Lost In Paradise
7 Profane Deals
Notas iniciais
N/A (2): Sei que sou má, e sei que muitos vão me odiar por causa desse capítulo, mas... (A)'
CAPÍTULO SEIS — ACORDOS PROFANOS
Regina não podia entender que lhe passava; quando o tom desafiador de Emma lhe atingiu em cheio, uma dor suave se irradiou por seu peito, e ela perdeu a consciência sobre seus atos. Suas mãos pareceram ganhar vida própria, e se fecharam contra os pulsos da loira num aperto de aço. Empurrou-a, então, contra a parede, pressionando seu corpo contra o dela.
A respiração ficou presa na garganta de Emma. Seu coração começou a bombear em ritmo frenético, fazendo com que uma intensa sensação de latejo se espalhasse por todo seu corpo; sensação esta que parecia, também, estender-se a Regina, quase como se fosse uma corrente elétrica que interligava as duas. O hálito quente da outrora prefeita turvava sua mente, de modo que tudo sobre o qual tinha consciência era o corpo macio de Regina pressionado contra o seu.
"Que pensa que está fazendo?" perguntou Emma, ofegante. A parte ainda racional de seu cérebro enviava-lhe avisos ininterruptos de perigo, que gritavam em sua mente para que se afastasse... Mas Emma sabia — e soubera desde o primeiro momento — que Regina seria sua perdição. Aquele corpo moreno, aquele olhar penetrante, e aqueles lábios carnudos, algum dia, sinalizariam a perda de sua sanidade mental.
Regina sabia que deveria se afastar; desde a primeira vez em que seus olhos encontraram os verde-esmeralda, ela soube que Emma Swan era alguém de quem ela não deveria se aproximar. Aqueles olhos pareciam trazer, junto com sua esplêndida luz, uma promessa muito sinistra, cujo fardo Regina preferia nunca carregar. Desde o primeiro confronto, a loira a intrigara e despertado sensações estranhas bem no fundo de seu âmago. Auto-protetora como era — ou, talvez, este fosse apenas um eufemismo infame para sua tão bem-disfarçada covardia —, Regina erguera paredes imaginárias a seu redor, a fim de manter a loira longe. Seu então profundo ódio por Emma Swan tornara-se seu escudo impenetrável, e sua dimensão vinha atingindo proporções inacreditáveis desde os últimos acontecimentos. Tal escudo vinha funcionando muito bem até aquele específico momento, no qual suas paredes, de repente, pareciam ser feitas de papel; tanto que a mera respiração de Emma ameaçava derrubá-las.
Regina nunca se sentira tão vulnerável assim em toda sua vida, nem mesmo quando Cora esmagara o coração de Daniel diante de seus olhos...
Cora...
Daniel...
Caralho, pensou Regina. Estava prestes a confrontar sua mãe, e tudo que conseguia pensar era no quanto precisava provar daqueles lábios malditos! Lábios que, com um simples toque, foram capazes de quebrar a mais negra das maldições e trazer de volta todos os finais felizes... Todos, menos um.
Talvez, pensou Regina... Talvez aqueles lábios promissores de um final feliz pudessem, também, trazer o seu, algum dia. Talvez, algum dia. Palavras incertas, percebeu Regina, com uma pontada no vazio de seu peito. A dolorosa incerteza nunca tivera espaço em seu ser, e não seria agora que passaria a ter.
"Srta. Swan, sugiro que pense melhor na próxima vez que ousar me enfrentar," disse Regina, readquirindo seu tom ácido e predatório, mas mantendo-se ainda muito próxima a Emma. "Não se esqueça de que sou eu que estou no controle aqui."
Parte da sensação responsável por esquentar o corpo de Emma se dissipou e foi substituída por um frio latente, quase como se um balde de água gelada tivesse sido derrubado sobre si. Ela encarou a morena com algo semelhante ao ódio reluzindo em seus olhos.
"Como desejar, Vossa Majestade," murmurou Emma, entredentes. "Deveria tê-la matado quando tive a chance."
Algo no olhar de Regina tornou-se obscuro por alguns instantes.
"Não tem isso em você," afirmou Regina, em tom confiante.
"Experimente passar do limite mais uma vez, senhora prefeita, e vamos descobrir se tenho, ou não, isso em mim," sibilou Emma, ameaçadoramente, e empurrou a morena para longe de si, a fim de clarear sua mente e recuperar a compostura.
* * * *
A milhões e milhões de universos alternativos, Mary Margaret caminhava de um lado para o outro, no hall da loja do Sr. Gold. Estava enrolada em seu cardigan amarelo, e torcia sua boina nas mãos, enquanto avaliava o preço pedido por aquele que a encarava com um sorriso divertido no rosto e batia os dedos na mesa em ritmo alegre.
"Não tenho todo o tempo do mundo, queridinha," disse Gold, readquirindo, por um momento, o famoso tom debochado de Rumpelstiltskin.
Mary parou de caminhar pela loja e apoiou firmemente suas mãos no balcão de madeira, encarando Gold com olhos estreitados. "Esse feijão," disse Mary. "Vai me levar até a Terra Encantada em segurança?"
Gold contornou o balcão e posicionou-se frente a frente com a mulher. "Com certeza," ele disse, condescendente.
"E lá, encontrarei Emma?" perguntou Mary.
"Se o portal a transportou para lá, sim," respondeu Gold, ainda muito paciente, embora por aquilo que considerava ser a enésima vez.
Mary assentiu, mais para tranqüilizar a si própria, do que para mostrar haver compreendido as palavras do Senhor das Trevas.
"E para que eu retorne a Storybrooke?" indagou.
"Vai precisar de outro feijão," disse Gold, casualmente, e começou a passear distraidamente pela loja, vez ou outra, tocando um ou dois objetos no caminho, apenas pelo puro prazer de possuí-los.
"Outro feijão," repetiu Mary. "Da árvore dos gigantes... Isso é suicídio!" explodiu Mary, por fim, sacudindo a cabeça negativamente. "Tem de haver um método mais fácil."
"Com certeza, deve haver," disse Gold, perdendo, enfim, a paciência. "Mas não é aqui que vai encontrá-lo, então, sugiro que, se não tem interesse de fazer um acordo comigo, vá embora e pare de desperdiçar meu tempo."
Gold girou nos calcanhares e contornou novamente o balcão, dirigindo-se à porta que levava aos fundos da loja.
"Espere," disse Mary. "Eu aceito."
Um sorriso perverso se estampou no rosto de Gold. Quando ele se virou novamente para encarar Mary, um feijão reluzente encontrava-se em sua mão. Com todo um meneio teatral, típico de Rumpelstiltskin, Gold ofereceu o objeto a Mary, que o tomou nas mãos com uma expressão desconfiada, estampando-lhe o rosto.
"Foi ótimo fazer acordo com você... Branca de Neve," disse Gold, reforçando as últimas palavras sugestivamente. "Faça uma boa viagem," completou, estreitando os olhos, o que deixou seu sorriso ainda mais perverso.
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