Louco Amor
95 Capítulo 95
Notas iniciais
Pov’s Clari
Acordei um tanto dolorida mas também depois do dia anterior era normal; estranho seria eu não sentir nada. Fiquei distraída olhando a Letícia dormindo ao meu lado e depois de um tempo percebi que o Diego não se encontrava mais ali, pelo visto ele tinha levantado bem cedo.
Levantei aos poucos com cuidado para não acordar a Letícia e fui procurar o Diego pela casa.
— Clari! O que está fazendo em pé?
— Oi Dalva, está tudo bem. – eu disse dando um beijo nela. – Eu estou apenas procurando o Diego.
— Ah o Diego está na cozinha terminando de comer. Disse que iria sair para comprar os remédios de vocês.
— Obrigada, eu vou lá falar com ele.
— Eu te ajudo. – ela disse me segurando.
— Bom dia. – eu disse olhando para o Diego.
— Meu amor! Não se esforce tanto. Como está se sentindo?
— Fisicamente bem mas emocionalmente...
— Não pensa nisso agora, senta aqui. – ele disse me ajudando.
— É bem difícil né.
— Eu sei que sim mas a gente consegue superar esse momento, eu tenho certeza disso. – ele disse segurando a minha mão.
— Obrigada meu amor por tudo.
— Nem precisa agradecer né? Bom, agora eu vou sair para buscar os remédios e o Pietro.
— Não demora por favor! Eu quero o meu filho perto logo e quero você também, quero nós quatro juntos.
— Eu volto rapidinho. – ele disse me dando um beijo e saindo.
Após o café fui para o jardim e comecei a lembrar de vários momentos com o Diego, desde o início até o momento e eu tentava entender o porque daquilo estar acontecendo comigo, como me doía perder um filho, eu já estava tão acostumada com a ideia de três crianças correndo pela casa e me enlouquecendo... Depois de uma hora a Letícia chegou no jardim para me fazer companhia.
— Bom dia mamãe...
— Oi meu amor, bom dia. Como você está?
— Bem e você?
— Também... Está com fome?
— Não, a Dalva já me deu comida.
— Ahh melhor ainda. – eu disse a colocando no colo.
— Mamãe você estava chorando?
— Não meu amor, porque?
— Seu rosto está todo vermelho..
— Deve ser o Sol.
— Sol?
— Sim, sim... Olha, o que me diz de assistirmos um filme quando seu pai chegar com o Pietro?
— Acho muito legal! Muito mesmo.
— Então só falta eles chegarem.
— Mamãe, eu posso tomar sorvete?
— Claro que sim.
— Então eu posso sair com a tia Cássia?
— Como assim meu amor?
— É que a tia Cássia me chamou para tomar sorvete com ela depois que eu saísse do hospital..
— Ahh, entendi. Depois falamos disso está bem?
— Sim mamãe.
A Cássia chamando a minha filha para tomar sorvete, acalmando o meu marido... Eu não conseguia entender qual a intenção se prestando a esses papéis. Eu não gostava nem um pouco dela e muito menos da tentativa de reaproximação.
Passei algumas horas com a Letícia descansando e brincando de coisas leves já que tudo me doía e para ela era bom fazer repouso. Depois de um tempo comecei a estranhar a demora do Diego e liguei para saber onde ele estava. Depois voltei a focar na minha princesa que cada dia estava maior e mais linda. Era muito bom poder cuidar dela e tê-la junto a mim.
Após um tempo meus pais chegaram com o Pietro e logo em seguida o Murilo para a minha surpresa.
— Murilo?!
— Pai! – o Pietro disse abraçando ele.
— Oi meu filho, como você está?
— Estou bem! Você sabia que a mamãe e a Let sofreram um acidente?
— Como foi isso? – ele disse se aproximando de mim.
— A Letícia ia ser atropelada e eu quis salvá-la... Foi isso.
— E cadê ela? Como ela está?
— Está bem, está com meus pais lá fora. Eu já venho. – eu disse indo para o quarto.
— Clari... – o Murilo disse vindo atrás de mim.
— O que foi?
— Você está bem mesmo?
— Só um pouco fraca ainda mas estou bem. – eu disse entrando no quarto.
— Eu estava com saudades de você e das crianças.
— Você some né...
— Eu vou ser um pouco mais presente a partir de agora. – ele disse me abraçando. – Vou ficar mais perto de vocês agora.
— Atrapalho? – o Diego disse entrando.
— Oi Diego. – eu disse me afastando do Murilo. – Murilo, me deixa um pouco a sós com o Diego, por favor?
— Claro, com licença. – ele disse saindo.
— Eu saio e ele vem?
— Ele veio ver os meninos, a mesma visita de sempre. E o seu almoço com a Cássia e os filhos dele?
— Foi bom, eu estava com saudades das crianças.
— E da Cássia não?
— Amor, você tem que parar um pouco com isso. Eu não tenho mais nada com ela, estou onde sempre quis estar que é do seu lado. Eu te amo muito.
— Mesmo?
— Mesmo. – ele disse me abraçando e em seguida me beijando.
Depois de um tempo a sós saímos do quarto e nos juntamos ao resto. O Murilo logo foi embora pois como sempre tinha coisas a fazer. Passamos um dia em família tranquilo e pela primeira vez sem alfinetadas entre minha mãe e o Diego.
Pov’s Pietro
Acordei cedinho porque estava ansioso para voltar para casa e vê minha mãe e minha irmã. Eu queria ter a certeza de que elas estavam bem mesmo e também eu tinha tido uma ideia para a música que eu e a Let tínhamos feito. Sem sombra de dúvidas a música depois da minha ideia ficaria perfeita de verdade.
Tomei café da manhã com o vovô e com a vovó e pelo final da manhã eles me levaram para casa. Eu fiquei tão feliz de ver minha mãe e minha irmã bem. As abracei com toda a minha força ou parte delas porque estavam um tanto doloridas. Após um tempo o pai Murilo chegou de surpresa e eu fiquei mais feliz ainda pois estava com saudades dele mas ele nem demorou muito. Logo o pai Diego chegou e ele foi embora, disse que tinha trabalho.
Meu dia foi muito legal. Ter todo mundo que eu amava reunido era bom demais.
Pov’s Letícia
Acordei com um pouco de dor no corpo e na testa onde estava o curativo. Levantei para procurar o papai e a mamãe e encontrei a Dalva, o que já era muito bom pois eu adorava ela, a Dalva era demais e muito boa comigo, ela era muito carinhosa e atenciosa.
Tomei o café da manhã que a Dalva me preparou e depois fui ver a mamãe no jardim. Eu amava tanto a minha mãe, tanto... Com ela eu tinha o carinho e o amor que nunca tive com minha mãe Fátima. Eu amava ela também mas ela nunca foi carinhosa nem atenciosa comigo. Eu sentia falta dela mas a minha mãe Clara era tão boa que eu não conseguia sentir tanta a falta dela. A Clara foi especial comigo desde o início, sempre demonstrou carinho e o papai também, do jeito dele ele sempre foi legal.
Fiquei um tempinho com a mamãe no jardim, ela estava com o rosto vermelho de choro, ela disse que não mas eu sabia que sim, só não sabia o porque.
O dia todo foi muito legal tirando pela parte do Murilo fazendo visita. Ele insistia em me tratar como filha dele e eu não entendia muito bem. Eu o achava legal as vezes e as vezes mantinha meu sentimento ruim por ele. Na verdade nem era sentimento era uma sensação ruim que eu tinha a cada vez que ele se aproximava mas que aos poucos eu sentia menos.
Pov’s Diego
Eu levantei cedo para sair para comprar logo os remédios da Clara e da Letícia, quanto antes elas começassem a tomar melhor.
No café da manhã tive o prazer de ver a minha linda, doce e amada mulher. De início me preocupei por ela estar de pé mas logo me tranquilizei, ela me parecia bem.
Sai com pressa de voltar, eu queria ficar grudado nos meus amores e queria minha família reunida também. Primeiro passei na farmácia e ao chegar lá não pude comprar porque o médico avia esquecido de carimbar a receita e então voltei ao hospital para pedir ao médico que carimbasse.
Fiquei na recepção esperando me trazerem a receita de volta e eu estava quase levantando para perguntar se iria demorar quando a Cássia passou distraída com as coisas e o celular na mão.
— Cássia!
— Ah, oi Diego! – ela disse surpresa. – Como está? – ela disse me dando um beijo na bochecha e me abraçando.
— Estou bem e você?
— Também.
— Tem certeza? Não me parece. – eu disse a encarando.
— Tenho. Como está a Clari e a Letícia?
— Estão bem, logo estarão 100%.
— Isso é muito bom mas se estão bem porque está aqui?
— Eu vim pedir para o médico carimbar a receita, ele esqueceu.
— Ah sim... Bom eu vou indo, eu preciso resolver umas coisas e... Eu preciso ir. – ela disse tentando disfarçar o nervosismo ao ver o Flávio saindo do elevador.
— Ei, espera. – eu disse a segurando pelo braço.
— O que foi?
Na hora em que eu ia perguntar o que tinha acontecido entre eles a moça da recepção me chamou para entregar a receita e eu a soltei.
— Espera um pouquinho.
— Não posso Diego. – ela disse indo em direção ao elevador.
Corri para a recepção para pegar a receita e logo após em direção a Cássia; por muito pouco eu não conseguia entrar no elevador com ela.
— Opa! – eu disse segurando a porta do elevador e entrando.
— Você não tem jeito. – ela disse sorrindo.
— O que aconteceu entre vocês?
— Nada... Eu não sei porque acha que houve algo.
— Por que você está chorando por ter visto ele?
— Foi um cisco tá? Já até saiu.
— Um não, vários. – eu disse rindo e enxugando o rosto dela.
— Obrigada.
— Por nada. Que tal um lanche? Dessa vez eu que estou te convidando.
— Eu não estou com fome Diego e além do mas tenho que buscar os meninos na escola.
— Então fazemos o seguinte: vamos buscar as crianças, compramos os remédios e vamos comer algo. Que tal?
— Eu não quero ocupar seu tempo.
— Eu ainda tenho um tempinho livre. Fique tranquila.
Saímos do elevador e então paramos para tentar resolver o primeiro conflito.
— Em que carros vamos? – ela disse me olhando.
— Eu não sei.
— Então vamos cada um no seu.
— Não, eu já sei. Vamos no meu que depois te trago de volta.
— Tem certeza?
— Pela a sua cara? Tenho.
— O que tem a minha cara?
— Nada, ela só diz que você não está bem para dirigir. – eu disse entrando no carro.
— Eu estou ótima, você está vendo coisas.
— Claro, só me da um momento antes de irmos.
— Tudo bem.
~ Ligação ON ~
— Alô.
— Oi, é o Diego.
— Ah tinha que ser.
— Estou bem, obrigado e a senhora? Eu liguei para saber do Pietro e avisar que irei me atrasar um pouco para chegar aí.
— Não me espanto, irresponsável como você é...
— Eu liguei só para avisar, não pra saber sua visão de mim.
— Olha, eu mesma vou levar o Pietro com meu marido, assim aproveito e vejo minha filha e minha neta.
— Como quiser.
~ Ligação OFF ~
— Está tudo bem? – a Cássia perguntou me olhando.
— Sim... Vamos né? Estamos a muito tempo parados.
O caminho todo foi muito silencioso, a Cássia estava quieta olhando para a janela e eu um pouco irritado pela minha sogra. Quando eu me acalmei um pouquinho percebi que a Cássia estava chorando e então encostei o carro.
— Ei. – eu disse tirando o cinto e pegando no cabelo dela.
— O que foi? Porque paramos? – ela disse enxugando as lágrimas rapidamente e me olhando.
— Porque você não está bem e eu não acho que as crianças devam te ver assim. Vamos conversa comigo.
— Eu não sei o que te dizer...
— Vem aqui. – eu disse abraçando ela. – É por causa do Flavio não é? Você quer que eu fale com ele? Eu posso conversar, só preciso saber o que houve.
— Não precisa falar com ele, eu só tenho que me acostumar que acabou e não tem volta.
— Então vocês tiveram algo a mais que um simples momento.
— Nunca existiu nada. Eu apenas te digo para ter cuidado.
— Cuidado? O que você sabe?
— Nada demais, só não confio nele, não é boa ideia se envolver.
— Fica despreocupada amiga. Ele não faz o meu tipo. – eu disse fazendo voz de gay.
— Como você é palhaço Diego! – ela disse rindo.
— Eu vi um sorriso? Ah meu Deus! Agora o carro anda. – eu disse rindo.
— O que?!
— É que ele é muito sensível, não anda com ninguém triste.
— Obrigada Diego. Muito obrigada.
Continuamos o caminho e paramos um pouco antes da escola para comprar os remédios e logo em seguida buscamos as crianças. Eu estava com muitas saudades delas, muitas mesmo.
— Papaaaiii!!! – os dois disseram correndo em minha direção e me abraçando.
— Meus filhos! – eu disse os carregando. – Como é que vocês estão?
— Bem papai.
— Achei que você não apareceria mais. – a Mel disse com tristeza.
— Ei meu amor, o papai não está tão presente quanto antes mas não esqueceu de vocês. Papai vai continuar com vocês.
— Promete pai?
— Prometo garotão. Como vocês estão grandes! – eu disse os colocando no carro.
— Oi mamãe. – eles disseram juntos.
— Oi, achei que tinham se esquecido de mim. – ela disse rindo. – Como foram na escola hoje? Se comportaram bem?
— Sim mamãe.
— Nos comportamos muito bem.
— E o que vocês acham de irmos almoçarmos agora? Falei lanche para a mãe de vocês mas pelo o horário é almoço.
— Ah não papai! Queremos lanche!
— Vocês estão se aproveitando que estou aqui para não almoçarem.
— Isso mesmo Diego. Nada de lanche, almoço!
— Depois eu pego vocês e levo para lanchar, combinado?
— Combinado!
— Cássia como anda a empresa?
— Está indo bem Diego, volte quando quiser. Afinal, ela é sua.
— Eu sei mas por enquanto deixa assim.
— Como preferir.
Paramos num restaurante para almoçar e eu estava encantado ao ver o quanto os meninos tinham crescido. O tempo tinha passado tão rápido, eu mal podia acreditar. Fizemos os pedidos e enquanto esperávamos eu conversava com os meninos e com a Cássia. No meio da conversa eu parei um instante para ligar para a Clari para saber como ela estava com a Letícia e avisar que logo eu estaria indo para casa mas para a minha surpresa ela foi mais rápida e ligou primeiro.
~ Ligação ON ~
— Oi amor, eu ia ligar para você agora.
— O que foi? Aconteceu algo?
— Não, eu só queria saber de você e da Lele.
— Estamos bem mas onde você está?
— Ah bom... Licença aqui. – eu disse me levantando da mesa.
— Licença? Com quem está falando Diego?
— Essa é a parte em que você fica calma.
— Não me manda ficar calma! Onde você está e com quem?!
— Eu estou almoçando com a Cássia e...
— Você está com a Cássia!!!? Cadê o Pietro, Diego?!
— Sua mãe disse que eu não precisava ir porque ela levaria. Queria te ver...
— Você saiu para comprar remédios e de repente já esta com a Cássia, como assim?!
— Amor calma...
— Não tem ninguém nervosa aqui!
— Eu tive que voltar no hospital porque o médico não assinou sua receita e então eu não pude comprar. Lá eu encontrei com ela de saída e ela ficou mal ao ver o Flávio e eu propus um lanche só que era hora de pegar os meninos na escola e eu queria muito vê-los. Então estou aqui.
— Almoço em família! Que lindo, nossa.
— Não somos uma família e você sabe. Para de escândalo. Estou só almoçando e depois estou indo para aí.
— Tem certeza que não tem mais nenhum programa com eles?
— Clara você sabe que independente de tudo para mim eles são meus filhos e eu os amo. Passei muito tempo longe deles por não querer ver a Cássia e não estou fazendo nada demais! Eu amo você e a Cássia é passado, não tem sentido você ficar assim.
— Ok Diego, quando você chegar aqui conversamos melhor.
~ Ligação OFF ~
— Desculpem. – eu disse me sentando a mesa.
— Algum problema Diego?
— Não, está tudo bem... Continuem me contando da apresentação de vocês meninos.
Ficamos conversando um pouco mais enquanto almoçávamos, depois pegamos uma sobremesa para todos, paguei a conta e fomos embora. Eles estavam cada vez mais espertos e era muito bom saber que eles ainda me tinham como pai.
Os deixei no estacionamento do hospital e após me despedir de todos fui embora para casa.
Cheguei em casa e a sala estava vazia, então fui para o quarto procurar pela Clari e eu vi a cena mais repugnante possível que foi o Murilo com as mãos na minha mulher. Tudo bem que era só um abraço mas vindo dele para mim nunca é só um abraço, não confio nele e acho que tudo o que ele faz é para me separar da Clari.
Tive uma conversa com ela e depois nos juntamos ao resto da família. Foi um dia agradável e feliz para todos.
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