Lost In Paradise
25 Epílogo
Notas iniciais
O majestoso espelho de moldura dourada bem-ornamentada, da penteadeira de madeira rósea, refletia regiamente longas madeixas acastanhadas; mãos pálidas e tremeluzentes penteavam-nas lugubremente, do começo até o fim, demorando-se alguns segundos a mais nos cachos amontoados nas pontas, até tornarem, então, a subir e repetir todo o processo.
Os olhos castanho-chocolate eram vagos: encontravam-se continuamente afixados em ponto imutável no espaço. Sua tez era levemente rechaçada por uma umidade constante, que embaçava-lhes o campo de visão.
As notas musicais que se desenvolviam em sua garganta seca preenchiam o ambiente, sobrepondo-se a ele sorrateiramente, até possuí-lo por completo e ecoar por suas paredes ocas.
Do pescoço cor de mel pendia um colar de ouro; neste, repousava a réplica de um cisne branco, com uma coroa de cor igual em sua cabeça. O pingente reluzia magnificamente, a luz por ele emitida dava a impressão de poder tornar-se o centro da galáxia, em lugar do astro-rei.
Em seu colo adornado por anáguas pinicantes, sobrepostas por uma longa saia de seda, repousava uma boneca de cabelos ruivos e sedosos, os quais sua dona, vez ou outra, penteava com sua própria escova, ao cansar de suas próprias madeixas.
Nas noites, balançava-se continuamente na cadeira de balanço, acalentando o trocinho de porcelana em seus braços como se fosse gente, entre um minuto e outro, beijando-lhe o topo da cabeça gélida. A melodia produzida por sua garganta jamais parava de ecoar. Seus olhos nunca deixavam o espelho.
Ali, constantemente sentada em sua cadeira de balanço, frente a sua penteadeira de madeira rósea, e com uma boneca de porcelana repousando regiamente sobre seu colo, Regina Mills afixava-se como um vegetal. Seus olhos nunca se fechavam. Ela nunca dormia.
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