Notas iniciais
O Capítulo mostra a chegada o rapaz a cidade de Barcelona, e o primeiro contato na empresa da família.

Não sei se aos 23 anos um cara seria capaz de comandar uma empresa, mesmo tendo o QI muito acima da média como eu, ainda assim a responsabilidade de estar a frente de uma empresa teria que ser dada a alguém de muita confiança, esse foi o primeiro erro do meu pai, nunca confie em mim.

O Aeroporto de Barcelona não é tão grande quanto o de Roma, mas de certa forma me senti bem com o lugar, mesmo estando com aquela reçaca terrível, o local era bem iluminado e amplo. Não me surpreendi ao ver ali entre muitas pessoas uma moça segurando um papel com o meu nome. Não sei se estava vendo coisas, afinal estava de reçaca, mas poderia jurar que estava escrito de batom. Seus cabelos estavam bagunçados, presos em um coque obviamente feito as pressas, mas mesmo assim estava bem vestida e até apresentável. Não é possível que essa seja a moça que irá me auxiliar na empresa.

– Senhor Rômulo Lorenzo? — Ela soltou um sorriso apreensivo quando me aproximei.

– Sim, sou eu. Você deve ser... – Não me lembrava o nome.

– Betina Miller, eu irei auxiliá-lo na empresa... – Ela silenciou de repente e corou o rosto ao perceber que estava realmente dando atenção ao que ela falava.

Eu consigo parecer bonzinho quando quero. Este às vezes é o meu defeito ou a minha qualidade, depende apenas de seu ponto de vista.

– Algum problema senhorita Miller? – Perguntei ao notar que seu corpo estava rígido.

– Você é diferente do que eu pensava, vi uma foto sua na edição passada da Sun Magazin... – Ela corou mais, estava muito sem graça ao dizer aquilo.

Soltei uma gargalhada.

– Mas é claro que estava diferente. Eu estava bêbado e pelado. – Disse me divertindo com a sua aparência constrangida.

Pode-se dizer que eu já aprontei muito, e por ser parte da alta sociedade quase todos os vexames públicos que fazia paravam em alguma revista ou em algum site de fofoca. Mesmo fazendo certas coisas erradas, meu pai tinha um excesso de orgulho e confiança que me fazia sentir nojo.

– Desculpe-me senhor Lorenzo. Não fui profissional ao incomodá-lo com sua vida particular. O carro está a nossa espera, e suas bagagens já estão sendo direcionadas à casa de sua família.


Do lado de fora um carro me aguardava, não me senti confortável com a situação, pois não gosto de motoristas dirigindo para mim, prefiro eu mesmo pilotar o carro. Apenas dessa vez eu iria aceitar isso.

A cidade de Barcelona de início me parecia muito marrom, sem cor, sem vida. Mas, tinha lá seu charme, nada que realmente me agrade ou desagrade. É neutro como sua cor.

Betina parecia estar inquieta com minha presença, às vezes eu percebia ela pousar seus olhos em mim e estupidamente olhar para o outro lado quando percebia que eu iria corresponder. Essa mulher realmente tinha algum problema.

Finalmente paramos em frente a um portão alto com grossas hastes de metal, automaticamente se abrindo. Percebo uma câmera movimentando no canto superior do grande muro. Bom, eu estaria seguro, mas teria que dizer adeus a minha privacidade.

O caminho de entrada era envolto por um jardim muito bem conservado. Nesse momento pude sentir um certo desconforto em me imaginar morando ali sozinho, estar em um país diferente do meu, longe de família e amigos. Ali tudo era exagerado, começando pelo tamanho da mansão, para manter aquele lugar eram necessários muitos funcionários. Uma festa naquele lugar não seria nada mal.

Na frente da casa estavam em linha reta cerca de dez pessoas, todos ali uniformizados, pude perceber pelos trajes, um cozinheiro, quatro empregadas, mas os outros não consegui definir o que seriam.

Quando sai do carro, percebi todos os olhares pousando em mim, tentei me manter o mais firme naquela situação, mas não pude deixar de notar a maioria dos olhares com expressões surpresas.

“Que merda! Todos nessa cidade lêem revistas?“ – Pensei comigo mesmo, ao ver os olhos de uma das empregadas olhar descaradamente meu corpo.

Betina saiu do carro e sem perder tempo me apresentou todos ali, começando por um homem com aparência de ter no máximo trinta anos.

– Este é Charles, ele é cozinheiro.

Estendi minha mão ao Charles o cumprimentando.

– Essas quatro são Conceição, Bruma, Alice e Fátima, elas são as encarregadas da limpeza de todo este lugar, Fátima irá ajudar na cozinha também.

Cumprimentei todas.

– Este é Tony, ele ajuda Jorge no jardim, piscina, enfim, a parte externa da casa.

O rapaz estava sério, parecia ter minha idade, sendo o mais novo ali dos empregados, estranhei ver um rapaz tão jovem, tão bem apessoado ali trabalhando como jardineiro. Mas isso não vinha ao caso no momento.

– Por fim estes três não trabalharão aqui, eles são da empresa, esta é Laura, sua secretária, Ruben é o seu advogado e por fim Ricardo, o motorista da empresa.

Cumprimentei a todos.

– Então, como vocês já sabem, eu sou Rômulo Lorenzo, pelo o que percebi vocês esperavam alguém de mais idade, afinal só tenho 23 anos, ou esperavam que eu estivesse com menos roupa no corpo – disse dessa vez olhando para a empregada que havia me encarado a pouco, fazendo-a ruborizar – Não gosto de ser chamado de senhor Lorenzo, prefiro que me chamem de Rômulo ou caso não se sintam a vontade me chamem então de Senhor Rômulo.

Disse por fim entrando, apesar do sol ainda estar no meio do céu eu estava muito cansado, não havia dormido por estar na festa de minha despedida.

Na sala estavam minhas malas e muitas caixas, não perderam tempo em trazer as coisas. A sala era bem iluminada, a parede de fundo era revestida de vidro, com certa quantidade de água deslizando constantemente, aquilo me dava aflição.

Subi as escadas e abri a primeira porta era um quarto espaçoso, não tive tempo para analisar os detalhes, pois cai naquela cama e queria morrer de tanto dormir.

Ouvi alguém bater na porta, mas não queria sair dali, minha reçaca estava me matando, maldito Martini que ainda vai acabar com meu fígado. Ouço a porta abrir.

– Com licença Senhor Loren... Rômulo – Era a voz de Betina.

– Fala senhorita Miller – disse com a cara enfiada entre dois travesseiros.

– Desculpe atrapalhar seu sono, mas está agendada sua primeira reunião para exatos quarenta e três minutos – Ela disse.

Eu estava tendo um pesadelo só podia, meu estômago estava se revirando com uma máquina de lavar roupas, minha cabeça rodava, aquela reçaca iria me matar!

– Existe alguma forma de cancelá-la? – eu disse desanimado.

– Sim, há essa possibilidade, mas senhor... Não aconselharia a fazê-lo, pois será nessa reunião que os acionistas e sócios da empresa irá conhecer o representante de sua família, e ficaria constrangedor cancelar tão acima da hora.

Me sentei na cama e olhei meu reflexo no espelho, estava ali um rosto pálido com cabelos negros caindo nos olhos, eu realmente estava de reçaca.

– Tudo bem, só espere eu colocar o meu terno – disse me levantando.


Coloquei meu terno, me arrumei de forma que parecesse no mínimo apresentável a uma reunião, afinal a primeira impressão é a que ficará como dizem.

Desci e de novo percebi o corpo de Betina rígido a me ver sair pela porta, não dei muita atenção a falta de profissionalismo da senhorita Miller, pois minha única preocupação era não morrer até a reunião.

O edifício da empresa fica exatamente no coração da cidade, é considerado uma vanguarda das arquiteturas do país. Apesar de ser belo, não pude contemplar sua beleza, pois estava preocupado demais em não vomitar no meio das pessoas.

O elevador parecia ser um cubículo minúsculo que me abafava. Merda, nunca mais beberei Martini na vida.

Eu já estava atrasado, assim que chegamos à sala de reunião já estavam todos sentados a mesa. Havia uma cadeira vazia ao supremo da mesa me esperando, notei que calaram-se quando entrei, ficou um silêncio constrangedor.

– Boa Tarde a todos – Eu disse muito constrangido.

As pessoas na mesa eram homens e mulheres de idade acima dos quarenta anos, avistei uns dois apenas que pareciam mais novos, mas por sorte reconheci o velho que estava do meu lado, já havia trabalhado com ele na Itália.

– Boa tarde. Então, seu pai me encarregou de deixá-lo a par de tudo na empresa, pode ficar tranqüilo enquanto a isso – Francisco me acalmou.

Estava tentando manter a cabeça na conversa, mas estava difícil concentrar com meu estômago, eles falavam de objetivos e conquistas da empresa enquanto eu lutava com meu organismo, estava quase impossível.

– Então Rômulo qual seria sua opinião sobre o contrato com a China? – Francisco me perguntou, o que fez cair na real.

Quando eu desconcentrei do meu estômago houve apenas tempo pra dizer.

– Com licença.

Peguei a pequena lixeira e soltei tudo que havia no meu estômago dentro.


Notas finais
Esse é apenas o primeiro capítulo, ainda terá muitas confusões em que Rômulo entrará, romances que se envolverá, conflitos e acima de tudo lições.