Louco Amor

38 Capítulo 38


Notas iniciais
Boa leitura!!

Pov's Clari

Vi o dia amanhecer. Não consegui dormir nem por um minuto durante toda a noite. Passava mil coisas na minha cabeça e a principal, a pergunta que eu não parava de fazer a mim mesma era: será que eu estou grávida?

Os enjoos, as tonturas não passavam, era como um rotina. Sem contar que eu estava com mais fome e sono que o normal.

Saí para trabalhar normalmente. Não podia parar a minha vida pelo mal estar que eu andava tendo.

Gravei durante a manhã toda como sempre e pela tarde fui para a escola de teatro. No final das aulas, quando eu estava saindo o Murilo me gritou.

– Clara, espera!!

– Tô com pressa. — Falei sem olhar para trás.

– Só um minuto. — Ele disse me segurando.

– O que você quer?

– Saber como você está.

– Muito bem obrigada. Tchau.

– Você ainda está brava comigo? Não acredito. Para com isso, somos amigos.

– Éramos amigos até você tentar se aproveitar de mim.

– Eu já pedi desculpas. Eu não consegui me controlar. Esse tempo que passamos afastados me fez ver o quanto você está bem com ele e que não tenho chances.

– Que bom para você.

– Clari por favor!! Para... Eu sinto muito a sua falta e prefiro ser só seu amigo do que não ser nada.

– Não sei Murilo. Não quero confusões.

– Eu prometo que vou me comportar.

– Não Murilo. Melhor deixar tudo como está.

– Então é assim?

– É. É assim.

– Tudo bem então María Clara.

Eu ainda gostava do Murilo, ele era meu amigo e me doía ficar longe dele. Eu sentia falta das conversas, dos abraços, da companhia dele.

Cheguei em casa de noite, me sentindo enjoada e um pouco tonta. Encontrei o Diego no quarto terminando de se arrumar.

– Vai para onde bonito assim?

– Oi amor. Uns colegas do trabalho me chamaram para ir na balada com eles hoje. Vem comigo?

– Não amor, estou muito cansada, trabalhei demais hoje. Vai sozinho.

– Mas um motivo para você vim comigo ou então eu ligo para eles digo que não vou, coloco um filme e fico aqui com você.

– Vai se divertir vai. Eu vou dormir daqui a pouco.

– Tem certeza que não quer que eu fique? Você está bem mesmo?

– Sim e sim. Estou ótima, apenas cansada.

– Então tá. Qualquer coisa me liga ou manda mensagem.

– Pode deixar. Vai tranquilo que eu estou bem.

– Tá bom. Deixa eu ir que já estou em cima da hora. Demorei mais para dar tempo de você chegar. Não queria sair sem te dar um beijo antes.

– Lindo, te amo. — Eu disse beijando ele.

– Eu também te amo.

Preferi não dizer nada para o Diego, queria que ele saísse com os amigos. Já tinha tempo que ele não saía para relaxar e se divertir.

Não consegui comer nada, tudo me enjoava. Fiquei na cama pensando na possibilidade de estar grávida. Eu nunca pensei que ficaria tão feliz com a ideia de ter alguém dentro de mim. Apesar de ser algo bom, preferi não comemorar nem criar esperanças, afinal eu não tinha certeza de nada e por isso também escolhi não tocar no assunto com o Diego. Eu queria confirmar antes de qualquer coisa.

Pov's Diego

Passei cedo pelo pátio da escola torcendo para não encontrar com a Cássia. Eu não sabia o que falar para ela nem como tratá-la.

Comecei a dar minhas aulas e por um lado eu pensava no meu beijo com a Cássia e por outro eu pensava na Clari. Eu não trocaria a Clari por nada nesse mundo mas também não podia negar que a Cássia mexia muito comigo.

Após as aulas eu fui para a sala dos professores e estava lendo quando alguém tampou meus olhos com as mãos.

– Quem é? — Falei pegando nas mãos da pessoa.

– Rsrs. — Ela apenas riu.

– Essas mãos macias, esse perfume e essa risada... Só pode ser a Mariana.

– Quem é Mariana, Diego? — Ela disse tirando as mãos dos meus olhos e cruzando os braços.

– Kk ninguém. Falei só para te para ver a sua reação. — Eu disse levantando da cadeira e encostando na mesa, ficando de frente para ela.

– É bom mesmo que não seja ninguém. — Ela disse colocando envolvendo os braços em meu pescoço e grudando o corpo no meu.

– Ciumenta? — Falei colocando minhas mãos em seu quadril.

– Muito... — Ela disse aproximando a boca da minha.

– Então... Como eu disse ontem: nada beijos.

– Eu não te entendo Diego.

– Nem eu me entendo.

– Não vou insistir. Se você não quer ficar comigo não posso fazer nada. Seguimos na amizade. — Ela disse se afastando de mim.

– Espera. — Eu disse a puxando de vez para mim. — Eu não posso porque...

Na hora em que eu ia dizer que era casado alguns colegas de trabalho entraram na sala fazendo eu e a Cássia nos afastar.

– Bom, então é isso professor Diego. — Ela disse um pouco nervosa e envergonhada.

– Ok. — Eu disse enquanto ela saía da sala.

– Hummmm...

– Hummm... O que? — Perguntei me fazendo de desentendido.

– Você e a diretora. Nós vimos. — Falou um colega meu.

– Não viram nada porque não tem nada.

– Tome jeito que você é casado. E por falar nisso cadê a aliança que eu nunca mais vi você usar?

– Eu perdi faz um tempo. Nem sei porque to te respondendo. Não é da conta de vocês isso.

– Tranquilo Diego. Não vamos contar para a Clari... Mas fala aí agora. Vamos na balada hoje? Só a gente.

– É uma boa. Vamos sim.

– Nos encontramos na entrada então.

– Ok. Até mais tarde. — Falei saindo da sala.

Saí da escola, resolvi alguns problemas no escritório e depois fui para casa descansar para sair.

Fiquei um tempo enrolando para dar tempo da Clari chegar. Queria que ela fosse comigo, eu ia amar sair com o meu amor, mas ela disse que estava cansada e preferiu ficar sozinha em casa.

Cheguei no local marcado com o pessoal e para a minha surpresa a Cássia estava lá com eles. Eu não tinha a mínima ideia do que ela estava ali.

Entramos e começamos a dançar e a beber. Meus colegas não tiravam os olhos de mim e da Cássia, apesar de que não estava acontecendo nada; nem clima.

Fiquei checando o celular o tempo todo com medo da Clari me ligar ou mandar mensagem e eu não ver.

No meio da mafrugada, meus colegas foram embora restando somente eu e a Cássia.

– Você não tinha que está em casa com suas filhas e seu marido?

– Minhas filhas estão com a babá e meu marido só chega amanhã.

– Humm... Quando quiser ir embora avisa.

– Relaxa aí. Vamos aproveitar mais.

– Eu vou pegar uma bebida. Você quer?

– Não e acho bom você ir parando antes que fique bêbado.

– Tá. Só beber mais uma e paro.

Após beber um pouco do que estava no copo me senti um tanto que tonto, senti algo estranho. Minha cabeça dava voltas e a única coisa que eu me lembro depois disso foi de ter beijado a Cássia.

Acordei confuso em um quarto que me parecia familiar. Onde eu estou? Perguntei baixinho para mim mesmo. Olhei para o lado e vi a Cássia dormindo. Sentei na cama imediatamente, minha cabeça doía muito. O chão estava com roupas espalhadas. Levantei com dificuldade, vesti a cueca e sentei na cama. Tentei lembrar do que tinha feito mas não consegui.

– Bom dia. — A Cássia disse passando as mãos em minhas costas.

– Bom dia...

– Você está bem?

– Não. Estou com muito dor de cabeça e... Posso te fazer uma pergunta?

– Pode, claro.

– O que aconteceu entre a gente?

– Você não lembra?

– Não.

– De nada Diego?

– Não... A gente... Bom, é... A gente transou?

– Sim e foi uma das melhores noites da minha vida.

– Desculpa mas eu não me lembro. Minha cabeça parece que vai explodir. Que horas são?

– São 7:20 da manhã.

– Tudo isso? Meu Deus, eu tenho que ir para casa.

– Mas você não já está em casa?

– Para a casa da minha mãe. É.

– Hum, tá... Eu também tenho que ir. Quero chegar em casa antes do meu marido para ele não ficar me enchendo o saco.

Eu não podia acreditar no que tinha acontecido. Eu não acreditava que tinha transado com a Cássia. E o pior é que eu não lembrava de absolutamente nada. Como eu ia olhar na cara da Clari? Como eu ia beijá-la depois disso? Minha cabeça estava a mil e doendo muito.

Saí o mais rápido que pude da antiga da casa. Fui o caminho todo tentando me lembrar de alguma coisa. Parecia impossível lembrar de algo, missão impossível.

Eu não podia chegar em casa daquele jeito. Eu precisava me acalmar um pouco. Parei em qualquer barraca e tomei um suco. Passei um tempo mais pensando e tentando manter a calma. Depois quando já estava um pouco mais calmo, segui para casa.

Cheguei em casa e a Clari estava dormindo. Tentei não fazer barulho para não acorda-la mas eu acabei derrubando um frasco e ela acordou.

– Diego...?

– Oi amor, volta a dormir.

– Que horas são?. — Ela falou esfregando os olhos e olhando para o relógio.

– É cedo. Descansa.

– Diego são 9 da manhã. Onde você estava? Isso são horas de chegar?

– Desculpa amor. Eu fiquei com os colegas e acabei dormindo na casa de um deles.

– Poderia ao menos ligar para avisar né?

– Eu esqueci...

– Dá próxima vez lembra Diego. Moramos juntos, você tem que me avisar se eu não eu começo a achar que aconteceu algo. — Ela disse ficando nervosa.

– Desculpa amor. Desculpa. Não briga comigo não. Não faço mais. — Ele disse me abraçando.

– Diego que perfume é esse? — Ela disse gritando.

– Não grita Clari por favor! Minha cabeça está doendo muito.

– Você ficou bêbado Diego? Você sabe que eu não gosto disso.

– Eu passei um pouco da conta. Não muito.

– Você dormiu na casa de um colega né? E esse perfume você me explica como?

– Que perfume? Não tem perfume nenhum... A não que ficou na roupa porque lá na casa do meu colega eu misturei com outras.

– Dormiu pelado?

– Não. Eu vesti outra roupa.

– Ah.. Vai tomar um banho que seu estado é deprimente. E quando a ressaca passar, estarei lá na sala.

– Está bem.

Eu fiquei tão nervoso quando ela perguntou do perfume. Se ela descobrir que eu não dormi na casa de colega nenhum é o meu fim. Eu estava me sentindo péssimo por ter mentido para a Clari e pior ainda por ter traído ela. Eu nunca ia me perdoar por isso. Tentar entender ou lembrar o que tinha acontecido era algo impossível. Tomei um banho demorado, e depois deitei para tentar dormir. Eu precisava dormir e acalmar os pensamentos. Eu precisava esquecer de tudo por pelo menos um instante.

Notas finais
Comentem! Beijos! :*