Losing my Humanity
3 Cap.2 — Flash Back
Notas iniciais

Já passava das 23h00min e eu estava dormindo confortavelmente cercada por travesseiros, quando meu celular vibra me acordando. Atendo sem checar quem é.
—Alô?— digo com uma voz que soa sonolenta.
— Julie, se vista e venha me encontrar agora! — a voz do outro lado tem um tom exigente.
— Stiles, esse é o pior jeito de chamar uma garota pra sair. — respondo ainda deitada.
— Hahaha, muito engraçado!— ele responde, e posso perceber que está em movimento — É serio, meu pai acabou de sair de casa, ele foi chamado junto com toda a polícia de Beacon e a polícia estadual. Eles acharam um corpo na floresta!
Dava pra sentir a empolgação na sua voz. Eu já sabia o que viria a seguir, e eu sabia que não ia concordar.
— Stiles, esqueça isso, vá dormir.
—Dormir?! — ele responde incrédulo — Essa é a coisa mais interessante que já aconteceu desde o nosso nascimento! Escuta, você não ouviu a melhor parte! Só acharam uma metade do corpo. Temos que ir checar!
— Hã, não. Não temos não. É pra isso que existem pessoas como o seu pai. Eu não vou sair da minha casa, escondida dos meus pais ,só pra procurar a metade de alguém.Estou fora — digo em meio a um bocejo — Você deveria chamar o Scott.
— Pra onde acha que eu estou indo? —Ele pergunta e quase posso ver seus olhos se revirando de frustração — Ele não atende ao telefone, mas com certeza está nessa. Olhe Julie, você não pode ficar evitando aventuras, o que vai ter pra contar pros seus netos?
— Que eu não morri na floresta. — respondo, pondo um fim na conversa — Boa sorte Stiles, mande um oi pro Scott por mim.
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—Conheço Scott e Stiles minha vida praticamente inteira. Nós crescemos juntos, fomos ao colégio juntos, saíamos juntos...
— Entendi. — Carter me interrompe — Juntos, o tempo todo, como uma alcateia.
A palavra “alcateia” me surpreende, e olho pra Carter, confusa.
— É... Algo como isso. — respondo sem saber mais o que dizer— Mas algumas coisas estranhas aconteceram, e eles começaram a me evitar.
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O dia depois da ligação foi o primeiro dos meus dias mais estranhos. Scott estava... Diferente. Ele se virava ao sinal dos menores sons ao nosso redor, e mais cedo, pareceu quase desmaiar ao som do sinal do colégio. Eu julguei que fosse uma baita ressaca. Que depois de rodar pela floresta em vão, os garotos tomaram uma garrafa de vodka, ou algo assim, como costumávamos fazer no último dia antes das aulas começarem.
Mas então, depois do almoço no treino de lacross, que sempre ia assistir, tudo pareceu mais estranho e surpreendente ainda. Eu nunca faltava aos treinos, porque Scott e Stiles sempre ficavam no banco, e eu fazia companhia pra eles. E eu gostava de ver os caras mais gatos do colégio correndo pra um lado e pro outro e se batendo feito selvagens.
Mas dessa vez, o treinador colocou Scott no gol. Stiles e eu nos entreolhávamos, nos preparando pra ver nosso melhor amigo levar uma surra. E, bem, foi o que aconteceu a princípio. Uma bola acertou sua cabeça em cheio. Mas a partir do segundo jogador que o atacou, Scott defendeu todas as investidas. Inclusive a do capitão do time, Jackson Whittemore, o que o deixou particularmente furioso.
Depois do treino, fui falar com os garotos.
— Cara, você foi demais!— comecei.
— É! Como foi que você conseguiu fazer aquilo? —perguntou Stiles, batendo nos braços de Scott, procurando por músculos que não estavam ali.
—Foi sorte, eu acho. — responde Scott, obviamente desconfortável — E eu tenho treinado muito ultimamente.
— Muito bem! Sabe que isso merece uma comemoração?! — digo — Devíamos ir pra minha casa, assistir um filme e nos entupir de hambúrgueres.
— Julie, não vai dar. — Scott me corta, rápido demais, fazendo com que eu me encolha um pouco —Perdi minha bombinha e Stiles prometeu me ajudar a achar.
— Prometi? —pergunta Stiles, confuso. Scott o encara suplicante, e eu entendo que não sou bem vinda — Prometi. —Stiles afirma.
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— Scott começou a ir extremamente bem nos esportes, e as garotas começaram a reparar nele. — eu digo sorrindo sem querer, pensando em como tudo agora parecia óbvio e bobo — E ele começou a namorar uma garota, chamada Allison Argent .
— E qual é a graça? Ela era esquisita? — Carter pergunta e posso ver um lampejo de curiosidade nos seus olhos.
— Ah não, não. — respondo fazendo um movimento rápido com as mãos — É que... Digamos que a família dela não gostava muito dele...
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— E então, depois de dois dias me ignorando completamente, você resolve falar comigo, e diz que é sério? Vai finalmente me contar o que está acontecendo com você, não é? — o encaro, aborrecida.
— Eu sei Julie, me desculpe. — ele começa— Mas é que eu preciso esclarecer uma coisa... Chamei Allison Argent pra sair. Vamos à festa juntos.
— Sim, a garota nova. — eu digo —Mas não sei o que isso tem a ver comigo.
— Quero saber se está tudo bem. Digo, por você.Se está tudo bem pra você...
— Ah! — digo ao perceber do que se trata — Scott, nós ficamos umas duas vezes há um ano. E não nos falamos por duas semanas depois disso.Sabe por que? — ele balança a cabeça negativamente— Porque foi esquisito. E foi isso, acabou. Mc Call, eu sou sua amiga, não sua ex. A Allison parece ser uma garota muito legal, não me use como desculpa pra não se aproximar dela. Eu dou minha bênção. E nunca se esqueça disso: você pode me dizer qualquer coisa.Pode confiar em mim!
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—Nós ficamos muito tempo sem nos falar depois disso. — continuo — Mal nos cumprimentávamos, e eu tinha quase certeza que eles estavam envolvido com drogas.Meu pai disse até que não sabia como a amizade entre dois caras e uma garota durou tanto.Mas no fundo, eu sabia que tinha alguma coisa errada,que eu precisava saber, que eles podiam confiar em mim... E eu estava certa.
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Na noite do baile de inverno, foi quando tudo finalmente fez sentido. No dia anterior ,ouvi dizer que Scott estava barrado do baile, e que Stiles ia levar Lydia Martin .Fiquei muito curiosa pra saber o que eles tinham feito. Mas não significava que eu ia até eles perguntar, depois de ter sido tão descartada.
Eu ia com um garoto da minha classe de química, Isaac Lahey. Nós combinamos de fazer companhia um ao outro, já que nossos pais insistiram que não podíamos ficar em casa na noite do baile de inverno. Que seria uma memória bem vinda no futuro, que contaríamos aos nossos netos e blá, blá blá...Mas eles tinham razão. O baile de inverno foi esclarecedor.
Eu estava sentada nas arquibancadas, conversando com Isaac e algumas outras pessoas, falando sobre o time de lacross, e os jogos da temporada. Podia ver Stiles sentado numa das mesas, acompanhado com a típica Lydia : mal-humorada e mais irônica que nunca.
Allison estava dançando com Jackson Whittemore, e ele parecia apreensivo, olhando pros lados e ajeitando a gravata a cada cinco minutos. E aquilo não fazia seu estilo, nem um pouco. Estava quase me arriscando a chamar Isaac pra dançar, quando o Treinador começa a gritar:
— Mc Call, eu vi você aí! Mc Call venha já aqui! Mc Call! Mc Call, não adianta, eu vou te achar!
E ele achou mesmo. Scott estava dançando com Danny Mahealani, e o treinador começou a gaguejar, por que a escola inteira parou pra assistir a cena. Pareceu que o treinador era homofóbico, mas eu sabia que Scott estava tentando se safar de alguma coisa, e conseguiu. Quando a cena acabou, Scott começou a dançar com Allison, mas me mantive de olho nele.
O toque de recolher de Isaac estava chegando, e eu não estava me divertindo de verdade. Então ,fui buscar o carro da minha mãe no estacionamento de trás da escola enquanto Isaac ia ao banheiro. Quando estava dentro do carro, vi dois outros carros se aproximando.
Eles estavam cheios de caras dentro, todos armados pelo que pude perceber . Fiquei intrigada, e me aproximei, o que eu sei que é uma completa burrice. Mas mesmo assim, com o numero da polícia pronto pra ser discado, eu me aproximei devagar, aproveitando o meu casaco preto pra me camuflar na escuridão do estacionamento . Vi o exato momento em que os dois carros quase se bateram, tentando atropelar Scott. Ele pulou, caindo de pé em cima dos dois carros, o que foi impressionante.
Quando Scott levantou a cabeça, pude ver. Seus olhos brilhavam , amarelo-dourados .Seus dentes estavam enormes, e seu rosto, coberto de pelos.Suas orelhas estavam pontudas.Vi uma garota dentro de um dos ônibus escolares, e julguei ser a Allison. Um dos carros buzinou e Scott pulou no teto de um dos ônibus escolares e fugiu , pulando de teto em teto até entrar na floresta.
Allison sai do ônibus, e um homem, que reconheço com sendo Sr. Argent, corre na direção dela. Ela desaba em seus braços, e também sinto que vou desmaiar.
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— Você descobriu o que estava havendo? — Carter pergunta.
— Sim. — eu respondo,sem conseguir pensar em mais nada pra dizer.
— Não precisa me dizer o que foi, se não quiser. — ele diz ,mas sinto que ele quer saber o que eu descobri.
— Eu não ia... — respondo , fazendo o que imagino ser uma cara de desculpas — Mas de qualquer forma, nós resolvemos nossos problemas.E passamos por muitas coisas depois disso, que me fazem acreditar que eles estão me procurando, e que vão me encontrar. Confio naqueles garotos mais do que em qualquer um.
"O sumiço de Lydia, o surgimento de seus poderes de banshee.O Kanima,a morte da mãe de Allison. Os sacrifícios da Darach, o sequestro dos pais de Scott, Stiles e Allison. Tudo isso nos fez mais fortes, mais espertos, mais unidos — penso — Eu só espero que Lydia não esteja tendo um daqueles pressentimentos de banshee. Eu só não quero que ela tenha previsto minha morte."
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