Lost
7 Lost in my mind
Depois do funeral arranjado que fizemos para Vitória todos estavam totalmente sem reação, inclusive eu. Pensar que poderia ter sido eu... mas estava evitando pensar assim, pois significaria que eu preferia que ela morresse ao invés de mim, que foi o que aconteceu. Claro eu escolheria que nada tivesse acontecido, mas eu não queria que ela morresse ao invés de mim, e muito menos que eu tivesse morrido. Eu estava confusa, mas estava sem cabeça pra pensar demais agora. Uma pessoa do nosso grupo tinha acabado de morrer, e eu estava aliviada que não era eu, eu fiquei horrorizada com meus pensamentos, e se eu falasse isso para alguém, essa pessoa também ficaria assim. Mas afundando mais nessa filosofia todos pensariam como eu, só não admitiriam.
Alguns estavam chorando, alguns estavam se recusando ao acreditar, alguns apenas sentaram e colocaram as mão sobre a cabeça, eu estava incluída. Após algumas horas de reflexões sentamos em uma rodinha, conversamos sobre ela e fizemos depoimentos. Não comentamos nada, mas era como estar nos recusando a ficar feliz. Era como que: se nós ficássemos felizes estaríamos contentes após a morte de Vitória, por mais que não fosse isso. Tiramos o dia para descansar, pensar e conversar um pouco. Era muita coisa para nós aguentarmos em um dia... tão de repente, tão sem explicação...
Era a tarde, resolvemos fazer um relógio do sol na terra para acompanharmos a hora deste mundo. Eram 16:10 agora. Olhei no relógio de ponteiros na minha mala para saber o horário da terra, nosso mundo normal, e eram 2:55 da manhã. Uau.
Comecei a observar as outras pessoas, Anne estava observando folhas, como uma forma de esquecer o acontecimento, Lucy e Danna estavam sentadas conversando silenciosamente sobre algo que não escutava, Ben e Kristen estavam se beijando, preferi não olhar... Por fim comecei a olhar para Harry e assistir sua postura, ele estava amarrando algumas camisetas que achamos no caminha para fazer algum tipo de ferramenta. Pisquei forte por alguns segundos e deitei a cabeça no chão. Relaxei.
Uns minutos depois algo latejou em minha cabeça, e um pensamento aleatório entrou, "vitória", lembrei de alguns momentos que passamos e as ultimas vezes que vi ela viva. Levantei-me rapidamente com os meus cabelos cheiros de terra do chão. As ultima vez que vi ela ela estava retirando o cigarro da boca de Vitor, o quais saíram para conversar em seguida... Vitor, espera... Onde ele estava? Corri, procurei ele pelo espaço que estávamos espalhados em que tínhamos espairecido os limites. Eu não o encontrava.
Chamei seu nome, sem resposta corri até o resto de todos.
– ONDE ESTA O VITOR? — Gritei, não podemos perder mais ninguém de vista hoje. Danna e Ben olharam ao redor enquanto todos estavam sem reação.
–Eu não estou vendo ele! Ai meu deus, Vitor onde você está, cara.- Disse Ben- VITOR!
Todos começaram a procura-lo. A busca não teve sucesso, estávamos ficando sem opção, já estava anoitecendo e não podíamos arriscar sair do acampamento eu estaríamos expostos aos riscos! Entramos todos em desespero. "De novo não" eu pensei. Já estamos extremamente tensos pela morte de Vitória, mais um?
Pensei em algumas soluções e opções o do por que ele sumiu. Juntei as peças do quebra-cabeça. A ultima vez que vi ele ele estava ajudando a montar a casa, antes ainda ele estava conversando e rindo com Harry e Ben. Voltei mais e lembrei do que aconteceu com Vitória... Depois dele ter pedido desculpa para ela e a seguiu, pelo o que me lembre eu estava sentada no tronco perto da fogueira e eles logo a frente. Fui até lá e segui o trajeto que eles mesmo seguiram aquele dia, cruzando grandes arbustos amarelos que foi onde vi que os dois entraram. Era uma espécie de túnel que os arbustos formavam segui o que dava para uma clareira brilhante que via de longe.
Cheguei lá, era um lugar bonito, as arvores eram rosas com troncos brancos, e havia uma pequena lagoa no centro com água, pera... água? ISSO MESMO era água?! Fui até ela que ela pequena demais, parecia mais como uma poça gigante e rasa. Cheirei, toquei, era transparente. Sem medo eu coloquei minhas mão e toquei levemente em minha língua, sim aquilo era água! Antes de sair para contar aos outros pensei, porque este mundo, totalmente oposto do nosso tem água? Olhei em volta e para cima, olhei mais de perto e via que dos pequenos galhos das arvores rosas e brancas pingava gotas de orvalho, assim como no nosso mundo que em a chuva teria acabado de parar e as arvores úmidas e pingando. Mas as gotas dessas arvores saiam bem da ponta dos galhos, era como se o fruto delas fossem água! E dessas gotas que caiam no chão formou a poça.
Bebi um pouco, e olhei em volta, havia uma arvore com um espaço atras, e ao olhar melhor vi uma fumaça esbranquiçada de lá. Andei até lá e coloquei a cara do lado da arvore e observei. Eu levei um susto mas alguém estava sentado de costas, fumando e olhando para um tipo de um campo que havia. Obrigada Deus, era Vitor. Andei e me sentei do seu lado, tirei seu cigarro da boca e coloquei na minha.
–Sabe que estão procurando por você — eu disse tragando
–Não aguento mais — disse ele
–Você sabe que não pode fugir
–Eu posso, a qualquer momento. — olhou para mim
–Não estou falando em fugir literalmente, estou falando em fugir dos problemas, porque isso nós teremos que enfrentar até a morte. O que vai ser o pior.
–Prefiro encarar o problema da morte logo de cara do que encarar milhares até lá. -disse ele pegando o cigarro de volta
– Mas se você quiser isso, vai perder as coisas boas que poderia ter feito.
–Não tem coisas boas, a unica coisa que tinha praa mim era a Vitória- ele disse jogando e pisando no cigarro
–Ah! Agora eu entendi o porque se isolou, eu sei o que você sentia por ela — dei um soquinho em seu braço
–Não era só sentimento... aquele dia da discussão ela veio para cá e eu segui ela, descobrimos a água e íamos contar pra vocês — ele deu uma pausa- mas acabamos sentando aqui e conversamos. Ficamos aqui até escurecer, eu me desculpei de novo, e ela — ele olhou pra baixo e seus olhos começaram a pingar- ela me beijou — ele parou.
Eu estava sem fala, não sabia o que tinha acontecido, ninguém sabia. Eu apenas segurei sua mão e falei:
–Eu não sabia disso
–Ninguém sabia, íamos contar tudo mas depois de muita conversa e fomos jantar e ela dormiu no meu colo, e quando eu acordei ela já não estava mais aqui. Quando recebi a noticia eu segurei tudo, a raiva, o choro a angustia e corri pra cá para descarregar. Eu simplesmente a amava -disse colocando a mão na cabeça.
Não falei nada, apenas o olhei, e ajudei-o a levantar. Fomos para o acampamento, ele passou reto entre todos e entrou na cabana que ele tinha montado no dia anterior.
–O que aconteceu?- disse Ben — onde ele estava?
Respondi a todos sobre o que aconteceu e sobre a água. Ficamos todos calados e ao mesmo tempo felizes pela água. Por mais que estivesse escuro fomos buscar a água, afinal não era tão longe.
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