Love As You Wish
27 Bônus: Um Natal Weasley
Notas iniciais
— BÔNUS —
UM NATAL WEASLEY
Depois de todos os acontecimentos referentes ao declínio de Voldemort e sua morte, Hogwarts levou um longo tempo para ser restaurada, mas, com a ajuda de tantos bruxos magníficos que ali já haviam estudado algum dia, tudo pôde se concretizar de acordo com os planos. Assim, muitos alunos retornaram para seus respectivos anos letivos e, é claro, Hermione Granger estava entre esses alunos.
“Não acredito que você não vai voltar para terminar seus estudos”, ela escreveu em um pedaço de pergaminho. Era final de semana, portanto, não haviam aulas a se freqüentar e isso lhe dava um grande tempo vago para poder trocar aquelas corujas com seu amado Fred Weasley. Que ele não estivesse muito interessado em falar sobre um nada possível retorno seu a Hogwarts, era apenas um detalhe.
Olhando para a coruja que esperava na janela por sua próxima entrega, Hermione sentiu um pouco de remorso. O pequeno animal já fizera tantas idas e vindas que deveria estar exausto, mas negava-se a parar quando havia trabalho a ser feito.
— Te recompensarei mais tarde – ela murmurou para a coruja, acariciando sua cabeça com a ponta de um dos dedos.
O animal pareceu gostar do afago, cerrando os olhos por alguns minutos até que findasse. Assim, recebeu o pergaminho com satisfação e pôs-se a seguir seu caminho.
Já fazia algumas horas que Hermione estava naquele debate com Fred. Se pensasse bem, aliás, fazia semanas, meses. Desde que a notícia da reconstrução de Hogwarts chegara até ela através de Arthur Weasley, ela se sentira aliviada por poder terminar seus estudos e imaginara que seu namorado também se sentiria satisfeito com isso. Afinal, era totalmente compreensível que tivesse abandonado Hogwarts ao lado do seu gêmeo por conta dos abusos de poder de Umbridge; porém, negar-se a retornar quando tudo já estava bem não era algo que Hermione conseguiria compreender com facilidade.
Pelo que via nas corujas de Fred, as coisas estavam indo realmente muito bem na loja que ele e George montaram: a Gemialidades Weasley. Os logros estavam sendo criados em um processo em série, o local ficara magnífico com a ajuda de Molly e os clientes apareciam em grandes multidões todos os dias. Principalmente em tal momento, quando outubro já estava acabando, dando lugar a novembro e aos presentes comprados com antecedência para o Natal. E isso tudo parecia fazer parte da desculpa de Fred para não retornar a Hogwarts, julgando que seu auxílio era indispensável na loja em tal momento.
Quando a coruja retornou de sua entrega, algum tempo depois, trazia um novo pergaminho de Fred, que dizia: “Hermione, por favor, não pense que não gosto mais de Hogwarts tanto quanto antes ou que não quero estar aí ao seu lado. Você me conheceu bem em todos esses anos e sabe que meu sonho sempre foi trabalhar com logros, o que consegui agora com muito esforço. N.O.Ms e N.I.E.Ms não me são mais necessários, mas admiro que você tenha retornado para tirar as melhores notas que Hogwarts já teve nesses dois exames patéticos. Você conseguirá realizar seus sonhos também, com eles, seja lá quais forem. Força, minha garota. Logo chegará o natal e estaremos juntos para que eu possa lhe contar uma boa surpresa. Fred”.
Diante do anúncio de que Fred tinha uma surpresa a lhe contar, Hermione começou a contar os dias para o Natal com uma ansiedade absurda. Os últimos dias de outubro passaram em câmera lenta diante dos seus olhos, mesmo com todas as tarefas a que se dispunha além das aulas convencionais, fazendo também aulas extras e sendo calorosamente nomeada como monitora-chefe de Hogwarts pela Grifinória.
Já não haviam muitos amigos com quem estar, visto que nem mesmo Ron, Harry ou Gina haviam concordado em retornar. Estavam todos com seus almejos conquistados – Harry e Ron trabalhando no Ministério, como Aurores, e Gina atuando como correspondente do Profeta Diário na sessão sobre quadribol e outros esportes mágicos –, de modo que voltar parecia apenas uma bobagem sem sentido. Para Hermione, porém, fazia todo sentido. Até mesmo porque ela tampouco decidira qual carreira seguir.
Quando o vinte e quatro de dezembro chegou, a grifa colocou um imenso sorriso no rosto. Isso significava alguns dias de férias até o começo de janeiro, dando-lhe uma oportunidade de rever os amigos e o namorado.
Assim que o Expresso de Hogwarts parou na plataforma 9 ¾ em Londres, fazendo seu sinal ecoar por todo o lugar ao mesmo tempo em que a fumaça inundava o céu, Hermione desceu com seu malão e Bichento, procurando por qualquer vislumbre de cabelos alaranjados. “Se esqueceram de mim”, ela pensou consigo mesma. Porém, para sua alegria, Fred foi quem lhe achou, chamando-a de seu lugar alguns passos atrás de si.
Ver Fred depois de tanto tempo fez Hermione se sentir revigorada. A cada dia que se passava ela tinha mais e mais certeza de que tudo o que fizera e todo o tempo que esperara valera a pena para viver um momento tão mágico de reencontro como aquele. Quando ela já estava completamente próxima, Fred a fez soltar o malão e acomodar Bichento em um lado do corpo para que pudesse lhe dar um abraço apertado. Ele inspirou o perfume dos cabelos dela como há meses não fazia e praguejou mentalmente por tê-la deixado retornar a Hogwarts por mais um ano.
— Senti saudades – ela sussurrou. Sua cabeça estava repousando na curvatura entre o ombro e o pescoço de Fred, e ela podia escutar seu coração batendo rápido.
— É claro que sentiu. Você me ama, Hermione – ele respondeu, sem perder a oportunidade de querer ser engraçado. – E eu também amo você. Tem sido difícil essa distância.
Hermione se afastou lentamente e o olhou nos olhos. Sim, a distância estava sendo ruim para ambos, mas tinha um bom motivo para sê-lo. E só duraria mais alguns meses, felizmente.
— Você disse que tinha uma surpresa para me contar.
Fred balançou a cabeça negativamente.
— Apenas quando chegarmos a Toca – ele a advertiu, pegando o malão dela e indicando que prosseguissem. – Vamos, senhorita Granger?
Assim que deixaram a plataforma e se viram em um lugar salvo de olhos curiosos, Fred embalou Hermione pela cintura com uma das mãos e deu um olhar de desculpas a Bichento antes de aparatarem. Animais não costumavam gostar muito da sensação que isso causava, mas, sinceramente, Fred também não gostava muito. Lugares muito distantes sempre acabavam lhe dando vertigem.
O enjôo da aparatação pareceu mínimo, entretanto, quando Fred viu o rosto de Hermione iluminar-se com as boas vindas. Ele havia aparatado com ela em frente a entrada da Toca e ali estavam todos os seus amigos Weasley a dizer-lhe boas vindas com uma grande faixa flutuando sobre suas cabeças e os famosos fogos de artifício da Gemialidades.
— Oh, Hermione querida! – Molly gritou animadamente. Muito antes que a garota pudesse imaginar se mover, a matriarca Weasley lhe agarrou com os braços em um abraço apertado. – Que bom que você veio! Fred estava tão apreensivo que não tem dormido direito há dois dias ou três dias.
— Mãe! – ele reclamou, revirando os olhos. Hermione riu disso. – Agora vá, deixe Hermione respirar um pouco e dizer olá aos outros. Não quero vê-la ficar roxa por conta desse seu abraço de urso.
Meio a contra-gosto, Molly a soltou e assistiu as boas vindas que eram dadas pelos outros. Já estava quase na hora do início das comemorações natalinas dos Weasley, então não se demoraram muito, visto que a Sra. Weasley podia ficar realmente irritada com atrasos para a ceia.
Quando todos ocuparam suas cadeiras, Arthur começou a dizer:
— Este é o dia de agradecermos a Merlin e Morgana por todas as coisas boas que nos aconteceram nesse ano. Eu agradeço por Molly ser a melhor esposa que alguém poderia ter – ele disse, fazendo a Sra. Weasley corar do seu lugar. – Agradeço a Harry por fazer Gina tão feliz. Agradeço também por Ron estar tão feliz com a promoção que recebeu no emprego e pela loja dos meninos estar indo tão bem – “Mas é claro que é um sucesso”, George argumentou. – E, finalmente, agradeço a Hermione por ter se juntado a nós hoje. É muito bom tê-la de vez em nossa família, querida.
Então foi a vez de Hermione corar, apertando a mão de Fred por baixo da mesa. Ele lhe lançou um olhar reconfortante, sentindo-se feliz.
— Antes que acabarmos os agradecimentos, eu tenho algo a dizer – Fred pigarreou, atraindo a atenção de todos. Ele se levantou da sua cadeira e levou as mãos aos bolsos em uma expressão de nervosismo. – Como todos sabem, Hermione retornou a Hogwarts para terminar seus estudos. Como já era esperado da bruxa mais inteligente desse século, minha garota foi nomeada monitora-chefe.
— Parabéns Mione! – Gina exclamou em meio a palmas.
— Isso é ótimo – Harry concordou.
— Sempre soube que isso acabaria acontecendo – Ron acrescentou, recebendo olhares de advertência de todos os presentes. – Ei, isso é bom! Estou dizendo que sempre acreditei no potencial da Hermione, oras.
Balançando a cabeça, Fred prosseguiu:
— Mas enfim, o ponto não era esse. O que eu realmente queria dizer é que esses meses de distância, ainda que três pareça um número tão pequeno, foram muito difíceis. George sabe o quão desanimado andei por esses dias e o agradeço por ser um irmão tão compreensível – George levantou sua taça rapidamente, em agradecimento pelo elogio. – Então eu tomei uma decisão importante. Creio que inconscientemente já a tinha tomado muito antes, mas que agora se tornou clara.
Assim, ele pegou a mão de Hermione e a conduziu a levantar-se também. A garota se sentiu desconfortável e apreensiva por não saber o que estava prestes a acontecer.
— Hermione, nossa distância nos últimos tempos me fez perceber que eu te amo como nunca amei ninguém. É você, e apenas você, que eu quero ao meu lado para sempre – um fungado de Molly se fez ouvir, denunciando que começava a chorar emocionadamente. – Não quero considerar a hipótese de passarmos nossas vidas separados.
Hermione estava paralisada. As palavras de Fred estavam vindo do fundo do seu coração e isso era ainda mais tocante vindo de alguém que estava sempre a brincar com as coisas. Quando ele finalmente tirou as mãos dos bolsos, trouxe em uma delas uma caixinha preta de veludo que cabia na palma da sua mão. Ele a conduziu mais perto da garota, deixando que todos pudessem vê-la, e a abriu devagar. Ali dentro estava um anel magnífico.
— Se case comigo, Hermione – ele pediu, sentindo dentro de si o medo de receber uma resposta negativa. Estava se apressando, sabia disso, mas seu coração lhe dizia que a decisão já estava tomada e que era a hora. – Por favor, se case comigo.
Hermione continuou estática por mais alguns minutos, fazendo crescer a ansiedade na mesa de jantar. Quem a acordou dos tantos devaneios foi Gina que murmurou um “diga sim!”.
— Eu aceito – Hermione disse por fim, fazendo aplausos e assovios eclodirem pela mesa. Molly e Arthur também se levantaram e, dando as mãos, fizeram uma pequena dança de comemoração à lá anos oitenta.
Quando Fred colocou o anel de noivado em seu dedo, ela sentiu que as coisas realmente estavam se saindo muito bem para ela, afinal.
— Obrigada – ela o abraçou demoradamente.
Entre beijos, declarações de amor e comemorações, aquele certamente foi o melhor natal de todos.
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