Lost Blue

2 Capítulo 2 – O garoto Blue


Notas iniciais
Olá meus amores, Hoje trago mais um capítulo feito com muito carinho... e finalmente vamos conhecer Aquantis ♥ Espero que gostem! Boa leitura!

Após a discussão com seus amigos, finalmente Trey havia encontrado um ponto com eles. Decidiram que aceitariam aquela missão, mas, que iriam se precaver o máximo que poderiam. Pelo menos deixou Trey um pouco mais aliviado de saber que não estava sozinho. Normalmente todas as missões eram feitas pelos três juntos, nunca ocorreu de trabalhar separadamente, a não ser que fosse planejado.

— Esse garoto não possui um chip ou algum aparelho rastreador nele? Se é uma criatura de laboratório, deveria ter. — Austin perguntou enquanto bebia um de seus leites fermentados com o canudinho, relaxado no sofá da sala de estar.

Trey andava de lado a outro com a testa franzida e os braços para trás.

— Sim, Austin. — Respondeu Zack, sentado sobre o tapete e verificando seus arquivos em seu tablet ultrafino. — Mas o problema é que poucas horas depois de Aquantis ser sequestrado, seu rastreador parou de transmitir sinal. Isso significa que quem quer que seja o inimigo da Federação, sabe muito bem o que está fazendo e tem tudo planejado.

— Então nós nunca vamos encontrá-lo. Droga! — Trey resmungou, acendendo um charuto.

— Eu odeio quando você fuma. A maldita fumaça fica por toda parte. — Zack o olhou com desprezo.

— Eu sinto muito, Zack, mas estou muito nervoso para ignorar meu charuto.

Seu amigo não contestou mais e continuou com o trabalho. As próximas horas foram praticamente disso. Austin tinha preparado café quente para eles e trouxe alguns aperitivos para um lanche.

Trey estava praticamente jogado ao sofá resmungando a cada momento. Austin estava quase dormindo e Zack tinha olhos verdadeiramente cansados enquanto estudava os arquivos na tela. Um súbito grito dele acordou todos de seus devaneios preocupados.

— O quê? — Trey perguntou desconfiado.

— Olhe, em lugar algum deste universo todo você vai encontrar um cara como eu. — Zack se gabou de brincadeira, batendo em seu próprio peito.

Trey praticamente caiu do sofá ao lado dele, empurrando-o para olhar na tela. Austin se aproximou deles e sentou perto, curioso.

— Comece já a se explicar!

— Bem, vamos lá. — Começou o Hacker. — Eu tive que invadir o sistema de segurança da Federação para obter os arquivos ocultos. Eu nunca tinha precisado fazer isso antes, mas me infiltrei de uma forma que eles nunca saberão quem foi que sabotou seus arquivos. Encontrei todas as listas dos possíveis inimigos da Federação, mas confirmei também que Aquantis é um segredo. Ninguém de fora o conhece. Quem o raptou é alguém que está acostumado com a Federação e conhece os segredos da Rainha.

Trey ergueu uma sobrancelha e tinha um olhar questionador.

— Ah... — Zack suspirou cansado. — Vou poupar muitos detalhes técnicos. O que importa aqui é: Há uma fonte na internet que diz claramente que haverá um leilão de espécies raras em Exórdio.

— Exórdio, huh? “Onde a sua felicidade terá origem”. Uma droga de slogan.

Zack riu e Austin também. Exórdio era uma nave-hotel, um lugar ilegal que não podia ser barrado pela Federação devido aos seus desvios pelos buracos de minhoca (atalhos pelo espaço-tempo). Ele nunca tinha um ponto de parada específico e seus clientes eram escolhidos a dedo. Os principais eventos eram caros, os participantes eram todas pessoas abastadas no dinheiro e com terceiras intenções, afinal, os leilões de escravos de espécies raras eram muito lucrativos além de serem muito benéficos para seus novos donos.

Aquantis poderia muito bem ter sido enviado para lá.

— A Federação não sabia sobre isso? — Indagou curioso.

— Ela tinha em seus planos investigar o lugar. Mas eles abortaram. E imagine por quê? Eles querem nós para fazer isso.

— Isso não tem sentido. Com todo o policiamento deles e a segurança exorbitante que eles têm, por quê não fizeram antes? Se passou uma semana!

Zack fitou Trey em seus olhos. Algo lhe dizia que inclusive Zack estava confuso.

— Eu não sei... mas de uma coisa eu posso te assegurar. Há algo de muito errado com esse “tesouro da Rainha”. Nós precisaremos ser os mais cuidadosos possíveis.

—*-*-

A rota foi alterada para as coordenadas que Zack misteriosamente descobriu de onde Exórdio estava situado para o próximo evento. Com suas habilidades de Hacker de primeira categoria, ele havia inclusive reservado três ingressos premium para eles.

A nave Imperatriz atravessou dois buracos de minhoca artificiais e após seis longas horas de viagem no piloto automático, finalmente estavam próximos.

Os três estavam praticamente dormindo em suas cadeiras na ponte de comando quando o apito da tela acordou Trey subitamente. Era o general Jack Scarlet em uma chamada de vídeo que substituiu a tela de imagem frontal da nave em trajetória para Exórdio.

— Qual é a da viagem? — Seu pai perguntou curioso. Austin e Zack ainda roncavam em suas cadeiras inclinadas para trás.

— Chegamos a Exórdio.

Seu pai franziu o cenho.

— O que diabos estão fazendo aí?

— Zack acredita que Aquantis esteja para ser vendido. — Cruzou os braços.

— Trey, preste atenção. Tenha cuidado redobrado, principalmente nesta região.

— Não se preocupe. Zack conseguiu passes premium para nós.

— Mesmo assim. — Jack balançou negativamente a cabeça. — Não digo apenas por Exórdio, há algo mais nesta missão que está oculto. Eu temo que quando descobrirmos seja tarde demais e ...

Trey estranhou quando a comunicação entre eles foi interrompida. O vídeo simplesmente foi desligado e as luzes de emergência da nave piscaram com a repentina queda de energia.

— Zack! Austin! Acordem!

Zachary acordou assustado enquanto Austin resmungou até notar que algo estava definitivamente estranho.

Imediatamente o Hacker passou a bater nas teclas. Austin moveu sua cadeira e pegou o controle manual da nave quando eles por pouco não foram atingidos.

— O que diabos foi isso?!

— Não pode ser... — Austin apontou para a tela completamente abismado.

Ainda tão longe quanto estavam de Exórdio, a nave-hotel que era tão gigantesca como a Federação dos Planetas estava enviando sinais de pressão muito fortes, uma explosão ao lado direito da grande construção enviou o queixo do trio aos calcanhares.

— Acelere! — Trey gritou no topo de seus pulmões. Austin fez como foi dito e a nave Imperatriz mostrou seus dotes de velocidade.

— Nós vamos morrer... vamos morrer... — Zack estava entrando em pânico e começando a hiperventilar. Ele rapidamente pegou sua bombinha da gaveta e inspirou longamente várias vezes enquanto a nave forçava através da pressão gravitacional ao redor da nave e uma segunda explosão por pouco não trouxe destroços para atingir a Imperatriz.

Trey vestiu seu traje e Zack fez o mesmo, Austin ficaria no comando da nave enquanto eles iriam trabalhar fora em Exórdio antes de mais uma explosão. Ambos usavam trajes anti explosivos, mas nada era garantido, os níveis de pressão eram muito altos.

— Isso é horrível, Trey! Vamos morrer! — Zack gritou através do comunicador. Trey estapeou a cabeça de seu amigo.

— Vamos mergulhar no local onde ocorreu a explosão, temos que ser os mais rápidos antes de ocorrer outra. Nada de entrar em pânico! — Gritou. A nave se aproximou perigosamente da parte mais destruída da grande nave-mãe Exórdio. Trey mergulhou porta afora com Zack logo atrás dele.

A gravidade estava horrível, provavelmente aquele local perdeu completamente o controle atmosférico. Eles avançaram quase nadando por corredores completamente destruídos, destroços e o pior, corpos, sangue e partes de seres mutilados. Pessoas agonizando simplesmente por estarem fora do ar respirável, mesmo que artificialmente.

Trey e Zack se infiltraram cada vez mais profundo até uma área que não tinha sido atingida – ainda – Trey desativou a máscara, assim como seu amigo.

— Vamos nos separar. Não deixe de responder ao comunicador. Se a pressão aumentar, você tem que sair fora no mesmo momento! — Trey gritou o óbvio e Zack partiu o mais rápido que podia. Embora seu amigo entrasse em pânico muito fácil, ele era um gênio, conseguiria se salvar melhor do que ele próprio.

Quanto mais Trey verificava adentro de Exórdio, mais terror ele via. Seus olhos procuravam incessantemente cabelos azuis, olhos verde água bonitos e brilhantes, pele branca como porcelana. Porém nada realmente lhe chamava a atenção. Os gritos pareciam muito longe, pois naquela área em especial estava vazia.

Aprofundou-se em salas, verificando, e estavam todas vazias.

— Trey...? — A voz de Zack veio trêmula no comunicador. — Encontrou algo?

— Ainda não. Estou correndo contra o tempo... — Bem, até ele avistar algo se rastejando ao longe. Uma porta se fechou. — Espere! — Trey disparou naquela direção no corredor belamente revestido com tapetes vermelhos, respingos de sangue por onde gente ferida correu por sua vida.

— O quê? Viu algo aí? — Zachary perguntou curioso.

— Eu não tenho certeza... — Ao se aproximar da porta, que a propósito era provavelmente de um quartinho de limpeza do hotel, Trey sentiu o coração palpitar cada vez mais rápido no peito, como se estivesse próximo a encarar sua própria morte.

Desengatou sua arma gigantesca de trás das costas e ela imediatamente conectou em seu braço e apontou para frente. Muito lentamente virou a maçaneta e entrou. Ele se enganou. Não era um quarto de limpeza, mas um simples quarto de hotel.

— Encontrou? — Foi a vez de Austin perguntar.

— Quieto... — Trey precisava de concentração enquanto contornava a cama. Esperava encontrar alguém do outro lado dela, mas nada. Não até um mero som atrás dele o deter em seus pés. A pressão do ar imediatamente se alterou em torno dele e Trey segurou a respiração para não ter uma recaída imediata.

Quando nada estava acontecendo, ele rapidamente se virou apontando sua arma, e aquilo que viu fez seus olhos esbugalharem, seus lábios abrirem em descrença.

Aquantis estava diante dele... ferido, sem um fio sequer de cabelo na cabeça, seus olhos desfocados, pálido e revestido por hematomas, além de estar completamente nu.

— Você... vai morrer...

Trey não podia atirar nele.

Se ele o matasse, seria morto pela Federação. Se não o matasse, seria morto pelo próprio Aquantis.

A pressão gravitacional foi aumentando, cada vez mais crescendo os riscos de uma nova explosão. Entretanto, caiu rapidamente quando os orbes de Aquantis reviraram e ele despencou no chão, caindo como uma marionete.

Trey estava completamente absorto de seu pânico recente. Afastou os pensamentos aos gritos de seus amigos no comunicador.

— ...rey, Trey! Responda! Maldição! — Zack xingou do outro lado.

— Eu... — Gaguejou, ajoelhando-se ao lado do corpo inerte de Aquantis. — Encontrei.

— Você o encontrou?! — Gritaram seus dois melhores amigos ao mesmo tempo, felizes. — Como ele está? — Perguntou o piloto, Austin.

Trey permaneceu em silêncio por um tempo indeterminado.

— Ele está morto? — Zack murmurou.

As mãos de Trey foram trêmulas, mas ele tocou o corpo de Aquantis, o virou e tocou a pulsação em seu braço. Estava vivo, mas parecia profundamente ferido.

— Ele está mal... Zack, eu preciso de você aqui urgente!

—*-*-

Trey se sentiu pela primeira vez em sua vida, abalado.

Ele sinceramente jamais esperou que encontrasse Aquantis assim. Admitia que as fotos o iludiram um pouco a respeito de como ele se parecia, e foi um baque ao vê-lo daquela forma tão arrasada.

Zack além de ser um Hacker, um gênio em sistemas, ele também era um grande enfermeiro. Quando estudaram juntos no Convés Espacial de Órus, Zack tinha escolhido se formar para enfermeiro, embora sua verdadeira vocação fosse a informática ou quaisquer sistemas tecnológicos. Ele simplesmente fez porque também gostava, como um hobby, que serviu por todos aqueles anos na nave.

No entanto, essa foi a primeira vez em que seus dotes de enfermagem realmente foram necessários. E embora talvez seu currículo não fosse tão adequado para cuidar da situação frágil de Aquantis, seu conhecimento era o bastante.

O garoto Blue foi posto por Trey na cama da enfermaria em sua nave, como ele já estava sem roupas, foi mais fácil visualizar suas feridas. Zachary cobriu suas pernas e intimidade com um lençol branco. Então imediatamente trouxe seu scanner e o utilizou por todo o corpo do garoto inconsciente.

Austin estava atrás de Trey, pulando de um pé para o outro, nervoso também.

Zack verificou os dados no computador.

— Então...? — O comandante perguntou impaciente.

— Eu preciso fazer exames, Trey. Há algumas pequenas fraturas, mas nada grave em relação com seus ossos. Contudo eu posso te garantir, seu interior está muito danificado. Ele teve duas convulsões antes de chegar aqui.

Trey engoliu em seco.

— Ele vai ficar bem? — Queria ao menos se assegurar que sim.

Zack o fitou com aquele olhar... ele não sabia.

— Vocês poderiam por favor me deixar trabalhar? Precisam mover a nave daqui o quanto antes.

Trey assentiu, ainda atordoado. Austin correu para fora da sala.

—*-*-

As próximas horas se passaram como dias, semanas no ver do comandante da nave Imperatriz. Nunca antes teve aquela sensação. Estava se arrependendo amargamente da demora que levou em resgatar Aquantis. Talvez se eu tivesse chegado um dia antes... se eu... Mesmo que se culpasse pelo ocorrido, Trey sabia que não necessariamente era culpa dele.

Algo lhe preocupava, e esse era o fato de que estava carregando uma bomba em sua nave. Cuja mesma poderia trazer a morte a ele e a seus amigos. Mas não podia simplesmente se livrar de Aquantis.

No silêncio de seu quarto, Trey analisou as fotos do menino de Lost Blue. Os cabelos longos, brilhantes e de aparência macia. O sorriso em sua foto infantil, a diferença de expressão na segunda foto. Os olhos grandes e expressivos, de cor tão bonita.

Tinha que admitir, estava profundamente ferido. Era como se a dor de Aquantis fosse a sua própria dor.

Trey deixou a pasta sobre a cama e saiu do quarto. Seu objetivo era chegar a ponte de comando, mas ao invés disso ele foi direto para a enfermaria. Zack estava trabalhando arduamente. Aquantis já estava limpo, seus arranhões cobertos com curativos, porém sua expressão – mesmo desacordado – demonstrava dor e sofrimento.

Sentou-se no banco ao lado da cama e observou o garoto.

— Zack...

— Hum? — Seu amigo terminava algumas anotações.

— O que houve com os cabelos dele?

De certo a cabeça de Aquantis estava brilhante sem qualquer fio de cabelo, até mesmo suas sobrancelhas e cílios, não havia um pelo sequer.

— Drogas. — Respondeu Zachary.

— O quê?! — Não podia acreditar. — O que fizeram com ele?

— Experiências, Trey. Muitas delas. — Zack olhou para ele, seus ombros caindo em derrota. — Acredite, eu também estou muito abalado com a situação dele. Pior do que todos os hematomas e os abusos que ele sofreu, Aquantis foi drogado diversas vezes em grandes quantidades. Seu sistema tem uma carga tão alta de substâncias nocivas que eu não posso acreditar que ele ainda esteja vivo.

— ... — Trey passou as mãos pela face, pela primeira vez em muito tempo tendo que engolir a súbita vontade de chorar. Suas lágrimas queimavam em sua garganta, mas ele não deixou elas saírem.

— O que você está fazendo? — Zack indagou olhando-o com curiosidade.

— Como assim?

— O que eu quero dizer é... por que está aqui? Parece tão preocupado quanto eu.

Trey lambeu seus lábios de repente secos. Não sabia responder a essa pergunta. Na verdade, ele não compreendia de seus próprios sentimentos para estar ali.

— Ele é a nossa missão. Por que não me preocupar?

Zack balançou os ombros.

— Não sei.

Suspirando, o comandante tinha seus olhos observando o rosto do rapaz dormindo. Imaginava que espécie de sonhos ele estava tendo naquele momento. Suas expressões diziam que não eram sonhos bons... não enquanto estava sob o efeito de tantas drogas malditas.

— Zack, a fonte das explosões em Exórdio...

Zachary olhou para ele.

— ... foram causadas por Aquantis.

O Hacker congelou onde estava. Olhos grandes como pratos de louça.

— Você está brincando... isso não é sério.

— Eu não estou brincando. Aquantis estava a um passo de me explodir quando de repente ele caiu desmaiado. Eu tive sorte... muita sorte. — Sentiu o sangue drenar de sua face com a lembrança. Nunca em sua vida que ele imaginaria existir alguém com o poder de transformar a gravidade em explosivos. Mesmo pensar nisso era confuso e de certa forma inacreditável. Em sua vida como comandante da nave Imperatriz, Trey já tinha visto de tudo, desde ladrões dos mais variados, inimigos para todos os lados, anões, criaturas híbridas, sobrenaturais na melhor das hipóteses, monstros horrendos e inclusive pessoas com poderes incríveis.

Mas nunca ao mesmo nível de Aquantis.

— Você sabe exatamente o que isso significa? — Zack perguntou, a voz trêmula.

— Que nós temos uma bomba em nossa nave? Sim, eu sei.

Zachary mordeu o lábio inferior e aquietou-se.

— Trey, eu vou manter uma seringa com calmante. Aquantis precisa ser vigiado o tempo inteiro, tudo bem?

O comandante assentiu. Seu amigo tinha razão.

— Vá resolver suas tarefas, eu ficarei no cuidado dele agora e vamos revezar de tempo em tempo.

Trey concordou sem questionamentos e deixou a ala de enfermagem.

—*-*-

Cerca de quatro horas depois da última visita de Trey a enfermaria, estavam próximos de uma área extremamente quente por estarem a certa distância de dois sóis diferentes. Um com suas características em fogo dourado, e o segundo, com proporções muito maiores tinha uma cor violeta muito bonita. A mistura das cores dos raios de ambos os astros se infiltravam pelas janelas da nave.

A Imperatriz tinha uma calota de última geração, sustentável e altamente resistente ao calor. Na verdade, a nave inteira absorvia o calor de fora e o utilizava somente quando a nave se afastava para as regiões mais frias do espaço, o que era muito mais fácil encontrar do que regiões quentes.

A galáxia de Órus era conhecida por ser gigantesca, eram dezenas de sóis e todos os planetas com suas peculiaridades distintas, além de grande maioria deles serem habitáveis.

Trey já estava enjoado de ver tudo isso. Para ele nada mais era novidade.

— Eu ainda não posso acreditar que uma criança como aquela foi capaz de destruir tudo aquilo em Exórdio. — Austin comentava com a boca cheia enquanto degustava um sanduíche e refrigerante.

— Eu poderia não acreditar... se eu não visse com meus próprios olhos. — Trey tinha um sanduíche também e bebericava seu chá gelado.

O comunicador da ponte de comando apitou e a voz de Zachary flutuou até eles.

— Eu já tenho tudo pronto aqui. Preciso de um descanso, um de vocês poderia me substituir? Traga algum jogo para passar o tempo.

Austin estava prestes a se voluntariar quando Trey segurou o braço dele. Seu olhar era cômico para o capitão.

— Eu vou. — Anunciou Trey. — Você fica e pilota direitinho.

Austin assentiu e voltou a comer seu sanduíche.

Após o término de seu lanche, Trey encontrou um par de livros e seu tablet em seu quarto, então trouxe consigo para a enfermaria. Zachary o obrigou a se banhar com álcool e bactericida para se sentar ao lado de Aquantis.

— Qualquer coisa me chame. A seringa está sobre a mesinha, se precisar usá-la, não hesite em aplicar em qualquer lugar. Creia em mim, vai gerar efeito.

— Tudo bem. — Deu-lhe um sorriso educado e abriu seu livro. Era sua parte preferida, uma cena de terror. A forma como o autor tinha escrito era muito divertida, embora vários dos melhores personagens morriam de formas muito assustadoras e criativas.

No entanto, enquanto sua mente estava no livro, rapidamente deslizou para pensar no rapaz desacordado.

Seus olhos se ergueram para visualizar o garoto. A sala estava escura e apenas a luz do abajur não parecia confortável. Trey engoliu em seco, a lembrança do olhar gélido de Aquantis enquanto ele dizia roucamente “ Você... vai morrer...”, pareceu assustador enquanto estava aqui sentado ao lado dele ao passo que o garoto parecia um morto-vivo em uma cama de hospital.

Trey deixou o livro sobre a cadeira e foi até as grandes janelas do outro lado da cama. Tomavam praticamente a parede inteira e ele afastou um pouco as cortinas, se perguntando se por acaso a luz de fora faria algum mal a Aquantis.

Voltou a sentar-se no banco ao lado da cama, e com o tempo, trocou-o por uma poltrona. Muito melhor.

— Então... não sei se você pode ouvir o que estou dizendo, mas falarei da mesma forma: Você assustou a merda fora de mim. — Trey torceu os dedos uns nos outros, um pouco nervoso. — Sabe... eu não costumo ser um cara sentimental, mas eu estou preocupado... com você.

Não havia qualquer movimento por parte de Aquantis. Ele parecia morto se não fosse o apitar de seu fraco coração ecoando pela sala.

— Zachary está medicando-o com o melhor que nós temos aqui na nave. Ele acredita que com os antibióticos você se livrará em pouco tempo das drogas presentes no seu corpo. Mas por favor, quando for acordar, não tente nos matar, tudo bem? Nós não somos seus inimigos.

Não havia qualquer resposta e Trey estava com uma estranha sensação no coração. Simulava uma estaca de metal pressionando e pressionando sobre o peito, querendo arrancar cada vez mais sangue dele.

— Por que eu me sinto assim? — Era anormal a forte sensação de melancolia que o acometia. — Nós nunca sequer conversamos um com o outro, mas eu já me sinto como se te conhecesse... bem, eu olhei muitas vezes para as fotos que tenho suas.

E talvez esse observar de fotos fez Trey se sentir mais próximo do garoto Blue.

Em meio ao silêncio do quarto de enfermaria, onde apenas o som do coração enfraquecido de Aquantis ecoava, o comandante da neve Imperatriz fungou contra um lenço e enxugou suas lágrimas que para ele eram totalmente sem explicação.

Continua...

Notas finais
Obrigada por lerem Lost Blue ♥ Espero que tenham gostado, próximo capítulo promete muito mais! Beijinhos e tenham uma ótima semana!