Love By Time: O amor que o tempo trouxe
7 Despedidas
Foi aí que as coisas viraram de cabeça para baixo.
Claro, a reação dos pais de ambos não foi nada legal, ao menos no começo... O que poderiam fazer? A menina não abortaria e mesmo os pais não queriam que abortasse, o Sr. Brown ficou em silêncio a respeito disso. As famílias exigiram a responsabilidade tanto por parte de Chris como de Anne.
Por semanas, Chris ficou tenso, parecia em risco de entrar em depressão... Isso se já não estivesse... Não tinha muito o que fazer, Alex estava mais companheiro dele do que já era. Dando-lhe muito suporte e apoio, mas totalmente tiveram que cortar qualquer relacionamento amoroso... Chris se comprometeu em tudo, até mesmo casar com Anne. Aliás, eles começaram a andar mais juntos, Anne arriscava pegar na mão de Chris e ele, que se assustava de vez em quando, retribuía segurando na mão da mesma, coisa que quebrava mais ainda o coração de Alex mas nada podiam fazer.
Por muito tempo esconderam a gravidez de Anne até começar a mostrar barriga, o que correu, nada sutil, um grande burburinho pela escola, até a chamavam de palavras de baixo calão e rapazes davam em cima dela do nada, querendo tirar uma lasquinha de alguém que acreditava “Que dava para desconhecidos sem se preocupar com nada tanto que ficou grávida”. Chegou a uma situação que Chris foi obrigado a gritar no meio do corredor que ele era o pai da criança, que eles estavam juntos e iriam se casar, para a surpresa de várias pessoas e admiração por parte das garotas, que achavam o feito até fofo e romântico. Mas esse e outros casos ficam para outra história. A barriga de Anne começou a crescer e ficou cada vez menos sutil, foi então que teve de levar a escola para casa e passar o resto do ano letivo por lá, mas Chris continuou na escola e ia visitar Anne diariamente, para ajudar com o que precisasse.
Desde então, Alex começou a sentir o distanciamento entre os dois... Cada vez mais... Não culparia ninguém, nem a si mesmo, ninguém tinha culpa, fora que agora era tarde demais para reverter o que aconteceu aquela noite, em que deveria tê-lo segurado.
Aparentemente, Nishi sentiu o tom de solidão e mágoa que havia em Alex e se fez mais presente na vida dele ainda, convidando-o logo a tomar um milk shake em uma muito bonita coffee shop da cidade onde o tom marrom madeira predominava e paredes cor de vinho. Um local que acabou se tornando seu santuário, eventualmente.
Alex virou babá de Jeon pois o menino conseguiu sutilmente inserir Alex na “lista de babás confiáveis” de alguma forma. A partir daí, após uma entrevista, virou a babá oficial do menino, numa noite foi trabalhar lá e levou Nishi junto, levaram para ele um milk shake de baunilha e creme de caramelo batido, o favorito dele.
— Você está voltando para a Coréia do Sul? Quando? – Perguntou um espantado Alex.
— Amanhã. É, eu fiquei surpreso também, eu falei para meus pais que não queria ir, mas não adiantou. – Ele falou, fazendo bico, olhando para seu milk shake e mexendo o canudo devagar, deitado nos braços, escorado na mesa de madeira da cozinha.
— Vai fazer muita falta, sabe? – Disse um sorridente Alex que por trás suspirava de mais algo que lhe faria falta, apesar de ser uma criança. – Mas você tem meu e-mail, podemos nos falar por lá e pela Webcam também, não é?
Jeon assentiu com a cabeça, ainda olhando para seu milk shake, desanimado.
— E logo você quando crescer também vai poder pra cá e fazer o que quiser quando atingir a maioridade. – Disse Nishi, inclinando um pouco pra frente, com dó do menino, não tinha tanta amizade com ele como Alex tinha mas rapidamente ficou apegada.
Aquilo pareceu acender o fogo novamente em Jeon, pois ele se levantou novamente, olhando para Alex.
— Isso! Eu vou conseguir... Conseguir dinheiro rápido e voltar aqui rapidinho para você... Para vocês! Eu... Eu vou ser um cantor muito famoso lá, vocês vão ver. – Disse, sua aura e energia infantil animada se enchendo que até dava pra ver uma barrinha de energia em cima da cabeça dele até.
Alex e Nishi deram risadinha.
— Mal posso esperar para ouvir suas músicas então. – Alex disse, sorrindo para Jeon. – Para onde da Coréia que vão?
— C.U. Acho que é assim que se fala... Não é? – Falou, franzindo o cenho.
— É o que? – Alex perguntou, levantando as sobrancelhas.
— Você quer dizer Seul? – Disse Nishi, dando outra risada.
— Isso isso isso. – Respondeu Jeon, fazendo que sim com o dedo indicador. – Vamos jogar videogame?
— É claro, foi pra isso que trouxe meu Game Cube e 3 controles. Vou te fazer comer poeira no Mario Kart. – Riu Alex.
— Vai sonhando! – Pulou Jeon da cadeira e foi em direção a sala, instalando rapidamente o Game Cube na televisão e sentando-se de frente para o console. Alex e Nishi sentaram-se aos lados do guri, cada um pegando um controle.
Quem venceu a noite dos games foi Nishi, inesperadamente ela era melhor que os dois, deixando Jeon espantado e admirado.
— Você disse que não sabia jogar! – Reclamou após ficar em último lugar depois dela lhe jogar um casco azul e por fim acabar vencendo e ele ficando em último lugar.
— Eu aprendo rápido. – Disse Nishi empurrando seus olhos contra os olhos usando o dedo indicador e apertando o meio dos óculos, sorrindo e dando uma risadinha, Alex fora massacrado em todas as partidas também.
— Q-que tal Mario Party? – Disse Alex. Momentos antes do desastre acontecer, pois Nishi massacrou os dois ali também.
Mas apesar daquilo tudo, todos eles se divertiram bastante, Jeon embaraçosamente urinou em seus shorts e ele teve de tomar todo um novo banho, sozinho, claro e se trocar.
— Eu não quero falar sobre isso. – Grasnou um irritado e embaraçado Jeon.
— Calma, eu não ia falar nada. – Alex falou, com as mãos levantadas, as palmas pra cima. Nishi havia se afundado em livro coreano. Ela estava entendendo aquilo? – Mas já é hora de dormir, até já colocou o pijama.
O pijama em questão era um kigurumi que lhe cobria dos pés à cabeça, de girafinha ainda por cima, estava um tanto frio naquele dezembro já.
— Boa noite, guri. – Alex disse na porta de Jeon após o garoto se deitar e Alex cobri-lo.
— Promete que não vai me esquecer? – Jeon disse repentinamente, o que fez Alex abrir um tanto a porta e entrar novamente no quarto.
— Como poderia te esquecer? Mas olha... Eu quero que você tenha... – Olhou para a janela e apontou. – Mais atenção com janelas... Nada mais de se esticar pra fora, não é assim que vai ficar conhecendo pessoas novas. – Riu.
— Eu prometo então... Se prometer nunca me esquecer. – Jeon disse, sorrindo e dando uma risadinha mas depois o sorriso diminuindo um pouco.
— Eu prometo nunca te esquecer. – Falou Alex, sentando-se na borda da cama. – Você é meu melhor amigo.
Jeon sorriu, sentou-se na cama e abraçou Alex, escondeu o rosto no peito do maior e Alex pôde ouvir um choramingo, o que fez Alex apertar os lábios, a segurar lágrimas também. Passou a mão nos cabelos negros do garoto.
O menino Jeon foi para Coréia de Sul e com sua promessa de voltar para lá assim que tivesse dinheiro o suficiente, prometeu deixar seu cofre de porquinho bem gordinho para isso. Alex despediu-se com uma lágrima nos olhos.
Ao chegar em casa, recebeu um telefonema avisando que Chris estava no hospital da cidade, Alex foi correndo sem conseguir mais informações, eis que lá descobre que Anne estava em trabalho de parto, logo naquele dezembro, onde árvores de natal já estavam enfeitadas e luzes natalinas faiscavam nos jardins de quase toda a cidade.
Chris estava num misto imenso de ansiedade, felicidade e agonia.
Alex chegou lá no hospital e Chris estava numa das cadeiras, acompanhado dos pais e dos pais de Anne, inclinado pra frente, olhando fixo para o chão e a mão fechada em punho e a boca aberta, mordendo a mão fechada, distraído, pensativo, Alex se sentou ao lado dele e Chris olhou para Alex, com seus olhos brilhantes lacrimosos.
— Você veio... Eu não conseguiria... Alex... O que fiz... Eu to... Eu não sei... – Gaguejou Chris, que se ajeitou em direção a Alex, que colocou as digitais nos lábios do rapaz para ele parar e sorriu.
Bem na hora então, o médico foi dar a notícia: Ela dera a luz à um saudável menino. Chris se levantou na hora e foi correndo até lá, deixando Alex na cadeira, confuso, se sentindo estranho. Alex se levantou e foi até a porta do quarto onde Chris estava e abriu-a um pouco, lá viu Chris sorrindo e lacrimejando, era possível ver a felicidade nos seus olhos, olhava para um pequeno bebê nos braços de Anne que também sorria.
— Meu Caleb. – Ouviu-o falar. Alex foi deixando a porta se fechar sozinha. Ele não fazia mais parte daquilo tudo. Andou pelo corredor, os pais de ambos passaram por ele, o Sr. Brown olhou para Alex e lhe deu palmadinhas nas costas, Alex olhou para o mesmo e sorriu, um sorriso triste e deixou o hospital.
As férias já logo haviam começado, Chris saiu da escola e foi direto trabalhar para sustentar sua nova família, eles passaram a morar na casa dos pais de Chris onde, surpreendentemente, o Sr. Brown era mais mãe e pai do que todo mundo daquela casa junto.
Alex ia para a coffee shop em uma noite, para poder escrever alguma coisa, fazer alguma coisa, tomar alguma coisa, para aliviar a mente, tentar novamente aliviar o coração.
Ele seguia o caminho cheio de neve onde seus passos se afundavam na macia camada do gelo muito fino, passou pela casa de Chris, onde parou, e olhou para a janela do hall e pôde ver o interior da sala, havia uma árvore de natal bem decorada, uma grande bola pendurada “O primeiro Natal do bebê” e uma foto do menino Caleb, que era tão fofo quanto seus pais, e pôde ver Chris sentado com seu filho nos braços, estava brincando com ele de aviãozinho e viu que a mãe do mesmo deu um tapa na nuca dele, repreendendo-o pela brincadeira perigosa para um bebê ainda, Alex abafou um riso. Chris olhou para a janela e Alex sentiu seu olhar se repousar nele o que fez arregalar os olhos.
O rapaz se levantou de sua poltrona e foi até a porta, abrindo-a para se encontrar com nada além de neve caindo.
Alex se abrigara atrás de um banco de neve, nervoso, ofegante, esperando a porta se fechar, de ouvir o barulho dela. Aconteceu. Alex se levantou e deu de cara com Chris.
— Alex. – Emitiu um som similar a isso, o Chris.
Alex deu um pequeno sorriso.
— Chris... F-Feliz Natal. – Disse estendendo a mão.
Chris olhou para a mão enluvada do mesmo e olhou para Alex novamente e apertou os olhos um pouco.
— Me perdoe. – Chris disse, dando uma gaguejada.
— Não há o que perdoar... E nem o que você pedir perdão... Você é muito corajoso, sabe... E muito digno... Assumiu... Não correu... Eu vi. É um paizão. – Sorriu Alex. Ele quis dizer mais que aquilo, ele queria dizer que embora doesse em seu coração, estava feliz que Chris estivesse feliz. – Então... Você e Anne, né... ?
Chris assentiu, colocou as mãos nos bolsos do moletom.
— É... Bem... Realmente... Hm... Bissexuais existem, sabe? – Ele deu um risinho, levantando uma sobrancelha e então ficou sério. – Eu nunca quis quebrar seu coração... Eu queria ele pra mim.
— Eu devia ter te dado... Sim... Mas agora já foi... Eu quero que seja muito feliz. Muito muito muito feliz e... Você está ficando azul. Vá pra dentro. – Disse Alex depois de ver Chris começar a tremer pelo frio.
— Eu vou... Alex... Eu também... Quero que seja muito feliz... – Chris começou a falar e ouviu um chorinho de criança, automaticamente se virou. – Eu vou... Precisam de mim... A minha miniatura, sabe? A gente se vê, e... Feliz Natal.
Alex balançou a cabeça positivamente e Chris se virou, correndo para dentro da casa e vendo-o se ajoelhar junto à Anne e Caleb e passar a mão sensivelmente na cabeça do bebê que chorava.
Foi a última vez que Alex viu uma bela olhada em Chris.
Seguiu seu caminho, enquanto anoitecia cada vez mais e só o que ficava mais em evidência na noite eram as luzes de natal que piscavam vigorosamente nos jardins daquela pacata vizinhança.
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