Louco Amor
39 Capítulo 39
Notas iniciais
Pov’s Diego
Cheguei na escola determinado a falar com a Cássia. Ao chegar perto da porta pude escutar a voz dela e de mais alguém. Parecia ser uma discussão. Me aproximei mais da porta e ouvi claramente ela gritar “ Me solta “ . Não pensei duas vezes antes de entrar na sala.
– Que gritaria é essa aqui? Solta ela!
– Mas quem é você? – Ele perguntou me olhando com raiva. – Agora qualquer um entra na sua sala assim é?
– Ele não é qualquer um. Me solta Renan!
– Ah não é qualquer um? E quem é então?
– Você ouviu ela dizer para você soltar? – Eu disse indo pra cima dele.
– Vai bancar o herói agora?
– E se eu quiser? Qual o problema? Acho que isso não é da sua conta.
– Não se mete na minha conversa com minha esposa beleza?
– Você não está conversando. Está machucando ela. É diferente.
– Para Diego, por favor para. – Ela disse segurando o choro.
– Eu só vou parar quando esse mané sair daqui.
– Eu sou o que? – Ele disse me empurrando.
– M A N É. Que foi? Tá surdo? – Falei empurrando ele de volta.
Ele me deu um soco e eu revidei. Começamos uma briga no meio da sala da direção. Só paramos quando os seguranças da escola nos separaram e o levaram até a saída da escola.
– Diego, você ficou louco? Olha a bagunça que vocês fizeram aqui!
– Ah você preferia que eu deixasse ele te machucar?
– Não mas também não queria que você se machucasse e o que vão falar agora? Aqui é meu local de trabalho.
– Para de se preocupar com o que vão ou não falar. Vem cá. – Eu disse a puxando para mim. – Ele te machucou muito?
– Não. Eu estou bem. Você que tá precisando de cuidados especiais né. – Ela disse indo até o armário e pegando uma maleta de primeiros socorros.
– Qual o motivo da briga de vocês?
– Eu pedi a separação e ele teve essa reação. – Ela disse abaixando a cabeça.
– Você pediu a separação por ontem?
– Não só por ontem Diego mas porque estamos sempre brigando, não nos entendemos nunca, minha relação com ele está mais que desgastada e o principal, eu não o amo.
– Entendi...
– Deixa eu limpar esses ferimentos.
– Aiii!!! Devagar, isso dói.
– Desculpa!
Ficamos ali na sala dela por um tempo conversando. Com a confusão eu preferi não dizer nada a ela e adiar mais uma vez. Ela estava frágil e chorava. Após um tempo saí com ela da escola, ela não tinha condições nenhuma de trabalhar e nem eu.
A levei para a minha antiga casa, onde passamos toda a manhã e uma boa parte da tarde.
– Cássia você não pode voltar para a sua casa.
– Eu tenho que voltar Diego. Minhas coisas, minhas filhas... Tudo está lá.
– Então eu vou com você mas sozinha você não vai.
– Não precisa... Se você for pode ser pior. E até porque você não vai dormir lá.
– Você vai ficar naquela casa depois de hoje?
– Diego eu querendo ou não ele ainda é o meu marido e aquela ainda é a minha casa. Mas eu não quero falar disso agora... Queria esquecer dos problemas um pouquinho. – Ela disse se aconchegando nos meus braços.
– Tudo bem... Cássia eu não quis falar antes mas sobre ontem... Eu não lembro de nada, não sei o que fiz, o que aconteceu.
– Eu queria que você lembrasse pelo menos um pouco. Eu não tinha uma noite como ontem há muito tempo. Passei com você uma das melhores noites da minha vida Diego. Eu não quero esquecer nunca.
– Desculpa mas eu não consigo lembrar e não posso levar isso a diante.
– O que você está falando Diego?
– Estou falando que não podemos ter nada.
– Então é isso... Foi só mais uma noite para você né?
– Não diga isso.
– É o que eu acho agora. – Ela disse se levantando.
– Cássia vem cá. Não chora por favor.
– Eu estou bem, não se preocupa comigo não.
– Claro que eu me preocupo com você... Eu tenho que ir agora. Fica aqui, tem algumas roupas minhas no guarda – roupa, você pode usar qualquer uma. Fica aqui ao menos por essa noite. Liga para a Flor e pede para ela cuidar direitinho das meninas. Não é bom que elas te vejam assim. Amanhã você volta para casa.
– Está bem. E você vai para onde?
– Eu vou para a casa dos meus pais e amanhã cedo eu passo aqui para te buscar.
– Ok.
Fui para casa, o dia tinha sido complicado. Eu precisava de um bom banho e cama. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Ao chegar em casa eu tive sem dúvidas o pior momento da minha vida.
Pov’s Clari
O meu dia no trabalho ocorreu normalmente. Tudo certinho. E nas aulas de teatro também. Após terminar minhas obrigações do dia passei em uma farmácia e comprei um teste de gravidez e fui para casa.
Assim que cheguei fiz o teste. Os minutos pareciam tortura eu precisava saber o resultado. Depois de longos 5 minutos eu tive o resultado. POSITIVO. Eu mal podia acreditar. Eu estava grávida! Comecei a chorar de emoção, eu estava ansiosa para dar a notícia ao Diego. Ele ia ficar mais que feliz, eu tinha certeza. Um fruto do meu amor com o Diego. Era a melhor notícia que eu podia ter tido. Comecei a passar a mão na barriga e imaginar como seria o bebê e quais os possíveis nomes e na cara dos meus pais quando eu desse a notícia. Me passaram mil e uma coisas pela cabeça naquele momento.
– Daaallvvaaaa!!!!
– Oi dona Clara.
– Faz uma comida bem especial hoje tá? A que você quiser! E faz doce também. Deixo tudo nas suas mãos.
– Mas a senhora não tem preferência de nada? Porque depois eu faço e a senhora não gosta...
– O que você quiser para mim já está ótimo! – Eu disse dando um beijo na bochecha dela.
– Rs tudo bem. – Ela disse se retirando.
Eu estava na sala pensando em como dizer ao Diego que ele ia ser papai e olhando umas coisinhas de bebê na internet. Eu estava realmente muito ansiosa. Quando tocaram na minha porta:
– Oi Paulo.
– Oi dona Clari, só vim deixar esse envelope com a senhora. Deixaram lá na portaria.
– Você não viu quem foi? – Falei olhando o envelope.
– Não senhora.
– Obrigada Paulo.
– De nada. Com licença.
O que teria naquele envelope? Era a pergunta que eu me fazia enquanto olhava para ele. Não tinha nome de ninguém, além do meu nome digitado no fundo do envelope.
Ao abrir o envelope eu não podia acreditar no que estava vendo. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem parar. Eu me sentia péssima, uma dor sem fim tinha invadido meu coração. Eu queria morrer naquele momento. Como ele pode fazer uma coisa daquelas comigo? Há quanto tempo ele estava me traindo? Ver aquelas fotos do Diego se beijando com outra em uma balada me deixou de um jeito inexplicável. Comecei a lembrar da minha mãe dizendo “ Ele não é homem para você “ e do Murilo dizendo “ Ele vai te machucar “. Será que eu era a única cega? A única iludida da história?
– Dallvaa!! – Falei tentando conter as lágrimas.
– Sim dona Clara.
– Esquece tudo o que eu te falei. Tira o resto do dia de folga, vai para casa.
– A senhora tem certeza disso? Me parecia tão feliz e empolgada.
– Só faz o que estou dizendo. Vai para casa e pode chegar mais tarde se quiser amanhã.
– Tudo bem dona Clari. Sendo assim me retiro. Com sua licença.
A minha vontade era de simplesmente quebrar tudo. Eu nunca tinha sentido tanta raiva em toda a minha vida. Eu estava me sentindo uma completa idiota.
Fui até o quarto e arrumei todas as coisas do Diego nas malas e deixei na sala. Eu estava grávida do maior canalha que eu já tinha conhecido. Como eu pude ser tão cega?
Já tinha parado de chorar quando ele chegou em casa. Tentei me controlar no início, queria saber o que só ele poderia me responder.
– Oi amor, que carinha é essa? E essas malas?
– Ontem você foi na balada com alguns colegas não foi?
– Fui sim, por que?
– Só tinha vocês...
– S..Sim...
– E esses machucados em seu rosto?
– Briguei na escola hoje.
– Por que?
– Uma amiga estava brigando com o marido e ele ia bater nela. Acabei brigando com ele.
– Me explica isso aqui Diego. – Falei jogando as fotos na mesa de centro.
– Mas o que é isso? Como... Clara eu posso explicar...
– Ah você pode explicar?!
– Sim, eu posso. Eu...
– Cala a boca Diego!! Eu não quero que você me explique NADA. – Falei gritando.
– Clara eu...
– Você nada. Você é um verme sujo, mal caráter, mentiroso, canalha!! Há quanto tempo que você tá tendo um caso com ela?
– Eu não estou tendo caso com ninguém. Por favor acredita em mim?
– Acreditar em você? Você realmente não sabe o que diz... Você conheceu ela ontem e ontem mesmo ficou com ela. Foi isso?
– Não...
– Me conta mais, vamos. Me fala mais do seu caso de amor com ela. Por um acaso a amiga por quem você brigou hoje, é essa com foto nas fotos?
– Sim, é ela e não tem nenhum caso de amor Clara.
– Você não dormiu na casa de colega nenhum. Você dormiu com ela em qualquer motel por ai. E o cheiro que eu senti em você foi dela. Eu não acredito nisso. Como você teve coragem Diego?
– Clara me dá uma chance de eu te explicar por favor! – Ele disse me segurando.
– Me solta!!! Não encosta em mim. Eu tenho nojo de você, nojo dessa pessoa que você é. Eu podia esperar qualquer coisa de você Diego menos uma traição. Eu confiava em você! – Eu disse gritando e tentando conter as lágrimas. – Eu não acredito que você levou ela para a cama estando comigo. Enquanto estava aqui pensando em você, te esperando... Você estava se encontrando com ela nas minhas costas! Me fazendo de idiota!
– Clara eu não tenho caso nenhum com ela. Eu a conheço a 2 meses apenas e ontem eu bebi um pouco além da conta. Não me lembro direito do que aconteceu.
– Qual o nome dela?
– Cássia... Mas eu juro que não tenho nada com ela.
– Você me prometeu que me contaria qualquer coisa mesmo que me machucasse. E você não cumpriu isso.
– Eu sabia que você ia ficar assim. Que iria terminar comigo, eu não queria e não quero te perder. Eu te amo.
– Você já me perdeu Diego. E o seu amor para mim não vale mais de nada. Acabou.
– Não fala assim. Você é a única mulher que eu amo. – Ele disse já chorando.
– Chega Diego. Chega. Não quero mais ouvir nada, nem te ver. Pega suas coisas e vai embora. Não me procure nunca mais, nem pense em chegar perto de mim. Você vai sair por essa porta e vai esquecer que eu existo. Vai esquecer que um dia tivemos alguma coisa. Vai atrás da Cássia. Sejam felizes.
– Não, não Clari. Você tem que me ouvir, tem que me perdoar.
– Se você não sair por bem vai sair por mal. Diego saia antes que eu chame os seguranças para te tirarem daqui.
– Eu só quero dizer uma última coisa... Eu te amo de verdade, não sei o que aconteceu ontem e jamais vou me perdoar por ter te perdido. Eu vou te amar para o resto da vida.
– Parabéns você mente muito bem. Agora sai da minha casa. – Falei abrindo a porta.
Foi o pior momento de toda a minha vida. Sentei no chão em um canto da sala e comecei a chorar sem parar. Eu estava sem chão, me sentia sozinha. Eu só queria chorar e mais nada. Eu amava o Diego de uma forma inexplicável. O quanto me doía tudo aqui somente eu sabia. Eu pensava em tudo o que já tinha vivido com ele e sentia que tudo não tinha passado de uma mentira, uma total ilusão. Naquele dia, senti meu mundo se desfazendo, meu castelo desmoronando, minha vida indo por água a baixo. Eu me senti a pessoa mais idiota e cega do mundo. A traição do Diego fez um estrago tanto no meu coração quanto na minha alma.
Pov’s Diego
Como aquelas fotos foram parar com a Clari? Quem tirou aquelas fotos? Eu era sem dúvidas o maior imbecil do mundo. Eu machuquei a mulher que eu mais amava e ela jamais iria me perdoar. Eu só não entendo o porque eu de eu não conseguir lembrar de nada. E por uma noite eu perdi a Clari, a minha Clari. Eu precisava ficar sozinho. Meu coração estava em pedaços e eu não podia deixar de pensar em como ela estaria. Mal? Péssima? Mais que péssima? Não sabia dizer... Eu seria capaz de qualquer coisa para recupera-la, eu não podia a perder assim. Eu nunca manteria um caso com a Cássia ou qualquer outra mulher, eu não seria capaz de uma coisa assim mas ela nunca ia acreditar em mim. E ela tinha os motivos dela.
Como explicar o que aconteceu se eu nem ao menos me lembrava da noite? Eu não tinha como me defender e em parte eu não tinha como me defender. Eu só queria chorar e mais nada. Fui para o meu lugar especial com a Clari e fiquei sentado na grama olhando as nossas fotos no meu celular e lembrando de tudo. Como uma história tão linda pode acabar assim? Eu destruí minha vida, eu machuquei a mulher que eu mais amo, eu a fiz chorar... Era só o que eu conseguia pensar.
Eu me sentia um idiota, um imbecil ou um canalha como ela havia dito. Eu precisava ficar sozinho. Precisava do silêncio e da tranquilidade. Não queria a companhia de ninguém. Só queria poder sofrer em paz. Eu merecia tudo aquilo, eu merecia.
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