Louco Amor
88 Capítulo 88
Notas iniciais
Pov's Diego
Eu não podia acreditar no que via. A pessoa era... era o Pedro, o ex da Clara colocando algo na minha bebida e tirando as fotos! Mas o que ele estava fazendo lá? Eu não conseguia entender, nada fazia sentido.
Pedi uma cópia da gravação e sai do local.
~ Ligação ON ~
– Oi mano.
– German eu descobri uma coisa. Você não vai acreditar!
– O que? Descobriu quem é a pessoa misteriosa?
– Não mas descobri algo muito estranho... Lembra da noite da balada com a Cássia que eu trai a Clari? Ou melhor... pensei que tinha traído.
– Lembro mas como assim pensou?
– Eu fui conversar com ela agora de manhã e ela disse que nunca tivemos nada ai eu voltei aqui no lugar e consegui ver a gravação do dia.
– O que tem na gravação? Fala com calma.
– Tem o Pedro, o ex da Clara, colocando alguma droga na minha bebida. Por isso que eu não conseguia me lembrar de nada, por isso!!
– Isso é muito estranho mano.
– Muito... e mais estranho ainda é saber que o Daniel não é meu filho. Eu não posso acreditar.
– Como é que é?
– É isso ai que você ouviu. Ela disse na minha cara.
– Ela é pior do que eu pensava... Quer vim para ca para conversarmos?
– Agora não. Agora eu preciso resolver esse assunto e depois voltar para casa e mostrar a Clari a gravação.
– O que você vai fazer?
– Vou esclarecer as coisas.
– Vai atrás do Pedro? Pensa bem no que vai fazer!
– Depois nos falamos.
~ Ligação OFF ~
Eu nunca me senti tão aliviado em descobrir algo. Eu tirei um peso enorme das costas ao saber que nunca tinha traído a Clari.
Minha cabeça dava voltas. Apesar de aliviado me sentia traído, enganado por saber que o Daniel não era meu filho.
De todas as coisas que eu sentia, a maior era a raiva. Aquele cara tinha destruído meu casamento e feito a Clara sofrer muito com tudo aquilo.
Fui até o bairro que a Clari morava, eu lembrava que ele morava por perto. Comecei a passear com o carro pelas ruas até que o vi sentado em um bar.
Parei o carro na mesma hora, desci e fui em direção a ele.
– Filho da puta! — eu disse empurrando ele da cadeira.
– Está ficando louco?! — ele disse se levantando.
– Você vai ver o louco. — eu disse dando murros nele.
Começamos a trocar murros pelo chão. Eu descontava toda a minha raiva nele. Nunca tinha batido tanto em alguém como batia nele.
No meio da briga fomos separados por dois homens.
– Eu já sei que foi você que colocou droga na minha bebida e enviou as fotos para a Clara!! — eu disse indo para cima dele.
– E daí? Você não tem como provar nada.
– Você que pensa. Eu vou acabar com a sua vida.
– Estou morrendo de medo... Soltem ele, eu quero ver do que ele é capaz de fazer.
– Você mexeu com a pessoa errada. — eu disse me soltando e indo para cima dele novo.
Voltei a bater nele, a raiva não passava. Só parei quando senti alguém me puxar de vez e me afastar do Pedro.
– Chega! Já bateu demais nele! — meu irmão disse me segurando.
– O que está fazendo aqui?
– Vim evitar que você fizesse uma besteira maior.
– Ele me separou da Clara, tem que pagar por isso! E provavelmente conhece a pessoa misteriosa.
– E vai pagar mas não assim. Agora chega, eu vou ligar para uma ambulância. Espero que você não tenha o matado.
– Pois eu espero que sim.
– Não diga besteira. Vamos. — ele disse me puxando para o carro.
O Germán deu umas voltas com o carro para que eu pudesse me acalmar e depois me levou para casa.
– Pronto, está entregue. — o German disse se despedindo de mim na porta.
– Não vai entrar?
– Não, eu tenho que ir para casa e você precisa conversar com a Clara.
– Obrigado por me tirar de lá.
– Por nada, tchau.
– Tchau mano. — eu disse entrando em casa.
– Diego?! — a Clari disse correndo para junto de mim.
– Oi amor.
– O que houve com você? Está todo machucado. Ai meu Deus!! — ela disse me puxando para sentar no sofá. — Foi a Cássia que fez isso em você?
– Não... Eu briguei com o Pedro.
– Pedro? Que Pedro?
– O seu ex namorado. E agora ele deve estar a caminho do hospital.
– Mas porque vocês brigaram?!? Diego o que você fez com ele?
– Eu me vinguei. Somente isso. A raiva foi muito grande.
– Se vingar? Do que?!
– Eu vou te mostrar. — eu disse pegando a gravação e colocando no dvd.
– Mas o que é isso?
– Olha. É a noite que eu teria te traído.
– Foi ele que tirou as fotos?! Eu não acredito! Porque ele fez isso?
– Não sei, o que eu sei é que nunca te traí meu amor. A Cássia mentiu quando disse que eu tinha dormido com ela. Ela me confessou hoje. E eu acreditei porque não lembrava de nada por causa da droga que o Pedro colocou na minha bebida.
– Eu não sei nem o que pensar... É muita coisa para mim.
– Para mim também. E eu ainda tenho que lidar com o fato de que o Daniel não é meu filho. Dá para acreditar? Ela me enganou esse tempo todo.
– O Daniel não é seu filho? Como você está com tudo isso?
– Estou confuso.
– Em relação a nós?
– Não... Estou confuso porque não consigo acreditar em tudo isso.
– Vamos dar um tempo e tentar relaxar. Vem para o quarto que eu vou cuidar desses machucados.
– Um pouco difícil mas tudo bem, não custa tentar.
Fui para o quarto com a Clari e ela limpou os meus machucados.
Depois deitamos e ficamos conversando um pouco, tentando entender tudo o que estava acontecendo. Era muita coisa em pouco tempo e tanto eu quanto ela precisávamos de tempo para assimilar tudo.
Pov's Letícia
No meio da noite acordei na minha cama sozinha. Levantei e fui até a cozinha pegar um pouco de água para beber.
Puxei uma cadeira, e subi para alcançar o filtro e no momento em que abri o botão de água gelada senti uma mão na minha perna que me fez soltar o copo, me desequilibrar e cair da cadeira.
– Let?!? Você está bem?!
– Como você quer que eu esteja bem depois de um susto desses? Você quer me matar é isso?
– Claro que não. Foi sem querer sua boba.
– Toma mais cuidado e fala baixo que vai acordar a Dada.
– Desculpa... — ele disse baixinho.
– Pietro, ta molhando tudo! — eu disse falando um pouco alto e colocando a mão na boca em seguida.
– Sim e o botão está na sua mão. A gente vai levar uma bronca!
– Tem que ter como parar a água. Tem que ter!! — eu disse subindo na cadeira e tentando encaixar o botão no lugar.
– Não quer parar... O que vamos fazer?!
– Eu vou chamar a Clari. É o único jeito! Me espera aqui.
Desci da cadeira e fui correndo em direção ao quarto avisar a Clari do acidente. Da porta eu pude escutar um pedaço de uma conversa dela com o Diego e dali mesmo eu voltei.
Passei correndo pela sala e abri a porta apressadamente.
– Let?! O que você tem? Está chorando? Para onde você vai?
– Eu tenho que ir embora. — eu disse dando um abraço apertado nele e chorando. — Tchau.
– Let n vai... — ele disse triste.
Sai com os olhos cheios de lágrimas, sem saber exatamente aonde ir. Eu só sabia que precisa ficar bem longe dali.
Nunca havia me sentido tão mal, tão confusa...
Corri até sentir que já estava longe o suficiente para ninguém me encontrar. Eu não queria falar com ninguém.
Parei perto de um viaduto onde tinham algumas pessoas. Deitei um pouco perto delas e em meio a lágrimas adormeci.
Pov's Pietro
Acordei no meio da noite com vontade de ir ao banheiro e na volta para o quarto ouvi um barulho vindo da cozinha que me assustou no primeiro momento mas fiquei aliviado ao ver q era só a Let tentando pegar água.
Na tentativa de segurar a Let para não cair na cadeira, eu a assustei e ela caiu e ao tentar se segurar no filtro, ela quebrou o botão que controla a saída de água e a cozinha começou a encher de água.
Fiquei esperando ela chamar a mamãe para mostrar o que tinha acontecido e um tempo depois a vi passar correndo para a porta da rua. Me preocupei bastante e tentei saber o que tinha acontecido.
Vi Let sair e fiquei me perguntando se não deveria ir atrás para proteger ela. Era muito tarde e a rua era muito perigosa para ela andar sozinha daquela maneira.
– Que barulho é esse aqui?
– Ai Dada que susto!
– Que bagunça foi aquela na cozinha Pietro?!
– Foi a Let mas foi um acidente. Eu tentei segurar ela para ela não cair e ela acabou caindo e quebrou o botão. Não foi culpa dela Dada, não briga.
– Não vou brigar mas vocês poderiam ter se machucado! Cadê a Letícia? Ela está bem?
– Ela saiu... Tava muito triste, disse que precisava ir.
– Saiu? Para onde? Como assim?
– Para a rua Dada. Ela não disse aonde ia.
A Dada entrou meio em choque quando eu disse que a Let tinha saído sozinha para a rua. Ela foi correndo falar com a mamãe que também se desesperou e começou a chorar bastante.
Enquanto a mamãe e o papai procuravam pela Let, eu fiquei em casa com a Dada na espera de notícias.
Pov's Clari
Depois de um tempo assistindo televisão com os meus pimpolhos, os coloquei em suas camas pois haviam dormido.
Na espera pela chegada do Diego fiquei um tempo na cozinha conversando com a Dalva e depois fiquei no sofá da sala tentando passar o tempo.
Já era tarde quando o Diego chegou cheio de machucados e um pouco tenso falando umas coisas confusas.
Descobrir que o Pedro tinha armado para me separar do Diego mexeu muito comigo. Eu nunca esperei isso dele, não conhecia esse lado escuro e havia namorado com ele por tanto tempo! Eu não sabia nem o que pensar ao certo.
Levei o Diego para o quarto e tratei de cuidar dos machucados dele. Eu não gostava quando ele se metia em brigas mas dessa vez eu nem podia brigar com ele. Ele tinha um bom motivo apesar de que não teria ter brigado.
– Não procura mais briga com ele ok?
– Ele separou a gente! Fez uma bagunça na nossa vida junto a Cássia!
– Eu sei mas deixa que ele vai pagar por tudo o que fez algum dia de alguma forma.
– Eu não quero que mais nada nos atrapalhe. Tudo o que eu quero agora é ficar com você e os nossos filhos.
– Eu sei disso.
– Falando nos nossos filhos... Eu esqueci de te avisar! Chegou alguma carta para você, eu coloquei em baixo dos livros.
– Que carta? — eu disse me levantado para procurar.
– Não sei amor, eu não olhei direito. Só vi que era para você.
– Diego... — eu disse olhando para a carta.
– O que foi?
– É o resultado do teste de DNA.
– Abre!! Vamos ver o que diz!! Eu tenho certeza que ela é a nossa filha.
– E se não for? E se eu tiver me enganado? Estou com medo agora.
– Medo porque? De alguma forma agora ela é a nossa filha mesmo se não for a nossa Letícia que desapareceu há alguns anos atrás.
– Abre você. — eu disse entregando para ele.
– Não. Abriremos juntos.
Abrimos o teste e eu não pude me conter na emoção em ler que o teste tinha dado positivo. Era a minha Letícia!!! Eu não tinha me enganado, meu coração não tinha mentido para mim outra vez! Eu não podia dizer o quanto estava feliz. Era uma emoção que não cabia em mim.
– A Letícia é a nossa filha Diego!! É a nossa menina que desapareceu. A encontramos!!! É ela!!
– Sim meu amor!! Encontramos nossa filha! Você não sabe o quanto estou feliz por isso!!
– Eu não vejo a hora de contar para ela que ela é a minha filha, a irmã do Pietro!
– Calma Clari. Vamos devagar, ela é só uma criança. Vai se assustar. Ela passou a vida toda pensando que era filha de uma quando na verdade é filha de outra. Imagina como a cabecinha dela não vai ficar.
– Você tem razão. Tenho que contar com cuidado, tenho que manter a calma. Mas é que eu estou tão feliz!!! — eu disse abraçando ele bem forte.
– Eu sei!!! Eu também estou!! Não falta mais nada agora!! — ele disse me dando um beijo.
Meu coração não conseguia se conter de tanta felicidade, tanta emoção.
Difícil explicar a sensação de se encontrar um filho após tanto tempo sem ver.
Confirmar que a Letícia era quem eu procurava me trouxe uma paz enorme. Foi como se todos os vazios da minha vida tivessem sido preenchidos.
Em meio a tanta felicidade, a Dalva me trouxe uma notícia nada feliz. A Letícia tinha saído para a rua sem ninguém. Meu coração ficou apertado, o medo de que algo acontecesse a minha pequena tomou conta de mim. Ela não tinha o porque fugir. Eu não conseguia entender até o Pietro me contar que ela tinha ido me chamar para resolver o problema do filtro. Não tinham dúvidas de que ela tinha escutado minha conversa com o Diego.
Sai do jeito que estava com o Diego a procura dela. A todos que perguntávamos na rua diziam não ter a visto e isso só aumentava o me desespero.
Eu tinha que achar a Letícia. Agora que tinha certeza que era ela, eu não podia a perder novamente.
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