Love As You Wish
21 Despedida
— 21 —
DESPEDIDA
HERMIONE POV
— Gina... — Eu dissera com voz chorosa. — Eu não vou conseguir.
— Escute bem o que eu vou te dizer, sim? Um: Você está maravilhosa. Dois: Você vai ao baile com o cara mais gato do lugar. Três: Esse cara tem uma queda, não... UM CAPOTE por você. Eu estou MANDANDO você conseguir, Hermione, porque não há motivos para que você não consiga.
— Fred convidou a Angelina para ir com ele. — Dissera com notável tristeza. Droga, por que havia de ter lembrado naquela hora?
— Não se preocupe, ele é um idiota. Já fazem quase três meses que você aceitou ir com o Viktor, que tal fazer ele ter a melhor noite da vida dele? Isso te inclui também, divirta-se. Você está linda.
— Obrigada Gina. — Eu a abraçara demoradamente.
— Não há de que. Agora, que tal descermos logo?
Gina havia encontrado Harry na beira da escada do dormitório feminino, uma digna cena de cinema. Na verdade, já fazia três meses que eu assistia aquela cena com grande dor no coração, sempre ali ao lado solitária. Não que Fred não houvesse tentado uma aproximação, porque ele realmente tentara, mas sempre do modo errado.
FLASHBACK
— Ei, Hermione. — Fred dissera em um sussurro.
Eu podia sentir ele parado atrás de mim, podia até mesmo imaginar a expressão marota no seu rosto, aquela que eu tanto amava. O sangue por um momento parou de circular pelas minhas veias e já não era possível sentir meu coração batendo mais. O que ele queria ali? Já havia passado três semanas que não conversávamos.
— Hm? — Limitei-me, sabia que se dissesse mais alguma coisa seria denunciada pela minha voz enfraquecida.
— Não está com saudades? — Era possível sentir os braços dele enlaçando minha cintura como ele costumava fazer sempre. Sim, eu sentia saudades, mas ainda estava magoada, então o afastara.
— Friedrich Weasley! — Resmungara irritada. — Você não pode chegar fazendo coisas com as pessoas como costumava fazer quando vocês estavam juntas! Cá entre nós, foi isso mesmo que fez com que nós estejamos separados hoje.
— Hermione, eu estou tentando me aproximar de você!
— Ah sim. Convidar a Angelina para o baile foi uma ótima tática de reaproximação. — Eu revirara os olhos em visível desgosto.
— Você aceitou ir com Viktor Krum. Tem noção de que nós somos rivais no quadribol? Ele está massacrando a Grifinória e você parece nem se importar com isso!
— Sim, eu aceitei. Sabe por que? PORQUE VOCÊ NÃO ME CONVIDOU! Estava ocupado demais com treinos de quadribol, artilheiras e qualquer outra coisa pra me convidar, não é? Tudo bem... Eu estou acostumada a ser sempre a última das prioridades, não se preocupe.
— Não é assim! Você está mudando a visão das coisas pra parecer que eu sou um monstro sem coração! — Ele me segurara pelos braços com certa força. Não para agredir-me, mas por sentir que eu o agrediria logo.
— Me solta, Fred! — Eu me debatera como era possível, já sentindo as lágrimas banhando o rosto. — Enquanto você continuar agindo desse jeito, NÃO CHEGUE PERTO DE MIM!
~
Realmente, ele não chegara até então e ali estava eu a observar enquanto Harry estendia o braço para uma sorridente Ginevra. Por fim, tornou-se notável que minha amiga estava lançando um olhar significativo para o namorado – sim, ele a pedira em namoro junto com o convite do baile.
— Vamos senhorita? — Harry dissera me estendendo o braço livre. Era um gesto admirável, mas não podia aceitá-lo. Aquela era a noite deles.
— Obrigada, Harry. Combinei de encontrar Viktor na entrada do salão, não se preocupe. — Mentira. Na agitação das coisas nós não havíamos combinado de nos encontrar.
Deixei então que meus amigos descessem as escadas à frente, só permitindo-me caminhar quando eles já sumiam ao longe. Eu não queria olhar para os lados e ter que sentir a tristeza no meu coração diante dos tantos casais que surgiam de mãos dadas pelos corredores. Até o horroroso Draco Malfoy, a pessoa mais sem-coração na face da Terra, estava sorridente ao lado de um par.
— Você está linda. — Uma voz dissera quando eu finalmente chegara ao pé da escada central. A cabeça baixa não me permitia encarar um rosto, mas o sotaque na voz era único.
— Obrigada Viktor. — Eu beijara-lhe a bochecha, sorridente. — Vamos?
— Claro. — O garoto rira para mim, oferecendo-me o braço tal como Harry havia feito para Gina. E lá íamos nós adentrando o salão. — As pessoas estão olhando para você. Até elas perceberam como você está incrível.
— Não é para mim, Viktor. É para você. — Sorrira nervosa. Era difícil manter-me tranqüila ao lado dele, o garoto era cativante demais.
— Sempre teimosa. — Ele revirara os olhos, divertido, levando-me para dançar.
A música era calma e havia diversos casais rodopiando o salão, o que tornava tudo maravilhosamente único. A decoração, as pessoas, o som... Tudo estava impecável. Felizmente, o húngaro à minha frente era adorável demais para que eu reparasse em qualquer outra coisa. Isso até o momento em que a música cessara.
Viktor me levara até um dos acentos disponíveis nas numerosas mesas em torno do salão. Ele me oferecera uma bebida e distanciara-se para pegá-la, no intervalo de tempo em que a pista se esvaziava e eu me preocupava em tentar encontrar Gina e Harry, que haviam combinado de encontrar-nos. A distração era ótima, mas aquilo não evitara que eu me chocasse com a visão de Fred e Angelina conversando em uma das mesas no lado oposto. Ele estava tão... Lindo.
— Hermione? — Viktor me chamara com doçura ao voltar, retirando-me de tais devaneios.
Apenas a presença de Viktor ali me trouxera à órbita novamente. Havíamos dançado, rido, se divertido de verdade. A noite parecia não ter fim para os quatro amigos. Eu por fim sorria sem a mágoa de ver Fred com outra pessoa. Ele, ao contrário do que eu pensava – segundo George que passara por ali -, estava a remoer-se de ódio e era frequentemente advertido por Angelina, que tentava de todo modo atrair sua atenção.
Quando a última música do baile tocara, eu fora levada até a torre da Grifinória por um amável Viktor Krum a desejar-me uma boa noite de descanso. Mal eu beijara-lhe o rosto, o dando um abraço, me encontrara com Fred do lado de dentro da sala comunal da Casa. Eu não estava pronta para aquilo.
— Até quando vamos fingir que não nos importamos e estamos bem com a distância? — Fred lhe dissera em tom sério. Aquilo era assustador.
— Até você perceber que sua convivência com a Angelina não é saudável para a minha sanidade. — Eu lhe respondera à altura, tentando passar para o dormitório feminino.
— Você quer que eu deixe o quadribol, então? — Ele me segurara pelo braço fazendo com que ambos nos olhássemos mais uma vez, após tanto tempo.
— Fred, eu estou cansada. Que tal deixar essa conversa pra amanhã?
— Ah sim, pra amanhã. Então você me evitará de novo.
— Eu não suporto ver você com a Angelina. Me irrita. Ela te devora com os olhos.
— Não é porque ela age assim que eu estou fazendo o mesmo, Hermione. Você sabe disso.
— Sim, eu sei disso. Você está certo. — Sorrira cínica. — De todo modo, me incomoda. Não tenho direito de me irritar com uma pessoa te cobiçando? Você pode se irritar com Harry, Ron ou Viktor!
— Eles são diferentes, você sabe disso.
— Oh sim, quanta diferença. Nenhum deles tenta me beijar a cada cinco minutos como Angelina faz com você! Eles são simplesmente meus amigos. Quer saber? Acho que você realmente gosta dela, deveriam ficar juntos já que você não vê problema.
— Você sabe que não é isso que eu penso, mas é você quem sabe, Hermione! Preciso ir. — Ele então a beijara à força, distanciando-se antes que ela pudesse dizer algo.
Mal ela pudera sentir o peso na consciência, Fred já atravessava para além da sala comunal para encontrar o irmão. Queria poder ir resgatar Harry com a mente tranqüila e o coração renovado, mas pelo visto aquilo levaria mais tempo. Ele estava torcendo para que tivesse esse tempo. Hermione continuava ali intacta, implorando mentalmente para que ele cruzasse aquela porta de novo e ela pudesse abraçá-lo demoradamente pedindo desculpas.
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