Losing my Humanity
6 Cap.5 — Fight to Survive
Notas iniciais
Não consigo me situar no tempo. Desde que me encontrei só nesta cela, fico drogada quase o tempo todo, sempre dormindo.Acordo apenas pra comer e beber de novo, e voltar a dormir.Sinto que não há nada mais que eu possa fazer.Nenhum plano, nenhuma esperança, nenhuma teoria,nada. Então eu durmo, e sonho.
Em um dado momento eu acordo, esperando a próxima refeição. Ás vezes penso que esse lugar seria muito mais agradável se tivesse uma pia onde me lavar.Mas ele continuaria sendo uma prisão, então ... Nenhuma sugestão faria esse lugar receptivo, ou menos repulsivo.
A bandeja atravessa a porta e pego seu conteúdo, comendo tudo como de costume. Jogo parte da água que havia sobrado da última bandeja e despejo sobre minhas mãos,repondo a água com a garrafa nova.
Eu quero tanto me limpar,mas os remédios já estão fazendo efeito.Então vou até a privada imunda e forço o vomito,o que não foi muito difícil,já que odeio a comida daqui.Limpo o rosto com um pouco mais de água, e começo a tirar a roupa.Minha calça solta nuvens de poeira quando bato nela como em um tapete.Minha camisa está suja de sangue do ferimento em minha cabeça.Minhas botas tinham sido a muito colocadas debaixo da cama.
Suspendo meu cabelo e tento improvisar um laço com lascas do velho lençol. Pego a garrafa d’água, bebendo mais alguns goles e despejando o resto pelo meu corpo, limpando os restos de sangue, comida e poeira . A água é fria e faz meus braços se arrepiarem.Logo a água acaba e fico parada pensando no que fazer a seguir.Mesmo tendo vomitado,sinto sono,mas não quero deitar na cama suja, e o chão está completamente molhado.Fico sacudindo os braços,tentando me enxugar mais rápido e encaro a parede,sem nenhum pensamento específico passando em minha mente.Depois de alguns minutos,desisto e deito na cama ,deixando o sono me levar
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Ouço a porta se abrir. não tenho certeza se é um sonho,mas continuo de olhos fechados.Ouço passos de pés descalços na direção da cama.
— Você é até bonita. É uma pena. — uma voz masculina diz,enquanto suspende pelos braços.
Estou em pânico agora. Esse cara provavelmente acha que estou drogada,dormindo profundamente,mas dessa vez foi só um cochilo.Me concentro em parecer relaxada,e flexível quando a figura masculina me joga sobre um ombro e sai andando em direção ao corredor,sem se importar se estou me batendo nas paredes ou não.
Meu coração está acelerado, mas espero que ele não perceba. O contato de minha barriga no seu ombro dói,mas tenho que ficar calada.Me mantenho concentrada em respirar profundamente e devagar, como alguém que ainda está dormindo.Meus braços estão caídos e minha cabeça está de frente para as costas com músculos definidos da figura masculina.Seu aperto em minhas pernas é forte, e provavelmente vai deixar marcas se eu sobreviver.Sinto seu cheiro de álcool higienizador e me arrisco a abrir os olhos.Uso minha visão panorâmica para procurar alguma coisa,uma saída,uma arma,mas estamos caminhando por um longo corredor sem luz,com paredes lisas de concreto .Começamos a subir escadas e entramos num cômodo iluminado, mobiliado com madeira rústica, e com cortinas escuras,que apenas deixam passar um pequeno feixe de luz para o ambiente.O homem que me carrega não parece nem um pouco cansado em me segurar por tanto tempo e sua respiração está a mesma, me deixando ainda mais apavorada.
Atravessamos o imóvel, que parece ser uma cabana de floresta, até o cômodo que julgo ser a cozinha. Minhas mãos e cabeça se batem na porta,e o homem continua sem se preocupar em olhar para mim.Nos aproximamos de uma mesa de madeira,e vejo alguns pratos e talheres sobre ela.Avisto uma faca de carne,e rezo para que esteja em meu alcance quando passar por ela. Estico meu braço quando passamos, e consigo pega-la, quase gemendo de alívio. Continuo com meus membros o mais relaxados possível,e seguro a faca com a mão esquerda,temendo passa-la para a direita e ser descoberta com o movimento.
Concentro-me novamente na minha respiração, mas pelo que estou prestes a fazer do que por medo de ser descoberta. Pisco os olhos lentamente, tentando expulsar os últimos vestígios de droga do meu organismo,e torço pra que consiga executar minha ideia louca de último instante.
O homem entra numa sala ampla, com paredes de concreto liso sem janelas, e com apenas ganchos de açougue espalhados e preenchidos com pedaços estranhos de carne pendurados. No canto oposto ao que estamos, tem uma mesa, com alguns instrumentos de metal, que não consigo identificar olhando por entre as pernas do homem que me carrega. O lugar cheira a um açougue mal refrigerado.Por todo lugar que consigo olhar, tem manchas de sangue no chão e nas paredes No centro do vão, há uma mesa de metal suja de sangue, onde acredito que o homem vai me deitar.
Ele caminha tranquilamente até o lugar,mas antes de chegarmos a mesa, tomo uma última respiração profunda e enfio a faca na bacia do homem que me carrega,fazendo-o gritar e nos derrubar.
A luta começa.
Aprendi algumas coisas vendo lobisomens lutar, e mesmo não tendo garras, tento imitar seus movimentos o mais rápido que consigo com a faca. Assim que o homem cai, nos derrubando e tentando alcançar a arma em minha posse, eu a puxo, trazendo-a cheia de sangue escuro de volta pra minha mão, dessa vez à direita.
Como o homem estava segurando minhas pernas, ainda estou presa ,e ele parece concentrar toda sua força — que não é pouca — em me segurar . Como suas panturrilhas estão quase de frente para meu rosto, junto meu resto de coragem e enfio a faca novamente, acertando a direita. Mais uma vez, o homem urra de dor, afrouxando o aperto,me dando a oportunidade de me soltar que eu precisava.
Quando consigo me levantar, ainda segurando a faca,tentando chegar á porta, o homem se vira com ferocidade , e se agarra á minha perna esquerda, cravando os dentes na mesma.
É minha vez de gritar. Viro-me, e vejo seus olhos, completamente brancos, enquanto suga o sangue da minha perna com uma expressão de prazer doentio. Sinto dezenas de dentes afiados cravados em minha carne e a dor é excruciante.Com as mãos tremulas enfio a faca o mais forte que consigo no ombro da coisa, que grita,mas sem soltar minha perna, ou interromper a mordida.Sinto seu dentes penetrarem mais fundo na minha carne, e sinto ela começando a ser rasgada, como se a coisa estivesse pronta pra arrancar o primeiro pedaço.
Enfio a faca repetidas vezes em sua cabeça e em seus ombros, que ficam completamente cobertos de sangue, manchando seu rosto e deixando sua aparência mais perturbadora. Sua mordida parece afrouxar,e não paro de esfaquear , procurando um novo ponto que não tenha sido atingido ainda.A dor está me fazendo minhas pernas tremerem, e sinto que se eu cair, é o fim.
Como último recurso desesperado, pego a faca com as duas mãos, me inclino ligeiramente na direção da coisa e cravo minha faca em seu pescoço, puxando pra direita antes de retirá-la apenas para repetir o movimento.
A coisa solta minha perna, e sinto seus dentes soltarem minha carne. A coisa cai, batendo a cabeça no chão, com o pescoço meio pendurando para a direita. Sangue jorra das facadas recebidas, e seus olhos completamente brancos se tornam castanhos, com uma aparência humana,antes de se fecharem para sempre. Eu me afasto alguns passos, mas a dor na minha perna me faz gritar e parar.
Aquilo não era nada que eu já tivesse visto antes, e eu não sabia se estava realmente morto.Me arrasto na direção da mesa do fundo da sala, onde posso ver serras, facões e todo tipo de objetos cortantes.Sem dar as costas para o corpo,pego um facão com a mão direita e me arrasto de volta para a coisa no chão .Levanto um pouco os braços na tentativa de ganhar mais força, e com um grito exasperado, corto a cabeça da coisa , fazendo-a se separar do corpo.
Largo o facão e fico ali pensando no ato grave que acabei de cometer, encarando o corpo por um tempo, até perceber que poderiam existir mais dele. Se eu tivesse que lutar novamente, não ia prevalecer.
Arrasto-me para fora do cômodo, dando uma última olhada no vão: As paredes de concreto, as mesas cobertas de sangue, os objetos de tortura, os ganchos com carne estranha pendurada.
Percebo que não tinha prestado atenção a um gancho em especial,pendurado junto à parede no fundo do vão.Uma cabeça humana em sério estado de decomposição.
Pelos cabelos escuros e compridos, pelos traços do rosto, mesmo com os olhos fechados e a pele apodrecida em tom cinzento eu o reconheço: Carter. Abafo um grito com minhas mãos e minhas lágrimas correm livremente pelo meu rosto. Viro-me, ignorando pela primeira vez a dor na minha perna, e começo a andar o mais rápido que posso, alcançando a cozinha. Meus estômago está embrulhado,mas me obrigo a vasculhar os armários em busca de comida. Se não ingerir algum alimento minha fuga pode ser frustrada pela fraqueza.
Não encontrando nada alem de alguns legumes inteiros, vou para a geladeira, onde encontros pratos de comida prontos, com carne e purê.Abro o primeiro e enfio na boca o máximo que ela suporta.Mesmo gelada, a comida me faz gemer de satisfação.A primeira vez que como carne em semanas.Mas não consigo tirar a imagem que acabei de ver na sala sinistra e minhas lágrimas continuam a embaçar minha visão e a molhar meu rosto,enquanto enfio montes de carne na boca.
Pego uma faca pequena de serra em cima da mesa de madeira da cozinha e a prendo na cintura, na minha roupa íntima o melhor que posso. Pego uma garrafa com água num dos armários e a coloco debaixo do braço.Ainda está vedada, então não dever estar contaminada com remédios. Começo a me arrastar para o cômodo maior e acho uma porta, que dá para fora. De junto da porta tem um par de botinas grossas que parecem ser de couro, e eu as calço, sentindo minha perna queimar e vacilar com o movimento. Puxo um casaco no cabide preso a parede e me jogo pra fora da cabana do terror.
Estou rodeada por floresta, como eu temia. Procuro rapidamente uma trilha, que facilmente localizo nos fundos da casa.Não faço ideia de onde estou, ou para onde estou indo,mas tudo que meu corpo e mente dizem é para que me afaste daquele lugar.As imagens ficam martelando o meu cérebro, fazendo com que eu não consiga me concentrar direito.Pego a faca e penso em marcar o caminho,mas penso que se houverem mais daquela coisa, poderão me encontrar.Minhas lágrimas não cessam e meu soluço soa desesperado por mais que tente abafa-lo.
Vou andando lentamente pela trilha, que começa a ficar mais larga. Após sofridos metros, avisto uma estrada de asfalto que corta a floresta ao meio. Vou me obrigando a continuar até o momento que vejo um carro parado. Me escondo atrás de uma arvore com tronco grosso , esperando algum movimento suspeito.A porta do motorista se abre e a pessoa que estava dirigindo vem para a frente da trilha.Sua expressão é de confusão,e em seu rosto pálido são perceptíveis lágrimas escorrendo pelas bochechas coradas.Os cabelos ruivos, jogados sobre os ombros em ondas fazem minha mente acordar num estalo.Junto o que sobrou de minha voz e chamo:
— Lydia!
A garota me encara, com uma expressão assustada. Ela olha para meus olhos, e depois para minha perna.Ela parece não conseguir se mover,mas com uma voz trêmula e distante ela diz:
— Você cheira a morte.

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