Loucamente Sua

4 Bipolaridade Forçada


Notas iniciais
:* Cap! Finalmente!

Capitulo três: Bipolaridade Forçada

Primeiro dia de viagem



As imagens que dava-se para ver através do vidro da janela passavam muito rápidas para serem capturadas como deveriam. A vegetação da estrada não passava de borrões. Eu queria ver se a vegetação era parecida com as que encontrei em algumas viagens pelo o interior do estado do Ceará, porém, o motorista estava com raiva, muita raiva.

Quer dizer, eu não o culpo. Se eu precisasse jogar algum par de sapatos por algum motivo causado por um desconhecido estaria no mesmo estado, talvez pior. Qual é? Edward tinha que levar em consideração o fato de que eu não tive a intenção de vomitar no precioso sapato. Tudo aconteceu rápido demais para que pudesse tomar alguma precaução.

– Eu já pedi desculpas. – Apelei mais uma vez.

– Não quero discutir essa questão com você agora. Estou dirigindo. – Ele me respondeu sem desviar o olhar.

Sei que desviar o olhar da estrada é algo perigoso, mas isso se aplica quando se tem um transito intenso e principalmente estradas, feitas de asfalto não uma feita de piçarra.

– Poxa! Você tem que levar em consideração a mistura louca que eu fiz. Como você disse em algum momento, quando nossa conversa era civilizada, eu tive sorte.

Ele soltou um riso irônico e não desviou o olhar da imagem a sua frente.

– Acabou de dizer que não somos civilizados.

Revirei os olhos e dei de ombros. Não era do meu perfil ficar adulando as pessoas para voltar a falar comigo. Eu já tinha pedido desculpas se continuou com birra... Problema.

– Sou completamente civilizada, fale por você. – Murmurei mudando de tom, ele era agressivo agora.

– Seu inglês é horrível. Cheio de sotaque.

Dei de ombros.

– Que seja! Sempre gostei mais de espanhol. Só fiz inglês porque fui obrigada. Bem que minha irmã deveria ter namorado um espanhol ou um mexicano... Argentino não! – fiz careta, Edward sorriu – Odeio inglês e amo espanhol.

– Nossa! Você sempre leva seus sentimentos ao extremo.

– É claro! Toda mulher tem que ser expressiva e expor a todos como funciona sua personalidade. Eu sou assim. Levo tudo ao limite.

– Se você pensa que isso é bom, fique sabendo que não é. Está me deixando mais confuso.

Um sorriso satisfeito tomou meus lábios. Confesso que as vezes eu própria me surpreendo com minhas atitudes, porém, isso não acontece constantemente. Raramente isso acontece. A verdade é que ninguém se conhece completamente. Somos seres imprevisíveis.

– Quem disse que era pra você entender? Nós mulheres gostamos de ser confusas, ou pelo menos, eu gosto. Senão qual o motivo de conhecer pessoas novas se tudo sobre nós será entregue de bandeja?

– Hum... Falou bonito agora, mas ainda não te perdoei por ter vomitado nos meus sapatos.

– E eu com isso? – dei de ombros – Já fiz minha parte. Pedi desculpas se você não as quer o problema não é mais meu.

O desconhecido estava dirigindo descalço e o par de sapatos envolvido em várias sacolas plásticas, disse a ele que o melhor seria jogar logo no lixo, mas como o esperado ele não me atendeu.

Éramos totalmente do contra. Sempre descordávamos um do outro. Fazer o que se tínhamos opiniões tão divergentes. Ele era extremamente machista e eu extremamente feminista.

– Você é linguaruda. – Falou.

– Só com quem estar sendo um idiota.

– Eu estou sendo um idiota? Você vomitou em mim.

– Não fiz de proposito porra! Fiz uma mistura louca porque estava morrendo de medo do avião cair, briguei com um padre, estava indo para outro País e minha irmã vai se casar!

A gargalhada que rompeu o pequeno ambiente me assustou. Encarei o maluco que dirigia no momento que ele jogava a cabeça para trás, rindo como um louco.

– Qual é a graça gringo?

– Brigou com um padre?!

Revirei os olhos. Qual é? Eu digo um milhão de coisa e a única coisa que ele grava é essa? Logo o acontecimento que cruzava com meu passado tenebroso?

– Para sua informação ele era um padre muito mal educado.

– Aposto que você ficou tagarelando.

– Não me lembro de ter lhe dado o direito de zombar da minha pessoa. – reclamei – Você também não é tão fácil de se conviver. Seu machista.

– Machista? Eu? Porque estar falando isso de mim?

– Porque assim que me conheceu me chamou de frum-frum!

– Isso não é machismo.

– Qualquer coisa que fira os sentimentos de uma mulher para mim já é machismo.

– Ah então vai ficar muito difícil da gente conviver porque você é bipolar!

– Bipolar é um ova! Você que solta comentários irônicos.

– Estou vendo que vão ser longos cincos dias.

– Não precisa fazer esse sacrifício. Diga-me o nome dessa cidade, eu pego um trem e pronto. Tudo resolvido.

– Me parece uma ótima ideia! Pena que fiz uma promessa e eu sempre cumpro minhas promessas até aquelas que parecem impossíveis e chatas.

– Pare esse carro! Eu quero descer! Não ligo para suas promessas idiotas.

– Qual o seu problema? – ele freou o carro bruscamente me fazendo balançar fortemente para a frente e para trás – Você começou com essa picuinha. Não estou falando de quando vomitou nos meus sapatos. Até parece que quer afastar todos.

Eu não respondi mais sabia exatamente do que ele estava falando. Foi algo que desenvolvi ao longo do tempo. Comecei a agir daquele jeito para afastar quem quer que fosse. Felizmente sempre funcionava, porém, nunca precisei passar tanto tempo perto de alguém que eu tentava afastar e já não tinha certeza se podia continuar com aquela arrogância por tanto tempo. Era difícil manter aquela postura.

Remexi-me no banco, ajeitando meu corpo e tomando postura. Já era tarde da noite, quase onze e ainda não tínhamos encontrado nenhum lugar para dormir. Fixei meus olhos na escuridão iluminada por apenas dois faróis que não eram suficientes. Os portes de luzes tinham acabado.

– Não sou muito sociável.

– Só maneira porque eu não tenho culpa dos seus traumas.

Dito isso ele ligou o carro e saiu em disparada. Meu corpo balançou de forma brusca. Não respondi, pois sabia que Edward tinha razão. Meus traumas tinham influencia no meu comportamento e apesar de saber que os homens não tinham culpa, maltratá-los era minha forma de se proteger.

Por sorte o cara também se recusou a se pronunciar ou então minha decisão de silêncio seria revogada sem custo. Tenho a personalidade explosiva uma característica ruim admito, mas ser confrontada era insuportável, egoísta, não?

O rádio foi ligado e uma música desconhecida tomou conta do ambiente. Eu não entendia uma palavra sequer do que era pronunciado e isso me incomodava muito. Um dos motivos que me obrigaram a estudar inglês foi o de não entender porcaria nenhuma das músicas que gostava.

Como estava decidida a manter a trégua não seria eu a quebrar minha própria oferta de paz. Não reclamei. Tudo o que fiz foi remexer mina bolsa de mão. Meus dedos tatearam os objetos lá dentro, havia uma infinidade de coisas guardadas ali e meus dedos localizavam tudo, menos o meu celular.

Encontrei me gloss cor de rosa, meu batom, perfume, desodorante, lenços... Menos meu celular. Mil possibilidades insanas invadiram minha mente. Guardo muita coisa na minha bolsa sim, entretanto, acredito que não tanta coisa ao ponto de não achar algo que tinha um tamanho mediano.

– Mais será possível que vou achar tudo menos essa porcaria de celular. – Murmurei em português.

Usei as duas mãos para abrir bem o buraco que me permitia visualizar dentro do acessório. Será que ele tinha caído no chão e eu não percebi? Tinha sido roubada? O aparelho evaporou?

Imediatamente tive o impulso de pegar outro aparelho e ligar para o meu, porém, percebi a tempo que não dava para executar meu raciocínio. A única pessoa que podia me ajudar estava emburrada (com razão admito). Estava quase entrando em desespero quando avistei lá dentro um brilho. Meus dedos apertaram algum botão para a minha sorte.

Senti vagorosamente o prazer do alivio me tomar e acalmar meu batimento cardíaco.

Arrastei o objeto brilhoso que com menos distancia agrediu meus olhos acostumados com a escuridão da noite.

Baixei o nível do brilho e abri meu reprodutor de música, conectei os fones e dei play em uma das minhas músicas preferidas. Gosto das músicas nacionais, algumas bandas são perfeitas. O som do Soulstripper era irado.

Apesar da maioria das músicas serem sofridas — o que tinha quase tudo a ver comigo – Soultripper era uma das minhas bandas preferidas. A voz doce mais máscula e o som acústico invadiram meus tímpanos desencadeando uma onda prazerosa, fazendo minha mente viajar, criar imagens sobre a letra. As músicas da banda tipo que contavam uma história. A Ruiva disputava um lugar em meu coração como minha música preferida. Uma letra que me emocionava.

“Não faz assim. Vamos tentar até amanhã depois até quarta e deixa a vontade mostrar até quando. Não me pede para gostar de você. Gostar tem que ser sem pedir, mesmo que seja sem querer”.

Entende agora porque gosto tanto dessa banda? Quantas verdades em uma única estrofe. Desde quando gostamos de alguém porque queremos? Geralmente é uma coisa natural e que acontece de repente, quando menos esperamos. Quem gosta de alguém só porque ela pediu?

Cantarolei a música baixinho para não incomodar ninguém apesar de saber que o homem ao meu lado não entenderia uma só palavra.

Deixei-me levar pelo o ritmo da música. Uma curiosidade sobre mim. Sempre caio no sono quando escuto uma música que gosto, quer dizer, isso só se aplica quando estou muito tempo sem dormir, o que era o caso da situação. Pendi a cabeça para o lado e fechei os olhos. Os acordes da música seguinte foi a última coisa que ouvi.

[...]

Obviamente, a inconsciência causada pelo o sono não era tão profunda. Considerando o fato de estar viajando com um desconhecido e em uma posição desconfortante era fácil entender. Meu cérebro não desligava sempre algum pensamento pairava no fundo da minha mente o que proporcionou um sonho sem nexo. Uma mistura louca de acontecimentos impossíveis. Eu não sou um batom garoto branco, disso tenho certeza absoluta.

Considerando o fato de que meu sono era superficial, obviamente, senti o toque de alguém em meu ombro que não precisava ter me sacolejado. Eu acordaria com um toque no dedão do pé.

Acordei sobressaltada com música ainda estrondando no fone. Agora tocava uma do Fresno. Com o coração a mil e totalmente ofegante por causa do susto, encarei o cara ao meu lado. Um misto de sentimentos me tomou fazendo com que não soubesse identificar se o resultado era bom ou ruim.

– O que aconteceu? – percebi que o carro estava parado – Quem nos parou? É uma emboscada? Vão nos roubar? Por favor, não deixe que me levem. Ainda tenho muito para viver...

O riso dele me interrompeu, parei por um momento e então percebi que estava sendo ridícula. Qual é? Consequência de morar em um País perigoso, você fica paranoica.

– Não ria! Fiquei assustada. Obviamente, nunca foi ao Brasil.

– Qual é? Não deve ser tão perigoso.

– Parar no escuro enquanto tá viajando é que gritar a plenos pulmões: “ME ASSALTEM!”. – Fiz uma voz fina e abanei as mãos no ar ridiculamente.

Ainda com um riso nos lábios ele se pronunciou.

– Vamos! Encontramos uma pousada.

– Eba! Vou dormir finalmente.

Edward ergueu as sobrancelhas.

– Como assim? Você dormiu um bocado.

– Eu fingi dormir, na verdade minha mente só estava dando uma leve passeada no mundo dos sonhos. Nada que faça uma pessoa dizer: “Nossa! Como eu dormi”.

Outro riso escapou dos seus lábios.

– Você é muito estranha Swan.

E saiu do carro, fiquei ali ode estava por mais três segundos até finalmente meu cenho franzi. Saí do carro ao mesmo tempo que dizia:

– Estranha? – fechei a porta do carro – Primeira lição Cullen. Nunca chame uma mulher de estranha. É ofensa.

Acompanhei-o quando abriu o porta-malas e retirou de lá minha mala.

– Ainda vou descobrir o que realmente leva dentro dessa mala. – Reclamou.

– Eu já disse. Roupas e sapatos. Tenho culpa se pensam? – cutuquei-o no ombro – Ei! Você ainda não me respondeu.

– Uma hora você estar chata, muito chata. Insuportável? Aí você dorme e quando acorda é tipo outra pessoa. E só para constar prefiro essa versão pós-sono.

Cruzei os braços. Ah ele se referia a essa estranheza. De vez em quando dou minhas escorregadas. Ser chata o tempo todo é chato... Pera! Ser imbecil o tempo inteiro é cansativo. Bem melhor, não?

– Isso é normal de mim. Bem, se acostume, afinal, são cinco dias de viaje. E vou logo avisando, a versão chata predomina.

– Ah mais pra isso eu já tenho um plano. É só fazer você dormir.

– Oh! – falsa admiração – Que plano perfeito.

Ele não me respondeu só caminhou em direção a pousada com um sorriso estampado no rosto. Suspirei já sentindo a guerra interna das minhas personalidades. Eu não gostava de ser chata, porém, era necessário.

Por incrível que pareça alguém ainda estava na recepção, uma senhora. Ela sorriu simpática quando nos viu na porta.

– Boa noite. O que os jovens desejam?

– Quartos! – eu e Edward falamos juntos.

– Quartos? – a senhora repetiu, parecia confusa – Estão brigados?

Finalmente a conversa fez sentido. Eu e Edward trocamos olhares risonhos antes de ele dar alguma resposta.

– Não somos casados.

– Ah sim. Recebo muitos casais de namorados. Não me importo de alugar para namorados. Na minha época dávamos nossas escapulidas porque agora seria diferente?

– Também não somos namorados. – apressei-me a continuar quando o olhar reprovador surgiu no olhar da senhora – Também não sou prostituta. Eu e ele – apontei para mim mesma e depois para Edward – não temos nada...

– Estamos viajando. – Edward me interrompeu quando percebeu que eu estava perdendo a paciência – Só queremos um lugar confortável para dormir.

– Ah entendo. – a velhinha sorriu – Tenho uma boa e uma má notícia.

– Mais a senhora tem algum quarto? – Perguntei avida.

– Sim. Apernas um quarto. Essa é a má notícia. A boa é que nela há duas camas.

– É melhor que nada. – Sussurrei para Edward.

Ele ponderou a ideia e então percebeu que estava certa. Era melhor aquilo que dormir em um carro.

– Ficaremos com quarto senhora. – Disse.

– Posso fazer uma ligação? – Perguntei.

– Sim, sim! – A senhora respondeu.

Então me distanciei. Peguei meu celular no bolso e procurei o último número que ela usou para mim fazer ligações. Alice ouviria poucas e boas. Era tarde da noite, mas eu não estava nem um pouco receosa por acordá-la ou atrapalhar seja lá o que esteja fazendo. Alice me devia por ter me metido naquela fria. Nada o que eu fizesse se compararia com o que ela fez.

Disquei o número dela com rapidez e ignorei o olhar reprovador lançado pelo o Cullen. Óbvio que ele soube pra quem ligaria, ele não é burro. O toque se propagou por alguns segundos até finalmente a irmã desnaturada atender.

– Alô? – Sua voz não estava grogue. Droga! Não a acordei.

– Adivinha quem tá falando? – Perguntei sarcástica.

– Bella! Desculpe não ter ligado mais cedo.

– Não desculpo. Vou levar essa raiva pro resto da vida e você sabe que sou capaz de fazê-lo.

– Tá brava porque mandei alguém no meu lugar?

– Essa já foi a grande questão, mas não é mais. Sabe o que me deixou com ódio? O fato de você não ter me dito que para chegar a essa maldita cidade onde vai se casar são cinco dias de viagem. Cinco! Você deveria ter me contado.

– Você não teria vindo se tivesse contado.

– Claro que teria! Óbvio que teria! Você é minha irmã e vai se casar. Teria vindo mesmo sendo dez dias de viagem.

– Desculpa. – Falou manhosa do outro lado.

– Só espero, sinceramente, que seja a última surpresa que terei.

– Não fica brava comigo. Agora entende porque não podia ir te buscar?

– Tchau Alice. Até há cinco dias.

Desliguei o telefone. Sei que fui grosseira e não agi da maneira certa, mas tocar no assunto reacendeu a chama da raiva. Ahhh a raiva. Um ótimo combustível para se ter um bom raciocínio. Pelo menos, para mim funciona.

Senti o toque mágico de cada peça se juntando e deixando tudo mais claro. Ver Edward ali em pé próximo aquele balcão de recepção foi a última peça para algo que ainda me parecia confuso.

Sei que não deveria dizer isso com minha própria irmã... Mas, ALICE IDIOTA!

Agora que todo o efeito de qualquer substancia que me deixou zoadona passou tudo foi ficando claro. Alice arquitetou tudo aquilo. Planejou tudo. Talvez esteja exagerando, mas puta que pariu! Ela podia ter me avisado que o local do casamento ficava a cinco dias da cidade do desembarque.

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próximo capitulo...

O quarto já estava completamente escuro, meus dedos estavam cruzados em cima dos meus seios, o cobertor me aquecia, pois a noite repentinamente ficou fria. Encarava o teto de forma vaga, pois meus olhos podia estar ali, porém, meus pensamentos estavam em outro lugar, lugar esse que nem ao menos eu reconheci. Era uma especie de viagem por minhas lembranças, todos os acontecimentos do dia tinham despertado algumas delas. Lembranças que levei tempo para aprisionar.

– Posso te perguntar uma coisa? — Edward perguntou baixinho da outra cama.

– Sim. — Respondi sem ponderar.

– Que diabos aconteceu com você?

As palavras me despertaram do meu devaneio. Falar sobre o passado sempre foi minha ferida que não se cura e talvez não falar sobre o assunto com ninguém tenha sido o meu pior erro.

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[N/A]: Olá chicas! Perdoem-me! Sei que demorei séculos, mas é que meu semestre começou (agora estou no final dele) e bem... Vi-me sem tempo para escrever... Até que consegui escrever um.

Espero que gostem. Deixem seus comentários e vai ser assim mesmo... Pelo menos, até entrar de férias não vou ter data certa de postagem.

Beijos.

Notas finais
Boa noite.