Loucura
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sendo assim, para evitar spoilers, não leiam essa one-shot a menos que já tenham lido A Busca - é basicamente essencial para a compreensão do texto (mas se você quiser ler assim mesmo, vá em frente! espero que goste!)
Desfrutem da bela e maravilhosa Azula e tenham uma boa leitura.
where is my mind?
Primeiro ela está entorpecida, e por um momento ela se sente normal e ela é ela mesma novamente.
Ela ergue a mão vazia em direção ao céu escuro e deixa uma pequena chama iluminar os arredores por um segundo.
Sim, ela está perdida.
Em cada sentido da palavra.
Seu corpo ainda está deitado no chão, mas ela não sabe quanto tempo ela ficou caída ali. Talvez horas, talvez minutos, talvez dias.
Desde que sua mente quebrou ela não conseguia dizer as horas.
Ela não sabe as horas.
Ela não sabe onde está ou quanto tempo ela passou correndo. Ela não sabe o que fazer ou para onde ir. Ela não sabe nem o que pensar.
Ela não quer pensar.
Ela não quer voltar para aqueles dias horríveis e aquelas dores horríveis onde tudo dói e toda palavra é tão alta e toda cor é tão brilhante.
Onde toda chama é tão quente.
Ela quer ficar aqui na floresta escura e esquecida, onde tudo está quieto e sua mente está entorpecida.
Ela deita no chão imundo, encarando o nada, sem deixar coisa alguma entrar em foco. Ela quer ficar assim por mais um momento até que algo dispare a dor aguda que se esconde atrás do véu e todo o barulho volte mais uma vez.
Ela não quer pensar.
Mas ela pensa assim mesmo.
Ela tenta organizar seus pensamentos enquanto ela está sóbria e consciente, mas parece ser inútil. Qual o ponto em se recuperar se ela vai perder tudo de novo em questão de segundos?
Ainda assim ela tenta.
Ela força a mente de volta às memórias antigas da infância — os bons e velhos dias — até que dois pequenos rostos se tornam reconhecíveis.
— Ty Lee. Mai.
A memória é feliz, mas só o sussurro dos seus nomes basta para fazê-la tremer e a pequena bola de raiva dentro do seu peito ameaçar explodir.
Aquelas traidoras ingratas...
Você calculou mal!
Você deveria ter me temido mais!
Ela morde a língua e se senta abruptamente. Ela pode sentir o gosto de sangue. Ela enterra as suas unhas na terra. Ele fecha os olhos para evitar que as lágrimas caiam. Ela cerra o punho para acabar com a tempestade que ameça quebrar dentro dela.
Agora não, agora não, agora não.
Ela tenta silenciar sua mente enquanto seus olhos se ajustam à escuridão e começa a distinguir as formas das árvores e dos arbustos. Não há nenhuma criatura viva por perto e a noite é fria.
Ela não sabe onde está, mas é longe, e isso basta.
Seu coração afunda no silêncio em volta dela. Suas memórias ainda oscilam.
Você não pode me tratar assim!
Você não pode me tratar como...
Ela se levanta. Ela caminha a ermo.
Em um lugar tão escuro em uma noite tão escura, se olhos mortais viessem a vê-la eles a tomariam por uma assombração. Seu cabelo bagunçado e suas roubas esfarrapadas combinados com seu andar esquisito assustariam qualquer um. Eles nem notariam que seus olhos, apesar de cansados e assustados, estavam lúcidos.
Mas sua mente está por um fio, e ela continua a murmurar para si mesma, tentando não perder o controle.
Ela tenta focar em outra coisa. Ela tenta retornar para as memórias inocentes — os bons e velhos dias -, mas a última memória disparou outra.
Então seus pensamentos agora vão para o seu irmão.
Seu patético irmãozinho olhando para ela com olhos estúpidos, acreditando ser melhor do que ela.
Seu patético irmãozinho encarando-a com uma raiva patética achando que finalmente pode derrotá-la.
Seu patético irmãozinho com os lacrimejantes quando reconhece que ela é melhor do que ele jamais será.
Seu patético irmãozinho com olhos desconfiados quando ela sorri para ele.
Seu patético irmãozinho e sua teoria patética de uma nação melhor.
Seu patético irmãozinho com olhos cheios de pena.
Pena dela.
— Eu não preciso da sua pena, seu bastardo miserável!
Ela cai de joelhos. Ela deixa um suspiro profundo entrar e sair dos seus pulmões. Ela precisa se acalmar, ela precisa se acalmar, ela precisa se acalmar, ela precisa se acalmar.
Ela precisa ser forte, ela precisa ser forte agora.
O que ela disse antes?
Mesmo quando você é forte, você é fraco.
Ela levanta a cabeça. Ela ainda está perdida.
Ela não sabe onde está ou quanto tempo ela passou caminhando. Ela não sabe o que fazer ou para onde ir. Ela não sabe nem o que pensar.
Ela não quer pensar.
Mas ela não pode deixar de ouvir.
— Volte, Azula. – é tudo o que a voz diz.
Aquela maldita e detestável voz, aquela melodia assombrada que a tem perseguido desde sempre. Ela entra em seus ouvidos, sua cabeça, sua mente. Infectando-a, deixando-a doente, agarrando e construindo seu ninho, se preparando para explodir tudo e transformá-la em cinzas.
Ela olha para baixo. Sua mãe está lá, na pequena poça no chão, bem onde seu reflexo deveria estar.
— Você não está aqui. – ela murmura – Isso não é real.
— Por favor, meu bem... Pare de fugir! Volte! – o fantasma continua a repetir, indiferente às suas palavras murmuradas.
Sua mente é um turbilhão. Ela está se afogando, ela já está sem fôlego, ela está perdendo o controle, ela está perdendo o controle.
— Você está em Hira'a! – Ela tenta deixar suas palavras mais altas. Inútil. – Você não é real!
— Eu te amo, Azula. – o fantasma diz – Você sabe que eu te amo.
Ela perdeu o controle.
— Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca! – Ela grita enquanto continua a socar e a bater no fantasma, no reflexo, na água, na lama.
Seus gritos preenchem a noite e as chamas agora se espalham por todo o lugar. Ela grita e berra e grunhe, ela se enrola no chão e então chuta o ar, enterra as unhas quebradas em seu rosto imundo, arranca os cabelos e tenta apagar as imagens da cabeça, tenta voltar para os bons e velhos dias e para a dormência; tenta fazer tudo voltar ao normal, mas ela está quebrada.
Ela está quebrada e não consegue mais raciocinar. O dano já está além de reparos agora; seus olhos são completos selvagens, ela não é mais ela mesma.
Ela ruge então, ignorando o fogo que queima mais e mais alto e gananciosamente devora tudo o que toca. Ela não é mais o seu mestre, e as chamas agora tomam controle sobre ela, mas ela não poderia se importar menos. Ela não tem foco. Ela apenas luta para subjugar todo o barulho, ela apenas grita para cessar a irritação incessante em sua cabeça.
É uma batalha perdida, o barulho só fica mais alto.
Ela perdeu o controle. Ela perdeu completamente o controle, e agora ela queima.
Seu ser inteiro está preso nas chamas que ela alimentou a vida inteira e que agora se rebelam. O azul a cerca, devorando sua carne, seus osso, sua sanidade.
Pouco a pouco, pedaço por pedaço, até que não reste mais nada.
Nada além de cinzas.
Ela está queimando. Ela sabe que está.
E o fogo logo irá consumir a sua mente.
Notas finais
AZULA RULES!!!!!!!!
Opiniões são bem-vindas.
Elogios sempre aceitos.
Críticas apreciadas.
:)
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