Louco Amor
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Pov's Clari
Acordei disposta, feliz e cantando, fiz minha higiene matinal, desci para tomar café junto a minha família. Em seguida saí para as minhas aulas de teatro, que por sinal eu já estava atrasada.
Assim que cheguei me esbarrei com o Murilo:
– Ai ai, desculpa eu não te vi. Olha só a bagunça que eu fiz. — Falei me abaixando e o ajudando a recolher as coisas dele que eu havia jogado no chão.
– Não tem problema Clara. Fica tranquila. Estava correndo para assistir a primeira aula?
– Sim, sim. Me atrasei de novo. — Falei dando um leve sorriso.
– Então vai beber uma água, sentar e relaxar um pouco porque não vai ter o primeiro horário. A professora só vai poder vim no final do segundo.
– Ai nossa, não acredito que vim correndo feito uma louca para não ter a primeira aula.
– Acontece, passo sempre por isso. — Ele disse rindo.
– Bom, agora vou pensar no que fazer nesse tempo livre.
– Podíamos tomar um suco, o que acha?
– Acho ótimo.
– Então vamos? — Ele disse me dando o braço.
O Murilo era um ótimo colega, eu realmente adorava ele. Ele me levou a uma lanchonete perto da escola de teatro; sentamos em uma mesa no canto e após o garçom nos trazer o cardápio ele me perguntou:
– O que vai querer?
– Um suco de laranja e você?
– Uma vitamina de banana.
Fizemos os pedidos e continuamos conversando.
– E então.. Como anda a vida? Está tão sorridente hoje, mais que o normal. — Ele disse sorrindo para mim com uma cara de curioso.
– É que hoje finalmente vou marcar a data do meu casamento e estou muito feliz por isso.
– Nossa!! Mas eu não sabia que você estava noiva. Meus parabéns Clara! Felicidades!
– Obrigada Murilo!! — Falei sem conseguir conter o sorriso.
– Eu queria ter a sorte de encontrar alguém para casar também, mas infelizmente não tenho.
– Ué, mas você não estava namorando?
– Terminei. Não deu certo.
– Sinto muito, eu não sabia.
– Não faz mal. A vida segue e um dia eu encontro alguém.
– Que bom que pensa assim. Pensamentos positivos sempre. — Falei sorrindo e apertando a mão dele.
– Sim, é verdade. Agora me conta direito essa história de casamento que eu ainda não acredito.
– Para falar a verdade, nem eu acredito. Parece um sonho.
– Vejo alguém apaixonada, vejo olhos verdes brilhando e um sorriso bobo.
– Para Murilo. Talvez eu esteja um pouco apaixonada sim mas não é para tanto.
– Um pouco? Clara, sou eu o Murilo. Pode dizer a verdade.
– Eu sei, você é o Murilo chato que está me fazendo admitir que estou totalmente apaixonada.
– Agora sim sinto verdade em suas palavras. — Ele disse rindo.
– Chato. — Falei colocando a mão no queixo.
O Murilo ia dizer algo quando os pedidos chegaram. Tomei meu suco enquanto conversava com ele. Depois resolvemos voltar para a escola de teatro. Quando chegamos o Murilo me puxou para cima do palco, sentou-se no piano e disse para eu o acompanhar. Eu não sabia o que ele iria fazer mas resolvi participar.
Ele começou a tocar uma melodia que era sem dúvidas encantadora. O Murilo começou a cantar o que vinha a cabeça, o que tornava a canção mais linda ainda. Eu não sei como ele conseguia. Depois de um tempo tocando aquela música tão suave, calma e ao mesmo tempo intensa, ele me olhou como quem me pedia para cantar com ele. Então comecei a segui-lo, cantamos juntos, em sintonia e só então quando terminamos de cantar, eu percebi que havia gente parada vendo. As pessoas que assistiram começaram a aplaudir. Eu e o Murilo nos olhamos e começamos a rir. Em seguida ele levantou e me deu um abraço.
Desci do palco e Cami veio logo me puxando e dizendo:
– Amiga o que foi aquilo?
– Aquilo o que?
– O que acabou de acontecer no palco. Você e o Murilo.
– O que? Está vendo coisas que não existem Cami. Eu e o Murilo somos apenas amigos e não passará disso. Além do mas, hoje eu vou marcar a minha data de casamento com Diego.
– Eu não acredito!!! Sério amiga? Que notícia ótima!! Espero que você seja muito mais feliz.
– Obrigada amiga. eu não sei se consigo ser mais feliz do que já sou. — Eu disse sorrindo e dando um abraço na Cami.
– Clari, eu tenho que fazer uma coisa agora e na aula nos vemos.
– Está bem. Nos vemos na aula.
Me despedi da Cami e fui em direção ao Murilo pegar as minhas coisas que eu havia deixado com ele e ficamos conversando até a professora chegar e chamar todos para a aula.
O dia foi excelente, me diverti bastante e para fechar o meu dia com chave de ouro eu e o Diego marcamos a data do casamento. Eu não podia estar mais feliz.
Pov's Diego
Acordei, tomei banho, me arrumei, tomei café, escovei os dentes e fui a lanchonete para mais um dia de trabalho. Passei o dia inteiro trabalhando, resolvendo problemas da lanchonete.
Ao final da tarde fui buscar a Clari na escola de teatro. Quando eu cheguei ela estava conversando com um menino. Buzinei para ela ver que eu tinha chegado. Eu não liguei muito para o fato dela estar a sós com um menino mas como eu não sabia quem era perguntei:
– Oi amor, quem é aquele menino que estava com você?
– Ah é o Murilo, um amigo de classe. Por que?
– Nada, apenas curiosidade. É que eu conheço todos ou quase todos os seus amigos e eu não conhecia ele.
– Outro dia te apresento porque agora temos que ir marcar a data do nosso casamento.
– Sim, e eu estou muito mas muito feliz.
– Eu também estou muito feliz. Hoje todos comentaram sobre eu estar mais sorridente que o normal. — Ela disse sorrindo e em seguida me beijando.
Seguimos para a Igreja que havíamos escolhido. Conseguimos marcar o nosso casamento para daqui a quatro meses. Estava tudo realmente perfeito e para comemorar chamei a Clari para sair comigo. Ela aceitou e me pediu para levar ela em casa para que ela pudesse tomar um banho rápido e se trocar.
Fiquei um tempo na sala da casa dela a esperando terminar. Resolvi subir para ver se ainda faltava muito. Eu já estava um pouco impaciente.
Cheguei no quarto e ela estava somente de calcinha e sutiã. Ela era muito linda, um corpo perfeito. A abracei e comecei a beija-la mas logo ela me empurrou e disse:
– Hoje não Diego.
– Por que? — Fiz carinha de triste.
– Porque eu estou naqueles dias.
– Naqueles dias?
– É Diego, naqueles dias.. Estou menstruada.
– Ah, eu não entendo essa linguagem de mulher. Mas então, vai demorar muito ainda?
– Não, só vou terminar de me vestir, prender o cabelo e pegar minha bolsa.
– Então tá. Vou te esperar lá fora. Não demora. — Falei a beijando.
– Está certo. Daqui a pouco eu desço.
Fiquei parado perto do carro esperando a Clari. Estava distraído quando ouvi uma voz familiar me chamando e quando virei para ver quem era não podia acreditar.
– Vanessa?!?! Eu não acredito, o que você faz por aqui. Nossa, que surpresa!!
– Eu estou passando uns tempos por aqui. Eu também estou surpresa de te encontrar por aqui. Que mundo pequeno.
– Muito pequeno! E como está? Me fala.
– Eu estou muito bem, estou trabalhando. Passando uns tempos aqui por conta do trabalho e se tudo der certo me mudo definitivamente para cá. E você, como vai?
– Eu estou ótimo, também trabalhando e muito feliz de te reencontrar. — Falei dando um sorriso largo.
– Me da seu número Diego? Assim te ligo e marcamos um dia para nos encontrar e colocar o papo em dia. Agora não posso ficar muito porque tenho que voltar para casa. Deixei minha filha com minha prima e tenho que ir para casa.
– Você tem uma filha? Quanto tempo? Qual o nome?
– Sim, eu tenho a Bianca de 8 meses.
– Meus parabéns! Que maravilha!! — Falei a abraçando forte.
Estávamos nos abraçando quando a Clari chegou. Ela não gostou muito de me ver abraçado com a Vanessa, senti o clima pesando. Apresentei uma a outra, e a Clari com ciúmes entrou no carro e ficou ouvindo música. Me desculpei com a Vanessa pela forma que a Clari a tratou, dei o meu número a ela e nos despedimos rapidamente.
Entrei no carro e a Clari estava séria. Resolvi ficar quieto e segui com o carro para um show que ia ter.
O silêncio reinou durante todo o caminho. A Clara não dizia uma palavra, nem ao menos olhava para mim.
Após um tempo chegamos no local. Estacionei o carro e fomos procurar um lugar para ficar. O show já havia começado, o som estava bom mas o clima entre mim e a Clari pesava muito. Então tentei quebrar o clima a puxando para dançar comigo mas ela se negou. Perguntei se ela queria beber algo e ela disse que não. Fiquei irritado pela maneira que ela estava agindo comigo. A puxei para um lugar mais afastado e olhando para ela falei:
– Qual o seu problema?
– Nenhum por que?
– Ah não por nada. Olha como você está me tratando, como você tratou a Vanessa. Clara você a tratou super mal.
– Então o problema não é como estou te tratando mas sim como tratei a Vanessa. A sua querida Vanessa que eu nem sei de onde é.
– Você está com ciúmes dela? Não acredito nisso. É inacreditável María Clara. — Falei super irritado.
– Eu não estou com ciúmes! Eu só quero saber desde quando vocês se conhecem e porque vocês estavam abraçados daquele jeito. É pedir muito?
– Se é só isso, não tem problema eu te digo. Eu conheço a Vanessa desde quando eu tinha 15 anos mais ou menos, e estávamos abraçados primeiro porque havia anos que não nos víamos e segundo porque eu estava a parabenizando pela filha que eu acabei de saber que ela teve.
– Estava com saudades dela?
– Estava, qual o problema? Alguém que eu adoro e que não via a tanto tempo.
– Hum...
– Já pode voltar a me tratar normal ou ainda não está satisfeita?
– Não, não estou. Tem uma coisa que eu ainda não sei.
– O que é agora María Clara?
– Vocês já namoraram?
– Para que quer saber?
– Pode me responder ou é segredo?
– Já.
– Reencontro de ex namorados que lindo. Por que se separaram?
– Isso não é importante.
– Para mim é e quero saber.
– Nos separamos porque eu mudei de cidade, por isso. Agora podemos voltar a festa e aproveitar a noite?
– Não terminaram porque quiseram, terminaram porque foram obrigados. Você ainda gosta dela, eu vi pelo jeito que você a abraçava.
– O que você está falando? Presta atenção no que você está falando María Clara!!! Se eu ainda gostasse dela eu não estaria de casamento marcado com você, na verdade eu nem aqui tentando acabar com esse clima entre a gente eu estaria.
– Não sei. — Ela falou enxugando algumas lágrimas que escorriam pelo rosto.
– Para com isso meu amor. Eu amo você e não tem ninguém que mude isso. O que eu tive com a Vanessa passou, acabou. Eu querendo ou não acabou e o tempo passou, o sentimento foi junto. Não chora por algo que não faz sentido, algo que não existe. — Falei a puxando para um abraço.
– Desculpa, eu não gostei da maneira que vocês estavam se abraçando. Fiquei com ciúmes.
– Não tem motivos para ter ciúmes. Agora limpa esse rostinho e vamos voltar para o show? Afinal viemos para comemorar não é?
– Sim, vamos voltar. E me desculpa tá? — Ela falou fazendo uma carinha que dava dó.
– Claro que eu te desculpo meu amor. — Falei dando um beijo nela.
Voltamos para o show abraçados. Demorou um pouco até o clima entre a gente voltar totalmente ao normal.
No meio do show a Clari começou a se sentir mal, reclamava de fortes enjoos. Resolvi ir com ela para casa e no meio do caminho tive que parar o carro para ela vomitar. Estava muito preocupado com ela, ela estava sem cor.
Assim que chegamos em casa eu preparei um chá enquanto ela tomava um banho. Ela vomitou mais duas ou três vezes e depois parou. Passei a noite verificando se ela estava bem e para o meu alívio passou a noite inteira dormindo tranquila, sem nada. Talvez o mal estar tenha sido provocado por alguma bebida, como ela mesma havia me dito.
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