Love Audit
3 Divertido e ESCROTO
Não preciso imaginar
Porque sei que é verdade
Eles dizem "todos os bons garotos vão para o céu"
Mas os garotos maus trazem o céu até você
É automático
(Heaven/Julia Michaels)
Ele simplesmente é um cretino, como várias pessoas já me disseram. Uma hora ele é gentil, outra hora age igual um desgraçado arrogante?
Chego na minha sala. E minha mesa estava organizada com as minhas coisas e o meu computador.
Lá havia uma outra mesa, e era a mesa de um antigo chefe meu, um outro desgraçado por sinal. Osvaldir. Uma cobra. Ele simplesmente prometia coisas e não cumpria. Fazia discórdia entre a equipe. Era simplesmente um inferno trabalhar com ele. O famoso passivo agressivo, diferente do Caio que era “somente” agressivo. Não tenho sorte com patrão, é impressionante.
No primeiro dia resolvi buscar ajuda da Andreia. Ela era a antiga assistente do cretino.
Dessa vez, para minha sorte, ela é muito mais compassiva que o cretino.
Hoje completei duas semanas desde que comecei a trabalhar para o desgraçado. E nessas duas semanas, desde a última grosseria do primeiro dia, não tenho visto Caio. Graças a Deus.
—Você vai entrar no sistema e procurar pelo arquivo, depois só passar pro excel.
—Ah, entendi. Até que é simples.
—É sim. — Sorriu de leve.
—Você trabalhou muito tempo pra ele?
—Olha.. Até que nem tanto tempo assim. Quase três anos.
—Ah, eu acho bastante tempo pra aguentar. — Digo ironizando.
Sorriu, mas ao mesmo tempo me olhando confusa. — Como assim?
—Nada não, deixa pra lá. — Sorri, tentando disfarçar. — Aqui é a mesa do Osvaldir?
—Era.
—Ele não fica mais aqui?
—Não… Ele tá ficando em outra sala agora, até que perto da sala do Caio… Mas ele tá ficando no térreo.
—Nossa, que bom que o Caio falou pra eu não ficar indo lá, vai que eu encontro o Osvaldir por lá.
—É realmente… O Osvaldir é um caso complicado. — Riu.
— Um caso complicado é eufemismo. Ele é um arrombado mesmo.
Riu. — Fala baixo. Esse povo escuta tudo.
—Eu quero que se foda. Um dia ainda vou falar isso na cara dele. Ele é um desgraçado mesmo. Me maltratou muito já.
—Não só você viu… Também tenho vontade de fazer isso. Ele não sabe tratar bem as pessoas.
—Que bom que você concorda, porque tem gente que fala que é implicância. — Falo, olhando para a tela do meu computador.
—Que nada! Ele é isso mesmo e muito mais. O pessoal aqui deu graças a Deus depois que ele mudou de sala.
—E agora fui eu quem deu graças a Deus. Imagina trabalhar do lado do diabo?! Deus me livre. — Observo uma mensagem via teams chegando no meu e-mail. Abro o Teams e vejo uma mensagem de Caio. Ele dizia que queria me mostrar um produto.
—Dreia… Eu vou ter que dar uma fugida.
—O chefão?
Concordo com a cabeça, pressionando os lábios, demonstrando tensão.
—Vai lá então… Qualquer coisa que você precisar é só me chamar, tá?
—Olha que eu vou chamar mesmo, viu. — Sorri, me levantando, fechando o notebook e colocando ele debaixo do braço.
Nós duas saímos juntas da sala, só que ela voltou para sua sala, e eu fui percorrer a maratona que era o escritório do cretino.
Minhas pernas já estavam cansadas de tanto andar, até que finalmente vi a entrada que dava para as salas dos chefoẽs. No caso, do Caio.
Subi aquelas escadas, ofegante.
A porta dele estava entreaberta, então apenas bati para anunciar a minha chegada, e simplesmente entrei.
Ele estava sentado em sua cadeira, mas estava largado, com os pés na mesa.
Ao me ver, em um ato, talvez de susto, tira rapidamente os pés da mesa, estremecendo na cadeira, quase caindo.
Nesse momento, uma risadinha sincera escapou dos meus lábios.
—Você demorou tanto que até esqueci que tinha te chamado aqui. — Disse, um pouco carrancudo.
—Se a sua sala não ficasse tão longe, teria chegado antes. — Mantive o sorrisinho, me divertindo com a situação.
—Na próxima reunião com o dono, vou sugerir um Blest, aqueles carros elétricos do projac da globo, só pra Amanda não ter que andar e não chegar atrasada quando eu chamo pra vir na minha sala. — Retribuiu o sorrisinho.
— Seria uma boa. — Ergui as sobrancelhas, rindo pelo nariz. — O que você quer me mostrar?
— Eu quero te mostrar um produto.
— Qual exatamente?
— Na verdade, é um cliente.
— Nossa, você chama os clientes de “produto”. Não quero nem imaginar como você chama os seus funcionários pelas costas.
— Normalmente eu me refiro à vocês como escravos. — Riu de leve.
Ri de leve.
Ele parecia um pouco mais simpático.
— Vamos?
Concordo com a cabeça.
Ele se levanta da sua cadeira, evidenciando o quão alto aquele homem era.
Nós dois descemos as escadas, ele desceu na minha frente.
Estávamos indo em direção ao estacionamento.
— Achei que o “produto” estava aqui na empresa. — Disse, demonstrando estar um pouco surpresa em minha fala.
— Não… Vamos visitar ele.
— E onde fica?
— Não é tão longe assim não, uns 25 minutinhos de carro.
— Ah, que bom.
— “Que bom”? Por quê? Não quer ficar muito tempo do meu lado não? — Perguntou, um pouco desconfiado, mas com um pouco de humor.
— É isso mesmo.
Ele arregalou os olhos, sorrindo.
Sorri. — Não, é que eu só não gosto muito de ficar presa dentro de carros/ônibus, ou qualquer tipo de transporte. Às vezes fico um pouco enjoada.
— Só espero que você não vomite no meu carro. — Rio pelo nariz, debochando.
— Eu também espero. Mas não vou me esforçar pra não vomitar. — Disse, entrando no carro. O carro era um tanto alto. Tive que praticamente escalar para entrar.
— Se você vomitar, te largo no meio da estrada. — Sorriu diabolicamente.
Deu partida enquanto eu colocava o cinto.
— Você não teria coragem. — O desafiei.
— Não me provoca.
— Nossa, que medo.
— Isso dá justa causa. Dano aos bens materiais do seu chefe.
— Eu acho que posso pagar pra ver.
Olho para o lado e não consigo deixar de prestar atenção naquele homem. Ele ficava tão sexy dirigindo. Ele havia desabotoado dois botões de sua camisa azul marinho. Aquela cor parecia ser feita para ele.
O que ele tem de escroto, ele tem de beleza. Se bem que hoje ele não está sendo um escroto. Então estava liberado admirar sua beleza. Só hoje.
Ele estava dirigindo havia alguns minutos, então ponderei que estávamos chegando.
— Estamos chegando?
— Sim… Só mais cinco minutinhos.
— Qual o nome do produto?
— Ricardo. Montenegro. Ricardo Montenegro. Ele é um produto bem importante para a empresa.
— E por que você quer que eu conheça ele?
— Porque eu acho importante.
— E porque você acha importante?
Riu. — Eu só não posso achar importante?
— Acho que vou ter que me contentar com essa resposta.
— Sim. — Riu pelo nariz.
Caio estacionou o carro.
Escuto atentamente o carro desligando.
Ele desceu, e em seguida eu desci, pulando do carro para a calçada.
— Acho que quando a gente voltar, vou ter que te ajudar a subir. — Debochou.
— Não sei pra quê ter um carro tão grande. — Resmunguei, baixinho.
— Porque eu posso. — Me respondeu, me deixando constrangida.
Senti meu rosto corar.
Chegamos na recepção do prédio, e depois de nos apresentarmos, fomos em direção ao elevador.
Ele guiou o polegar ao botão de número 16.
Ao seu lado, olho para si e percebo ele olhando de rabo de olho para mim.
Novamente sinto meu rosto corar.
Ao chegarmos em frente a porta do cliente, Caio toca a campainha. Logo em seguida, a porta se abre.
Eles se cumprimentam, e Caio me apresenta cordialmente.
— Essa é a Amanda, minha assistente.
— Muito prazer. — Me cumprimenta, pegando em minha mão e levando até os seus lábios, beijando minha mão. Ou melhor dizendo, deixando minha mão molhada com aquela baba repulsiva dele.
— Aonde eu arrumo uma dessa pra mim? — Ainda segurando minha mão, Ricardo questiona ao Caio, como se minha presença não estivesse ali. Ou simplesmente não importava o suficiente para ele.
Puxo minha mão de volta.
Caio percebeu meu desconforto.
— Uma “dessa” não é pro seu bico.
— Poxa… — Finge decepção. Ele era estranhamente esquisito.
Entramos e Caio diz para mim ficar perto dele.
Concordo.
Sentamos lado a lado no sofá.
— Então… em relação a renovação do nosso contrato…
— Se você me der a sua assistente, com certeza vai acontecer. — Sorriu sacana, mas de um jeito feio.
Não consigo segurar, e deixo escapar um leve revirar de olhos. Foi o suficiente para Ricardo perceber.
— O que foi, bebê? Você não ia gostar de trabalhar pra mim?
— Certamente não. — Respondo, debochando.
Percebo que Caio havia soltado uma risadinha.
— Deixando a minha Amanda de fora… — Sorriu de leve. — preciso saber se vocês vão ter interesse em renovar o contrato.
— Infelizmente deixando a “sua” Amanda de fora, temos interesse em continuar com vocês.
— Isso é excelente!
— Vocês aceitam um café? — Um rapaz, provavelmente um estagiário, nos pergunta.
— Não, obrigado. — Caio disse.
— Eu aceito uma água, por favor. — Eu disse.
Concordou e saiu, sem ao menos perguntar como queria a água, se era gelada ou não.
— Vou contatar o nosso advogado para tratar dos detalhes.
— Aqui a sua água. — O garoto me entregou o copo.
— Obrigada. — Sorri.
Ele parecia nervoso.
— Perfeito! — Ricardo disse. — Espero que dessa vez a gente ganhe um brinde junto. — Disse olhando para mim.
Que homem nojento.
Após mais alguns minutos presa naquela conversa com aquele homem repugnante, finalmente meu chefe faz o sinal para nos levantarmos para irmos embora. FINALMENTE.
— Muito obrigado, Sr. Montenegro. É sempre um prazer fazer negócios com você.
— Eu que agradeço. — Se despediu com aperto de mão.
E novamente aquele homem pega minha mão para beijá-la.
— Espero vê-la novamente.
Tentei forçar um sorriso cordial. Mas como sou extremamente expressiva, devo ter falhado miseravelmente.
Ricardo nos acompanhou até a porta.
Quando finalmente me vi livre do olhar daquele velho, consigo respirar aliviada.
Descemos pelo elevador.
Até Caio quebrar o silêncio dizendo.
— Cobiçada…
— Assediada. — Faço uma ressalva.
— Peço desculpas por isso. Deveria imaginar que o Ricardo faria algo assim. É muito o estilo dele fazer esses comentários desagradáveis.
— Sem problemas. Já tive que aguentar coisas piores.
— PIOR QUE O RICARDO? — Caio indagou surpreso.
Aquiesci, rindo.
— Mas que merda.
Passamos pela recepção e fomos em direção ao estacionamento.
Abri a porta do carro, e após fazer isso, sou impedida de entrar ao sentir uma mão pesada na minha cintura. Me assusto ao ver que Caio me levantou com facilidade com um braço, me jogando para dentro do carro.
Ele bate a porta. Passa pela frente do carro, e finalmente entra.
Fico olhando para ele, indignada, com a boca entreaberta.
— Eu tava doido pra fazer isso. — Um risinho idiota escapara dos seus lábios. Sua voz soou divertida.
— Só… — Não completo minha linha de raciocínio. — Pra quê? — Digo, indignada.
— É divertido. Você é tão pequena, que seria saber se era possível colocar você dentro do carro. E É. — Sorriu igual a um idiota.
— Me lembra de passar no RH quando a gente voltar. — Minha voz soou debochada.
— Pode deixar.
Deu partida.
Quando estávamos chegando, Caio recebeu uma ligação. Ele parecia genuinamente incomodado. Pondero dizer que ele parecia irritado. Era coisa do trabalho.
Ao desligar, seu semblante havia se transformado. Voltou para aquele semblante de antes. Um semblante de escroto.
— Chegamos.
— Agora vou poder passar no RH. — Eu disse, sorrindo.
— Agora você vai poder voltar a trabalhar. — Disse, ríspido.
— Nossa…
— Manda um email para o Soares sobre a renovação do contrato do Ricardo.
— Ok, sem problemas.
— Se é “sem problemas”, por que ainda tá aqui? — Disse alterado. — Vai trabalhar. — Disse grosseiramente.
Fico confusa com a mudança repentina de humor dele.
Ele é esquisito.
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