Louco Amor

40 Capítulo 40


Notas iniciais
Oi gente... Para falar a verdade nem sei o que dizer sobre esse capítulo. É um momento triste, não sei se conseguir expressar bem o momento mas esse foi o melhor que eu consegui. Desculpem-me pelos erros, obrigada pelos comentários e boa leitura!

Pov’s Clari

Passei toda a noite na varanda do meu quarto olhando o céu e pensando em tudo. Minha cabeça dava mil e uma voltas. Meu coração estava em pedaços, meus olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Me sentia sem força, perdida no meio do nada, sem nenhuma luz indicando a saída. O que eu vou fazer agora? E o bebê que está dentro de mim? Por que isso esta acontecendo comigo? Era o que eu me perguntava a cada minuto e não obtinha resposta.

Vi o dia amanhecer na varanda e não podia deixar de olhar as minhas fotos com o Diego espalhadas pelo quarto nos porta retratos. Eu queria destruir uma por uma; mas não tinha forças. Eu queria morrer, eu queria poder acordar daquele pesadelo. Para cada canto da casa que eu olhava me vinha uma lembrança diferente na cabeça. Aquela casa era vazia sem ele, nada mais parecia ter sentido, eu estava me sentindo um lixo.

No momento em que eu estava na sala olhando algumas de nossas fotos na estante lembrei das fotos que havia recebido dele com outra. Me bateu um desespero enorme, uma dor sem fim e eu só sabia gritar e chorar. Comecei a quebrar os porta retratos e tudo o que via pela frente. Exausta, fiquei de joelho entre os cacos chorando.

– Dona Clari?!? – A Dalva perguntou assustada ao chegar. – Vem aqui, sai do meio desses vidros, você está se machucando. Deixa eu te ajudar.

– Por que Dalva? Por que? – Eu disse chorando e levantando com a ajuda dela.

– Por que o que dona Clari?

– Ele me traiu Dalva. Ele me traiu. Eu quero morrer.

– Calma. A senhora precisa se acalmar, tomar um banho e deitar.

– Eu não quero deitar, não quero me acalmar. Eu só queria entender o por que.

– Não sei dona Clara... O que eu sei é que a senhora precisa se cuidar e eu vou te ajudar. Vamos tomar um banho vamos.

A Dalva me levou até o banheiro, preparou um banho na banheira e me deixou por uns instantes sozinha para limpar a bagunça que eu tinha feito na sala. Enquanto eu tomava banho comecei a lembrar dos momentos de prazer que tive com o Diego naquela banheira. Senti nojo, senti uma vontade enorme de vomitar e assim fiz.

Com a ajuda da Dalva me vesti e deitei. Eu sentia dores por todo o meu corpo, eu tinha me machucado nos cacos dos vidros. Minha cabeça doía muito, eu não conseguia raciocinar.

– Toma esse chá aqui. É bom para a senhora dormir um pouquinho.

– Deixa aí em cima. Obrigada Dalva por todos esses anos. Você é muito especial para mim.

– Obrigada a senhora dona Clara. Sabe que é como uma filha para mim. Agora tenta descansar.

– Tá.

Enquanto eu tomava o chá escutei a campainha tocar. Meu coração acelerou, minha garganta fechou, era como se eu já soubesse que era ele. Escutei a Dalva pedindo para ele voltar outra hora e dizendo que eu estava descansando. Levantei da cama e me dirigi a sala.

– Deixa Dalva.

– Tem certeza dona Clara?

– Tenho sim. Pode ir tranquila. – Sorri fraco para ela.

– O que você quer aqui? – Falei fria.

– Como você está? – Ele disse tentando acariciar o meu rosto.

– Como você acha que eu estou? – Falei tirando a mão dele de mim.

– Me perdoa Clari. Se eu pudesse voltar no tempo isso não teria acontecido.

– Mas você não pode e as coisas são assim. Não te perdoaria nem se eu quisesse.

– Não faz assim. Você é única mulher que eu amo. Eu to sofrendo sem você, eu preciso de você comigo.

– Você procurou isso Diego. Você jogou 5 anos da nossa vida no lixo por uma aventura com uma mulher que você conhece há 2 meses. Você cavou sua sepultura; você morreu para mim.

– Eu só queria que você acreditasse em mim. Eu não estava consciente, eu nem se quer lembro de nada.

– Não posso fazer nada com você. Isso não é um problema meu, é seu e dela. Acho que já está tudo mais que esclarecido... Saia e mais uma vez, não volte mais. Você não é mais bem — vindo nesta casa.

– Se um dia você sentir minha falta, saiba que eu estarei te esperando. – Ele disse baixando a cabeça.

– Você vai morrer me esperando. Acaba com isso de uma vez Diego e vai embora para sempre. Não quero ver nem sua sombra. Vai embora, você não tem mais nada para fazer aqui. – Eu disse abrindo a porta.

Ver o Diego sair por aquela porta e saber que ele não voltaria mais me deixou pior do que eu já estava se é que isso era possível. Interfonei para a portaria e dei ordens para que não permitissem mais a entrada do Diego naquela casa.

Voltei para o meu quarto e comecei a procurar um remédio que eu tinha para dormir. Eu precisava esquecer de tudo com urgência, eu não suportava mais viver sentindo aquela dor nem por um segundo. Eu estava destruída, eu estava morta; minha alma estava morta. Tomei praticamente uma cartela inteira do remédio e em algum tempo comecei a ver tudo embaçado, eu estava perdendo os sentidos, meus olhos estavam fechando, já não conseguia me manter em pé. Tudo ficou preto e eu caí no chão inconsciente.

Pov’s Diego

Cheguei cedo onde estava a Cássia. Apesar de tudo eu não podia sumir do nada e deixa-la sem notícias. Eu tinha que fazer a coisa certa ao menos uma vez na vida. Ela já estava arrumada me esperando para irmos a escola.

Conversamos menos, eu não conseguia escutar o que ela dizia. Eu só conseguia ouvir a voz da Clari gritando e chorando. Por duas vezes quase bati o carro.

– Diego, o que você tem?

– Que?

– O que você tem?

– Nada.

– Como nada? Olha o seu estado. Parece que passou um caminhão por cima de você.

– Acho que isso doeria menos.

– Como assim? O que aconteceu?

– Nada, esquece. Já chegamos, tenha um bom dia.

– Você não vem?

– Não. Eu preciso resolver uma coisa.

– Ok. Fica bem. – Ela disse me dando um beijo na bochecha.

Eu precisava falar com a Clari. Talvez ela estivesse mais calma, talvez eu conseguisse fazer ela voltar atrás. Minhas esperanças eram quase inexistentes mas eu precisava ao menos tentar. Não podia deixar ela sair assim da minha vida. Apesar dela não acreditar eu a amava muito, era o que eu tinha de melhor na minha vida.

Eu estava tentando convencer a Dalva a deixar eu falar com a Clari quando ela apareceu na sala. Ela me olhava com frieza, o semblante dela era de alguém exausto, alguém que já não tinha forças para nada. Ela falava comigo sem elevar o tom da voz, sem chorar, parecia uma máquina. A frieza dela se notava a quilômetros.

Depois de ouvir ela dizer mais uma vez “ vai embora “ eu resolvi ir de verdade. Mas se ela quisesse voltar atrás algum dia eu a estaria a esperando de braços e coração aberto. Eu nunca ia amar ninguém do jeito que eu ama a Clari. Ao sair dali, eu decidi não a procurar mais. Eu já tinha a machucado demais e não queria machuca-la mais. Talvez só a minha presença fosse suficiente para faze-la sofrer e sendo assim entrei em um caminho sem volta. Virei as costas sem dizer adeus.

A partir daquele dia eu iria começar uma nova vida. Eu precisava começar a me acostumar com a ausência da Clari, algo que para mim era impossível. Como ela não iria me perdoar e eu não queria continuar mexendo na ferida, esquece-la era necessário para continuar vivendo. Um dia de cada vez, era assim que eu iria viver a partir daquele momento.

Arrumei minhas coisas na antiga casa, a casa onde passei tantos momentos maravilhosos com a Clari, o quarto, a cama, onde eu passei a primeira noite com a mulher que eu tanto amava. Isso me doía muito e apesar da vontade enorme que eu estava de chorar, eu tinha que ser forte. Ela tinha razão ao dizer que eu tinha procurado tudo isso. No final das contas, a culpa era só minha, o erro era só meu.

Pov’s Clari

Acordei zonza em quarto de hospital. Olhei para o lado e vi minha mãe sentada no sofá chorando. Eu estava confusa, minha visão estava embaçada, e eu sentia meu corpo inteiro doer.

– Mãe?

– Minha filha. Ai minha filha você acordou. Graças a Deus. – Ela disse correndo para o meu lado e enxugando as lágrimas.

– O que eu estou fazendo aqui?

– Você precisa se recuperar. O que você tinha na cabeça para fazer uma coisa dessas? Você podia ter morrido. Não me da um susto desses. A Dalva já me contou o que aconteceu e você tem que ser forte minha filha. Não pode fazer isso com você.

– Tá doendo mãe. Tá doendo. – Eu disse chorando.

– Eu sei meu amor, mas vai passar. Confia em mim, vai passar.

– Não vai mamãe. Não vai passar.

– Vai sim. Vai ficar tudo bem e você não vai mais sentir nada.

– E o meu filho mãe? Diz que está tudo bem, por favor diz que está. – Eu disse em um tom de desespero.

– Fica tranquila. Por sorte, o bebê está bem. Não faz isso de novo, eu não sei se vocês dois vão aguentar outra dessa. Promete para mim que não vai mais fazer isso. Por nada nesse mundo. Promete María Clara.

– Eu prometo mãe. Desculpa. – Eu disse a abraçando enquanto chorava.

– E meu pai?

– Está lá fora com a Dalva querida. Você nos deu um susto muito grande.

– Perdão mamãe.

– Está tudo bem. É só não fazer de novo. – Ela disse me dando um beijo na testa.

Após algumas horas internada, me deram alta e eu pude finalmente ir para casa. Meus pais queriam que eu fosse para a casa deles mas eu preferia ficar na minha. Apesar das lembranças, da dor que tudo aquilo me trazia aquela era a minha casa.

Assim que cheguei em casa tomei banho e tomei um pouco de sopa. Obrigada por minha mãe e pela Dalva mas tomei. Em seguida deitei na cama para tentar descansar.

– Filha, você contou para ele sobre o bebê?

– Não e nem vou contar mãe.

– Você não acha que deveria dizer? O filho é dele também.

– Não. Ele não vai nem chegar perto dessa criança. Na verdade, ele não vai nem saber da existência no que depender de mim. E eu peço que não diga nada a ele.

– Não vou dizer. Vou respeitar sua decisão. Mas Clara você é muito nova para ter um filho e ainda mais sozinha minha filha. É muito cedo para isso.

– E o que você sugere mãe? Que eu aborte?

– Talvez...

– Você está louca. Eu não vou tirar o meu filho. Ele vai nascer mãe e eu vou cuidar dele.

– A gente vê isso mais para frente tá? Agora é muito cedo para discutirmos isso filha.

– Não tem o que discutir mãe.

– Tudo bem. Fica calma. Tenta dormir. Eu vou voltar para casa, seu pai está muito nervoso e eu tenho medo que ele faça besteiras. A Dalva vai ficar aqui cuidando de você. Obedeça ela e nada de cometer loucuras. Qualquer coisa que precisar me liga meu amor. Amanhã cedinho eu volto para ficar com você. Mamãe te ama muito filha.

– Eu sei mãe. Eu também te amo muito. Obrigada por não me deixar. Você me avisou tanto né?

– Sim, eu te avisei mas como os filhos não escutam os pais, você não me escutou e agora sofre por isso.

– Eu deveria ter te ouvido. Teria evitado tudo isso.

– Agora não é hora de se lamentar. Agora é hora de superar e seguir em frente com essa lição que a vida está te dando.

– Eu não sei o que eu faria sem você. Obrigada por tudo. – Eu disse abraçando minha mãe forte.

– Você é minha filha María Clara, e eu enquanto viva sempre estarei com você. Agora deita. Eu vou te cobrir. Só vou sair depois que você dormir. Quero sair sabendo que você está bem pelo menos enquanto dorme.

– Boa noite mãe.

– Boa noite meu amor. – Ela disse me cobrindo.

Notas finais
O que acharam? Comentem! Beijos :*