Love As Sick
4 Esconda seus problemas
Notas iniciais
Corredores e mais corredores, era tudo que eu via enquanto Jake me levava pra sei-lá-onde. Às vezes ele se virava e sorria pra mim, o que me amolecia temporariamente, mas eu logo voltava a ficar perdida e emburrada...
– Chegamos! — anunciou.
O lugar parecia o salao de visitas de um asilo para idosos, chão encarpetado, tapetes, sofás e mesas para jogos de tabuleiro e cartas. Eu olhei pro Jake — que aliás estava ao meu lado, o que fazia com que eu parecesse uma anã — procurando uma explicação do porque ele havia me trazido aqui, ele sorriu ao me encarar.
– Achei que deveriamos conhecer quem mora aqui, já que teremos que conviver com eles mesmo...
Ele caminhou em direção a um canto da sala após dizer isso, olhei em volta e vi um grupo reunido ao redor de outro gigante — todos aqui tinham que ser tão altos? — que parecia estar contando algo para eles; então já que eu não iria falar, iria ouvir...
– Estavamos a ponto de vencer e eu precisava marcar um Home Run... — ele dizia quando me aproximei trazendo uma cadeira — E quando percebi que ele se preparava pra lançar a bola eu fechei os olhos e me concentrei, quando os abri novamente ele já se enclinava para lança-la. Eu apertei o bastão entre minhas mãos e tudo correu muito mais rápido do que eu podia acompanhar, num segundo a bola estava a centímetros do meu bastão e no outro ela se afastava enquanto os telões piscavam as palavras "HOME RUN" em letras coloridas. Os jogadores invadiram o campo e todos pulavam ao meu redor, foi então que eu a vi no meio da arquibancada; nossos olhos se encontraram e nos sorrimos um para o outro, e foi então que eu soube que ela era a mulher perfeita...
Todos os olhares se voltaram em direção a loura sentada ao lado dele, os dois sorriram um para o outro — assim como ele havia dito — e então ele a beijou. O beijo foi embalado por um coro de "OWNs" e depois aplausos. Todos perceberam que a hsitoria havia acabado e comecaram a se retirar, eu me levantei para fazer o mesmo e peguei a cadeira para levar comigo, mas quando girei a cadeira acertei a canela do tal jogador que rapidamente começou a gemer...
– O que pensa que está fazendo?! — esbravejou e eu dei um pulo.
Seus olhos transbordavam raiva e eu tentei abrir a boca pra pedir desculpas mas não consegui emitir nenhum som, ele caminhava na minha direção e quando retomei o controle dos movimentos dei um passo atras. Péssima ideia! Eu tropecei na cadeira e cai, os olhos dele estavam inflamados de raiva e parecia que iriam explodir a qualquer momento, quando ele estendeu os bracos na minha direção eu fechei os olhos mas quando percebi estava sendo erguida do chao e me colocaram de pé. Abri os olhos e dei de cara com as costas de Jake, enclinei-me um pouco para ver o que estava acontecendo...
– Saia da minha frente! Meu problema é com ela!
– E por que não resolve comigo? Tem medo de enfrentar alguém do seu tamanho?
– Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito?!
– Jacob Black, e quem você pensa que é pra falar com ela desse jeito?
A essa altura vários internos ja haviam se reunido ao redor da confusão, mas os dois pareciam nao se importar...
– Emmett, o famoso jogador de baseball e o cara que ela acertou com uma cadeira! — esbravejou e entao ele empurrou Jake para o lado.
Foi então que comecou a briga, Jake — que por sinal era tão grande quanto Emmett — o empurrou de volta e os dois começaram a distribuir socos enquanto eu me desesperava sem saber o que fazer, foi então que notei que a loura estava sentada no sofá e parecia não perceber o que acontecia ao seu lado. Que tipo de doença poderia fazer uma coisa dessas?!
Então dois enfermeiros despontaram por entre a multidão e tentaram apartar a briga, Emmett ainda estressado desistiu de lutar em pouco tempo — talvez porque estava perdendo — mas Jake se soltou do enfermeiro e saiu correndo. A muito custo eu o segui pelos corredores do hospital, ele atravessou a gramado do jardim e correu para a floresta, eu continuava a segui-lo e percebi, brevemente, que tudo escurecia ao meu redor conforme eu avançava...
Encontrei-o em uma clareira, encolhido e apoiando a cabeça nos joelhos, então me sentei ao seu lado e o silêncio se manteve...
– Sabe por que eu fui internado aqui? — perguntou encarando o vazio entre as árvores do outro lado da clareira.
Movi a cabeça negativamente e ele só olhou pra mim pra saber a resposta.
– Eu não controlo minha raiva... — ele suspirou e se deitou na grama — Duas semanas antes de de me internarem aqui um cara me provocou e nos brigamos, se alguns dos meus amigos nao estivessem lá nao imagino o que poderia ter acontecido. Eu prometi a mim mesmo que não perderia o controle de novo, mas quando vi aquele cara te ameaçando...
Ele apertou as olhos antes de continuar.
– Não queria que você visse aquilo... — ele suspirou ao terminar.
Demorou algum tempo ate que ele abrisse os olhos, quando olhou pra mim eu abri um sorriso pequeno e tímido que traduzia meu agradecimento, ele sorriu de volta a eu me deitei ao seu lado para que nos dois pudessemos observar as nuvens...

***
Eu passeava pelos corredores novamente — algo que já estava se tornando tedioso — e passei em frente a um quarto que tinha a porta entreaberta, eu tentei resistir a tentação e seguir em frente, mas a curiosidade foi mais forte eu entrei. Logo notei a diferença entre esse e os outros quartos do hospital, as paredes eram coloridas, assim como o armário, as cortinas, e a colcha sob a cama, depois ouvi algo que parecia um solo de guitarra e a porta do banheiro se abriu...
– AI-MEU-DEUS! — a garota exclamou deixando o secador de cabelo cair.
Antes que eu pudesse me explicar ela segurou meus ombros e me colocou sentada na cama.
– O que está fazendo?
– Vou dar um jeito em você! — foi tudo que ela disse e eu não me atrevi a perguntar mais.
Depois de revirar o armário inteiro ela puxou uma blusa azul com alças detalhada com renda preta, colocou-a nas minhas mãos e me empurrou até o banheiro, fechando e trancando a porta. Eu me olhei no espelho gigante que o banheiro ostentava, não estava tão mal assim — jeans, rabo-de-cavalo e um moletom velho para encobrir o gesso — então porque tanto desespero com minha aparência? Mesmo assim vesti a blusa, mas ao abrir a porta me deparei com a "fadinha" segurando um kit completo de maquiagem...
– Ah não! — reclamei.
– Por favor... — ela implorou e fez uma cara de cachorrinho que caiu da mudança, suspirei.
– Só não exagere!
Ela deu um gritinho e começou a pular enqunto batia palmas, me empurrou até a cama e eu fechei os olhos. Quando ela me avisou que eu podia abri-los eu corri para me olhar no espelho perto da cama, o efeito não ficou ruim — base e sombra leves, rimel, gloss, lápis, unidos ao meu cabelo solto — mas dei um pulo quando bateram na porta, ela foi atender enquanto eu analisava meu reflexo...
– Você está linda!
Meu rosto ficou branco com o susto, mas quando percebi que ele me admirava meu reflexo pelo canto do espelho minhas bochechas ferveram, então decidi me virar.
– Fiquei bem mesmo? — eu ainda duvidava do resultado, principalmente pelo gesso exposto que ia até meu cotovelo.
Ele deu um sorriso torto e acenou com a cabeça, foi então que a fadinha entrou correndo no quarto — eu nem percebi que ela havia saido — e parou subitamente para encarar Edward.
– Saia da minha cama agora! — ela rosnou.
– Desculpe! — disse erguendo as mãos em defesa própria — E que a cama de um anão e tão pequena que parece até um banquinho...
Ela deu língua pra ele e me estendeu um par de saltos agulha pretos com um lacinho enfeitando a lateral.
– Use esses aqui! — disse.
Eu peguei os sapatos e olhei pra Edward pedindo ajuda.
– Alice? — chamou, então eles se conheciam?! — Acho que Bella não gosta desse tipo de sapatos...
– E quem é você pra dar palpite? — retruncou — Bella por favor! E um presente!
Ela fez aquela cara de cachorrinho de novo e eu tentei resistir — Juro que tentei! -, mas por fim acabei cedendo.
– Tudo bem... — suspirei — Eu uso...
Ela deu um grito tao agudo que Edward e eu pulamos de susto. Enquanto eu colocava os sapatos ela deu uma desculpa — muito suspeita! — e saiu do quarto, antes de fechar a porta eu a ouvi dizer:
– Deus me livre de ficar segurando vela!
Eu rolei os olhos e lentamente girei ate ficar de frente pra Edward, ele estava encostado na parede ao lado da porta e levantou um pouco a cabeça para olhar pra mim, eu sorri e comecei a andar em sua direção a passos lentos, eu estava na metade do caminho quando meus pes bambearam e eu perdi o equilíbrio. Edward correu na minha direção e me segurou, impedindo minha queda, eu olhei pra cima e o vi sorrir. Nossos rostos estavam a centímetros de distância e eu prendi meus olhos aos dele, nunca os vira tão de perto...
Foi então que eu acordei do transe e senti minhas bochechas queimarem, me esforcei para chegar ate a cama de Alice pra entao tirar os sapatos e ir em busca dos meus.
– Onde Alice pode ter escondido meus sapatos? — pensei em voz alta enquanto checava embaixo da cama.
– Não tenho ideia! E isso que você esta procurando?
Assenti e fui ate o banheiro: vazio!
– Tente o o armário! — sugeriu e se sentou novamente na cama de Alice.
– Vazio! — disse após revirar as prateleiras e gavetas.
Me sentei ao seu lado e depois joguei meu corpo pra trás enquanto fechava os olhos e bufava, senti o espaco ao meu lado afundar...
– Quer voltar pro seu quarto?
– Quero... — gemi — Mas não quero recolocar esses sapatos...
– Você pode ir descalça! — sugeriu.
Eu abri os olhos assustada para encara-lo, ele apenas encarava o teto.
– Você é maluco ou o que?! Nunca se anda descalço em um hospital! Nunca!
– Por que não? — perguntou, era gozação?
Ele riu e eu me enfezei.
– Eu sei! — disse, finalmente me olhando com um sorriso — Eu só queria ver a sua reação...
Ele começou a rir e eu fingi estar com raiva enquanto lhe dava um "soco" no braco, mas logo me rendi e apenas lhe dei língua e cruzei os braços. Quando ele finalmente parou de rir, ele respirou fundo e se levantou estendendo a mão pra mim logo em seguida.
– Eu te ajudo a ir ate lá. — disse — Coloque os sapatos e eu te seguro pra que você não caia...
– Tem certeza? — indaguei um tanto preocupada.
Ele assentiu.
Eu me sentei e coloquei os sapatos, finalmente levantei da cama e abri os braços assim que senti os pés vacilarem. Edward me segurou pela cintura e quando o encarei ele abriu um sorriso que fez minhas bochechas formigarem...
Andamos pelos corredores e eu contei quinze possíveis quedas antes que alcançássemos a metade do caminho, depontamos num dos corredores principais e estavamos dele quando um eu finalmente perdi o equilíbrio totalmente. Edward não conseguiu me segurar e eu apenas fechei os olhos me preparando para o baque, porém quando percebi que alguém havia me segurado, só então abri os olhos e Edward estendeu a mão para que eu ficasse de pé...
– Obrigado por segura-la! — Edward agradeceu e segurou minha cintura para impedir outra possível queda.
– Não foi nada! — ele sorriu — Mas acho que você deveria tomar mais cuidado pra que ela não acabe derrubando alguém da proxima vez!
– Foi culpa desses sapatos! — me defendi — Era isso ou andar descalça!
Os dois riram e só então percebi que havia alguém atrás dele e sorri para a menina, ela sorriu de volta timidamente.
– Aliás, meu nome é Jacob! — ele puxou a garota e colocou o braço ao redor de seus ombros — E essa é a Renesmee!
– Edward e Bella! — Edward respondeu por nós dois e sorriu pra Renesmee — Olá! — disse com um pequeno aceno que ela retribuiu para logo encarar o chao.
– Sabia... — eu sorri pra ela — Que eu quase derrubei o Jacob por causa disso?
Eu apontei para os sapatos e ao perceber do que eu falava ela começou a rir.
– Da próxima vez use sapatos com sininhos! — Jacob brincou — Assim nenhum desavisado vai correr o risco de cair no chão!
Edward o encarou e Renesmee fez o mesmo.
– Boa ideia! — rebati e os dois me olharam confusos — Mas você terá que usar um sinalizador aéreo pra que nenhum avião bata na sua cabeça!
Edward e Renesmee começaram a rir e eu encarei Jacob com uma cara de 'Eu venci! Quem diria não é?'. E em um segundo seus olhos se encheram de fúria e se fixaram em mim, ele estava pronto para avançar mas Renesmee foi mais rápida e apenas segurou sua mão, ele a encarou e quando seus olhos se encontraram percebi que havia algo muito maior entre os dois.
Jacob sorriu e beijou o topo da cabeca dela com carinho antes de se virar pra nos, mal percebi que edward estava a minha frente — talvez por estar imersa na cena que acabar de presenciar — com uma posição defensiva enquanto Jacob se aproximava...
– Desculpe por aquilo... — disse encabulado, ele segurava a mão de Renesme e quando olhou pra ela recebeu um leve aceno como incentivo — Eu tenho problemas com controle de raiva...
– Tudo bem... — disse e estendi minha mão — Amigos?
– Amigos! — cofirmou e apertamos as mãos — Mas agora tenho que levar Renesmee pro quarto dela...
Ela bufou e fez uma careta enfezada, Edward — que já havia relaxado — tocou o nariz dela como se faz com uma criança e então sussurrou:
– Vou ter que queimar aqueles sapatos! — e apontou pros meus pés — Você não acreditaria se eu contasse quantas vezes ela pisou nos meus pés com eles!
Ela começou a rir e Jacob aproveitou a deixa pra leva-la embora.
– É melhor queima-los mesmo! — gritou.
Renesmee ainda ria quando ele a abraçou e os dois sumiram pelo corredor...

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