Nishi já ter tido uma relação sexual além de ter um namorado, coisa que desconhecia. Ele se levantou, o que fez o encostado Chris acabar caindo de costas e gemer.

— Oy! ‘cêis tão querendo me matar hoje, não é?

— Ah, desculpa, eu me distraí. – Desculpou-se Alex depois de ver o rapaz estatelado no chão. – Bom, hoje à noite, né?

— Eu acho que sim... Se eu não for parar no Hospital com tanto acidente me acontecendo. – Cerrou os olhos, Chris fez um bico que deixou Alex na vontade de lhe dar outro, ao menos, selinho.

— Como é? – Uma curiosa Nishi perguntou.

— Noite dos garotos em casa. – Alex respondeu, jogando a mochila por cima do ombro.

— Ah... Vão... É? – Nishi, com um sorriso risonho e brincalhão, disse, mexendo os dedos pra cima e pra baixo.

— Meu sonho... – Chris respondeu, quase falando em cima.

Alex suspirou.

— Não, partida de videogame, coisas de garoto, sabe...?

— Mais ou menos, acho que não tem revista de mulher pelada lá, não é? – Disse a risonha Nishi. Claro que não teria revista de mulher pelada na casa de alguém que cuja orientação sexual não se encaixava nisso.

Alex levantou as sobrancelhas e olhou pro lado, movendo a cabeça como se disse “Bom...”

Ele chegou em casa depois de se despedir dos amigos, de imediato já fora recebido por um imenso crucifixo preso na parede de frente para a porta e suspirou.

— Alex, querido, é você? – Uma voz feminina e suave saudou. – Bem vindo de volta.

— Sim, mãe. Obrigado. – Ele respondeu, tentando fingir algum ânimo na voz. Ele ia virar à esquerda no corredor de entrada quando viu metade do rosto de sua mãe espreitando, o que o fez congelar e se ajoelhar perante ao imenso crucifixo e juntar as mãos, orando, sua mãe sorrira.