Louco Amor
69 Capítulo 69
Notas iniciais
Pov’s Clari
Estávamos dando uma volta pela cidade quando vi alguém que eu não esperava encontrar, não por Londres. Fiquei olhando fixamente até que ouvi me chamarem.
– Clara!!!
– Papaaaaiiiii!!!! – O Pietro disse correndo e pulando no colo dele.
– Murilo? O que você faz aqui? – Perguntei surpresa.
– Eu vim encontrar com vocês. Achei que seria bom passarmos um tempo juntos.
– Murilo, vamos conversar sobre isso depois. Sem o Pietro por perto.
– Porque? Você não gostou de eu ter vindo?
– Porque você não gostou mamãe? – O Pietro disse fazendo carinha de triste.
– Eu gostei sim filho... Olha, eu já venho. Eu preciso ir ali. – Eu disse saindo as pressas.
Eu não conseguia acreditar no que estava vendo, parecia um sonho, um sonho perfeito. Não sei porque mas eu tinha certeza de que era exatamente ela. Meu coração me dizia isso.
– Olá... Tudo bem?
– Tudo... Eu te conheço?
– Não mas eu gostaria muito de te conhecer. Sabia que você é linda?
– Obrigada mas minha mãe não me deixa falar com estranhos.
– Ah ela não vai brigar com você, eu falo com ela.... Qual o seu nome?
– Letícia e o seu?
– Clara... Você tem um lindo nome.
– Clara?
– Sim. Talvez você já tenha me visto em Violetta.
– Não, minha mãe não me deixa assistir essa novela. Mas eu confesso que as vezes escuto as músicas escondida, são bem legais.
– Que bom que você gosta. – Eu disse passando as mãos em seus cabelos.
– Eu ainda acho que minha mãe vai brigar comigo.
– E onde está sua mãe? Está aqui sozinha?
– Ela disse que ia ali e ainda não voltou. Me deixou cuidando da banca dela. Você quer ver algumas revistas?
– Você está vendendo?
– Sim, tenho que ajudar a minha mãe.
– Clara o que foi? – A Dalva disse se aproximando.
– Olha Dalva... – Eu disse com os olhos cheios de lágrimas.
– Clara você está chorando! Não chora não.
– Eu prometo parar de chorar se você me der um abraço.
– Promete mesmo?
– Sim, eu prometo. – Eu disse sorrindo enquanto derramava algumas lágrimas.
– Solta a minha mãe!!!!!!
– Desculpe... – A Letícia disse abaixando a cabeça.
– Pietro pare com isso ou vai ficar de castigo.
– Não abraça ela mamãe! Você é minha.
– Eu posso abraçar quem eu quiser e agora peça desculpas a ela.
– Não vou pedir nada.
– Pietro peça desculpas agora se não eu volto nas lojas e devolvo os seus brinquedos. Não estou te criando assim.
– Desculpa... – Ele falou baixo.
– Não ouvi. Fale alto.
– Desculpa!
– Não tem problema... – A Letícia disse voltando para trás da banca de revistas.
– Clari quem é ela? – O Murilo perguntou.
– Letícia... É a Letícia...
– Como? – Ele disse se engasgando com o suco.
– É, como assim Clari? – A Dalva perguntou sem entender.
– Moço o senhor está bem? – A Letícia perguntou um pouco preocupada.
– Sim, obrigado... Clari será que eu posso falar com você a sós por um minuto?
– Tudo bem... – Eu disse indo para o canto com ele.
– Como assim ela é a Letícia? Você não pode olhar uma menina qualquer na rua e dizer que é a sua filha. Não é porque tem o mesmo nome que é ela.
– Murilo, é ela!! Eu tenho certeza! Não sei como ela veio parar aqui mas olha o rosto dela, as mãos, as unhas, o cabelo, a cor dos olhos... Murilo ela tem tudo de mim e isso não pode ser só uma coincidência.
– Clara vamos com calma tá? Até porque essa menina tem uma vida, uma família e você não pode tirar conclusões só pela aparência. Você sabe quantas crianças da idade dela parecem com você?
– Murilo pode parecer loucura mas eu sei que é ela! Eu sinto!!!!
– Desculpa mas não acredito. Você deve ter se deixado pela aparência e isso se juntou com a saudade.
– Não acredite então! Mas eu vou provar que não estou louca. – Eu disse voltando para perto da Letícia.
– Mamãe você estava brigando com o papai?
– Não meu amor... Letícia, quantos anos você tem?
– Eu tenho 5.
– E agora? – Perguntei olhando para eles com olhar de “ quem é a louca agora? “.... Só mais uma coisa, porque você fala tão bem espanhol?
– É que minha mãe é argentina e ela me ensinou a falar a língua dela desde pequena.
– Letícia eu já disse para você não falar com estranhos!! – Uma moça se aproximou gritando.
– Não brigue com ela, foi eu que me aproximei. Ela disse que não podia mas eu insisti porque a vi sozinha o que por sinal é um absurdo.
– E quem é você para me... – Ela parou de falar ao olhar para o Murilo que lia um jornal na hora.
– Que é? Não se pode mais ler? – Ele disse olhando para ela.
– Olha saiam daqui.
– Não precisa se irritar. Já estamos indo.
– Mas... – Eu disse olhando para a Letícia.
– Vamos Clari... – A Dalva disse me olhando e me fazendo entender que era necessário.
Saí com o coração na mão. Eu tinha que certeza que era a minha Letícia, a minha pequena que tinha sido tirada de mim e que eu não tinha notícias há 5 anos. Como ela estava linda e grande. Ela tinha cabelos compridos e loiros até a cintura, franjinha, olhos verdes azulados e bochechas rosadas e tinha a mesma altura que o Pietro.
Fiquei emocionada ao ver os meus dois filhos juntos. Eles tinham bastante traços em comum apesar do Pietro parecer com o Diego e a Letícia comigo.
Meu coração estava mais que feliz e cheio de esperanças de recuperar a minha filha. Eu não conseguia parar de pensar no abraço que ela tinha me dado. Um abraço pelo qual havia esperado por muito tempo.
Pov’s Diego
Senti algo estranho enquanto dormia e tentei abrir o olho mas não consegui e muito menos falar. Meu coração dizia que a minha família estava completa... Estávamos unidos novamente, eu podia sentir.
Comecei a mexer os dedos, eu queria abrir os olhos, eu queria ver a Clari. Eu sentia uma conexão tão grande, não tinha como explicar. Eu podia ouvir a voz feminina me chamando.
– Diego? Fala comigo! Você voltou!? Amor! Doutor!!!
– O que foi? O que ele tem?
– Ele está mexendo os dedos!
– Diego se você está me ouvindo aperte minha mão. – Eu apertei a mão dele com um pouco de dificuldade.
– Ótimo... E o que você tanto tenta falar? Tenta só mais um pouquinho, não se esforce muito.
– Cl... Cla... Cla.. Clari. Clari. – Eu disse com muita dificuldade.
– Não amor, sou eu a Cássia.
– Deixe ele sozinho por um tempo por favor. Ele precisa de tranquilidade, nada de festas. Ele tem que se recuperar.
– Tudo bem... Eu vou estar lá fora meu amor. – Pude sentir ela me dando um beijo.
Eu me senti muito cansado ao tentar falar, eu me sentia muito fraco e acabei dormindo rapidamente. Apesar das inúmeras tentativas de abrir os olhos e falar mais e me movimentar, eu não consegui. Não tinha forças para isso.
Acordei com uma necessidade imensa de falar com a Clari, de vê-la, e com um sentimento forte que nunca tinha sentido antes. Eu podia sentir que estava completo e que nada mais me faltava.
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