Louco Amor
82 Capítulo 82
Notas iniciais
Pov's Clari
Acordei com a Letícia grudada em mim. Uma das melhores sensações do mundo. Minha filha era tão linda... Era uma verdadeira boneca.
Tantos anos esperando por aquele momento... Tanto tempo procurando-a, imaginando como ela seria e finalmente eu a encontrei. Nada no mundo era melhor do que ter os meus dois filhos junto a mim.
Aproveitei o momento para fazer carinho nela.
– Oi... — ela disse me olhando.
– Oi, bom dia! — eu disse sorrindo.
– Bom dia.
– Dormiu bem?
– Sim e você?
– Dormi muito bem. — eu disse com um sorriso largo.
– Você vai voltar para o hospital agora de manhã?
– Vou sim meu amor.
– Ahh por que? — Ela disse fazendo biquinho.
– Porque o Diego também tem que descansar.
– Mas eu não quero que você va! — ela disse deitando em cima de mim e me apertando.
– Ai que coisa gostosa! — eu disse apertando ela e dando beijos. — Logo o Pietro sai do hospital e passaremos o dia todo juntas ta?
– Ta... Quando ele sai?
– Em breve.
– O Diego vai vim para cá?
– Não sei meu amor.
– Ah... Tomara que ele venha.
– Vamos lavar o rostinho, tirar essa roupa e comer?
– Vamos!
– Quem vai no colo? Ou será que já é grande demais para isso?
– Sou nada! Sou pequenininha!- ela disse ficando em pé na cama.
Ajudei a Letícia com a higiene matinal, tomamos café e depois fui me arrumar para retornar ao hospital.
– Lele..
– Oi.
– Eu vou voltar para o hospital agora ok? Se comporte ta?
– Ta bom... Não demora para voltar não, por favor...
– Não vou demorar muito, prometo. Vou sempre dar um jeitinho de vim te dar um beijo e um abraço.
– Jura juradinho?
– Juro juradinho. — eu disse sorrindo e grudando o dedo mindinho no dela.
Fui para o hospital pensando nas horas que eu tinha passado com a Letícia. Estávamos muito próximas uma da outra, eu tinha conseguido construir uma relação muito linda com ela e isso me deixava mais que feliz.
– Oii.. — eu disse entrando no quarto.
– Oi Clari! — o Diego disse me olhando.
– Filho já está acordado que bom! — eu disse dando um beijo na testa dele.
O Pietro continuava sem falar, apenas movimentava a cabeça e fazia gestos com as mãos. Eu tentava manter a paciência, eu precisava manter.
– Agora que você chegou eu vou para casa descansar.
– Qual casa?
– A minha casa.
– Com a Cássia?
– Você não vai querer brigar por isso aqui na frente do Pietro né? Eu tenho que ir até para trocar a roupa e além do mas o acordo segue agora mais que nunca temos que nos proteger.
– Tudo bem mas não sei se aguento isso por muito tempo.
– Logo isso vai ser resolver. — ele disse me dando um beijo na testa dela. — Tchau garotão, fica bem. — ele disse beijando o Pietro e bagunçado o cabelo dele.
– Diego...
– Diga.
– Depois passa na casa da sua mãe para dar um beijo na Letícia. Ela está sentindo sua falta.
– Ah, pode deixar. Passo lá sim.
Passei o dia com o meu filho e quando estava quase escurecendo tive uma surpresa muito boa.
– Licença... Podemos entrar? — O Flávio disse junto a Dalva.
– Claro que sim!! — eu disse indo abraçar eles.
– Oi sobrinho preferido. Ta melhor?
– Viemos assim que escutamos o seu recado Clari.
– Por que você não está falando? O gato comeu sua língua?
– Quase isso Flávio. Ele vai fazer acompanhamento psicológico.
– Ah entendi. O gato vai devolver sua língua.
– Que bobo você. — eu disse rindo. — Como foi lá?
– Tudo certo né Dalva?
– Sim, foi tudo bem.
– Eu estava com saudades de vocês. — eu disse abraçando os dois.
– Também sentimos a sua falta. — a Dalva disse sorrindo.
– Cadê a Letícia? — o Flávio perguntou.
– Está na casa da mãe do Diego.
– E está bem?
– Sim. Ela levou 3 pontos na testa mas vai ficar bem.
– Ela está lá com o Diego?
– Não. O Diego está na casa dele com a noiva dele.
– Humm já vi que não foi uma boa tocar no nome dele né? Ta, não digo mais nada.
– Vocês vivem brigando. Não tem jeito. — a Dalva disse.
– Pois fique a senhora sabendo que não brigamos ta?
– Ah não? E por que essa cara?
– Por... Porque... Porque eu não gosto dele lá com aquela outra.
– Aahh você está com ciúmes? — o Flávio disse rindo.
– Não é nada disso ta? Olha, vocês vieram para ver o Pietro ou para ficarem me perturbando?
– Os dois. — o Flávio disse rindo.
– Hahaha to morrendo de rir viu? Engraçadinho...
– Você é uma comédia.
Fiquei aturando o Flávio me perturbando falando do Diego e a Dalva mais o Pietro rindo de mim.
Apesar do Flávio ser bem chato as vezes, eu adorava muito ele... Era um grande amigo para mim.
Após algumas horas eles tiveram de ir embora e eu fiquei novamente a sós com meu filho.
Por sorte ele não tinha tido mais nenhuma crise e apesar de não falar, parecia estar bem.
Pov's Letícia
Acordei com a Clara me fazendo carinho. Eu nunca tinha acordado daquele jeito, era muito bom.
Ela ficou comigo até um pouco após o café da manhã e depois voltou para o hospital.
Eu não tinha muita coisa a fazer... Passava o dia vendo televisão e pintando.
Pela noite o Diego me fez uma visita mas junto a namorada e os filhos dele.
– Diego!! — eu disse abraçando ele.
– Oi minha princesinha linda! Como ta?
– To bem e você?
– Estou bem... É.. Essa é a Cássia e esses são o Daniel e a Melissa.
– Oi... — eu disse um pouco sem jeito.
– Oi lindinha. — a Cássia disse sorrindo.
– Filho! Você veio em família que coisa boa!
– Oi mãe. É uma coisa boa...
– Vão ficar para jantar?
– Na verdade não mãe. Vim buscar a Letícia para um passeio.
– Que pena que vocês não vão ficar.
– Vou lá em cima arrumar a Letícia. Vamos? — o Diego disse me dando a mão.
– Vamos!
O Diego me arrumou do jeitinho dele e como sempre fez uma bagunça mas no final deu certo.
Fomos ao shopping, ficamos andando, olhando lojas, ganhei roupas e brinquedos novos. O Diego era tão legal comigo, ele era especial.
– Letícia você vai querer suco de que?
– De uva papai.
– Ah sim de... Como? — ele disse me olhando fixamente.
– Hã... Nada não.
– Suco de uva por favor... — ele disse olhando para a moça do caixa. — Letícia vem aqui.
– Que foi? — eu disse sem jeito.
– Repete.
– O que?
– Do que você me chamou.
– Ah não, foi sem querer. Desculpa.
– Não, não se desculpe por isso. Eu adorei ouvir você me chamando assim. Repete?
– Hum... Papai?
– Que princesinha mais linda. — ele disse me pegando no colo e me dando beijos.
Pegamos os pedidos e sentamos todos em uma mesa e lanchamos como se faz em família apesar de que eu não queria a Cássia como mãe. Não que eu não gostasse dela mas porque eu já tinha a minha e se fosse para escolher eu escolheria a Clari.
– Letícia o que você mais gosta de fazer? — a Cássia me perguntou sorrindo.
– Acho que cantar e atuar.
– Eu vi algumas cenas sua na novela... Você atua muito bem. Meus parabéns!
– Obrigada! — eu disse um pouco envergonhada.
– Depois daqui você quer ir na parte dos games?
– Ah... Eu não sei... — eu disse olhando para o Diego.
– Pode falar meu amor. — o Diego disse.
– Quero...
– Então ótimo vamos todos né Cássia?
– Sim, vamos todos.
Depois de lanchar demos algumas voltas e fomos para os games. Foi bem divertido, brincamos todos juntos e eu descobri que a Cássia era bem legal também e que o Daniel era bem fofo.
Quando saímos da área dos games a Cássia parou para comprar uns chocolates e o papai, o Diego, parou em uma banca de revistas próxima a loja dos chocolates.
– O que é isso aqui?! Me explica meu senhor! — ele disse gritando com o dono da banca. — Quem publicou isso aqui? Eu vou dar na cara desse...
– Papai ta tudo bem?
– Ah.. Filha. — ele disse me olhando tentando disfarçar o nervoso e sem saber muito o que dizer.
– Ta nervoso?
– Não... Estou super calmo. — ele disse jogando a revista no sono da banca.
– Que isso meu senhor!? Está louco?
– Nada pessoal viu? — ele disse olhando para o moço.
– Diego que escândalo é esse? — a Cássia disse se aproximando.
– A bolsa está em baixa... Me estressei.
– Você está nesse estado por isso... Ta... — ela disse olhando para as revistas.
– Claro pelo que mais? — ele disse meio nervoso.
– Por aquela capa? — ela disse apontando para uma revista com a foto da Clari, o Pietro e o Murilo na capa.
– Por isso o que? — ele disse derrubando a revista. — To vendo nada.
– Será que o senhor pode parar de destruir minha banca? Essas revistas são para vender.
– Pois deveriam ser usadas para limpar o chão.
– Ta pra mim chega, eu vou embora. — a Cássia disse saindo com o Daniel.
– Acho que ela ficou brava papai...
– Você ajuda bastante né? Fica quieta. — ele disse me pegando no colo e indo atrás da Cássia.
– Para de me seguir! — ela disse brava.
– Desculpa! Eu só não gostei de ver meu filho exposto em uma capa de revista. Ele é uma criança.
– Diego olha na minha cara. Vê se tem escrito idiota.
– Fica brava não. Olha já passou..
– Vamos para casa.
– Então ta tudo bem?
– Não fala comigo!
Durante todo o caminho para casa o carro ficou em silêncio. A Cássia ainda conversava um pouco comigo e com o Daniel mas nem se quer olhava para o papai.
O Diego me levou para dormir com ele na casa dele. Achei que ele dormiria com a Cássia mas ele optou por dormir comigo.
Pov's Diego
Passei a noite acordado. Eu não conseguia dormir. Tinha muito medo do Pietro ter alguma coisa e eu não ver ou de quem tentou o matar entrar mesmo com os seguranças na porta, nunca se sabe.
Logo pela manhã a Clara chegou para eu poder ir descansar. Eu estava tão cansado mas tão preocupado ao mesmo tempo que eu não sabia o que pesava mais.
Cheguei em casa e pude sentir a doce recepção da minha noiva tão linda e amável.
– Resolveu voltar para casa? Veio fazer o que aqui?
– Oi para você também. Ta bem né? To sentindo.
– Não sei. O meu marido some sabe? Fica atrás de outra mulher pela rua, me esquece que nem uma ligação faz.
– Hã... É noivo. — eu disse tirando o relógio.
– Você é muito cara de pau mesmo né?
– Se você diz quem sou eu para descordar. — eu disse indo para o quarto.
– Diego volta aqui!!
– Cássia se você quer brigar, briga logo. Eu to cansado quero dormir.
– Dormir? Onde você passou a noite?
– Com o meu filho em um quarto de hospital!! — eu disse alterado. — Você está tão louca que nem se quer lembrou que tentaram matar os meus filhos!
– Desculpa, você tem razão... Tentaram matar por que?
– Porque eu... Hã.. É... Eu não sei. São filhos de uma atriz famosa né? Não sei.
– O que tem a ver a Clara ser famosa com isso?
– Eu já disse que não sei mulher! Pelo amor de Deus me deixe dormir! Estou morto de cansaço.
– Ta tudo bem.
Eu quase disse que estava com a Clari. Ainda bem que eu não disse porque senão seria o meu fim sem sombra de dúvidas.
Não dava mais para sustentar aquela situação, eu tinha que descobrir de uma vez por todas quem era que estava por trás de tudo e esclarecer as coisas com a Cássia.
Dormi o dia todo de tão cansado que eu estava. Levantei por volta das 18 horas para me arrumar. Eu queria sair um pouco com a Letícia, fazer alguma coisa legal com ela.
– Vai para onde amor? — a Cássia disse entrando no quarto.
– Vou pegar a Letícia para dar um passeio.
– Ah que ótimo! Vamos todos juntos!
– Que? — eu disse ajeitando a gola da blusa.
– Todos juntos... Vou me arrumar. — ela disse entrando no banheiro.
– Mas... Mas... A Clari vai me matar... — eu disse baixinho.
– Quem vai te matar papai?
– Aii!! — eu disse jogando o relógio para cima.
– Daniel meu filho. Não assusta o papai ta? Não é legal.
– Fiz nada... — ele disse me olhando.
– To frito... — eu disse sentando na cama.
– Ta frito por que? — a Cássia disse saindo do banheiro.
– Ai não da! É muita sacanagem em tão pouco tempo.
– Que? — ela disse sem entender.
– Nada não. Estou aqui falando com o meu santo.
– Santo? Desde quando você é religioso?
– Desde que minha mãe disse "esse menino é um anjo". Não, mentira, ela nunca diria isso. É uma pessoa sã. É... Desde agora então.
– Diego você bebeu?
– Eu?
– É, você.
– Eu não. Você sabe que eu não bebo mais.
– Vou arrumar o Daniel ta? Tenta não surtar.
– Ah pode deixar..
Resolvi fechar a boca antes que eu me complicasse. Fiquei pensando em como explicar a Clari que eu ia sair com a Cássia e os meninos para passear. Ela ia me matar na hora que eu citasse o nome "Cássia". Não ia nem querer ouvir o resto.
– Eu vou morrer... — pensei alto sem querer.
– Morrer por que? — a Cássia disse entrando.
– Vai diabo! — eu disse derrubando a chave do carro que estava na minha mão. — Quer me matar de susto é?
– Desculpa! Não quis te assustar não.
– Ta né...
– Quando eu entrei você estava falando que ia morrer... Por que?
– Ahh... De que... — eu disse rindo tentando disfarçar o nervoso.
– De que? — ela disse me olhando a espera de uma resposta.
– De que... De que mais? De emoção. Pura emoção de sair com você e as crianças assim parecendo um família. — eu disse forçando um sorriso.
– Você está tão estranho... Se sente bem?
– Super... Vamos indo antes que fique tarde?
– Vamos.
Passei na casa da minha mãe rapidamente para pegar a Letícia e em seguida fomos para o shopping. Passeamos bastante, fizemos compras, lanchamos... O passeio foi muito bom, tive a surpresa de ouvir a Letícia me chamando de "papai". Fiquei tão feliz e emocionado que não sei dizer o quanto. Esperei muito para ouvir aquilo.
A única parte ruim do passeio foi a parte em que eu vi uma revista com a manchete "Clara Alonso com sua família em Londres" com a cara da Clari, do meu filho Pietro e do viado do Murilo na capa. Eu podia matar aquele sujeito de tanto carinho que eu tinha por ele. Era algo extremamente gratuito, eu não precisava de muito... Bastava ele chegar perto da Clara e do Pietro e eu já queria brincar de mágico... Fazer ele sumir assim de repente, do nada. E a melhor parte é que eu não sabia fazer voltar. Não que eu tivesse ciúmes dele. Isso jamais. Imagina se eu ia ter ciúmes dele... Nem combinava comigo isso de ciúmes. Eu apenas me incomodei um pouco ao ver a foto na capa da revista. Fiz perguntas ao dono da banca mas ele não me respondeu ou não soube me responder e eu me alterei um pouco... Mas só um pouco mesmo. Não foi nada demais.
A Cássia que ficou um pouco brava comigo eu nem sei o porque. Eu estava apenas tentando entender o porque da foto e da palavra "família" na capa da revista.
Voltamos para casa todos juntos. Eu preferi ficar calado até porque eu ainda tentava entender o que aquela foto fazia na capa.
– Papai ainda está nervoso?
– Nervoso? Não princesa. Eu não estou nervoso.
– Que bom. Achei que você ia derrubar a banca naquela hora.
– Que isso... Não foi para tanto.
– Acho que a Cássia não concorda...
– Você ta contra mim por um acaso?
– Só disse a verdade. Desculpa.
– Não, tudo bem. Deixa isso para lá, vai se arrumar para dormir.
– E onde vou dormir?
– Nós vamos dormir lá no quarto da Mel.
– Quem é Mel?
– É a irmã do Daniel.
– E cadê ela?
– Está no Brasil passando uns tempos com os avôs.
– Ahhh..
– Vamos se arrumar vem.
Ajudei a Letícia a se preparar para dormir e deitei junto com ela. Eu não queria dormir com a Cássia. Já me causariam muitos problemas ter saído para passear com ela e ela também não me queria por perto depois da minha pequena irritação na banca de revistas.
Pov's Pietro
Acordei e o papai já estava acordado. Ele me deu banho e me ajudou a comer. Eu estava gostando bastante de conhecer ele melhor. O Diego era mais legal do que eu pensava.
Não demorou muito e minha mãe chegou para ficar comigo. Eu estava com muitas saudades dela mesmo tendo ficado só uma noite longe.
Ela ficou me fazendo companhia o dia todo e brincando comigo. Eu queria dizer alguma coisa para ela mas eu não conseguia falar, era mais forte que eu.
Pelo fim do dia o Flávio e a Dalva foram me visitar. Eu fiquei tão feliz!! Eu amava muito eles dois e estava com muitas saudades também. Tinham semanas que eu não os via.
A Dalva me encheu de carinho como sempre fazia e o tio Flávio ficou perturbando a mamãe por ela estar com ciúmes do papai Diego. Eu ri bastante com as coisas dele.
Foi bem legal a visita do tio Flávio e da Dalva. Por um momento eu até esqueci que estava no hospital e o porque de estar lá.
Eu contava os segundos para voltar para casa mas ao mesmo tempo tinha muito medo do homem de preto aparecer e tentar me matar de novo. Eu tinha medo mesmo estando no hospital. Eu dormia mais por efeito dos remédios.
Pela noite, quando não tinha mais ninguém, a mamãe cantou um pouco para mim, leu historinhas e assistiu desenhos comigo. Ela fazia de tudo para eu me sentir bem. Não tinha como não amar a minha mamãe.
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