Loss
1 Capítulo Único
Notas iniciais
A bola dava os últimos quicares na quadra antes de parar totalmente.
Todos, tanto dentro da quadra e tanto na arquibancada, olhavam para o placar, boquiabertos. Ninguém, nem eu mesmo conseguia acreditar nele. Eu me recusava a olhar. Já sabia o resultado eminente. Eu falhei.
O que eu sentia era um misto de surpresa, rancor, ódio... tristeza. Não era possível. Eu... Akashi Seijuurou... havia sido derrotado...
— Vencemos — murmurou, espantado. Seu rosto de impassível, se converteu em um sorriso enorme, e em uma expressão imensa de felicidade. — Kagami-kun... nós...
— VENCEMOS! — gritou passando o braço envolta do pescoço do albino, e com sua outra mão, afagou de maneira calorosa sua cabeça rindo juntamente a ele.
Estávamos suados, arfantes. Meus companheiros de time transpareciam uma tristeza evidente em seus olhares. Por que eu era o único que não conseguia me mexer, me expressar naquele momento?
A Seirin comemorava. Alguns choravam em meio aos seus sorrisos de exaustão, de vitória. Outros não conseguiam manter-se quietos: gritavam em pleno nos pulmões com todas as forças, felizes.
As pessoas da arquibancada gritavam em perfeita sincronia o nome do time vencedor. Eu me recusava a acreditar no nome que era exclamado por eles.
Seirin.
Kagami no último segundo, tinha conseguido passar por mim e marcou o ponto da vitória. Eu me negava a acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Algo estava errado alguém estava pregando alguma peça em mim. Essa só podia ser a única explicação.
E não era de total mentira que algo pregou uma peça em mim.
Foi o que eu menos esperei, o que jamais cogitei que poderia acontecer comigo. Ainda mais no meio de um jogo decisivo como aquele.
No último momento, eu me foquei nos seus olhos rubis, e me perdi completamente. Me deixei levar pelo calor que queimava em meu peito a um tempo. Quem diria, que eu fosse deixar me levar por um sentimento tão estúpido quanto ao amor, e ainda mais por aquele idiota?
Os membros da Kiseki me encaravam da arquibancada, eles eram os únicos que não tinham gritados junto aos outros comemorando. Me perguntava por quê. Minha cara impassível havia deixado eles mudos? Murasakibara me fitava com apreensão, parecia preocupado, com medo de algo.
Eu não entendia o olhar deles. Por que a cara de assustados?
— Akashi-kun — disse Kuroko se aproximando. Se desvencilhando do abraço afetuoso do leonino, ele me olhou. Eu conseguia ver uma expressão que eu não via há muito tempo. Desde da época que ele entrou na Teikou. Ele sorria, estava feliz, de verdade. Mas ela mudou, se tornou preocupada como a dos membro da Geração. — Akashi-kun?
— Por que todos estão me olhando desse jeito? — perguntei impaciente e irritado com aqueles olhares. Minha voz saiu fraca e baixa, e os olhos azuis ficaram ainda mais preocupados.
— Foi um belo jogo, Akashi. Você é realmente muito forte — disse o ruivo.
Ah merda. Por quê...? Por que eu sentia meu peito doer? Era uma dor que eu não poderia mudar, estava dentro de mim.
Não tinha nada que eu fosse capaz de fazer que fosse mudá-la. E ela aumentava. A cada vez que aqueles rubis pousavam em mim, ficando com uma expressão parecida com a dos outros. Por que todos me olham assim? Eu não entendia.
Taiga se aproximou aos poucos, arisco, e erguendo sua mão, esticando seus esguios dedos, passou por de baixo dos meus olhos e por minha face.
Cálidas e discretas lágrimas escorriam silenciosas por meu rosto. Por que eu chorava? Não era pela dor da perda. Era pela dor da perda.
Meu peito se comprimia e eu me sentia ficando cada vez menor. Não recuei ao seu toque, por mais singelo e assustado que fosse, tentei aproveitar para sentir o calor de sua pele.
— Ei, não chore, todos perdemos um dia.
As palavras saíram de sua boca com um sorriso amigável, numa tentativa de me confortar. Mas tudo o que eu pude sentir ao elas chegarem em meus ouvidos, foram finas e agudas lanças me acertarem.
Não era por aquele estúpido jogo de basquete. Ele não entendia por que doía. Por que ninguém entendia? Era tão transparente a resposta.
O juiz gritou do outro lado da quadra pedindo para que nós alinhássemos, e agradecermos pelo jogo. Assim fizemos. Ao sua mão sair de meu rosto, senti o chão sumir diante aos meus pés. Por que essa sensação?
Praticamente me arrastei até onde meus companheiros tentavam não mostrar preocupação ao me olhar, e agradecemos.
Ao levantar nossos troncos e trocarmos olhares, novamente senti algo assolar em meu peito. Essa dor era desconhecida por mim. O estranho e louco sentimento era novo. Por que me sentia tão desconfortável e vulnerável com ele? Por que na presença dele?
O pior de tudo é que eu sentia que não era eu mesmo. Algo havia mudado. Não costumava sentir coisas tão triviais como essas com nenhum tipo de frequência.
“Você virou humano”, uma voz ecoou em minha mente.
Procurei imediatamente com os olhos rapidamente quem havia dito. Nada encontrei.
Estava ficando louco?
“Não... apenas esta voltando a ser o que era, um fraco”, a voz se repetiu em tom provocante.
Agachando-me no meio da quadra, agarrei com ambas as mãos as mexas de meu cabelo, segurei-as com força e puxei. Queria que aquela voz sumisse, aquilo era assombroso.
Fechando com força meus olhos, cerrei meus dentes e tremi diante de um arrepio no meu corpo. Eu sei, eu havia perdido. Eu era fraco, nada disso iria mudar, mas por que aquilo estava me atormentando?
“Eu sou você, não há o que temer”, sussurrou a voz novamente com um tom debochado. Mas suas palavras não coincidiam com o tom que usava.
— Suma! — gritei com medo.
“O que foi? Está com medo de si próprio? Agora você sabe o que as pessoas ao seu redor sentem, não é mesmo?”
— Me deixe em paz!
— Akashi-kun? — Kuroko indagou, assustado. Se aproximou rapidamente de mim e agachou-se ao meu lado, chacoalhando meus ombros. — Akashi-kun!
“Não vou sumir, eu sou você e você é eu.”
— Por quê...?"
“Seu ponto fraco foi desencadeado, agora posso dominar você como bem entender.”
— Apenas suma — pedi num fio de voz.
“Vamos, pegue minha mão, vamos voltar ao que éramos antes de conhecer ele.”
Eu devia estar ficando louco! Tetsuya me chacoalhou mais uma vez, o ignorei e continuei naquela estranha conversa com aquela voz em minha mente.
“Vamos, esqueça-o.”
Não! Não posso fazer.
“Você só irá sofrer se continuar assim, você não vê o óbvio? Abra seus olhos”
Não!
“Abra seus olhos e veja você mesmo.”
Mesmo relutante e contrariado, abri meus olhos lentamente e olhei aquela cena a minha frente.
Kagami olhava para o azulado com olhos diferentes. Já Kuroko apenas me fitava preocupado, ignorando o ruivo.
“Ele nem liga pra ele. Essa é a realidade, a vida é assim. Você quer viver nesse inferno de incertezas e fraquezas?” a voz indagou-me convicta.
Eu sabia, a maioria das coisas não era como a gente previa e queria, mas a vida é feita de riscos, não é?
“Errado, perdedores se arriscam, vencedores fazem as coisas acontecerem.”
Eu já não aguentava mais aquilo! Precisava de um basta.
“Vamos, pegue minha mão.”
Não!
“Pegue.”
E naquele momento, eu me entreguei a ele. A dor tinha sumido. Em meu peito não rondavam mais incertezas. Eu fui infectado pelo meu próprio eu.
Levantei-me, tirando as mãos de Tetsuya de meu ombros e lhe lancei um olhar frio.
— Preocupe-se consigo mesmo, Tetsuya — disse com um ar superior.
— Akashi-kun — murmurou, entristecido.
Não havia motivos para chorar, não mais. O sentimento se foi.
Todavia quando eu me entreguei a ele, eu me decidi: Não vou deixar você me dominar novamente.
Num movimento rápido, levei minha mão ao olho esquerdo e enfiando meus dedos nele com a intenção de arrancá-lo, soltei uma risada histérica e sonora no local.
Todos se botaram em posição de correr no mesmo momento. Os membros da Kiseki saíam correndo dos bancos da arquibancadas e desciam em minha direção.
— MORRA!
— AKASHI-KUN! — gritou, correndo desesperado em minha direção.
Não se era ouvido mais aquela voz irritante e grotesca. Sentia várias mãos segurando meus braços e meu corpo numa tentativa de tentar conter minha loucura. Os sons à minha volta iam diminuindo conforme minha visão ficava escura.
Sentia um líquido grosso escorrer por meu olho esquerdo, a dor era grande, mas o sorriso em meus lábios mostravam o contrário. A visão do meu olho ferido estava bastante danificada em comparação ao direito.
Mas nada mais importava aquela altura. Eu era um perdedor. Marionete do meu próprio eu. Uma peça do meu próprio tabuleiro, uma peça descartável e manipulável como todas as outras. Era como qualquer outro ali. Eu realmente havia me tornado humano.
— Akashi, seu bastardo maldito! — vociferou Taiga, segurando-me com toda sua força. Tamanha força que ele usava chegava a me machucar, mas eu não liguei.
Antes que tudo se apagasse a minha volta, os sons, as imagens, eu deixei um sorriso se formar nos meus lábios. E escutei aquela voz na minha mente ao fundo gritar distante e depois desaparecer. Ele já não estava mais lá.
O eu voltou.
“Traidor!”
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Acordei sentindo uma dor de cabeça infernal. Latejava mais que tudo, era insuportável. Abrindo meus olhos, a primeira coisa que pude notar é que algo tapava minha visão do olho esquerdo. Tateei o objeto com a mão e vi que era algum tipo de curativo.
Me sentei com dificuldade naquela cama de hospital. As paredes demasiadamente brancas chegava a ser incômodo. Olhei em volta e percebi que o quarto estava vazio. Era de noite.
Toquei meu olho ferido com delicadeza tentando me lembrar de algo. O que tinha acontecido, eu me machuquei? Por que estou num hospital? O jogo... Logo me recordei do jogo.
Uma voz, um sentimento...
Toquei por cima da roupa branca de hospital meu peito, apertei o pano fino entre meus dedos sentindo aquela coisa estranha novamente. O que é isso que eu estou sentindo?
Antes que pudesse chegar a um raciocínio rápido e lógico para responder aquela questão, a porta do quarto em que estava foi aberta, dando a visão de uma pessoa conhecida. Mas nada esperada por mim. O que ele fazia ali, estava perdido?
— Oi — disse simplesmente. Adentrou o quarto e fechou a porta atrás de si. Me encarou com os olhos cheios de preocupação e se sentou numa cadeira próxima a cama. — Como está se sentindo?
— Dolorido — respondi com certo humor na voz. Ele arregalou os olhos e me olhou surpreso. Parecia perdido procurando as palavras certas para se expressar. — Desculpe perguntar, mas... O que aconteceu?
— Você não se lembra?
— Vagamente.
— Você quase se cegou após perder o jogo.
Eu o que?
— Por que? — perguntei assustado. Ele pareceu pensar por um determinado tempo. Nunca o tinha visto tão incerto, com medo de dizer algo. — Kagami? — perguntei, e vi ele tremer diante da minha fala. O que estava acontecendo ali?
— Eu...
Antes que ele pudesse terminar sua fala, outra pessoa adentrou o quarto silenciosamente. Se virou para mim e sorriu brevemente.
— Como está, Akashi-kun? — perguntou o azulado se sentando ao meu lado na cama. Tocou meu olho protegido pelo curativo e acariciou o mesmo com ternura. — Dói?
— Estou bem, Kuroko — respondi. E eu senti ele tremer igualmente ao ruivo daquela sala. — Apenas um pouco.
Eles estavam estranhos. E por um momento, eu vi os olhos azuis do menor praticamente brilharem e sorrirem pra mim.
Inesperadamente, ele me abraçou com força, fazendo eu gemer um pouco de dor e pela surpresa de seu ato repentino. Os pequenos braços enlaçavam meu pescoço, me puxando para mais perto de seu corpo.
Sem muita reação, correspondi a ele abraçando timidamente suas costas com minhas mãos. Aquele abraço transmitia a sensação daqueles abraços carregados de emoções, como se ele estivesse abraçando uma pessoa que não via há muito tempo e sentia imensa falta.
Ele afundou seu rosto na curva do meu pescoço, e pude sentir quentes e pesadas gotas se derramarem molhando minha pele. Por que ele chorava com tanto pesar? Tanta dor? Sentia seu peito subindo e descendo rapidamente num rápido soluço.
— Você... Voltou — sussurrou entre soluços me abraçando com força.
Eu voltei? Do que Kuroko estava falando? Tudo o que estava acontecendo, o que havia acontecido, era uma grande confusão em minha mente. De repente, senti algo praticamente me rasgar por dentro.
Minha cabeça latejava mais que antes, meu coração doía tanto que eu pensava que poderia morrer com tamanha dor. Várias imagens passavam-se na minha cabeça rapidamente, turvas, embaçadas. Podia ver uma figura ao fundo, num total escuro.
Ele não me era desconhecido.
“Ah, seu inútil, acordou, é?”
C-como?
“Foi o que escutou, já estava na hora... Pensei que você realmente tivesse se livrado de mim dessa vez.”
Não... Por que ele...?
“Já lhe respondi mais que o necessário. Bateu com a cabeça quando acordou ou o que?”
Cerrei meus dentes confuso e apertei as costas de Kuroko com um pouco mais de força. Kagami me encara com preocupação e espanto, mas no fundo de seu olhar, eu podia ver algo estranho quando ele olhava pro azulado e depois pra mim.
Parecia... irritado? Por quê?
“Você definitivamente bateu com a cabeça.”
Pare de joguinhos Seishi.
“Ha, você se esqueceu... acho que mesmo quando você estava na metade do controle, as memórias ficaram todas para mim. Interessante. E ainda me chamando pelo nome que deu? Esta querendo realmente saber o que aconteceu, Akashi?”
Sem enrolação.
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Aquele maldito Akashi! Ele havia despertado do sono profundo que coloquei ele depois que aquele maldito maníaco por doces, se rebelou contra nós. E tudo isso porquê? Mesmo comigo no controle, ele sabia e podia ver o que passava ao redor
Quando ele o viu, tudo começou a desmoronar. De dentro pra fora. O castelo de peças frágeis e finas esmaeceu, se desvaneceu de pouco em pouco. E aquele insuportável e desnecessário sentimento se criou no nosso peito
Afinal, ele tinha parcialmente o controle do corpo. Eu não pude evitar aquilo. Mas também, ele não podia evitar minhas ações.
“Não Seishi, por favor.”
“Economize suas forças Akashi, você sabe que não adianta implorar pra mim. Todos sabem.”
“Não o fira. Por que você faz isso? Me deixei assumir! Não o machuque!”
“Pobrezinho, vai ser esmagado como o resto depois que eu assumi. Então ele vai pegar um ódio eterno de você, e de novo, você vai ficar fraco e sofrer mais ainda.”
“Ele não...”
O sangue era fresco. Claro, eu o tinha cortado a segundos atrás. O sorriso em meu rosto denunciava o quão insano eu estava. A tesoura em minha mão tinha seu precioso sangue. Seu rosto assustado me olhava transtornado, provavelmente se perguntando o porquê disso.
Só tinha uma única explicação. Eu queria ferir e afastar aquele que deixava o meu outro eu fraco, fragilizado, imune a coisas tão simples.
“Já basta!”, a voz do inútil soava chorosa, aquilo era humilhante e desprezível de se olhar, e sentir era pior ainda.” Não faça mais isso, eu irei esquecê-lo, então, por favor pare, pare!”
“Se você estiver mentindo...”
“Não estou! Pare!”
“Está bem.”
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Na quadra todos faziam um silêncio enorme. Era óbvio meu time e eu entravamos em quadra, merecíamos esse respeito. A Seirin tinha entrado primeiro e estavam aquecendo-se para o jogo. O jogo mais humilhante de suas vidas.
Eles jamais iriam esquecer, e iriam aprender, a nunca mais mexer com um Seijuurou. Estranhamente ele estava demasiadamente quieto após aquele dia que prometeu esquecê-lo. Claro, senão eu faria o outro pegar um ódio ainda mais absurdo dele e ele sabia que eu era capaz disso.
Nenhum de seus amigos mesmo após ele voltar – o que era óbvio que não aconteceria em hipótese alguma –, iriam estender-lhe a mão caso precisasse. Ninguém estaria a seu lado. E novamente ele estaria sozinho.
Como eu sempre fui, sozinho, naquela escuridão assombrosa, o tempo glacial e enigmático a minha volta com poucas vezes tinha a visão de uma luz me iluminando.
Agora ele sabia, o que era ficar dentro de alguém, sem poder fazer nada, apenas esperar o fim, ou uma oportunidade rara de se rebelar e sair, sair fazer e acontecer. A liberdade para mim naquele momento de tão enorme era palpável.
Encarei aqueles rubis, eles estavam determinados. Me perguntava por quanto tempo aquilo duraria, não muito, no máximo no segundo tempo. Deixei uma risada interna nos consumir e acabei acordando sem querer alguém.
“As correntes estão muito pesadas hoje Akashi?”
Estranhamente não o ouvi retrucar, apenas senti ele mexer nas correntes se levantando para encarar o que havia perdido durante um tempo. E estava ele olhando de novo para aquele imbecil. Meus olhos frios lhe encaravam, e fazia ele me dar de volta um olhar agressivo.
Mas por dentro, o fraco lhe fitava com um brilho, com um afeto insuportável que não aguentei durante muito tempo, logo desviei minha visão dele. Ouvi um suspiro desanimado e triste ecoar em minha mente. Mas logo ele foi substituído ao escutar aquela voz conhecida e tão desejada por um sentimento de esperança.
Todavia, não por muito tempo eu iria permitir. A força que eu tinha não era somente minha, era dele também. Seu sentimento era tão forte que acabou me dando força, afinal, ele era importante e o tornava humano. Derrubei aquele tigre sem um mínimo de dificuldade, assustando-o.
“Não! Você disse!”
“Você também, disse que iria esquecê-lo. Cumpra sua parte que eu faço a minha.”
“Pare, por favor, pare de fazer essas coisas... Por que continua?”
“Eu não vou ser um fraco como você. Não posso perder, os perdedores estão errados. E eu sempre venço, eu sempre estou certo. Não me questione!”
O silêncio se fez presente novamente. Ele soube seu lugar.
Atravessei a quadra deixando o garoto caído nela, e fui me trocar para o jogo.
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O jogo em si não estava complicado.
Estava pegando leve, dando a chance aos meu companheiros de fazerem o que quiserem, o quanto quiserem por quanto tempo eles achassem necessário. Não era preciso eu me expor tanto, usar minha força para um jogo que não me deixava nem minimamente empolgado.
Eu entendia como Daiki se sentia com oponentes desse naipe – absurdamente fracos. Não valia realmente a pena fazer algo que fosse requerer uma energia a mais do que eu achava que seria viável.
Eles nem valiam a minha presença ali.
“Você não vai continuar a fazer isso por muito tempo.”
“Oh, resolveu acordar querida? Pensei que tivesse num sono eterno.”
“Eles vão vencer.”
“Vai ficar falando coisas tão absurdas como essas de novo? Você realmente não tem jeito. É cego ou o que? Burro, talvez?”
“Kuroko e Kagami vão vencer, você sabe, mas não quer admitir.”
Aquele garoto insuportável!
Conseguiu me tirar do sério por alguns minutos, e isso foi o suficiente para eu baixar a guarda, e a Seirin marcar alguns pontos chegando perto do nosso placar.
“Eles vão vencer, ou você vai ajudá-los a vencer, seu imprestável? Era isso o que queria não é mesmo?”
“Não, apenas te disse o ‘futuro’, não é isso que o Imperador, você, vê?”
Bati meus dentes e me foquei naquele jogo. Eu faria aquele bastardo engolir as palavras juntos do dentes caídos ao chão!
Ele iria definitivamente dessa vez saber o seu lugar!
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Ignorando completamente aquela voz incansável em minha mente, eu havia conseguido me focar e marcar vários pontos.
E ele? Estava se desmoronando mais ainda, batendo os dentes de preocupação, se erguendo das correntes e gritando pra mim, tentando inutilmente parar minhas ações, fazer eu perder aquele jogo.
Mas nada daquilo fazia eu mudar meu foco, a bola e a cesta. Era tudo o que importava e sempre importou. Pontos, vitória. Nada mais tinha valor. Nada menos me tirava do rumo.
Contudo, a Seirin também havia melhorado, o placar estava ficando cada vez mais acirrado. Não que aquilo fosse me preocupar, meus companheiros de time não estavam visivelmente exaustos e desanimados – diferentes dos da Seirin, que suavam ofegantes e alguns não tinham mais o brilho e determinação de antes.
E eu, não estava nenhum pouco cansado, estava mais animado do que nunca. Via minha vitória eminente como sempre vi em toda minha vida. Mesmo quando ele estava no controle, antigamente ele tinha mais noção de vitória.
Já hoje, ele queria diversão. O que era isso? Que diabos esse moleque estava falando? Era a vitória que apenas importava, não se divertir! Isso era uma desculpa grotesca que os fracos davam quando perdiam. Que jogaram e se divertiram, que foi tudo por diversão. Isso não passava de uma desculpa esfarrapada e imunda que os perdedores davam.
Não os Akashi, aquilo não poderia sair de nossas bocas jamais! Vitória era tudo. Era apenas isso que importou, importa e vai importar para nós.
“O quão cego você próprio se fez, Seishi?”
“Cego é você, que não vê o que é certo. O que realmente importa, o que é pra ver de verdade. Você começou a pensar como aqueles outros depois que perderam para Tetsuya. Até mesmo Daiki, pelo menos ele eu pensava que não sucumbiria aquilo. Mas era tão fraco como todos vocês. Todos são fracos. Menos eu.”
“Você é o mais fraco de nós, Seishi. Você.”
“Vou te mostrar quem é o fraco!”
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Eu pensava que ele havia desistido. Mas ele tinha planejado tudo desde o início.
Restavam apenas cinco segundos para o fim o jogo. Eu estava com a bola em mãos, encarando aquele garoto com os meus olhos frios, impassíveis. Sabia tudo que eles poderiam tentar para pegar a bola de mim, usar Tetsuya que era praticamente invisível, ou qualquer outra coisa.
Nada do que eles pudessem tentar para me roubar a bola adiantaria. Ninguém poderia pegar a bola de mim, eu era o Imperador, sabia tudo que ele poderia tentar e usar contra mim. Era inútil tentar quaisquer coisa.
Akashi Seijuurou nunca perderia, certo?
Taiga se aproximou ficando em posição de mano-a-mano a minha frente, ele olhava compenetrado na bola em minhas mãos, seu olhar era profundo, intenso, a concentração que ele estava naquele momento era visível a olho nu.
Ao rir internamente, eu despertei aquele infeliz. E foi a coisa que eu me arrependeria dali pra frente eternamente. Jamais pensei que apenas dar uma risada agravaria um problema tão gigantesco e intenso, que mudaria completamente o cursor de nossas vidas.
Ele olhou pra fora, se focou na imagem específica a sua frente e viu aquele garoto.
Sim, ele acabou com tudo.
Meu peito doeu tão intensamente que eu soltei a bola. Taiga mesmo assustado com minha ação, não deixou aquela oportunidade passar ilesa, pegou a bola rapidamente e correu em direção ao aro.
Tentando me manter firme, a sua voz ecoou em minha mente com um tom de felicidade palpável, que eu estremeci e quase tropecei nos meus próprios pés.
“Eu sabia... o que eu sinto é...”
“CALADO!”
Erguendo minha mão em busca da bola senti um corpo entrar em minha frente me bloqueando e dando a Taiga, finalmente e inacreditavelmente, o ponto da vitória.
Aquele bastardo, desprezível, maldito! Mas que diabos foi o que ele fez?
“Você sabe, e eu agora também sei, tudo foi apenas a...”
“NÃO OUSE!”
“Eu sabia... agora saia! Você perdeu. Um Akashi não é um Akashi se perde!”
“Senão?”
“Senão...? V-você não vai sair mesmo após perder? Mas você perdeu!”
“Não.”
“Mas...”
“Fiquei quieto.”
“Dessa vez não... Não vou deixar você me dominar novamente!”
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— Me deixa ver, Akashi-kun? — indagou-me preocupado, com uma ponta de esperança ao fundo dos olhos tocando meu olho com o curativo.
Ver o quê? Em quais situações se encontrava meu olho? Ferido obviamente, Kuroko. O que ele exatamente queria ver?
— Mas...
— Por favor, eu preciso... Ter certeza.
— Kuroko, eu acho que você não deveria — comentou o ruivo, se sentando ereto na cadeira tornando os músculos tensos.
— Você não entende Kagami-kun.
O que ele não entende? Pelo céus, aquele garoto estava me assustando, o que tanto tinha mudado?
Kuroko se afastou do meu pescoço revelando a face levemente inchada e corada, os olhos um pouco vermelhos, e tocou ao lado do meu rosto com sua mão acariciando o mesmo. Os olhos de rubi se estreitaram diante da cena se tornando perigosos.
O clima estava tenso a minha volta, não estava compreendendo as ações e reações daqueles dois. Seu rosto estava a poucos centímetros de distância do meu, sua respiração meio ofegante e quente batia contra minha pele gélida fazendo eu estremecer levemente.
Levando seus dedos pelas laterais do curativo, ele ia tirando devagar ele, me causando uma pequena dor.
Mas antes que ele pudesse tirar o resto e poder ver e chegar a qualquer conclusão que ele quisesse com tudo isso, uma outra pessoa adentrou o quarto. Um homem com aparentemente trinta e cinco anos, com barba, de jaleco branco e uma prancheta médica em mãos.
Fechando a porta atrás de si, ele nos encarou com um sorriso, e viu o azulado debruçado sobre mim tentando tirar o que cobria meu olho.
— Por favor, não tire. Isso pode prejudicar o processo de cura dele — pediu, e logo isso ele olhou na prancheta com os olhos meio tristes e depois pra mim. — Ainda mais na situação que ele se encontra.
Kuroko estremeceu sobre mim e sussurrou desculpas ao médico se afastando e, ficando ao lado de Kagami na cadeira. Ele ficou cabisbaixo e aparentava levemente uma culpa.
O homem de jaleco se aproximou de mim, e ficando ao meu lado ele deixou a prancheta numa mesa de canto e me fitou preocupado. No momento que eu iria abrir a boca e lhe perguntar sobre algo, ele tomou a frente.
A curiosidade estava me matando!
— Akashi, eu não sei como lhe dar essa notícia de forma suave — começou, coçando as têmporas, ele desviou o olhar de mim e viu os dois garotos rapidamente que mantinham expressões sérias. Depois de um minuto em completo silêncio, ele retomou sua fala com uma voz carregada de pena. — Você talvez pode perder totalmente a visão do olho esquerdo.
Kuroko ficou tão visivelmente abalado, que o médico olhou preocupado pra ele também. Naquele momento eu senti uma parte de mim gritar, se perder, doer, sumir de dentro de mim deixando aquele vazio.
Mas por algum motivo, não era um vazio doloroso, era... Reconfortante, eu me sentia melhor.
— Sei que essa notícia pode ser difícil de receber e compreender, por isso vou deixar você a sós com seus amigos — comentou, e se despediu com um aceno de cabeça saindo do quarto, deixando apenas nós três lá dentro num silêncio profundo.
Aquilo claro que foi como uma bomba jogada em minha cabeça, que explodiu lenta e tortuosamente fazendo os milhões de pedacinhos causarem seus danos individuais em mim de forma horrorosa. Eu com quase toda certeza ficaria cego.
E isso seria de todas as formas possíveis horrível, me prejudicaria em tudo que eu fosse fazer dali pra frente. Não poderia jogar mais basquete profissionalmente. As coisas iriam se tornar limitadas. A minha vida seria reduzida a metade, tanto quanto eu naquele momento.
Mas isso de uma forma seria bom, eu poderia finalmente estar livre dessas coisas de somente vencer, vitória é tudo. Poderia ser eu mesmo dali pra frente, sem máscaras, sem meu outro eu querendo tomar conta do meu corpo novamente querendo estragar de todas as maneiras possíveis minha vida com aqueles que eu gostava.
Aquele que eu amava. Sim, eu finalmente podia dizer com convicção e todas as letras, o que sentia por ele. Eu o amava.
Mas a resposta da pergunta óbvia estava bem na minha frente. Esfregada dezenas de vezes, me mostrando que se caso eu me rendesse e tornasse humano, teria que conviver com aquilo para sempre – ou até eu trocar de novo de lugar.
Aquilo era um novo começo.
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Fazia duas semanas que eu havia recebido alta do hospital e fui informado das precauções e cuidados que teria que tomar dali pra frente com meu olho ferido por mim mesmo.
Não eram complicadas. Mas tinha um ser que tornava tudo aquilo um pouco mais trabalhoso, e outro, que não era de grande ajuda, mas conseguia me acalmar apenas com sua presença e forma de ser.
Os membros da Geração me visitavam a cada três dias para saberem como eu andava, como estava sendo o processo de cura da minha visão, quando eu iria melhorar. O médico vinha quase todo dia para me examinar, e nada parecia que melhorava.
Ele sempre dizia que estava a mesma coisa ou até mesmo pior. Que eu poderia perder totalmente – no caso eu já estava com aquele curativo atrapalhando – a minha visão do olho esquerdo para sempre.
Sempre me perguntando se eu precisava de um psicólogo – por causa que eu não saía de casa pra nada, apenas para comprar algo pra comer –, para aprender lidar com tudo o que estava acontecendo muito rápido. Eu não precisava de psicólogo, não saia por quê não queria, não me faltavam convites e oportunidades.
Realmente se leva tempo para digerir que você vai ficar parcialmente cego e parcialmente limitado a quase tudo que for fazer. Não era fácil. M as aquilo era mais um alívio do que um desespero para mim.
Desde o dia da notícia, eu nunca mais cheguei a escutar a voz dele. Isso era reconfortante, me trazia mais paz do que tudo. Mas o que foi ficando de certa forma difícil de aturar, foram as lembranças voltando de pouco em pouco para o meu verdadeiro eu.
As melancólicas e tristes lembranças do meu inconsciente e antigo Imperador que recusava-se a perder. O meu antigo eu também, as coisas tristes e absurdas que eu pensava junto do outro em certos momentos. As ameaças, as propostas, incertezas escondidas por uma coragem e superioridade desmedida e descabida do outro eu.
Aquilo me chegava tudo de uma vez, era difícil de aguentar tantas coisas logo assim, jogadas de qualquer jeito e segure e ature se puder. Tinha dias que passava chorando, me relembrando do que Seishi foi capaz de fazer com aqueles que eu gostava.
Agora eles me visitavam, sim, mas pareciam por mera obrigação, não porque se preocupavam. O único que continuava firme em seu lugar com seu rosto impassível e olhos azuis redondos e brilhantes era Kuroko.
Ele vinha com mais frequência que o médico, chegava a passar até algumas noites seguidas em minha casa dormindo comigo. Dizendo estar preocupado, tentando me animar, a me motivar a fazer algo, sair de casa e aproveitar algumas coisas.
Ele era o último que eu pensava que estaria ali comigo. Me dando sua mão, como eu dei a minha um dia à ele. Sim, eu cheguei a me lembrar disso, eu havia lhe estendido a mão quando ele esta só, decaindo sem mais nenhuma mera e pequenina esperança de continuar no basquete.
Mas do jeito que eu havia lhe erguido, eu o derrubei das formas mais desonrosas e cruéis possíveis. Eu não era digno de sua ajuda, mesmo que precisasse, eu não era merecedor de tanto afeto, atenção, e de seus cuidados comigo.
Todavia, ele estava ali, sempre comigo, parecendo passar por tudo o que aconteceu, como se tivesse passado uma borracha no passado e escrevendo um novo futuro com linhas meio tortas. Mas tentando a todo custo endireitá-las.
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— Vamos, coma — pediu manhoso, com uma colher de sopa próxima a minha boca tentando abrir passagem para entrar. — Você tem que comer algo, Akashi-kun. Já não come direito tem dois dias! — comentou com um bico.
— Não estou com fome — murmurei com os lábios semi abertos, tentando não deixar ele entrar com aquela sopa.
Ela era muito ruim. Só de imaginar comê-la me dava arrepios!
— Kagami-kun — gemeu o nome do outro, encarando-o com um olhar pidão implorando. O ruivo inexplicavelmente corou com aquilo e desviou a visão.
— Espera que eu faça o quê? Se nem com você ele come imagina eu!
“Com você ele comeria, tigre bastardo”, a voz ecoou no fundo da minha mente em um tom baixo mas agressivo.
“Você... por quê?”
Não ouvi nada ser respondido. Minha mente estava pregando alguma peça comigo? Brincando com meus sentimentos esmagados novamente? Só podia ser.
Tudo parecia calmo, a não ser por minha rotina que havia mudado bruscamente com aqueles dois garotos em minha casa todo santo dia.
Eles estavam praticamente morando lá!
Meu pai havia saído para uma viagem a negócios e não voltaria tão cedo. A casa toda estava pra mim como sempre. Depois da notícia que eu havia perdido pela primeira vez ele se recusou olhar em meus olhos e me dirigir uma palavra se quer.
O desgosto que ele sentia no olhar me deixava orgulhoso. Sim, era bom ver que por um título qualquer de família, para ser um Akashi era preciso sempre vencer, não valia a pena deixar tudo o que eu deixei de lado. E ao mesmo tempo em que eu perdi, ele foi derrotado junto comigo, ele falhou em me tornar um vencedor.
E era muito melhor não ter vitórias consecutivas e invictas como todo o resto da família tinha, ser diferente sempre é bom, eu aprendi a gostar da derrota. O sabor da diversão era indiscutível.
Mas ainda aqueles sentimentos que eu me apeguei tanto nos passados me atormentavam todas as noites, fazendo eu acordar assustado, suando ou gritando algo incoerente.
E como Kagami e Kuroko dormiam no mesmo quarto nos colchões ao lado de minha cama, acabavam ficando assustados com aquilo e me confortando em seguida.
Estranhamente aquilo tinha virado um ciclo vicioso confuso. Tetsuya acabava por focar-se totalmente em mim, já eu em Kagami, e o ruivo no azulado. Em que nós nos preocupávamos e tinha a atenção totalmente devota, essa pessoa não ligava. Era completamente confuso e estranho.
Só de imaginar Taiga gostar do menor me dava náuseas, algo inexistente em meu estômago embrulhava dando voltas e mais voltas.
Eu simplesmente me recusava a acreditar e aceitar aquilo.
Kuroko levando a colher a minha boca, tentou empurrar aquela gororoba que ele chamava de sopa pra dentro de novo. Formei uma linha reta com os lábios impedindo a passagem e ele bufou irritando.
Deixando a tigela e a colher com a sopa na cômoda ao lado de minha cama, ele se deitou no espaço vazio do colchão debruçado, com os cotovelos apoiados no colchão e o rosto na palma da mão. Me olhava com um sorriso travesso malicioso de canto.
Ele estava tramando algo.
— Akashi-kun — chamou, manhosamente causando estranhamento tanto em mim quanto no ruivo. -—O que preciso fazer para que você coma?
Por algum motivo estranho, eu senti aquela pergunta soar com um outro sentido, seus olhos não transmitiam o comer de comida. Mas eu não sabia o que era e onde ele queria chegar.
Taiga acabou por deixar os músculos tensos e seu rubis estavam a postos observando nós dois na cama. Saber que a pessoa que você ama, ama seu amigo e esse seu amigo te ama, é definitivamente confuso e horrível. Nenhum de nós não podíamos fazer nada a respeito disso. Apenas esperar e ver se passava esse louco sentimento que nos assolava.
Seria bom se fosse apenas uma coisa de momento, culpa dos hormônios a flor da pele por conta da adolescência. Uma curiosidade, saber como seria um tipo de relacionamento desse tipo. Todavia nós sabíamos, aquilo não era nem de longe passageiro.
Eu sabia que meu pai se afastaria de imediato de mim depois de receber a notícia que seu filho-marionete, havia perdido, era muito óbvio que ele iria se recusar a me chamar de filho na vida novamente.
Mas eu não ligava, era melhor assim, ele não aceitaria um perdedor em sua vida e eu não aceitaria um louco por vitórias na minha.
Tudo parecia perfeitamente bem, ele podia me deserdar que eu não iria dar a mínima para aquilo. Não precisava de nada que ele pudesse me dar, o que eu queria e precisava, já estava recebendo daqueles dois estranhos adolescentes em minha casa.
Eles estavam ali, comigo, quando eu jamais pensei que alguém estaria depois de tudo que eu causei a eles e aos outros.
— Primeiramente, a sopa tem que ser comestível — debochei, com um sorriso nos lábios. Ele me sorriu de volta mais visivelmente e seus olhos pareciam ter se encantado com a visão.
— Eh? Não diga isso. Dei o meu melhor para fazê-la especialmente para você — comentou soando falsamente cabisbaixo, junto de um bico e cara de choro.
Ah não Kuroko, ele devia ter se esquecido.
Eu era o único que não caía em seus falsos truques de tristeza quando parecia magoado com algo. O conhecia bastante para não cair nessa armadilha tão simples.
Me endireitando na cama, sentando-se ereto e suspirando fundo, olhei para ele que ainda me fitava com aquela carinha de dar pena. Kagami já se remexia inquieto perto da janela, visivelmente incomodado com aquela situação.
Já que não havia solução para nossos corações e sentimentos trapaceiros e malditos, eu não teria que ficar evitando o azulado e suas claras investidas contra mim. Não era necessário tal estupidez para evitar um coração quebrado e danificado.
Alguma hora iria acontecer, e quanto mais rápido fosse, talvez nós pudéssemos pegar logo de uma vez os cacos e juntá-los novamente para seguir em frente. Era doloroso – pelo menos para mim –, mas era necessário para abrir nossos olhos e resolvermos aquilo de uma vez por todas.
Levei meus pequenos dedos até sua face emburrada e acariciei as maçãs cheias e rosadas daquela pele albina, ele investiu seu rosto contra minha mão buscando mais carinho fechando os olhos e parecendo aproveitar meu toque.
— Desculpe, não quis magoá-lo — pedi num tom de voz de suplica, mas ao mesmo tempo de riso. — Por que não deixa Kagami fazer? Assim você pode me dar de comer, aí todos ficamos felizes, certo?
— Ei! — pronunciou o ruivo, remexendo-se outra vez inquieto naquele quarto. — Quem vai ficar feliz aqui fazendo comida pros outros?
— Kagami-kun! Por favor, por favor, por favorzinho! — implorou. Saindo da cama, ele foi até o maior e ficando na ponta dos pés, puxou as bochechas do ruivo com seus dedos. — Por favor!
— Tsk — reclamou, desviou os olhos da sombra e ficou visivelmente rubro. — Está bem — cedeu saindo do quarto derrotado a passos rápidos.
Kuroko realmente sabia como conseguir o que queria e quando queria.
Ri audivelmente e o vi voltar sua atenção para mim, voltando para cama, ele sentou-se ao meu lado e entrou de intrometido em baixo das cobertas se juntando a mim.
Repousando sua cabeça em meu ombro, ele pegou minha mão por baixo da coberta branca e fina e a apertou com carinho. Lancei-lhe um olhar confuso e ele me devolveu um brilhante e esperançoso. Quem em santa consciência e estado de espírito lúcido recusava Kuroko?
Suspirei fundo e soltei o ar de meus pulmões, transparecendo estar visivelmente incomodado com mais uma de suas aproximações. Não que eu não gostasse dele, sim eu gostava, mas não do jeito que ele pensava. Todavia, parecia que eu teria que dizer com todas as letras para ficar claro.
Se remexendo ao meu lado e acariciando minha mão com seus dedos, ele enfiou seu rosto entre meu pescoço e ombro roçando o nariz na minha pele e inspirando meu cheiro.
Droga, aquilo não estava indo bem.
— Akashi-kun — chamou-me, fazendo questão de seus lábios abrirem e fecharam a cada sílaba e ele beijar minha clavícula com calma e ternura entre elas, aproveitando cada segundo. — Por que ele?
“É a mesma coisa que eu vivo me perguntando Kuroko”, ri internamente com a pergunta e a resposta automática da minha mente.
Se todos soubessem explicar o por quê de se apaixonarem ainda por cima pela pessoa errada, se houvesse uma solução lógica, a vida seria bem mais simples.
“Sabia que isso não iria demorar muito para acontecer, já está sofrendo por esse sentimento desnecessário”, voz se fez presente fazendo-me estremecer.
Quando eu pensava que estava finalmente livre dele, o maldito voltava a me atormentar nas horas mais difíceis. Contudo, Seishi estava muito menos ativo do que outrora. Reclamava de vez em quando com as coisas que aconteciam e jogava algumas verdades na minha cara sem piedade.
Acabei por me acostumar com isso, já não ligava mais para suas revoltas e coisas que me dizia, só que as vezes ele me assustava de repente saindo falando do nada, se intrometendo numa linha de pensamento.
E ultimamente ele tem reclamado de uma coisa em específico com frequência. O meu confuso sentimento.
— Akashi-kun! — gritou o azulado, me pegando de surpresa e fazendo-me assustar.
— Desculpe — desculpei-me, sorrindo sem graça. E por um momento vi suas bochechas ganharem outra tonalidade. — O que disse?
— Que amanhã vamos te tirar dessa casa — repetiu Taiga, em suas mãos estava um prato cheio de coisas coloridas e saía um pouco de vapor. Se aproximando, ele colocou o prato sobre meu colo e ficou me fitando. — Surdo.
— O cheiro está ótimo — elogiei sorrindo pra ele. E como Kuroko, ele ficou levemente vermelho. — O que tem meu sorriso que vocês ficam assim? — Arrisquei a perguntar.
— Você não costumava sorrir — respondeu o albino, parecendo de lembrar de algo.
— Costumava, só que era mais assustador — comentou o ruivo, segurando o riso.
Eles haviam conseguido me deixar confuso. Mas o mais importante, eles iam me tirar de casa?
— Aonde vamos? — indaguei, levando a colher a boca o menor assoprou-a pra mim e logo me deu um sorriso.
— Ao cinema, vai sair um filme novo amanhã.
— Cinema? — perguntei arqueando uma sobrancelha.
— É, vai dizer que nunca foi? — O leonino debochou com um sorriso.
— Não — respondi sério.
Kagami me encarou durante alguns segundos incrédulo, parecendo procurar alguma ponta de mentira na minha resposta ou de eu estar brincando. Mas logo ele ficou sério.
Era verdade, eu nunca havia ido ao cinema ou essas coisas que adolescentes comuns faziam. Meu pai era muito severo e dizia que isso não valia meu tempo, que eu tinha que fazer coisas que realmente importassem.
Tudo o que importava era a vitória. E por todo esse tempo eu estava apenas fazendo de tudo para tê-la. Quase fiquei totalmente como ele queria. Por pouco não me tornei uma marionete.
Tetsuya me olhou com um sorriso fraco de canto. Ele sabia, esteve comigo em quase todo tempo durante minha mudança.
— Tudo tem uma primeira vez, certo, Akashi-kun? — perguntou-me docemente.
— Sim — respondi corando.
— Agora coma, Akashi-kun! — pediu fazendo um enorme bico, com a colher em mãos na frente da minha boca ele inflava sua bochecha e pedia passagem.
Nós três rimos na mesma hora, trocando sorrisos com expressões serenas.
Mas por dentro, o peito de cada um doía. Aonde aquilo iria parar?
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— Mas que diabos!
Ele estava bem bravo mesmo. Mas não era pra menos. Mesmo chegando cedo para pegarmos menos fila e bons lugares, não foi o suficiente.
A fila de bilhetes dava voltas – sorte nossa, que estávamos já perto de comprar. Imagina então a fila de comprar comidas e bebidas? Seria um verdadeiro inferno.
Não pensava que existiam tantas pessoas assim que gostavam desse tipo de filme. E que iam ao cinema.
— Ficar gritando nervoso não vai adiantar de nada, Kagami-kun.
— Cale a boca, nanico.
— Vocês se dão muito bem, não é mesmo? — perguntei sorrindo, achando graça de tudo aquilo.
— Quieto! — Me censuraram.
Eu estava feliz. Sim, feliz era a palavra certa para me definir naquele momento. Era de uma certa forma estranho, nós três juntos daquele jeito, dando risada por coisas banais depois de tudo o que aconteceu. Depois de tudo que eu fiz para eles.
Mordi meu lábio inferior me recordando de certas memórias indesejadas. Ainda me sentia mal por tudo que aconteceu, mesmo que a culpa não fosse totalmente minha.
Ela ainda era, fui fraco em não parar o meu outro eu enquanto podia, enquanto as coisas ainda estavam um pouco no eixo.
— Ei. — O ruivo chamou-me. — Sei o que você está pensando. Esqueça — pediu. Passando a mão em volta do meu pescoço, ele aproximou nossos corpos e afagou minha cabeça de forma calorosa.
O que era isso de repente!?
— S-sim — respondi, sentindo meu rosto esquentar, mexi em algumas mechas de cabelo tentando disfarçar.
— A fila voltou a andar! — exclamou ele, nem percebendo meu constrangimento e ficando alegre.
Não demorou muito depois disso para comprarmos nossos bilhetes e coisas que iríamos comer durante o filme. Eu fiquei boquiaberto quando vi Kagami pedir cinco potes absurdamente grandes de pipoca, três refrigerantes extra grande e alguns hambúrgueres.
E na maior ingenuidade, ousei perguntar se era só pra ele aquilo. Ele riu escandalosamente afirmando. Era inacreditável que um ser humano conseguia comer tudo aquilo sozinho.
Mas o que eu não esperava, era que o filme que fomos ver era de romance. Sim, romance. Uma coisa que eu não entendia e não fazia ideia de como funcionava.
Todavia, não era focado somente nas cenas de romance, tinha mortes, alguns mistérios, o que me entreteve durante um bom tempo. Kuroko parecia ter um desinteresse maior do que o comum no que se passava, apenas quando mostrava cenas mais picantes ou de morte ele se focava mais que alguns segundos no filme.
Saindo da sala após o término de filme – que demorou em cerca de duas horas e meia de pura melação –, Kuroko pediu um tempo para nós dois.
Ele iria comprar um Vanilla Shake.
— Cara, até aqui esse garoto não esquece essa bebida — reclamou o ruivo se encostando na parede.
Me fitando dos pés a cabeça, pude ver ele me medir com seus olhos e no fundo de seus rubis, um brilho acender. Corei e desviei meus olhos dos seus no mesmo instante. O que ele tanto olhava?
— Ele está demorando, não acha? — perguntei, tentando criar algum assunto para distrair.
— Está? — indagou fingindo interesse.
Podia ver um discreto e perigoso sorriso ir crescendo no canto de sua boca conforme eu ia ficando mais constrangido a sua frente. O que estava acontecendo com ele?
— Sim, acho melhor procurarmos ele, vai que ele se perdeu e...
— Desculpe a demora.
Kuroko praticamente brotou ali no nosso lado! Eu tinha desacostumado a me sentir desse jeito com ele, tanto tempo sem andarmos juntos que acabou me pegando desprevenido.
— Foi fazer o Milk Shake ou o quê? — perguntou o leonino fingindo hostilidade.
— Fui — respondeu sugando o líquido. Kuroko ainda não tinha senso de humor, sempre falava sério. — A casa de vocês fica longe daqui certo? Por que não vamos pra minha? — perguntou, se botando a andar. — Já está meio tarde.
— Tudo bem pra você, Akashi? — O ruivo me olhou de canto dos olhos furtivo.
Os dois estavam realmente muito estranhos.
— Sim — respondi simplesmente andando junto a eles.
Por que eu sentia que aquilo não seria uma boa ideia?
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— Ah, cara... Que droga! — reclamou o leonino.
— Quem diria que ia começar a chover daquela forma — comentei, tentando transparecer calma.
O que eu não sentia de maneira alguma.
Estávamos todos encharcados. Nossas roupas e cabelos pingavam no piso liso da casa de Tetsuya.
No meio do caminho – que era curto por incrível que pareça –, uma forte chuva caiu sem mais nem menos, molhando-nos sem piedade e fazendo-nos corrermos para a casa da sombra. Agora querendo ou não, teríamos que passar aquela noite ali, a chuva estava incessante e forte demais para sair.
Estava de noite ainda, a brisa meio gélida junto do molhado da chuva fazia meu corpo tremer e arrepiar-se de imediato.
Precisávamos de um banho e trocarmos de roupa urgente. O problema seria: as roupas. De maneira e hipótese alguma, as roupas de Tetsuya caberiam em mim, muito menos em Taiga.
— Vamos, precisamos tirar essas roupas se não quisermos pegar um resfriado, principalmente você, Akashi. — O ruivo alertou.
— Somente meu olho está ruim, Kagami, eu estou perfeitamente... ah...- — Tentei completar a frase, mas senti que iria espirrar e segurei. Somente o primeiro. O segundo saiu sem aviso e sem que eu pudesse segurar.
— Viu? Já está assim.
— Vamos, vou ver se acho alguma roupa pra vocês — comentou a sombra, andando em direção a algum cômodo da residência, logo nós seguimos ele.
Encarei Kuroko da porta de seu quarto com um sorriso de deboche enquanto ele fuçava algumas gavetas. Ele não falava sério, não é? Não era possível que ele tenha alguma roupa que coubesse em nós.
Todavia, eu estava errado.
Tetsuya tirando algumas peças consideravelmente grandes da gaveta, deu elas em minha mão com um sorriso.
— Murasakibara-kun passou alguns dias aqui em casa e acabou deixando essas roupas, não vou dar elas pro Kagami-kun porque sei que ele se negaria a usá-las. — explicou-me.
— Claro que não vou usar as roupas daquele gigante, elas vão ficar enormes em mim! — Defendeu-se.
— Ah, e você acha que elas vão ficar justas em mim? — perguntei com ironia.
— Apenas vá trocar essas molhadas logo, Akashi-kun — pediu-me, me empurrando para uma porta em seu quarto. Supostamente o banheiro.
Adentrei o banheiro e tomei meu banho rapidamente, afinal, era só para tirar o gelo do corpo. Mas o que foi difícil, foi a hora de colocar as roupas. Elas ficaram mais que enormes. Para minha sorte era que elas seriam apenas para dormir.
Saindo do banheiro, me deparei com uma cena nada comum e que jamais pensei que iria presenciar. Senti meu rosto esquentar e meu corpo pegar fogo.
Kuroko e Kagami haviam tirado as roupas e estavam apenas de cueca. Estavam semi nus! Por que diabos!?
O ruivo fuçava uma pequena caixa de sapatos que tinham DVD'S dentro. Eles não pensavam em assistir um filme meloso, não é? Por favor, que não seja de romance.
Tetsuya estava jogado em cima da cama, completamente ensopado, deitado de bruços enquanto mexia com as mãos em alguns DVD'S com o ruivo. Eles costumavam ficar de forma tão íntima perto um do outro naquela situação? Não pareciam incomodados de maneira alguma.
Uma sensação estranha se fez presente no meu corpo e algo no meu baixo ventre formigou. O que era aquilo?
Logo a visão deles se puseram em mim e pude ver seus rosto ficarem vermelhos.
Tá, por que toda vez que eu sorria e eles olhavam pra mim, eles ficavam assim? Isso já estava se tornando incômodo.
— Deveria existir uma lei que proíba uma visão dessa — comentou o ruivo umedecendo os lábios automaticamente. Não pude deixar de corar mais ainda com suas palavras e aquele olhar que me queimava, devorando-me.
— S-sem brincadeiras, Kagami — pedi sem graça.
— Já se olhou no espelho? — indagou-me, seguindo com lealdade cada movimento que eu fazia. Neguei com a cabeça. — Veja — apontou para um espelho grande que tinha no canto do quarto.
Sem entender, andei até o comentado espelho e me pus a frente dele olhando meu reflexo. Meus fios ruivos estavam úmidos e levemente bagunçados, a roupa de Atsushi estava completamente folgada e caindo de meu corpo. A camisa branca enorme caía dos meus ombros expondo minha pele pálida, a calça de mesma cor de um pano super fino, que se caso eu não segurasse, ela iria cair no chão no mesmo momento.
Eu estava um completo desastre. Por que proibir uma visão daquelas? Me virei de volta para eles e encarei-os. Agora eles pareciam mais tensos, seus olhos estavam totalmente focados em cada parte de meu corpo, parecendo me analisar. O que diabos estava acontecendo e o que passava na cabeça deles?
— Vocês não vão tomar um banho e se trocarem? — perguntei.
— Vai você — murmuram em uníssono um pro outro.
— Vai logo, nanico!
— Vai você, Bakagami!
— O que deu em vocês dois? — indaguei assustado.
Mas o que se passava ali?
— Tá, eu vou — a sombra se deu por vencida. Levantando da cama, ele pegou qualquer roupa que viu e foi indo pro banheiro, mas na porta ele parou e encarou o ruivo com olhos jamais vistos. — Não faça nada enquanto eu estiver fora.
— Não garanto nada — sibilou com um sorriso perigoso. Logo Tetsuya fechou a porta e foi para seu banho. — Ei vem cá, eu não mordo — sorriu amigavelmente. Mas seus dentes expostos a meu ver eram perigosos.
— Mais um filme? — perguntei sentando-me do seu lado olhando pra dentro da caixa cheia de DVD'S.
— Estamos sem sono e não tem nada pra fazer, então...
— Entendo — comentei fuçando junto a ele a caixa. — O que é... Isso!? — exclamei espantado, com um DVD em particular em mãos.
Sua capa não era nem um pouco comum para um filme normal na casa de um adolescente como Kuroko. O que diabos aquilo fazia ali!?
— Ah, sabia... Kuroko só tem cara de santo — debochou, pegando o filme de minhas mãos que estavam trêmulas. — Por que está tão assustado? Isso é normal nessa idade.
Não, não, não e não! Não iria responder aquilo. Jamais pensei aquilo de um antigo amigo meu, e Kuroko ainda! Se fosse Aomine ou Kise tudo bem, eles eram daquele jeito estranho e tudo mais, mas Kuroko!? Não dava pra imaginar.
— Vamos colocar! — comentou animado.
— P-pra quê? Não íamos ver um filme? — indaguei tentando fazê-lo mudar de ideia.
— Isso é um filme — respondeu revirando os olhos, tirou DVD da capa e colocou no aparelho. Logo começou a passar alguns avisos que o ruivo tratou de pular e por nas cenas de uma vez.
Aquilo era muito vergonhoso! Pra que Kuroko tinha um filme desse em casa? O que era aquilo? E o mais vergonhoso, era de homens!
Meu rosto estava pegando fogo, sentia até minhas orelhas quentes meu corpo estava começando a ter reações estranhas com o que estava vendo. Começava a sentir algo na região do meu baixo ventre formigar e me incomodar. O que era aquilo?
Podia ver os olhos de Taiga pousarem uma vez e outra em mim, querendo ver minhas reações. Ele sorria de canto, seus rubis transmitiam malícia, tinham uma chama acesa bem evidente. Eu via sua mão ao lado da coxa passando com os dedos de leve sobre ela e uma vez e outra, apalpava o volume no meio de suas pernas.
Aquilo definitivamente estava ficando muito estranho!
— S-sabe, vou buscar algo pra beber. — Sorri sem graça totalmente corado.
Me levantei num pulo segurando a calça e andei em direção a porta. Mas Kagami foi mais rápido e me puxou pela manga da camisa na sua direção.
Como aquelas roupas já não ajudavam muito, acabei por tropeçar na barra da calça que arrastava pelo chão e tropecei nos meus próprios pés.
Cai em cima de Kagami sem querer e nós dois fomos de encontro ao chão duro e gélido do quarto. E por culpa minha, ele bateu as costas e a cabeça com tudo no piso. Já eu, minha queda tinha sido amortecida por aquele monte de músculos e braços fortes que me seguravam me protegendo de qualquer dano.
Mas ainda sim algo estava estranho. Sentia um enorme volume entre nós me cutucar na barriga, me incomodando.
— Me desculpe — pedi sem graça.
Aquilo estava ficando cada vez mais embaraçoso.
— Você está bem? — perguntou-me, parecendo completamente preocupado.
Era ele que tinha se chocado contra o chão oras, não eu! Eu estava perfeitamente bem.
— Você amorteceu a queda — comentei corando.
Ele sorriu pra mim docemente, mas logo seu lábios de doces passaram para perigosos.
— Por que você iria fugir, hm? — indagou mantendo-me preso a ele naquela posição.
Eu estava praticamente de quatro em cima dele. Minhas mãos estavam em seu tórax desnudo tentando inutilmente afastá-lo, meus joelhos dobrados ao redor de suas pernas começavam a fraquejar e me traírem fazendo o resto do meu corpo encostar ainda mais no dele.
Meu rosto estava poucos centímetros do seu, nossos narizes chegavam a se tocar e nossas respirações se misturarem. Tudo tinha ficado estranho e quente rápido demais.
Eu precisava me livrar de seus braços imediatamente.
— Vamos levantar — pedi, sentindo minha voz falhar.
Droga, por que isso agora?
— Por quê? — indagou, friccionando nossos quadris. Senti seu volume roçar novamente em minha barriga mostrando sua ereção. Ofeguei enrubescendo mais ainda. — Está bom assim.
— Mas e Kuroko?
Essa não era a pergunta que queria ter feito, mas foi a única que consegui formular naquele momento.
— Deixa ele pra lá.
Não, espera.
Não era ele o cachorrinho que ficava atrás do azulado? O que tinha dado nele? Não era possível que alguém se esquecia ou mudava assim de um momento pro outro.
A posição a qual eu me encontrava dava acesso total a TV a que se passava o filme. Aqueles homens fazendo coisas tão indecentes de forma tão obscena... Me desconsertava.
Começava a sentir coisas que nunca senti e jamais pensei que sentiria na vida. Todas as sensações eram novas para mim. Tudo, todo pequeno sentimento, uma pequena reação diferente em meu corpo. E olhar naquele filme não estava ajudando.
Mas se não olhasse para ali era para aqueles rubis em chamas que me olhavam de forma predatória.
A boca sedenta, a língua umedecendo os lábios a todo segundo, como se fosse automático. Aquela língua, eu seguia com meu olho o movimento que ela fazia. Passava no lábio inferior, fazia círculos, ia para o superior e refazia o processo. Aquilo era tentador.
Nunca senti a necessidade de beijar ninguém – e nunca havia beijado também. Era uma coisa que eu achava desnecessária. Mas aquela boca, estava me dando uma vontade imensa de descobrir a sensação de como era.
Invertendo nossas posições, Taiga me colocou de costas ao chão e manteve cada parte de meu corpo presa com seus membros. Ele me olhava de forma maliciosa, pervertida. Seu dentes expostos e perigosos estavam todos a mostra para mim, num sorriso reto perfeito.
Sem mais esperar, ele tirou aquela camisa enorme de meu corpo expondo minha pele pálida.
Aproximando sua boca de meu corpo, ele começou beijando a minha pele exposta do ombro até o pescoço. Subindo até o meu queixo, parando ali com uma mordidinha na ponta e sorrindo maliciosamente.
Trilhando até minha bochecha, ele selou nossas bocas de forma calma e logo pediu passagem com a língua para adentrar minha cavidade. Afagava sua língua de forma tímida, não sabia ao certo como fazer. Perdia meu fôlego rapidamente e logo precisávamos nos separar para eu poder respirar novamente.
Meu rosto estava em brasas, tanto quanto meu corpo. Descendo seu quadril até encostar no meu, ele friccionava nossas ereções por cima dos panos.
Gemi involuntariamente alto, o que chamou sua atenção.
— Como você é sensível — comentou, lambendo meu pescoço e deixando algumas marquinhas pequenas e escuras em minha pele. — Quanto tempo que não faz isso?
Olhei pra ele visivelmente confuso. A inocência em meu rosto era até palpável naquele momento. E foi ali que a ficha dele caiu.
— Eu disse para não fazer nada enquanto eu estivesse fora.
Olhamos juntos pra cima e vimos um ser de cabelos azuis e com uma expressão nada impassível nos encarar. E estava somente de cueca! Ele parecia bravo.
— Kuroko — murmurei, morrendo de vergonha.
Se não bastasse, até a sombra havia me visto daquela maneira.
— E ainda por cima acharam um de meus filmes — acrescentou ele, parecendo ainda mais irritado. Coisa boa não ia dar. Agachando-se a nossa frente, ele deu um peteleco na testa no ruivo que reclamou xingando-o baixinho. — Percebeu, não é mesmo?
— Sim, ele é muito inocente — respondeu, deslizando os dedos por minha ereção. Ele acariciou-a por cima do pano mexendo pra cima e para baixo.
Gemi corando mais ainda, deixei meu olhos semi abertos e mordi meu lábio inferior. O que eles tanto falavam sobre mim.
— Não, você não entendeu — revirando os olhos, o aquariano deu um soco no ruivo tirando-o de cima de mim e sentou-se em minhas coxas. Pegando minha ereção em sua mão ele me olhou de forma maliciosa. — Você nunca fez, não é, Akashi-kun?
— Hn, p-pare Kuroko — pedi entre gemidos.
— É claro que ele já se masturbou, qual homem nessa idade nunca fez isso? — perguntou com deboche.
— Hn — gemi sentindo o menor apertar minha ereção com mais força. O pano da calça já começava a molhar.
— Fala sério, cara — o ruivo murmurou passando a mão pelos fios da testa jogando-os pra trás.
Por que Kagami me olhava tão incrédulo e desacreditado? Era verdade sim, eu nunca havia feito coisas desse tipo.
Sendo criado por uma família e um pai como o meu, esse assunto jamais fora mencionado em momento algum. Ele era rigoroso e severo, nunca falaria isso comigo. O que importava era a vitória afinal, e isso não tinha nada a ver com sempre ganhar.
Ouvia e as vezes cheguei já a ver meus colegas de time fazendo coisas desse tipo, vendo tais filmes. Principalmente na época da Teikou. Aomine era o que mais fazia essas coisas.
Assuntos como sexo, nunca foram abordados em minha família. E dessa forma, eu era o que eles chamavam de inocente. Nunca liguei para tal título, pelo menos não era pior do que Aomine tinha de pervertido.
Pensei em algumas vezes fazer, para saber qual era a sensação, o que era de tão bom que fazia as pessoas fazerem isso diversas vezes por dia. Mas jamais cheguei a fazer.
A vitória tinha me subido a cabeça antes disso e acabei trocando de lugar antes de tal coisa. E, claro que Seishi jamais faria isso, ele era louco pela vitória e isso o deixaria com certa repulsa.
Perguntava por que diabos ele nunca fez isso? Aquilo era muito bom.
Mas de forma alguma eu queria demonstrar isso, era embaraçoso demais. Tetsuya acariciava minha ereção com seus dedos pelo pano de forma lenta, sentia o pano já úmido pela excitação e seus dedos também molhados brincarem no local.
— Já que é a primeira vez, vamos fazê-lo se lembrar pra sempre — comentou Kuroko, tirando a mão de minha ereção, ele se ajoelhou até ficar na altura de minha cintura e abaixou a calça lentamente.
Sentia vontade de me enfiar em um buraco e nunca mais sair! Por Kami-sama, o que aquele garoto iria fazer? Aquilo tinha passado dos limites.
Eu não deveria ter ido pra casa de Tetsuya, pegar chuva e depois ficar resfriado seria o de menos. Eu tinha que me livrar deles logo.
Antes que Kuroko terminasse de abaixar totalmente as calças que eu estava usando, a segurei pelos lado e puxei pra cima de volta.
Fui me rastejando de costas até encostar contra a parede do outro lado do quarto. Eles me encaravam com sorrisos maliciosos e olhos desejosos, em suas únicas peças de roupa estavam com visíveis ereções formadas querendo sair pra fora.
E aquele filme ainda estava se passando na TV! Olhava de relance para os garotos e pro filme, nenhuma das duas cenas ajudavam-me a me manter impassível.
— Não tenha medo, não vamos machucar você. — O ruivo sibilou tentando me acalmar.
Ah, que tentativa mais falha! Aquele sorriso pervertido estampado na face dele não se assemelhava a suas palavras, só fizeram eu ficar ainda mais tenso. Kagami não era bom nem de longe com suas palavras.
— Parem com a brincadeira — pedi, tentei ir mais para trás ali, mas eu sabia que da parede eu não passaria.
— Akashi-kun — chamou-me. De repente, sinto uma mão apertar minha ereção novamente, só que dessa vez por baixo do pano. Da onde aquele garoto tinha brotado!? — Está bem molhado — sussurrou e me pegando mais uma vez de surpresa, ele me beijou.
— Ei nanico, não vá pegando ele só pra você não! — reclamou o ruivo.
Epa! Pegando pra você? Que história é essa? Ah, droga. Não se dava pra se concentrar nem ao menos um pouco.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A mão de Tetsuya era habilidosa por baixo do pano, seu beijo também era muito bom, ele sabia exatamente o que fazer e tinha muita facilidade. Me pergunto o quanto esse garoto já não aprontou, por que depois do filme que achamos em sua casa, a aparência inocente era visivelmente apenas uma fachada.
Taiga sem paciência, puxou a calça junto da cueca que eu usava de uma só vez me deixando nu da cintura pra baixo. Não, não e não! Que sensação era aquela?
Não sabia que aquele era um ponto sensível em meu corpo e que poderia se fazer essas coisas em uma situação daquela. Mesmo desacreditado, era incrivelmente bom.
Soltando minha boca, Kuroko tratou de fazer o mesmo trabalho em meu corpo que o maior fazia com extrema maestria. Ambos lambiam, chupavam e mordiscavam meus mamilos deixando-os eretos e muito sensíveis. Gemia timidamente e logo tentava contê-los mordendo meu lábio inferior.
Parecia que a cada som que me escapava, eles me provocavam ainda mais, fazendo mais toques, acabando por me excitar cada vez mais. Kagami se cansando de brincar com meus botões, largou-o e desceu com sua boca trilhando para baixo.
Beijando meu tórax, em seguida a barriga, ele rumou para meu baixo ventre e sentiu a glande encostar em seu rosto. Segurando com os lábios, ele colocou a cabeça de meu membro na boca sugou e lambeu ao redor dele diversas vezes.
— K-Kagami! — gritei, gemendo e suplicando. Ele abocanhou por completo minha ereção, fazia movimentos repetitivos deliciosos de vai e vem. Sentia algo percorrer por meu corpo inteiro como uma corrente elétrica e depois ir direto a meu membro. — E-eu...
— Goze na boca do Kagami-kun, Akashi-kun — ordenou o menor, sussurrando contra minha orelha.
Mordendo meu lóbulo, ele passou sua língua úmida por ela ofegando, seus dedos ainda brincavam com meus mamilos, pressionando-os e apertando-os.
— Taiga — gemi ruidosamente. Algo de meu membro saiu indo diretamente para dentro da boca do ruivo, que engoliu boa parte mas ainda um pouco escorria por seus grossos lábios.
— Também quero o gosto do Akashi-kun. — Kuroko pediu, puxando o rosto do ruivo próximo ao seu e brincando com as línguas para fora de suas bocas. Podia ver as línguas sedentas trocarem afagos selvagens com meu sêmen, estava uma mistura de suas salivas e minha semente em suas bocas. — Prove também, Akashi-kun.
Pude ver seus olhos me fitaram e suas bocas se aproximarem da minha, colocando as línguas pra fora e mostrando os resquícios de sêmen. Eles pediam com os olhos para que eu fizesse o mesmo.
Já tínhamos feito aquilo, por que não? Coloquei a minha pra fora e fechei meus olhos. Sentia as suas se encontrarem com a minha e se embalarem em uma dança sensual, trocando caricias mais amenas.
Pude sentir meu próprio gosto nessa troca, mas logo uma boca mais sedenta se embalou num ritmo diferente e me puxou para um ósculo quente. Seu corpo se colocou ao meu me esmagando na parede e já sabia quem usava tamanha força em um beijo.
Mesmo tendo o beijado apenas duas vezes, eu já pude perceber que ele era visivelmente quente e selvagem neles. E isso era bom. Separando nossas bocas, ele ficou me fitando, olhando bem no fundo do meu olho. A chama estava bem acesa entre nós.
— Vamos prepara-lo — Kuroko ordenou, tirando a última peça de seu corpo e expondo seu membro rijo. Jogou a peça ao chão e se aproximou de nós novamente.
Preparar o quê!? Minha mente gritou pra mim. Escutei até Seishi se remexer ao fundo se exaltando com aquelas palavras.
— Preparar? — perguntei curioso.
— Você. — O menor confirmou me indicando para subir na cama.
— Para o quê? — indaguei ficando ainda mais curioso.
Os olhos deles sorriram juntamente com seus lábios para mim, num sorriso de canto perverso. Subi em cima da cama e vi o ruivo tirar sua cueca jogando-a no chão, ficando finalmente e gloriosamente nu.
Seu corpo era uma perdição.
— Para isso aqui — respondeu, apontando com os olhos seu membro ereto.
Droga, aquilo era muito grande! E ele disse o quê? Preparar eu para aquilo!? Não iria caber nunca em minha vida aquela coisa daquele tamanho dentro de mim! Ele queria me partir ao meio? Por que se fosse essa sua vontade, ela seria realizada com sucesso.
— É muito grande — sibilei, completamente coberto de vergonha virando meu rosto pro lado, tentando fugir daqueles rubis que me secavam.
— Relaxe, serei gentil — reconfortou-me, sorrindo de forma predatória, ele subiu e ficou de joelhos em cima da cama me mostrando seu membro. Aproximou ele do meu rosto colocando perto de minha boca. — Mas que tal dar uma atenção pra ele antes?
Mesmo que ele fosse tentar ao máximo querer ser gentil, aquilo, não seria de maneira alguma! Abrindo minha boca, cedi a passagem para que seu falo entrasse em minha cavidade lentamente.
Com o auxílio de minha mão, coloquei somente metade do membro pra dentro – nem que eu quisesse caberia o resto –, complementava os desajeitados movimentos de vai e vem que fazia. Escutava baixas arfadas e urros que o ruivo soltava, sua mão segurava meus fios ruivos bagunçando-os e puxando-os levemente.
Kuroko dando a volta, subindo a cama e se sentando atrás de mim, apalpou minha bunda com suas mãos e apertou-a com vontade. Me tremi diante do rumo que seus toques iam. A ideia de preparar ainda me assustava, imaginar que aquilo iria estar dentro de mim me deixava receoso.
Indo um pouco pra trás, Kagami me fez ficar de joelhos e empinar minha bunda para trás. Tetsuya aproveitando isso, começou a lamber a minha entrada com sua língua. Sentia minhas pernas me traírem diante daquele toque. Mas ele parou por um momento, tentei olhá-lo pelo cantos dos olhos enquanto continuava com o oral, todavia, ele havia sumido da nossa visão.
Sem ligar muito pra isso, comecei a ouvir mais sons feitos pelo leonino e logo senti algo jorrar na minha boca. Ele gozou e me jogou de costas na cama com pressa, subindo em cima de mim e caçando minha boca com ferocidade. Nossos membros se friccionavam entre nossos corpos.
Separando nossas bocas, ele começou com uma tortura deliciosa. Fazendo movimentos de investidas, ele subia e descia seu corpo, fazendo nossos corpos e membros roçarem, nossas peles trocarem um atrito. Ambos os corpos quentes, aquilo estava uma loucura.
A temperatura do quarto tinha subido e aquela altura, eu já não sabia mais o que estava fazendo. Estava me deixando levar por tudo o que acontecia, sem me importar com as consequências.
— Chupe. — O ruivo pediu, levando dois dedos até meus lábios.
Cedi a passagem e deixei eles entrarem. Os preparei da melhor forma possível e até brinquei com seus dedos em minha boca. Tirando eles de dentro dela, ele posicionou um digito na minha entrada e foi inserindo-o de forma lenta e paciente. De começo me incomodei um pouco, senti uma leve dor e desconforto em meu interior. Mas logo foi substituído por um prazer que eu jamais pensei que sentiria fazendo tal coisa.
Quando Kagami ia inserindo o segundo dedo, ele sem querer foi pra frente e penetrou o digito de forma bruta.
— Droga, Kuroko! — reclamou.
Tá, aquela era uma cena que jamais cogitei que veria em vida.
Por um empecilho e ataque surpresa de Tetsuya, que Kagami fora um pouco mais bruto ao me preparar. Taiga arfava ruidosamente, seus dedos estavam mais moles do que nunca dentro de mim.
Ele começava a gemer audivelmente, enquanto seu corpo balançava indo para frente e para trás em cima de mim. Kuroko estocava o interior do ruivo de forma rápida. Suas pequenas mãos seguravam a cintura do maior, seu corpo se movia com habilidade e fazia o outro gemer somente de prazer.
As feições de ambos naquele momento mudaram totalmente. Os olhos queimando de prazer, as bocas abertas gemendo coisas que me faziam corar, eles pediam cada vez mais.
Kagami retomando sua postura, tirou seus dedos do meu interior e tentou se posicionar na minha entrada com seu membro. Em momento algum o aquariano parava com suas estocadas, ele estava perdido totalmente em seu mundo.
Conseguindo se concentrar em mim, Taiga tentou me penetrar de uma forma calma.
— Ahh... K-Kagami... Ngh — gemi, me sentindo sendo partido ao meio.
Mesmo ele tentando ser gentil, eu sabia que o que ele tinha no meio das pernas não ajudaria. E Kuroko também não colaborava nenhum pouco!
Ele tentava não se mover de imediato, mas o azulado estocava seu corpo sem piedade e ele acabava entrando e saindo dentro de mim involuntariamente. Não era doloroso como pensei que seria, acho que isso devido a ele estar tentando se controlar.
Com o passar do tempo, me senti acostumado com o volume dentro de mim, começava a sentir um prazer me consumir e aquela onda de sensações passando pelo meu corpo. Compreendi como era me sentir daquela forma, fazendo tais coisas. Era maravilhoso.
Deixava meus gemidos saírem contra a boca de Taiga, que não se desgrudava de mim durante muito tempo. Sempre sedenta buscando por minha língua ou qualquer outra parte de meu corpo que ele poderia atacar de forma voraz.
— Kagami-kun — chamou Tetsuya, cravando suas unhas a pele do outro e indo mais forte contra seu corpo.
Aquele garoto nem parecia o pequeno e frágil Kuroko. Kuroko investindo rápido e forte contra o interior do ruivo, gozou dentro do mesmo parando com seus movimentos lentamente.
Saindo de dentro do maior, o aquariano sentou-se na cama e ficou nos fitando. Vendo o ruivo estocando meu corpo com precisão e me fazendo delirar de prazer. Pude ver entre algumas estocadas, Kuroko nos encarar e começar uma masturbação em seu pênis, gemendo baixinho.
Ele parecia insatisfeito com apenas aquilo. Seu rosto estava um misto de malicia e desejo bem estampados. Sua mão esquerda brincava com seu mamilo, acariciando e beliscando deixando-o ereto.
Ele começava a gemer provocativo, fazendo eu e Kagami olhar pra ele durante o ato. A visão era bem erótica.
— Kagami-kun... Eu quero meter no Akashi-kun também — pediu manhosamente.
Caralho, aquilo tinha conseguido deixar tanto eu, quanto Kagami mais duros e excitados.
Porra, Kuroko! Como ele conseguia!? Sentia até meu membro latejar pelo tom e a carinha usadas por ele. E aposto que com o maior não era diferente.
Parando com os movimentos, Kagami saiu de dentro de mim fazendo eu fazer um pequeno bico e rosto de indignação.
Eu não queria parar.
— Não faça essa carinha — pediu o leonino, acariciando minha bochecha. Saindo de cima de mim ele foi pra trás na cama e deu o lugar pro menor. — Todo seu.
— Não assim — repreendeu ele com sorriso travesso. — Deite-se Kagami-kun e você Akashi-kun, fique em cima dele — ordenou.
Pisquei algumas vezes antes de me mexer e com o ruivo não foi diferente. Ele parecia tão espantado quanto eu. Mas assim fizemos. Com Taiga deitado e eu por cima dele, Kuroko se posicionou atrás de mim e pegando em minha cintura, ajeitou o membro do maior na minha entrada e me indicou que era pra sentar. Sentei sobre seu falo lentamente, até me sentir totalmente preenchido outra vez.
Kagami quase se movimentou de imediato buscando querer possuir de uma vez meu corpo, mas esperou o movimento da sombra. Tetsuya vendo que estava tudo bem, empurrou meu tronco e corpo mais para baixo buscando empinar um pouco meu traseiro e colocou a cabeça de seu membro roçando minha entrada e encostando-o no do maior.
Lentamente, ele foi me preenchendo, abrindo ainda mais meu interior – o que eu pensava que não era possível depois do de Kagami. Dessa vez eu sentia um pouco mais de dor, sim, era óbvio que sentia. Nem cogitava que o do ruivo iria caber, imagina o dele e o do menor juntos.
Tetsuya dessa vez optou por esperar que eu me acostumasse com aquilo. Enquanto isso, ele beijava minha nuca, as costas, brincava com meu membro que estava solitário entre nossos corpos.
Kagami me beijava mais selvagem do que nunca. Sua língua estava em uma batalha já ganha dentro de nossas bocas de forma quente e feroz. O azulado marcava minha pele com sua pequena e rosada boca deixando várias marquinhas escuras de chupões. As vezes dava algumas mordidinhas deixando a marca de seus dentes.
Era muito estimulo para uma pessoa só aguentar, ainda mais na sua primeira vez de tantas coisas. E todas elas ao mesmo tempo, era muito confuso, mas tudo muito prazeroso. De forma alguma eu queria parar.
Buscando ar para meus pulmões – o que Taiga não deixava durar muito mais que dois segundos –, eu me mexi minimamente, indicando sutilmente que eles podiam começar a se moverem. Os rubis e aqueles enormes olhos azuis impassíveis – que naquele momento, mostrando muitas coisas –, devoraram-me com tal consentimento.
No mesmo instante, ambos estocaram meu interior de forma lenta, mas que foi ganhando velocidade e força com o tempo. Nossos corpos se moviam num movimento só, ambos membros juntos no mesmo espaço estocando o lugar apertado e quente.
Buscando o mais insano e puro prazer.
Kuroko puxava meus fios ruivos, trazendo meu rosto para perto do seu e tomava meus lábios num beijo molhado e sedento. Eu gemia contra sua boca tentando me concentrar em algo, me manter lúcido.
Tetsuya era totalmente habilidoso, não se perdia em nenhum momento no que fazia. Sua mão direita masturbava meu membro com maestria, a esquerda segurava com força meus fios.
Seu corpo estocava com precisão e rapidez meu interior, achando diversas vezes meu ponto, sua língua dançava de forma sensual com a minha fazendo-me perder o ar muitas vezes. Ele parecia ter muita experiência e sabia exatamente o que fazia e como fazer.
Taiga também não ficava pra trás. Em umas das estocadas duplas em meu interior, senti um ponto ser acertado dentro de mim que me fez gemer manhosamente, logo me envergonhando de tal coisa.
— Parece que achamos. — O ruivo comentou, com um sorriso de canto indo para cima com sua cintura, fazendo meu ponto ser acertado novamente e eu gemer mais vezes vergonhosamente. — Gema mais assim, Akashi — pediu.
— N-não... Ah... — Tentei negar e formular inutilmente a frase.
Os dedos de Taiga, agora beliscavam meus mamilos entre os dedos polegar e indicador de cada mão. Tetsuya mantinha a masturbação e eu já sentia que iria desfalecer.
Kagami parecendo não se cansar, buscou minha boca para um beijo cheio de fervor, me mantendo nele durante muito tempo. A respiração já estava complicada e falha, ainda com aquele osculo selvagem daquele garoto sedento pela minha boca, dificultava tudo. Saliva escorria pelo canto da minha boca denunciando que eu necessitava de ar.
Finalmente soltando minha boca, ele me deixou respirar pesadamente e descompassadamente. Meu rosto estava mais vermelho que nunca, parecia pegar fogo. Meu olho semi cerrado, estava enevoado de prazer. Minha boca começava a gemer com mais frequência, a dizer algumas coisas que eu nem pensaria que diria na vida.
Meu corpo inteiro ardia de excitação. Nossas respirações começaram a ficar ofegantes e começamos a urrar sem parar, sentíamos nosso orgasmo eminente.
— Akashi-kun... — O azulado chamou-me, enterrando-se no meu corpo gozando dentro dele.
— Kuroko... — Kagami murmurou, desfalecendo-se também.
— Taiga... — gemi me desfazendo nas mãos do aquariano e em cima da barriga do ruivo.
Gozar chamando o nome de outra pessoa, normal. Para nós aquilo era mais que comum.
Ambos saíram de dentro de mim, me causando uma sensação de vazio estranha. Me deitei na cama colocando a cabeça em cima do peito de Taiga, me acomodando naquele corpo quente e aconchegante. Tetsuya logo fez o mesmo, deitando do outro lado dele.
Kagami pareceu ficar meio surpreso e abobalhado com tal aproximação, mas logo com suas mãos, afagou nossas cabeças fazendo em nós um carinho. Kuroko foi o primeiro a adormecer, logo fazendo um som parecido com o de um ronrono bem baixinho. Devia estar cansado.
Fiquei alguns minutos em silêncio, aproveitando o toque de sua mão sobre meu rosto. Podia ver um sorriso formado em seus lábios, ele me olhava com ternura.
Mexendo seu braço esquerdo, tentando não acordar o azulado, ele acariciou o curativo em meu olho e começou a tirá-lo lentamente. Senti uma leve dor ao ele fazer isso mas resisti. Após tirar, ele beijou meu olho demoradamente diversas vezes.
Ele fazia-me lembrar de minha falecida progenitora. Ela beijava meus machucados dizendo que isso ajudaria a sarar. Eu acreditava.
Parando com os estalinhos, ele voltou-me a olhar e por um momento, vi uma face assustada.
Piscando algumas vezes, abri meu olho tapado a um bom tempo. A visão estava meio turva, embaçada, tentava me acostumar a ver de novo depois de um tempo.
O médico disse que tinha quase total certeza que eu não voltaria a ver com aquele olho. Mas após eu piscar várias vezes e deixar ele aberto por um tempo, tentando me focar no rosto a minha frente, eu soube que ele estava errado.
Fechei o meu direito, testando a visão. Ele estava quase totalmente recuperado. Eu conseguia ver.
Mães sempre estão certas, não é?
Mas por que o olhar espantado de Kagami?
— O que foi? — perguntei.
— Ele está...
— Vermelho. — Tetsuya completou a frase. Olhamos pro menor assustados. Ele tinha um sono muito leve. E seus olhos estavam marejados. Por que ele chorava? — Você voltou, Akashi-kun — sussurrou entre um soluço rápido.
Não entendi de imediato o que passava na cabeça dele, por ele estar tão emocionado e quase chorando por conta do meu olho estar vermelho. Ele sempre foi vermelho, não é?
Após aquilo, um silêncio enorme se fez presente e dessa vez, não demoramos para pegar os três no sono.
Mas antes de adormecer, eu pude finalmente compreender o significado das palavras dele. Mesmo já estando no mundo dos sonhos, eu podia até sentir. Seishi já não estava mais lá.
Eu realmente havia voltado.
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