Louco Amor

90 Capítulo 90


Notas iniciais
Ooi gente!! Sumi de novo eu sei. Peço desculpas de novo. Já estou escrevendo o próximo capitulo para não demorar tanto como tenho demorado ultimamente. Eu não desisiti da fic e nem vou, vou escrever até o final. Obrigada aos que comentaram, me desculpem qualquer erro ortográfico e boa leitura a todos!!!

Pov's Letícia

Acordei no meio da mãe e do papai. Eles dormiam como anjinhos, eu nem conseguia acreditar que eram mesmo os meus pais.
Eles eram os melhores que eu poderia ter. A raiva já tinha passado e eu só conseguia me sentir feliz. Eu tinha uma família que me amava e que cuidava de mim. Isso era mais que perfeito.

– Vejo que alguém já acordou. — a mamãe disse sorrindo.
– Unrum... Acordei.
– Dormiu bem?
– Dormi sim mamãe.
– O seu pai é o único que continua dormindo.
– Ele é preguiçoso. — eu disse rindo.
– Let!!!! — o Pietro disse entrando correndo.
– Fala baixo meu amor. Vai acordar seu pai.
– Desculpe mamãe. — ele disse subindo na cama.
– Ai meu menino pesado.
– Mãe a Let dormiu aqui?!
– Dormiu sim filho.
– E porque eu não dormi aqui também?
– Ciúmes? É você?
– Eu não sou ciumento nada.
– Só um pouquinho não é?
– Não. — o Pietro disse segurando a risada.
– Mamãe, hoje vamos ver os meus avós não é?
– Porque você está chamando a minha mãe de mamãe, Let?
– Porque... — eu ia responder quando a Clari me interrompeu.
– Filho você lembra que a mamãe sempre falou que você tinha uma irmãzinha?
– Eu lembro.
– Então, eu e o papai encontramos a sua irmãzinha. É por isso que a Let me chama de mamãe e chama o seu pai de papai.
– É a Let? A minha irmãzinha mamãe?!?!
– É sim.
– Obaaaaa!!! — ele disse me derrubando em cima do papai num abraço.
– Ai meu Deus!! — o papai gritou.
– Crianças! — a mamãe disse rindo.
– Papaaaaaiii!!! A Let é a minha irmãzinha você sabia? Sabia? Sabia?
– Sabia sim filhão. — o papai disse rindo. — Que bom que você gostou da notícia.
– Eu tenho uma irmã super legal e que brinca comigo!!
– Sabe o que temos que ver? — a mamãe perguntou.
– O que? — eu e o Pietro perguntamos juntos.
– A decoração do seu quarto Let.
– E como vai ser?
– Vai ser do jeito que você quiser meu amor.
– Eu quero um quarto bem lindo, rosa e bem lindo.
– Ta bom. — a mamãe disse rindo. — Mas agora vamos levantar para tomar banho e café né? Vamos nos arrumar para ir ver a vovó e o vovô.
– Obaaa! Tem muito tempo que não vejo eles mamãe. — o Pietro falou.
– Você mata as saudades hoje. Vamos, levantando.

Tomei banho com a ajuda da mamãe. Ela me arrumou toda, colocou um laço no meu cabelo e passou em mim um perfume com cheiro de bebê.
Tomei café junto a todos na mesa. Desta vez até a Dalva comeu com a gente. Ela era muito legal, deveria tomar café com a gente todos os dias. A mamãe sempre chamava mas por algum motivo ela sempre negava.

Pov's Diego

Acordei no susto com a Letícia e o Pietro em cima de mim. As crianças não tinham jeito mas eu não ligava, eram os meus filhos, os meus amores.
Levantei, tomei banho junto com o Pietro, fizemos uma pequena guerra de água afinal tinha que ser um banho divertido. Quase nunca tomávamos banho juntos então nas poucas vezes que tomávamos, eu inventava algo para ser divertido e ele querer sempre.

– O que você quer vestir filho?
– Eu não sei, quem escolhe sempre é a mamãe.
– Ah ok, eu vou escolher. — o papai disse olhando para todas as minhas roupas. — Vamos fazer o seguinte filhão. Você já está grande e hoje vai escolher sozinho. Eu deixo.
– Eu não sei...
– Vai filho é fácil.
– Então escolhe você.
– Não mas você tem que mostrar que cresceu.
– Você vê isso pelo meu tamanho.
– Está tudo bem aí? — a Clari perguntou da porta.
– Está tudo ótimo amor.
– Ta nada. Oh mãe.... — ele ia falar quando eu tampei a boca dele.
– Coisas de homens... — eu disse forçando um sorriso.
– Então ta né... Vocês estão estranhos. — ela disse saindo.
– Por que não me deixou dizer papai?
– Porque a gente resolve isso aqui. — eu disse olhando para o guarda roupa. — Olha veste essa bermuda com essa blusa aqui. — eu disse colocando na cama.
– Papai!
– O que foi?
– Essa blusa é de quando eu tinha 2 anos. Não cabe em mim.
– Ah claro... Então vista essa. — falei entregando outra.
– Papai todas desse canto é de quando eu tinha 2 anos. A mamãe guarda de recordação, você não sabe?!
– Sim claro, só esqueci.
– Essa aqui é bonita, combina e cabe em você que é o mais importante.
– Papai me ajuda a vestir a blusa?
– Ajudo sim.
– Papai!
– Que foi?!
– A blusa está ao contrário!!
– Ah é verdade, vem cá. — eu disse tirando a blusa dele e colocando do lado certo.
– Agora sim. — ele disse se olhando pelo espelho.
– Calça essa sandália fechada na frente. — eu disse apontando.

Terminamos de nos arrumar e fomos tomar café da manhã.
Tivemos um momento agradável junto a Dalva que dessa vez se juntou a gente e eu insistia para que ela se juntasse sempre. Para mim ela já era da família.
Após o café, escovamos os dentes e fomos todos para a casa da minha querida sogrinha que sem sombra de dúvida me amava muito. Eu era praticamente um filho para ela. Um filho que ela tentou matar antes, durante e depois de nascer ou simplesmente um filho que ela colocou na adoção e devolveram.
Chegamos na casa dela e logo ela abriu a porta para nos receber. O Pietro fazia a festa por ver os avós e a Letícia ficava quieta com vergonha mas os olhinhos não negavam a felicidade dela.
Mal chegamos e as demonstrações de amor começaram:

– Você? Mas... Eu não acredito que você voltou com essa mula María Clara.
– Eu também estou muito feliz em te ver viu sogrinha?
– Mamãe da um tempo! Eu vim hoje para que você conhecesse a sua neta, a Letícia.
– Como assim?
– Achamos a nossa filha mãe. É ela.
– Ai meu Deus. Mesmo?
– Mesmo. Já fizemos o teste e deu positivo.
– Minha netinha. Coisa linda da vovó! Vem aqui! — ela disse puxando a Letícia para um abraço. — Mas como você é linda! É a cara da sua mãe. Graças a Deus não puxou nada do traste do pai de vocês.
– O Pietro é a minha cara. — eu disse.
– Nasceu sem sorte.
– Mamãe!! Olha as crianças!
– O que? Pelo menos já sabem o pai que tem.
– Ele é um grande pai e um grande marido mamãe.
– Ele é um pamonha minha filha. Olha a cara de besta quadrada.
– Isso! Façam de conta que eu não estou aqui. Fiquem a vontade.
– Ok, chega. Cadê o papai?
– Está no jardim cuidando das plantas.
– Vamos lá dar um oi.

A mãe da Clari me adorava bastante como eu disse antes. Era visível isso.
Fomos até o jardim, falamos com o pai da Clari, deixamos as crianças se distraindo com o avô e fomos para a cozinha.

– Então vocês voltaram né?
– Sim mãe.
– Preciso dizer que não concordo?
– Não precisa sogrinha. A senhora já demonstra muito bem sua opinião.
– É que eu sei muito bem do que estou falando!
– ah cala boca, você não sabe de nada.
– Parem!!! Olha mamãe, eu estou com ele e isso não muda e Diego ela é sua sogra e isso também não muda.
– Um dia morre.
– Diego!!!
– Está vendo filha o tipo de pessoa com que você casa?!
– Ela que começou tudo!
– Vocês estão parecendo duas crianças! Cadê o lanche dos meninos hein? Chega com isso vamos fazer algo produtivo.
– Velha encrenqueira!
– Se eu sou velha encrenqueira você é um...
– Da pra vocês pararem?!?! — a Clari disse irritada.

Fizemos sanduíches, suco e deixamos um bolo no forno. As crianças se divertiam bastante com o avô no jardim e se eu e a Clari não os chamasse para comer, eles nem lembrariam por tão cedo.

– Então é verdade que vocês voltaram. — o pai da Clari disse se juntando a nós no lanche.
– Sim papai. — a Clari disse sorrindo.
– Espero que dessa vez dê certo.
– Vai sim, pode ficar tranquilo. — eu disse.
– Só um instante gente. Eu preciso atender um telefonema. — a Clari disse levantando da mesa e saindo.

Fiquei conversando com meus sogros e brincando com as crianças. Eles estavam muito felizes, os olhos dos dois brilhavam e os avós se emocinavam ao vê-los juntos e tão unidos. Eu ficava mais emocionado que os dois com certeza! Eram os meus filhos lindos.
A Clari voltou pálida e aparentemente nervosa.

– Está tudo bem? — eu perguntei.
– Ess... tá. Está sim, está tudo bem.
– Tem certeza? — eu disse pegando na mão dela.
– Eu tenho sim. Fiquem tranquilos.
– Se você diz que está tudo bem, então tudo certo. — o pai da Clari falou.
– Diego, eu quero falar com você a sós por um momento. Pode ser?
– Claro. — eu disse levantando da mesa e saindo com ela.

A Clari me contou o motivo dela estar nervosa e realmente era um bom motivo. As coisas pareceram se complicar no momento mas procurei manter a calma pela Clari e pelas crianças.
Voltamos a sala para buscar as crianças. Precisávamos voltar para casa naquela mesma hora.

– Porque já vão? Fiquem um pouco mais.
– Mamãe eu não posso. Eu tenho que resolver umas coisas com urgência. Outro dia trago eles aqui e deixo o dia inteiro.
– Tudo bem então filha. Você que sabe. — ela disse se despedindo.

As crianças não perceberam o clima, fizemos um grande esforço.
Chegamos um tanto apressados em casa.

– Dalva!! — a Clari gritou.
– Meu Deus Clari! Assim você me mata do coração!
– Desculpe! Não foi a minha intenção mas eu preciso sair agora e quero que fique muito atenta às crianças, por favor!
– Está tudo bem?
– Depois conversamos Dalva. Beijos crianças. — a Clari disse dando beijos nas crianças.

Saímos mais apressados do que entramos. A situação nos exigia rapidez e calma.

Pov's Clari

Acordei e vi a menina mais linda da minha vida olhando tudo no quarto e com um sorriso que iluminou minha manhã. Era tão bom tê-la comigo e ter o Diego também. Não demorou muito e o meu pimpolho, o Pietro, chegou para completar a bagunça e a minha felicidade.
Tivemos um início de manhã muito agradável, em família. Parecia ser como outro qualquer mas não, esse era diferente, eu tinha certeza que estava com os meus filhos, eu estava completa e a Letícia sabia que era da família.
Fomos até a casa dos meus pais como eu havia prometido que iria. Fazia tempo que eu não via os meus pais e me fez até bem revê-los.
Estávamos sentados conversando quando eu recebi uma ligação e saí para atender.

~ LIGAÇÃO ON ~

– Alô.
– María Clara Alonso?
– Sim, sou eu, quem gostaria?
– Aqui é da polícia. Encontramos o corpo da senhora Fátima e precisamos que venha reconhecer o mesmo.
– Como assim o corpo? Deve estar havendo um engano.
– Precisamos que a senhora venha o mais rápido possível e nos confirme se reconhece ou não o corpo dessa mulher.
– Tudo bem mas ela morreu do que?
– Aqui conversaremos melhor.
– Ok então, já estou indo.
– Aguardaremos.

~ LIGAÇÃO OFF ~

Eu não conseguia processar a informação. Tudo bem que eu tinha raiva da Fátima por ter me mantido longe da minha filha, pela forma que a tratava mas eu não desejava isso para ela.
Como eu falaria isso para a Letícia? Como dar uma notícia dessas para uma criança? Eu torcia de verdade para que fosse apenas um engano.
Voltei para a mesa para irmos embora, eu precisava deixar as crianças em casa, mas antes preferi contar ao Diego, afinal não dava para disfarçar dele o meu choque e ao mesmo tempo nervosismo.
Voltamos para casa o mais rápido possível para deixar o Pietro e a Letícia com a Dalva e em seguida ir reconhecer o corpo.
Toda aquela situação era tão difícil. Eu nem tinha conseguido processar nada, eu estava paralisada, sem saber muito o que fazer.
Ao chegarmos ao local, os policiais já estavam a minha espera.

– Marí Clara?
– Sim.
– Preciso que a senhora faça o reconhecimento e nos preste depoimento.
– Tudo bem. Qual a causa da morte?
– Ao que tudo indica ela foi assassinada. Encontramos o corpo um pouco longe e conseguimos achar o seu número pelo telefone que constava junto aos pertences encontrados da vítima.
– Meu Deus...

Fui fazer o reconhecimento de uma vez por todas e com um certo frio na barriga. Eu tinha esperanças de ser um engano mas após ver o corpo não tinha mais como negar. Era ela sim!! Eu mal podia acreditar no que via! Foi uma cena lamentável.
Após reconhecer o corpo liguei para o meu advogado e fui para a delegacia prestar o depoimento.
Foram longas horas naquela delegacia. Eu só conseguia pensar em como dizer para a Letícia. Eu estava sem reação e fiquei aliviada ao ser liberada para ir para casa.

– Como você está se sentindo?
– Eu não sei. Eu me sinto tão estranha. Eu não desejava isso para ela.
– Eu sei que não meu amor mas vai ficar tudo bem, você vai conseguir provar que é inocente.
– Eu nunca faria isso com ninguém.
– Fica calma, você tem que relaxar. Em casa eu vou ligar para o advogado de novo, para ver como fica. Agora você vai tentar ficar calma tudo bem?
– Tá bom.

Entramos em casa e as crianças estavam na sala jogando, fazendo a maior zoada e comendo pipoca. Nem notaram a nossa chegada.

– Crianças! — disse o Diego.
– Papai! Mamãe! vocês já chegaram! — o Pietro gritou.
– Sim, chegamos. — eu disse.
– Crianças nada de barulho, a mãe de vocês está com dor de cabeça e precisa descansar.
– O que você tem mamãe? Está doente?
– Não meus amores. É só um pouco de dor de cabeça. Vai ficar tudo bem. — eu disse indo para o quarto.

Eu não conseguia olhar para a Letícia. Vinha a imagem da Fátima morta e meu coração apertava. Como dar essa notícia? A minha pequena gostava dela.

– Amor? — o Diego disse entrando no quarto.
– Oi Di. Estou indo tomar um banho, preciso.
– Eu vou ficar aqui esperando.

Entrei para o banho. Eu precisava ao menos tentar relaxar. Eu não podia entender como que eu poderia ser a principal suspeita da morte da Fátima. Eu nunca mataria ninguém por nenhum motivo do mundo.

– Conseguiu relaxar? — o Diego me perguntou.
– Não muito mas eu ainda tenho que dar a notícia a Letícia não é?
– Você quer dar agora? Tem certeza?
– Eu não queria dar essa notícia a ela nunca mas é preciso. — eu disse vestindo minha camisola.
– Você não está sozinha nisso. Você sabe né?
– Sei sim. Obrigada. Eu vou só...
– Clari?! — o Diego disse me segurando.
– Eu estou bem, foi só uma tontura.
– Tem certeza?
– Tenho.
– Deita aqui. Você tem que descansar, amanhã a gente conta para ela.
– Não Diego, temos que contar hoje. — eu disse me levantando.

Eu não queria contar mas a Letícia tinha o direito de saber. Doeria na minha pequena mas não tinha outro jeito.

– Dalva!
– Diga Clari.
– Leva o Pietro para o quarto dele por favor. Arrume ele para dormir.
– Pode deixar.
– Letícia vem aqui, senta perto de mim.
– O que foi mamãe?
– Eu preciso te contar uma coisa. Não é fácil para mim mas eu preciso.
– O que foi?
– A Fátima... — disse segurando o choro.
– O que tem minha mãe?
– Ela virou uma estrelinha. Está lá no céu.
– Minha mãe morreu??
– Sim meu amor.
– É mentira!! Ela está viva e vai voltar para me ver. Ela vai. Você está mentindo para mim!! — a Letícia disse gritando e chorando.
– Filha! — o Diego a segurou. — É verdade o que sua mãe está dizendo. Você tem que ser forte!
– Não! A minha mãe não papai! Cadê ela?! Eu quero ver ela agora! — a Letícia disse ainda alterada e vermelha de tanto chorar.

Peguei a Letícia no colo e fui acalmando ela aos poucos. Foi um momento muito difícil, ver o desespero da minha filha me deixou com o coração em pedaços. Ela chorou até adormecer no meu colo. Coloquei ela na cama e voltei para a sala.

– Foi mais difícil do que imaginei.
– Ela vai ficar bem meu amor. — o Diego disse me abraçando.
– Clari, que gritaria foi essa?
– Foi a Letícia. O Pietro já dormiu?
– Já sim.
– Ótimo.
– Por que que a Letícia estava gritando desse jeito?
– Eu contei para ela que a Fátima morreu.
– A Fátima morreu?! Mas como?!
– Ela foi assassinada, não se sabe o porque.
– Meu Deus que horror!
– O pior de tudo é que eu sou a principal suspeita.
– Mas não faz sentido. Todos sabem que você é incapaz de fazer mal a alguém.
– Clari? — o Diego disse me olhando.
– Eu não estou me sentindo bem. Eu vou para o meu quarto.
– Eu vou com você.
– Não precisa Diego, fica ai conversando com a Dalva.
– Tem certeza Clari?
– Tenho sim, está tudo bem.

No meio do corredor senti minha visão escurecer e desde aí não me lembro de mais nada.

Pov's Pietro

Acordei e fui dar bom dia ao papai e a mamãe. Estranhei ver a Letícia com eles mas depois eu entendi o porque, ela era a minha irmãzinha. É a melhor irmã que eu poderia ganhar, eu adoro muito a Let e ela também me adora, eu sei que sim.
Depois de tomar café fomos ver o vovô e a vovó. Que saudade que eu estava deles! Eu amava muito meus avós, eles eram maravilhosos mesmo o vovô sendo um pouquinho chato.
No meio do lanche a mamãe saiu para atender o telefone e voltou um pouco estranha. Ela tentou disfarçar mas eu a conhecia e ela me parecia nervosa.
Depois da mamãe conversar com o papai voltamos para casa e eu fiquei com a Let e a Dada enquanto meus pais estavam fora.

– O que vocês querem fazer? — a Dalva perguntou.
– Eu quero ver televisão. — respondeu a Letícia.
– Mas tem que ser um desenho bem legal Let!
– Vocês estão com fome?
– Não, comemos antes de voltar para casa. — respondi.
– Então eu vou fazer minhas coisas e vocês vão ficar quietinhos ai. Qualquer coisa me chama. Nada de ficar pulando nem correndo para não se machucarem!
– Tá bom Dada.

Passei a tarde toda vendo televisão e jogando com a Let. Meus pais chegaram já de noite e eu ainda estava jogando com a Let. Estava tão divertido que nem sentimos o tempo passar e só percebemos que o papai e a mamãe tinham chegado quando falaram com a gente.
Logo depois da mamãe chegar ela me mandou ir dormir e pediu para a Dalva me arrumar. Eu já era um homem não precisava mais de ajuda para isso. Sabia trocar de roupa sozinho!
Dormi com a Dada do meu lado contando historinha. Apesar de já ser um homem, eu ainda gostava de ouvir histórias na hora de dormir.

Pov's Letícia

Fiquei a tarde toda e o início da noite jogando com o Pietro. A mamãe chegou um pouco estranha da rua, não me parecia nada bem. O papai pediu para que eu e o Pietro não fizéssemos barulho porque a mamãe estava com dor de cabeça.
Fiquei preocupada com ela mas não tive tempo de perguntar nada. Logo ela foi para o quarto e o papai foi atrás. Continuei jogando com o Pietro mas em silêncio.
Após um tempo a mamãe e o papai voltaram e o Pietro foi para o quarto se arrumar para dormir. Queriam falar comigo a sós e eu não entendia o porque até a mamãe me dizer o que havia acontecido.
Fiquei muito mal, era a minha mãe, a que tinha me criado, que cuidou de mim por tanto tempo. Não era a melhor mãe do mundo mas era a minha, a que cuidou de mim desde que eu era um bebê. Eu não conseguia acreditar e doía tanto... Ela não podia ter me deixado assim, não podia! O papai me segurou na tentativa de me acalmar mas foi inútil.
No início tive raiva da mamãe, achei que ela estava mentindo para mim mas depois a raiva foi passando e eu só sentia a dor.
A Clari me colocou no colo e disse que tudo ficaria bem. Ela me abraçou apertado e ficou comigo até eu dormir.

Pov's Diego

Deixamos as crianças em casa e fomos ao encontro da polícia que já estava no aguardo da Clari. Ela fez o reconhecimento do corpo e depois deu o depoimento. Conversei um pouco com advogado e depois fui com a Clari para casa.
Chegamos em casa e as crianças estavam fazendo a maior bagunça. Tão inocentes, não tinham nem noção do que estava acontecendo.
A Clari foi para o quarto e eu na cozinha para ligar para o advogado. Conversei mais um pouco com ele sobre o caso da Clari e depois fui para o quarto ver como ela estava.
Enquanto conversávamos a Clari passou mal e quase caiu. Por sorte eu estava perto e deu para segurá-la. Surgeri que ela contasse o que havia acontecido para a Letícia no dia seguinte porque ela precisava descansar mas a Clari é teimosa e decidiu contar logo.
A reação da Letícia foi a pior possível. Por um instante ela ficou agressiva mas depois apenas chorava. Dormiu nos braços da Clari de tanto chorar. A Clara a colocou na nossa cama, seria melhor para ela passar a noite junto a nós.
Ficamos um tempo na sala conversando com a Dalva até a Clari se sentir mal outra vez e decidir ir para o quarto. Me ofereci para ir junto mas ela disse que estava bem e podia ir sozinha.
No meio do corredor ouvi um barulho e para o meu desespero a Clari tinha desmaiado.
Coloquei ela no sofá e liguei para o médico e ele recomendou que a levasse para o hospital por conta das emoções fortes e porque ela já teve um caso complicado no parto dos meninos.
Deixei a Dalva cuidando das crianças e fui o mais rápido possível para o hospital.
O médico fez exames, deixou a Clari em observação e depois veio conversar comigo.

– Diego?
– Oi Guilherme, como a Clari está?
– Esta dormindo devido a medicação. Deixarei ela em observação na UTI esta noite. Ela precisa descansar.
– E o que ela tem? É grave?
– Ao que tudo indica sim é, o desmaio foi dado por conta das fortes emoções que ela passou, fez com que a pressão subisse demais. Estou esperando o resultado do último exame para confirmar uma última suspeita.
– Qual?
– Vamos esperar o resultado primeiro. Ela vai dormir a noite toda. O senhor não pode mas eu vou deixar que passe a noite com ela e peço para que fique atento a qualquer sinal que ela possa vim a dar e avise imediatamente a mim ou a um enfermeiro.
– Pode deixar doutor.

A Clari dormia tranquilamente. O estado dela me preocupava e não saber o que seria a última suspeita do médico me deixava mais aflito do que já estava. Eu só esperava que tudo ficasse bem.
No meio da madrugada acabei cochilando mas acordei logo em seguida com o aparelho disparando indicando que ela estava me deixando. Comecei a gritar por ajuda e logo veio uma equipe para dar assistência a ela.
Fiquei do lado de fora aguardando a pedido do médico. O tempo passava e nada de notícias. A minha preocupação e agonia só aumentava. Depois de um longo tempo esperando finalmente o médico veio me trazer notícias.

– E aí, como ela está Guilherme?? Está bem? O que houve?
– Se acalme Diego. A Clari ela teve uma parada cardíaca e...

Notas finais
O que acharam?! Comentem!!! Bjs :*