Lourenço
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Um frei é símbolo de recato, bondade e compaixão.
Um frei é considerado a luz da igreja, o homem que junto aos muitos com a mesma intenção, servem e vivem apenas para seguir sua religião, e prega-la com firmeza. Ele tem extrema consciência do que faz, ele sabe que é isso que ele quer para sua vida.
Um frei tem que portar e demonstrar sanidade, educação, e principalmente, amor as suas crenças.
E isso é o extremo contrário de nosso amigo, Lourenço.
Ano passado, em 1508, uma notícia paralisou a cidade de Verona. As fofocas da sociedade nobre de Verona, eram como o vento, iam à questão de segundos do norte a sul, do leste a oeste.
A jovem moça, Julieta Capuleto e o jovem herói Romeu Montéquio, foram vítimas de suicídio e ambos os crimes, foram passionais. E contra si mesmos.
Depois de sofrer de um amor proibido, e secretamente unido para eternidade por Lourenço, os recém-casados, por culpa da pressão da sociedade vingativa e rigorosa que os cercava, infelizmente, ambos ascenderam ao Céu.
Os amantes trocavam olhares profundos de amor, no baile dos Capuleto, os olhos verdes cintilantes de Julieta, fitavam os olhos azuis-celestes de Romeu. E ambos acabaram por se beijar no final da noite.
Na madrugada, os convidados e os próprios proprietários da casa, estavam embebedados com o vinho, ou ansiosos por um colchão macio, após uma animada noite.
Mas, Romeu, não se deixava levar pela inquietação, só pensava em sua Julieta, e o amor ferveu tanto em seu coração, que escalou as trepadeiras recostadas na parede, e pediu sua amada Julieta em casamento.
A mesma aceitou, e se casou com ele secretamente, e a testemunha e autoridade legal nessa união foi Lourenço.
A culpa assoberbava lhe o coração da morte de dois jovem adolescentes, que teriam uma vida pela frente. Ele sabia que Julieta poderia ter sido mãe, ele sabia que Romeu poderia ter sido um guerreiro em batalhas. Ele sabia que se não fosse por ele, o futuro reservaria muita coisa para os dois jovens.
Ele havia sido um amigo de dois suicidas, mesmo que estavam sob a religião do amor, e fosse declarado algo inocente e o que um adolescente faria nessas circunstâncias, ele sentia que se não fosse por ele, tudo estaria mais belo.
Porém, Lourenço nunca olhou pelo ângulo de que, se não aprendemos pelo amor, temos de aprender pela dor. Ele nunca encarou aquela situação como uma lição para as ambas famílias, mas sim, uma tragédia grega acontecendo em frente de teus olhos.
Em fevereiro de 1509, o caso foi enviado ao Papa e seu parlamento geral. O frei Lourenço não era mais frei, e fora oficialmente excomungado da Igreja Católica, e quase submetido as torturas da inquisição, porém, o Papa teve piedade, e apenas, absolveu o home por conta dele ter passado da meia-idade.
Sem um rumo, seus amigos e com a culpa correndo sua alma, ele lentamente, caiu em uma séria depressão. Ele não se levantava da cama, não comia, e permanecia em um estado de jejum extremamente rigoroso. Já ficara dias sem piscar, ou semanas sem receber uma gota de água.
A depressão se aprofundou, a loucura dominou sua mente, ele começou a imaginar personagens, cenas, ideias.
Ele imaginava Julieta e Romeu, agora com 20 anos de idade, em um relacionamento estável e feliz, com 3 lindos filhos. Tais loucuras, o levaram para o sanatório.
Ele ficava recluso das pessoas, e ouvia a doce voz de Julieta e a corajosa voz de Romeu sussurrando em seu ouvido. Ele havia se tornado esquizofrênico, e lentamente, se afundava em tristeza e insanidade.
Ele sabia que era doente, ele sabia que Romeu e sua amada haviam falecido, mas ele ainda os via. Em uma de suas imaginações, ambos o convenceram para se juntar a eles. Onde eles poderiam ser finalmente felizes.
Lourenço, resolveu, se matar. A segurança dos sanatórios era completamente baixa, quase ninguém gostaria de ficar perto de loucos que poderiam te enforcar pelas costas. Dessa razão, ele teve fácil acesso á uma faca.
Ele faleceu em 1510, não foi enterrado, apenas enrolado em papel, e jogado em um cemitério especifico para suicidas. Pelo qual, Julieta e Romeu só não foram, pela religião do amor, e suas abastadas famílias.
Padres cuspiam em seu cadáver, e não houve qualquer tipo de lápide ou caixão.
Alguns acreditam que Lourenço acordou no fogo do Inferno, outros que ele acordou no Céu, com os amantes de Verona ao seu lado. Bom, não sabemos o que realmente aconteceu.
Só sabemos que, um frei é símbolo de recato, bondade e compaixão. E era assim, que nosso amigo Lourenço, era, e continua sendo, mas as virtudes, estão ocultas pela sua doença.
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