#Love

8 "Revolution" (revolução)


Eu acordei radiante, queria sair pulando de alegria por todos os cantos do mundo. Eu nunca tive uma noite tão maravilhosa como essa, já era dia e eu nem ligava, só queria que aquele momento fosse eterno.
Me sentei e olhei para o Bruno, nem acredito que tudo isso aconteceu. Ele é tão diferente do Lucas, ele me ama e me dá carinho, ao contrário do Lucas que me amava e só me dá desgosto.
Me levantei e fui para aquela água maravilhosa e que me lembrava o tempo todo da noite anterior. Mergulhei e quando retornei a superfície olhei para a beira do lago e vi que o Bruno já tinha acordado e estava a me observar. Fui em direção a ele e dei um abraço gigante nele.
— Obrigada! — eu disse o abraçando cada vez mais forte — obrigada por me fazer ter a noite mais feliz da minha vida até agora!
— Para de me agradecer! — ele disse — não fiz nada demais.
— Fez sim! — dei um beijo nele.
— Vamos embora, então?
— Mas já? Achei que poderiamos ficar aqui até o fim da tarde — eu sugeri.
— Você sabe que dia é hoje, Mona? — ele me olhou com uma expressão duvidosa — hoje é sábado, dia 19.
Um estalo veio em minha mente, hoje era o dia da entrevista com a gravadora!!
Peguei meu sapato e sai correndo. Quando vi que o Bruno ainda estava parado.
— Tá esperando o quê?? — eu disse — Eu não quero perder isso! Essa é a melhor chance que eu vou ter de realizar meu sonho e se você demorar mais um pouco para se mexer eu juro que vou a pé!
Ele pegou o sapato dele e veio rindo na minha direção.
— Calma! — ele falou — Nós temos todo o tempo que quisermos.
— Ah, querido! Nós não temos não!


Cheguei em casa e fui correndo tomar um banho. Passei pela minha mãe, ela falou alguma coisa e sinceramente eu nem ouvi oque era, eu estava atrasada e eu não podia atrasar.
Sai do banho, coloquei um vestido verde que terminava pouco antes do joelho, super confortável, afinal, se alguma coisa der errado pelo menos eu estarei confortável e fiz uma maquiagem leve. Deixei meus cabelos castanhos soltos e fui encontrar o Bruno (ele ia me levar para a entrevista). Ele estava sentado na sala conversando com minha mãe.
— Oi mãe — dei um abraço nela — e tchau! Preciso ir!
— É, eu sei! Eu te desejo toda a sorte do mundo meu amor! — ela beijou a minha testa e depois chegou perto do meu ouvido — depois a gente tem que ter uma conversa — ela se afastou e piscou pra mim. Corei na mesma hora.
Eu já estava na porta quando ela me chamou de novo.
— Ramonaa! Por que não leva aquela sua música para eles verem? Você tem uma cópia escrita dela, né? Leva!
Entrei no meu quarto e peguei a música meio contrariada. Não acho que essa música seja de fato boa. Escrevi ela numa época que eu ouvia muito hip-hop e rap, eu era super fã do Jay Z, ouvia muito Rihanna (apesar dela não ser tão do hip-hop assim), ouvia Drake, Jessie J, Nicki Minaj, entre muitos outros, e eu meio que juntei tudo isso que eu ouvia com minhas opiniões, com meu inglês (que finalmente era fluente) e isso tudo virou uma música chamada "Revolution". Ela falava sobre a revolução do amor e em como finalmente o amor está vencendo algumas barreiras dando um tapa na cara do preconceito e sobre como o mundo está evoluindo aos poucos e como pode evoluir ainda mais com o amor.
Eu gostava da música mas não acho que seria algo que o pessoal da gravadora gostaria. Mas para não contrariar a minha mãe, eu levei.

O Bruno me largou na porta do restaurante e eu podia sentir meu coração bater cada vez mais forte. Eu entrei lá dentro e dei meu nome para a recepcionista e na mesma hora ela sorriu para mim e me levou até a mesa onde um senhor de cabelos grisalhos estava sentado.
— Oi, prazer! Meu nome é Ramona e eu... -apertei a mão dele e comecei a falar o mais formal possível, até ser interrompida pelo homem.
— Não precisa se apresentar. Eu sei exatamente quem você é e eu adorei você! — eu corei na mesma hora em que ele disse isso — não precisa se envergonhar! Você tem um talento enorme e eu farei de tudo para fazer você ser conhecida no mundo inteiro! Prazer, meu nome é Christian!

Ficamos conversando por horas, almoçamos e ele me mostrou inúmeros artistas conhecidos que a gravadora já lançou e que ele foi empresário. Ele ficou bastante animado comigo, disse que a minha voz era única e que ele nunca tinha ouvido algo assim, que a minha voz tinha uma força gigante e que ele queria que todo mundo visse isso. Eu nunca fui tão bajulada na vida!

— Então Ramona, você tem alguma música pronta para me mostrar? — ele perguntou e eu gelei na mesma hora. Não queria mostrar aquela música. Ela não estava perfeita.
— E-eu tenho — gaguejei — mas ela não está perfeita. Eu escrevi ela a muito tempo, em uma época que eu ouvia muito hip-hop e ela segue essa batida e... — ele me interrompeu.
— a letra é boa?
— Não sei ao certo, eu... — ele me interrompeu de novo.
— Você faz alguma nota aguda quando canta essa música?
— Sim — respondi da forma mais breve possível para não ser interrompida de novo.
— Me mostra ela!
— Aqui?? — nem a pau que eu ia cantar no meio de um restaurante.
— Não! O restaurante é meu, eu tenho um escritório lá em cima, podemos ir para lá. Sei que não é o mais apropriado, mas fiquei curioso para ouvir.
— Okay então.

Subimos para o escritório, ele sentou em uma cadeira a alguns metros de distância de mim, pediu para eu começar e cantei a música para ele.
Não vou negar, a letra tinha uma mensagem muito boa, falava sobre algo que eu acreditava, mas... Não acho que seja uma música com uma batida e uma letra que fariam sucesso. Mas estou mostrando do mesmo jeito, não tenho muitas alternativas.
Ele me olhava com um semblante indecifrável. Eu não sabia se ele estava gostando ou se estava odiando. Provável que ele esteja odiando, ele é empresário de inúmeros artistas famosos, não pode gostar da minha música.
Terminei de cantar e ele se levantou da cadeira e veio até mim.
— e então? Você odiou né? — eu disse — mas ta tudo bem! Eu posso fazer outras músicas e prometo dar meu máximo nelas!
— Muito bem! Espero que você faça isso mesmo — sabia que ele tinha odiado — afinal, você vai precisar de novas músicas quando lançarmos "Revolution" nos Estados Unidos
— O QUE??? — eu não estou acreditando.
— Ramona, essa música não pode ser lançada no Brasil! Ela tem que ser lançada nas rádios dos Estados Unidos onde vai ter o devido valor, você não é artista para o Brasil, Ramona! Você é uma artista para o mundo todo — isso é real??? — ah! E você vai precisar de novas roupas, de preferência mais ousadas para combinar com o impacto que sua música e sua voz causam. Precisamos cuidar disso!
— Tudo bem... Obrigada! — essa era a única coisa que eu conseguia dizer depois de tudo isso.
— Te mandarei um e-mail em breve para resolvermos tudo — ele pegou o casaco dele e foi em direção a porta — você tem passaporte, né? Você vai precisar! Até logo, Ramona!
Ele saiu da sala e me deixou lá, em estado de choque com tudo que ele disse e sentindo uma felicidade que não cabia dentro de mim.
Minha vida vai mudar completamente e eu estou adorando!

Notas finais
Olá!! Espero que tenham gostado de mais um capítulo da história da minha Ramona! Qualquer sugestão, crítica ou elogio é bem-vindo! Atenciosamente, Alguém que adora escrever! ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.