#Love

2 "Eu te avisei"


Terminei de ler aquela carta e não pude acreditar... Eles gostaram de mim.

— EU AVISEI!! EU FALEI QUE IA DAR CERTO MAS NINGUÉM ME ESCUTA AQUI — Duda disse fazendo um draminha e me esmagando em um abraço.
— Parabéns, meu anjo! — disse a minha mãe se juntando ao abraço.

Eu estava tão insegura semana passada quando tudo que podia dar errado resolveu acontecer que essa carta foi a melhor coisa que poderia acontecer.

Na semana anterior...

Acabei posando no apartamento do meu irmão. Amo minha mãe, mas sabia que ela iria falar um "eu te avisei", não estava pronta para ouvir isso.
Não acredito no que o Lucas fez... Ele falava que me amava, dizia que quando tivessemos nossa família tudo ia ser melhor, ele me mandava poemas, canções de amor, mas de que adianta mandar uma canção de amor sem o amor? Ele partiu meu coração como eu nunca pensei que alguém faria. Eu sinto raiva dele, mas não consigo odiar ele... Por que eu não consigo parar de amar aquele idiota?
Interrompi meus pensamentos com meu irmão chegando com um saco de M&M'S, a namorada dele foi passar a semana com o pai no interior e ele estava sozinho no apartamento.

— Pronto, come isso, engorda, para de chorar e depois vamos correr pra queimar todas essas gorduras — disse ele apertando minha barriga.
— Eii! Eu não to gorda, engordei um pouco, admito, mas não tanto tá? — ri um pouco.
— Olha... Eu sei que ta doendo, mas você tem que seguir em frente, tua formatura é mês que vem, sei que você está de férias, mas tem que se preocupar com ela também. Eu já tive meus rolos quando tinha a sua idade, sei o quão a gente se entrega e se machuca fácil, mas você tem que aprender que quem perdeu foi ele, quem ta lá com um filho pra criar é ele, você se livrou de um cara que mais cedo ou mais tarde ia te largar porquê é um imbecil — ele começou a fazer cafuné nos meus cabelos — você tem que encontrar alguém que te ame do mesmo jeito que você ama. Alguém que te valorize, alguém que vale a pena.

Não consegui dizer nada, apenas abracei ele e continuei comendo.

No dia seguinte, fui pra casa. Chegando lá, minha mãe me deu um abraço apertado e eu a abracei de volta. Sabia que ela também não estava passando por um momento fácil. Ela estava em uma crise no casamento com meu pai, consigo ouvir o choro dela de madrugada do meu quarto. Ela conheceu meu pai, Ricardo, quando ele veio da Coreia do Sul aos 12 anos para morar aqui no Rio Grande do Sul (e sim, eu nasci com olhinhos puxados graças a meu pai) com meu avô que era brasileiro, eles eram vizinhos, viraram amigos, namorados e você já deve saber como terminou a história. Eles foram o primeiro amor um do outro. Ela ta sofrendo de mais, porém não gosta de falar sobre isso.
Ela saiu do abraço e beijou minha testa.

— Se precisar conversar, eu sempre estarei aqui, okay? — ela me olhou no fundo dos olhos — se bem que eu te avisei que não gostava dele e que podia não dar certo
— E como sempre a dona Brendha não perde a oportunidade de dizer um "eu te avisei" — dei uma risada — mas apesar de tudo eu sei... Obrigada por sempre saber das coisas antes de mim
— Admitiu finalmente que eu sempre tenho razão! Que milagre — ela riu também — agora para me agradecer e vai pegar leite ali no mercado
— Sabia que você ia me pedir isso — peguei o dinheiro, meus fones e fui.

Coloquei a música o mais alto que dava, queria me desligar do mundo por uns minutos.
Eu estava chegando perto do mercado, o sinal abriu para os pedestres passarem (no caso só eu, essa rua é sempre vazia) quando eu senti uma dor enorme. Abri os olhos e vi um garoto desesperado na minha volta ligando para alguém. Não estava entendendo nada quando simplesmente não aguentei e desmaiei.

Acordei. Eu estava em um quarto todo branco, tinham agulhas espetadas na minha mão e eu estava meio tonta. Olhei para o lado e vi o garoto que estava falando ao telefone quando desmaiei, ele estava sentado na poltrona e parecia preocupado. Ele era bonito, tinha alguns músculos, um cabelo castanho escuro e olhos cor de mel que quando me viram acordada se arregalaram.

— Finalmente você acordou! A tua mãe nunca te avisou que não se deve atravessar a rua sem olhar para os lados? — ele parecia incrédulo no que via, falava como se a culpa fosse minha por ter atravessado na MINHA VEZ — Ah, como sou um idiota! — finalmente algo que concordamos — Oi, meu nome é Bruno! Acabei te atropelando quando você atravessou a rua. Eu estava treinando para meu teste... Eu quero ser piloto de corrida e quero fazer um teste ano que vem para correr profissionalmente e... — interrompi ele.
— Como é? Você quase me matou para treinar PARA UM TESTE? — comecei a ouvir um aparelho que estava ao meu lado apitar — VOCÊ É LOUCO? TEM NOÇÃO QUE EU PODERIA TER MORRIDO? CADÊ MINHA MÃE? E MEU IRMÃO? QUANDO EU SAIR DAQUI EU VOU TE MATAR!

Comecei a sentir uma tontura e um calor enorme. Ele viu que eu estava passando mal, abriu a porta e chamou os médicos que vieram correndo e injetaram algo no meu braço.
Apaguei.

Nos dias de hoje...

— MEU DEUS! Eu tenho que ligar para o Bruno! Ele tem que saber de tudo, ele era o mais empolgado com isso.

Peguei o telefone e liguei para ele enquanto a Duda me olhava com uma cara maliciosa. O telefone chamou umas duas vezes e ele logo atendeu, eu nem disse "alô".

— Senhor dorminhoco, EU PASSEI!!

Notas finais
Olá!! Espero que tenham gostado desse segundo capítulo da história da minha Ramona. Qualquer crítica ou elogio é bem-vindo. Obrigada por lerem até aqui. Atenciosamente, Alguém que adora escrever ❤