Lost Soul
4 Inesperado
Notas iniciais
Loren POV
Estou começando a ficar assustada com a Penny. Ultimamente ela está mais estranha que o normal. Não que ela seja muito estranha, mas ela está. E o que ela ficou fazendo ontem quando cozinhávamos o almoço, fingindo que não era de propósito, e até se furar para zoar a gente, foi o que eu precisava para concluir que ela está estranha. Eu já estava pensando isso desde que ela me pediu para fazer a mãe dela pensar que estava sendo traída pelo Jack, seu marido, e não precisei me esforçar muito para isso. Apenas dava umas escapadas para o quarto deles quando a Eleanor não estava, e Penny me acobertava, então espirrava perfume em suas roupas, deixava umas marcas de beijos com batom e pronto.
Eu jamais seria capaz de pedir algo assim para alguma amiga minha fazer, mas cada um é cada um né.
Depois do cena da hora do almoço, Penny começou a chorar, falando que não sabia o que estava acontecendo com ela, que ela não estava fazendo aquilo de propósito. Como se fossemos acreditar que a mão dela ganhou vida própria e ficou fazendo aquelas bizarrices, ha ha.
No fim acabamos esquecendo isso e fomos assistir filmes antigos, por insistência de Cynthia, por mim e Penny veríamos os atuais mesmo. Após uma tarde resumida em Grease e pipoca, finalmente chegou a hora da festa do pijama.
— Hoje nós PRECISAMOS fazer maquiagens! Não há nada MELHOR que isso! — Cynthia como sempre agindo como uma patricinha descontrolada.
— Ai Cynthia como você é ultrapassada. Hoje nós precisamos inovar! — o tom da voz de Penny estava um tanto estranho — sempre quis testar aqueles rituais satânicos. Por que não tentamos um?
— Tá louca Penny? Eu hein, acho melhor a gente ir dormir mesmo porque amanhã vai começar a escola, ou melhor, a enchição de saco. — não demorou muito e eu andei até a direção da cama e me deitei.
A minha cama é de casal, e um tanto maior que as camas de casal normais, resultando em eu, Penny e Cynthia dormindo juntas.
No meio da noite eu comecei a ter um sonho, ou melhor, pesadelo meio estranho. Sonhei que eu estava em um quarto completamente estranho, sombrio, não sei explicar. Nesse quarto tinha um homem encapuzado, segurando um livro na mão, ele conjurava umas palavras, mas eu não conseguia ouvir. No chão, duas meninas estavam deitadas e inconscientes. Uma parecia estar morta. Tudo aconteceu tão rápido que não demorou muito e um dos corpos estava pegando fogo, e o outro estava brilhando. Quando tudo acabou, uma marca estava brilhando no pulso da única garota que restara. Eu conhecia aquela marca, e conhecia aquele quarto. Logo me lembrei que a marca era idêntica à tatuagem de Penny, e também conhecia aquele quarto de algum lugar, não sei de onde, mas tenho essa impressão. Após tudo, o quarto se encheu de névoa e eu acordei suada e em choque, porém meu choque maior foi quando eu levantei de leve minha cabeça e me deparei com Penny levantada, em frente a cama com uma faca na mão, aparentemente apontada para Cynthia. Seus olhos estavam meio psicóticos. Após eu analisar a situação, tudo o que eu fiz foi chamar por seu nome. Chamei ela aproximadamente cinco vezes, e em nenhuma delas ela saiu de sua posição ou me atendeu. Eu estava começando a ficar com medo, afinal, não é sempre que você vê sua melhor amiga apontando uma faca para sua outra melhor amiga. Resolvi levantar e chacoalhar ela, ela devia estar sonâmbula ou algo assim. Me levantei lentamente para não acordar Cynthia. Cheguei perto de Penny e a cutuquei. Seus cabelos pretos saíram da frente de seu rosto quando ela começou a ter o que parecia uma convulsão. Ela começou a babar e se mexer no chão igual uma louca. Cynthia acordou com meus gritos de desespero, afinal, eu não sabia o que fazer, quando viu o estado de Penny ela começou a pular e a gritar coisas do tipo:
— AH MEU DEUS DO CÉU ELA TÁ POSSUÍDA, E VAI ATACAR A GENTE COM AQUELES COTURNOS FEIOS E FORA DE MODA QUE ELA USA!!! AHHH!!!
E como sempre a burrinha da Cynthia não estava entendendo a situação.
— CYNTHIA, SERÁ QUE UMA VEZ NA SUA VIDA VOCÊ CONSEGUE AGIR COMO UMA PESSOA INTELIGENTE E TENTAR REALMENTE VER A GRAVIDADE DA SITUAÇÃO? — eu não aguentava mais ela e suas futilidades, mas tudo o que eu consegui com isso foi fazer ela se tacar na cama da forma mais dramática possível e começar a chorar, na esperança de eu dar atenção.
Quando voltei a focar em Penny ela não estava mais se mexendo daquela maneira esquisita e anormal, ela estava dormindo no chão, como se nada daquilo tivesse acontecido. Eu a carreguei pra cama, pedi desculpas pra Cynthia e disse para voltarmos a dormir, o que as duas conseguiram fazer, menos eu, que não parava de pensar sobre o pesadelo que eu tive e sobre o que acabara de acontecer.
Umas horas depois o despertador toca e as meninas acordaram. Penny com o mau-humor absoluto de sempre e Cynthia com as falas:
— Ah querida escola, finalmente voltarei para você. Queria que as férias não existissem! — o entusiasmo em sua voz era assustador.
— Pessoas como você não deveriam poder falar. — eu já esperava que Penny retrucasse, porém dessa vez, Cynthia não se importou porque já estava no banheiro se arrumando.
Eu e Penny nos olhamos brevemente, e eu perguntei:
— O que aconteceu com você essa noite?
— O que aconteceu o que? Andou fumando umas ervas é Loren? Eu dormi o tempo todo. — eu já esperava que ela não se lembrasse de nada. É típico dela não se lembrar das coisas, ou dizer que não se lembra.
Nem respondi Penny, tudo que eu fiz foi olhar de maneira interrogativa para ela, suspirar e levantar da cama e andar em direção ao meu guarda-roupa para escolher como ir à escola.
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