Notas iniciais
(Estamos grávidos)

POV SOPHIA

– Oi, Damon. Eu voltei — falei sorrindo, com as mãos paradas ao lado do corpo.

Damon deu alguns passos em minha direção, secando as mãos no pano de prato, me encarando firmemente.

– Oi... — disse ele, sorrindo de volta.

– O que faz aqui, Sophia? Aconteceu alguma coisa com a sua irmã? — Perguntou Alaric, cortando ao meio o clima ali.

– Oh, não. Antônia está perfeitamente bem. — Passe por Damon, indo até Ric, abraçando-o levemente. — Quer dizer, tão bem quanto se pode estar com Klaus e companhia. E minha mãe, como está?

– Bem, bem. Está vindo pra cá, na verdade.

– Perdi uma aposta e tive que servir de cozinheiro para o casal 30 — disse Damon, esticando o pano em suas mãos, depois o colocando em seu ombro.

– Espero que tenha lugar para mais uma na mesa, porque eu estou prestes a mastigar os móveis! — Falei.

– É, eu posso arrumar um lugar pra você — fez aquela careta dele, aquela fofa que ele pisca os olhos e aiai...

– Sophia?

– Stefan! — sorri ao vê-lo descer da escada.

– O que faz aqui? Achei que ficaria mais tempo por lá.

– Mudança de planos. Não sou uma Mikaelson e não serei muito útil por lá — respondi. Ah, e eu estou grávida!

– Tem certeza que é só isso? — Perguntou Damon. — Parece meio... diferente.

– É, eu tenho uma coisa pra dizer, mas não agora.

– Por quê? — Perguntou novamente.

– Porque não — respondi sutilmente, o encarando. Olhei pra Stefan depois. — Antônia mandou lembranças, Stefan. Eu deveria me preocupar com o fato de estarem amiguinhos e trocando presentes? — Perguntei fingindo estar séria, enquanto segurava o sorriso.

Trocando presentes? — Disse Alaric.

Caminhei até Stefan e segurei o pingente que ele carregava em um cordão fino e quase imperceptível em seu pescoço.

– Dei esse pingente pra ela quando ela fez cinco anos — ele sorriu e olhou para o lado. — E você deu um belo diário a ela.

– Somos apenas amigos, Sophia — ele puxou delicadamente o pingente de minha mão.

– Podemos jantar? — mudei de assunto, seguindo Damon até o outro cômodo. — Damon Salvatore cozinhando... A fantasia de muitas mulheres que conheço... — falei, levantando a tampa de vidro da panela e sentindo o aroma do molho de tomate.

– Sinta-se honrada de estar prestigiando isso, então — sussurrou ele, atrás de mim, em meu ouvido.

Sua mão deslizou da lateral da minha cintura para minha barriga, enquanto seus lábios tocavam gentilmente minha nuca.

– Para, Damon — resmunguei fraco, fechando os olhos. — Estamos na cozinha, para! — sorri, segurando sua mão com força.

– Ok, ok. Eu paro — disse ele.

– Sophia!

– Mãe — falei me virando, me afastando de Damon e indo até ela.

– Que bom que está de volta — me abraçou apertado. — Mas... por que está de volta?

– New Orleans não é para humanos e eu não ajudaria em nada por lá. Antônia já sabe se cuidar sozinha — soltei-me de seus braços. — Por favor, podemos comer agora?

– Eu trouxe o vinho — disse minha mãe.

Sério, ela trouxe o vinho? Será que ela já pensou em dar uma rápida olhada na adega dos Salvatore? Eu poderia ficar rica só vendendo aquelas garrafas mais velhas que eu. E estou falando da minha idade vampira.

– Acho que vou ficar com a água mesmo — Me limitei a dizer.

Todos — sem exceções — me olharam com a expressão de "água?!". Sophia Engerhoff negando bebidas alcoólicas. Isso é realmente estranho.


A noite passou rápida demais e eu não fiquei na casa dos Salvatore, achei melhor dormir perto de minha mãe e Alaric — não que eu me sentisse mais segura com eles, mas me sentia menos pressionada a contar, longe do Damon. Mas na manhã seguinte liguei para ele e pedi que me encontrasse na entrada da cidade. Por que tão longe? Precisava de um lugar longe de qualquer audição sobrenatural. Cheguei lá pouco antes dele, desci do carro e sentei no capô. Era realmente cedo, dava pra sentir o orvalho da manhã caindo sobre minha cabeça e o cheiro de grama molhada era até agradável. Um pássaro cantou ali perto. Nem parecia a mesma Mystic Falls de sempre.

– O que aconteceu? — Desceu rápido do carro, vindo até mim apressado, batendo a porta do carro com certa violência e descaso com isso.

– A gente precisa conversar, Damon — falei sem olhá-lo. — Tô grávida — o encarei.

Damon permaneceu como estava: parado, mãos nos bolsos da jaqueta, cabelo balançando com o ralo vento e os olhos focados em mim. Dava pra perceber que só entrou dentro do primeiro jeans que viu, enfiou a primeira camisa que encontrou e pegou a jaqueta de cima do sofá, onde lembro de tê-la visto na noite passada. Sua cara mostrava que ainda estava com sono.

– Grávida? — Apenas seus lábios se moviam.

– É. Eu... — puxei meus joelhos contra o peito, ainda o olhando. — Por isso eu voltei.

Seus lábios se fecharam, ele tirou a mão dos bolsos e passou uma no cabelo. Suspirou e se aproximou de mim.

– Se voltou, quer dizer que... o filho é meu? — Não pude decifrar na pergunta a resposta que ele queria ouvir.

– Quer dizer que preciso do seu apoio. Porque esse filho pode tanto ser seu, quanto do Klaus.

Ele parou bem à minha frente. Bateu um vento mais frio e eu me encolhi sobre o capô do Impala. Damon tirou a jaqueta, e contra meu protesto, a colocou sobre meus ombros. Seus pelos do braço se eriçaram com o vento.

– O Klaus sabe? — Perguntou.

– Sabe.

– Como descobriu tão rápido?

– Uma bruxa sensitiva do French Quarter me...

– Confia na palavra de uma bruxa, Sophia? — me interrompeu.

– Não, mas confio em testes de farmácia e em exames de sangue. Só não dá pra saber quem é o pai, ainda. E voltei por isso, também.

– Como assim? — Cruzou os braços.

– Preciso de uma bruxa de confiança pra fazer um feitiço que prenda um híbrido em determinado local.

– Se não conseguir sair do local, é porque o filho é do Klaus. Entendi.

– E a única bruxa em que pude pensar foi a Bonnie. Por mais que eu não confie muito nela, você, Stefan e Caroline confiam. E eu confio em vocês.

– Ok. Ok. — Parecia meio atônito. — Então você me acordou às 6h15 da manhã pra me dizer que há 50% de chances de eu me tornar pai — começou a caminhar de um lado para o outro.

– Não consegui pregar os olhos a noite toda, Damon. E esse horário é o único em que ninguém está na nossa volta nos impedindo de fazer besteira, nos dizendo que temos de beber menos e tudo mais que tenho ouvido nos últimos tempos e sei que você tem ouvido também. — Pulei do capô, indo até ele e o segurando pelos braços. — Qual foi a última vez que viu o sol nascer, Damon?

Girei minha cabeça ao leste, onde os raios do sol já se mostravam para o dia. Ele fez o mesmo. Ficamos olhando por um tempo e depois eu olhei para ele.

– Eu sei que isso te pegou de surpresa. Sei que deve estar querendo surtar e sair chutando tudo e todos. Eu quase surtei. — Me olhou. — Mas há 50% de chance de você não estar preso a isso.

– Eu não disse que não quero estar preso a isso. Só estou apavorado. Até ontem éramos vampiros e não precisávamos nos preocupar em proteger outra vida ou de ter alguém dependendo vitalmente de nós.

– Vamos deixar essa discussão pra depois, quando soubermos quem é o pai.

– Tem razão — ele acariciou meu rosto, depois me puxou contra seu peito. Apoiou seu queixo em minha cabeça, enquanto eu enlaçava sua cintura com meus braços. — Tomou café da manhã? O Grill deve estar abrindo logo mais.

– Não, vim direto pra cá. Nos encontramos lá, pode ser? — Me afastei para olhar para ele.

– Claro — sorriu.

– Então tá, até mais — me livrei de seus braços e caminhei até o carro, na verdade tentei, porque Damon segurou minha mão e me puxou de volta.

Ele uniu nossos lábios em um selinho demorado porém sem malícia.

– Bom dia — falou, depois.

Eu não entendi bem, mas conforme o sorriso de Damon tomava meu campo de visão, lágrimas começaram a surgir em meus olhos. Logo um desespero bateu no peito e desatei a chorar, me grudando ao corpo de Damon.

– Eu tô com medo de tudo isso, estou apavorada, Damon! — ele acariciou meu cabelo, enquanto sua camisa cinza começava a ficar molhada com minhas lágrimas. — Nunca me senti tão vulnerável, tão amedrontada e fraca. — Meus braços estavam flexionados entre meu peito e o dele, minhas mãos espalmadas em sua camisa. — E se for do Klaus... não sei o que pode acontecer comigo. Não sei.

– Hey, hey — ele segurou minha cabeça entre as mãos. — Vai ficar tudo bem. Mesmo se o filho for do Klaus, eu vou estar aqui. Com você. Eu prometo. — Secou minhas lágrimas com os polegares. — Não vou deixar nada te acontecer, Sophia. Eu não vou te deixar — me abraçou de novo, esperou que minhas lágrimas cessarem e então me olhou. — Tive uma ideia. Vamos tomar café fora de Mystic Falls.

– E os carros? Não vou...

– Eu deixo o meu carro aqui, e vamos no seu — Damon estava disposto a fazer qualquer coisa pra me ver melhor naquele momento, pelo visto.

– Tá — sorri tentando parecer animada. — Vamos.

Ele entrelaçou os dedos nos meus, me puxando até o Impala.

Não conversamos muito durante o café. Comi duas torradas de queijo e uma xícara de café preto e forte. Damon ficou só com café mesmo. Ficou olhando pela janela, com um braço esticado no encosto do banco e outro sobre a mesa. Não me importei de ficar com os dois cotovelos apoiados na mesa, mesmo sendo considerado falta de educação. Falamos brevemente de como todos reagiriam à notícia e que os demais estavam felizes por estarem livres de mim e dos Mikaelson. Depois ele dirigiu de volta até Mystic Falls, mas na entrada da cidade desceu do Impala e entrou em seu Mustang. Nos encontramos na casa de Bonnie.


– Você está grávida? — Disse ela, antes de nos convidar a entrar.

– Foi o que eu disse — respondi.

– E precisa da minha ajuda pra saber quem é o pai?

– Será que podemos entrar, ou vamos falar disso aqui na varanda? — Perguntou Damon.

– Desculpa. Venham.

– Pode ou não fazer isso, Bonnie? — perguntei. — Preciso mesmo saber.

– Só não entendo por que recorreram à mim.

– Bruxas estão em falta nas redondezas — Respondeu Damon.

– Tudo bem... — disse ela, suspirando. — Posso fazer algo.

E fez. Fiquei na cozinha, sozinha, enquanto os dois ficaram do outro lado da porta, no corredor. Falou seu bruxês de olhos fechados e quando os abriu:

– Está feito. Se não conseguir sair daí, significa que tem um híbrido na barriga. — Olhou para o Damon. — Se sair, o filho é seu — deu de ombros, sorrindo fraco.

– Sabemos como funciona — disse Damon, sorrindo debochado.

Fiquei pensando ser era essa sensação que as mães e pais sentiam ao ter de fazer um teste de DNA. Essa agonia, essa curiosidade monstruosa e o medo aniquilador. Olhei para Damon. Seus olhos diziam "tudo bem", mas eu sabia que ele sabia mentir através dos olhos também, se fosse necessário. Eram dois passos rumo à verdade.

Primeiro passo.

Segundo passo e...

– Oh meu Deus! — exclamou Bonnie baixinho, levando as mãos à boca quando passei pela porta, parando em frente a eles. Ela olhou sorrindo para Damon.

Olhei para Damon subitamente.

– Estamos grávidos – disse ele após um longo suspiro, sem expressão alguma no olhar.

Notas finais
1. Não revisei. 2. Não seria tão mimimi esse capítulo, mas e a preguiça de reescrever? 3. Após o último capítulo da fic, haverá capítulos bônus e haverá uma cena alternativa desse momento. Pra quem pensou que seria algo *eu te amo, Sophia, seremos uma família grande e feliz, eu não acredito nisso, muita felicidade - com Damon girando ela no ar e a beijando*, sinto muito, mas Daphia é meio complexo. E na vida real, nem sempre as pessoas soltam fogos de artifício com uma gravidez não planejada. Embora eu ache que Sophia esteja menos má, menos diva e começando a ficar sem sal, ainda estou gostando dela como humana. Mas a personalidade forte dela voltará a aparecer agora com essa gravidez. Gostaram desse momento Daphia? Bonnie. Gosto mais dela que da Elena. Shippo Bamon na série porque é a melhor opção ME JULGUEM. É isso, beijos e até mais. P.S.: A PLAYLIST COM AS MÚSICAS QUE VOCÊS FALARAM + AS MINHAS, LOGO SERÁ POSTADA AQUI.