Louco Amor
59 Capítulo 59
Notas iniciais
Pov’s Clari
Acordei pelo final da madrugada, fiquei um tempo olhando o Diego dormir e pensando no que tinha acontecido entre mim e ele. Eu não podia acreditar que tinha me entregado a ele novamente, não podia ter acontecido. Eu sentia falta dele, dos beijos e dos toques e aquela foi uma das melhores noites da minha vida, isso não dava para negar.
O Diego tinha me feito sofrer muito e eu não conseguia esquecer isso. O medo de me machucar mais uma vez me fazia seguir com a ideia de que não deveríamos voltar e que se eu o perdoasse ele faria tudo de novo.
Aproveitei que o Diego dormia e saí para dar umas voltas. Eu precisava pensar e chorar um pouco. Estava me sentindo confusa e mal por não conseguir esquece-lo.
Chovia muito e fazia bastante frio. Minhas lágrimas se misturavam com a chuva enquanto havia uma guerra entre o meu coração e a razão. Eu pensava no meu filho e no que seria o melhor para ele mas não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Era impressionante como eu esquecia de tudo quando o Diego se aproximava de mim. Estava cada vez mais difícil de controlar os meus sentimentos na presença dele e cada vez mais confusa quanto o Murilo.
Sentei próximo ao lago e fiquei olhando a chuva cair nele enquanto lembrava dos meus momentos com o Diego. Era impossível de esquecer o que tínhamos vivido.
Após um tempo o Diego apareceu por trás de mim, me cobriu com o seu casaco e me pegou no colo. Eu não entendi o que ele estava fazendo mas também não queria contestar nada, eu não tinha vontade de falar apenas de chorar. Ele me levou de volta para o chalé, me colocou no sofá e foi até o banheiro buscar uma toalha.
– O que você estava fazendo lá com toda essa chuva? Quer ficar doente?
– Eu precisava pensar.
– E por que não pensou aqui dentro? Clara você podia até ter se trancado no banheiro eu não te incomodaria.
– Eu precisava respirar e ficar um pouco só Diego. – Eu disse segurando o choro.
– Não chora... Vem, tira essa roupa antes que você fique resfriada. – Ele disse tirando minha roupa e me enxugando.
– Eu posso fazer isso sozinha.
– Mas eu faço questão de cuidar de você. – Ele disse me olhando nos olhos. – Veste essa roupa aqui.
– Por que você brinca assim com os meus sentimentos?
– E quem te disse que estou brincando com os seus sentimentos? Clara você não sabe o quanto estou feliz por estar com você agora.
– Eu acredito em você. O pior é isso... – Eu disse abaixando a cabeça.
– Não faz sentido a gente ficar separado. E a noite que tivemos? Não valeu de nada?
– Diego... Lembra do que eu te disse sobre isso ser um momento? Então...
– Você tem certeza disso? Para mim não é só um momento mas se você quer encarar assim tudo bem. Eu respeito sua escolha.
– Acho melhor assim.
– Eu vou preparar um chá para você.
– Obrigada mas eu mesma posso fazer isso.
– Não, não. Você vai ficar na cama quietinha, embrulhada para se aquecer. – Ele me levou até a cama no colo e me cobriu.
– Você é chato.
– E você teimosa. – Ele disse me dando um beijo na testa.
O Diego estava sendo paciente e atencioso comigo para piorar tudo. Quanto mais perfeito ele fosse comigo mais confusa eu ficava. Eu sabia exatamente o queria, era a mesma coisa que o meu coração mas eu preferia agir pela razão.
Ele me deu um chá para beber e deitou ao meu lado. Ficamos abraçados conversando, ele me pediu para vivermos aquele momento sem pensar em mais nada e foi a melhor coisa que ele poderia ter me pedido. Aos poucos ele me fez relaxar e esquecer de tudo o que me deixava triste e me fazia chorar e só então pude aproveitar aquele momento como ele queria.
Em um momento o Diego levantou para tomar um banho e o celular começou a tocar. Olhei no visor e era a Cássia. Me senti estranha naquela hora, eu estava fazendo o papel da outra e só naquele momento eu me toquei. Eu ia chama-lo quando ele saiu do banheiro só de toalha.
– Seu celular está tocando. – Eu disse em um tom baixo.
– Quem é?
– A Cássia, sua noiva.
– Deixa tocar.
– Por que? Pode atender, não me importo e até porque ela deve estar preocupada com você.
– Não vou atender. Depois eu falo com ela. A única coisa que me importa agora é nós dois.
– Mas ela é sua noiva Diego.
– Se você disser que sim ela deixa de ser na mesma hora.
– Já disse que não.
– Ok mas de qualquer forma eu não vou atender ela. Quem realmente me importa está aqui na minha frente com o nariz vermelho porque fez travessura.
– Não fiz travessura.
– Fez sim, minha travessa. – Ele disse deitando do meu lado e me beijando.
– Para Diego. Não quero mais.
– Porque? O que houve?
– Você está noivo da Cássia o que significa que estou aqui fazendo o papel da outra. Não gosto disso.
– Como é que é? – Ele disse rindo.
– Qual é a graça Diego?
– María Clara você NUNCA será a outra. Não tem mais ninguém no mundo que eu queira mais que você. Eu troco qualquer uma por você.
– E me troca por qualquer uma também.
– Isso não é verdade. Você é mais que especial para mim e isso você não entende ou não quer entender, não sei.
– Na verdade eu não consigo entender Diego.
– Tudo bem, não vamos brigar por isso. Eu te peço mais uma vez que esqueça de tudo e se concentre em nós dois agora.
– Eu adoraria fazer isso mas tenho que ir para casa.
– Por que? Não vai não. Quero ficar mais com você.
– Porque eu tenho que cuidar do meu filho.
– Do nosso filho... E a Dalva está com ele. Eu te garanto que ele está bem. Fica mais Clara, eu preciso que esse momento dure mais.
– Mas...
– Clara aproveita aqui e agora, um dia o Pietro cresce, casa e vai viver a vida dele. Eu entendo que você queira cuidar dele, eu também quero mas precisamos viver também.
– Odeio quando você tem razão.
– Eu sei disso e amo ter a razão.
– Cala a boca e me beija antes que eu me arrependa. – Eu disse entre um selinho e outro.
Ficamos o resto do dia juntos conversando, namorando e rindo. Os meus problemas perto dele desapareciam e eu sorria involuntariamente. Ele me deixava de um jeito bobo, sem muitas palavras.
Pov’s Diego
Acordei e a Clara não estava em nenhum lugar do chalé. Estava chovendo forte e as coisas dela ainda estavam na casa. Peguei o meu casaco com capuz e sai de short e uma camiseta fina branca atrás dela. A encontrei sentada perto do lago totalmente encharcada e com o rosto vermelho.
Eu não sabia o que estava acontecendo mas ver ela naquele estado me deixou muito preocupado. Eu só queria cuidar dela e nada mais.
Assim que voltamos ao chalé tratei de enxuga-la e dar outra roupa para ela vestir. Fiquei com medo dela ficar doente então a deixei deitada para se aquecer e fui preparar um chá. Dentro do tempo que estávamos separados eu nunca tinha me sentido tão bem quanto naquele dia com a Clara. Era difícil negar o que eu sentia com ela tão perto de mim.
Ficamos um tempo conversando e trocando carinhos na cama, estava tudo bem até a Cássia me ligar. A Clari ficou estranha, se sentiu como segunda opção, o que era besteira porque ela estava em primeiro lugar sempre. Aliás, ela e o meu filho sempre estariam em primeiro lugar na minha vida. Sem dúvidas eram as pessoas que eu mais amava no mundo.
Pensei em dizer por um instante a Clari o quanto a amava, me declarar , abrir totalmente o meu coração mas desisti. Era um ideia boba, como ela mesma havia dito era só um momento e nada mais. Logo tudo acabaria e voltaríamos a nossas vidas normalmente.
Fiquei um pouco chateado com o fato dela não levar o que estávamos sentindo a sério. Eu queria que ela dissesse sim e voltasse para mim. Eu faria de tudo para nunca mais a machucar, nem a fazer chorar. Talvez só eu ainda tivesse vivo aquele sentimento dentro de mim; talvez o amor que um dia ela havia sentido por mim tenha sido apagado pelo tempo.
Eu queria mais do que nunca terminar com a Cássia e começar a minha vida do zero ao lado da Clara mas ela não queria o mesmo e eu não podia fazer nada a não ser aproveitar ao máximo cada segundo ao lado dela.
– Eu já te disse que você é linda?
– Já.
– E eu já te disse que os seus olhos são encantadores?
– Sim.
– E eu já te disse que você é a mulher mais linda do mundo inteiro?
– Dessa eu não me lembro... Mas não é verdade.
– Para mim é. Não importa quanto tempo passe ou quantas mulheres eu conheça, você sempre será a mais linda para mim.
– Estou ficando com vergonha. Para com isso.
– Você fica linda assim vermelhinha. – Eu disse beijando ela.
– Bobo.
– Eu costumo ficar bobo quando estou muito perto de uma loirinha linda de olhos verdes. Não sei se você conhece ela...
– Você não existe Diego.
– Me dá um beijo e você vai ver que eu existo... – Eu disse beijando ela.
– Eu realmente não sei o que estou fazendo aqui com você.
– Eu sei o que você pode fazer aqui comigo... – Eu disse dando beijos no pescoço dela. – Se você quiser eu te mostro. – Sussurrei no ouvido dela
– Não Diego. Para com isso.
– Por que?
– Eu não estou afim. Quero só ficar deitada no seu peito mesmo e mais nada.
– Como quiser então... – Eu disse abraçando ela.
– Sabe de uma coisa?
– O que?
– Eu amo você de barba. Você fica tão charmoso.
– Está apaixonada pela minha barba agora? Se eu tirar a barba você não vai mais me amar?
– Claro que vou... Quer dizer... Vou continuar gostando de você com ou sem barba.
– Fico feliz por isso.
– Que bom...
Por um momento achei que ela realmente diria que me amava mas foi só uma ilusão. As vezes eu sentia que ela me amava e as vezes sentia que não passava de uma coisa momentânea. Não dava para entender bem o que se passava na cabeça dela. De qualquer maneira, eu seguiria meu noivado mas na esperança dela me pedir para voltar, dela me dizer sim, dela me dar uma nova chance de fazer tudo certo e faze-la a mulher mais feliz e mais amada do mundo.
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