Losing my Humanity

26 Cap. 25 ─ Once in a lifetime


Notas iniciais
oi pessoas, cap novo na área (nem demorei, palmas pra mim) O nome do cap é em homenagem a musica do 1D que serve de trilha sonora pro cap, blz? procurem ela, é bem legal! boa leitura :*

Lydia me enfiou num vestido floral relativamente antigo e pouco usado que tinha no fundo do meu armário, mesmo depois de pelo menos cinco minutos de argumentos sobre como minhas pernas são finas e pálidas demais para ficarem sendo mostradas por aí. Ela arrumou meu cabelo e me maquiou perfeitamente. Quando tudo terminou e encarei o espelho, me sentia bonita e até atraente.

─ Garota, você tem um dom ─digo, me virando em sua direção e fazendo uma referencia.

─ Tenho muitos, mas esse pra você basta ─ ela dá de ombros, enquanto se despede ─ Boa sorte hoje.

─ É, sorte é do que preciso.

***

Me aproximando do cinema em passos incertos, avisto Parrish sorrindo em minha direção. Ele traja uma camisa social azul com mangas arregaçadas, calça jeans , e tem algo em suas mãos que ao longe parece ser uma flor .Quando ficamos frente a frente, ele a estende pra mim, e tem uma expressão de dúvida no rosto.

─ É uma tulipa. Piegas demais?

─ Romântico na verdade ─ respondo, tomando o botão de suas mãos, o prendendo no alto do cabelo ─ O que vamos assistir?

─ Pensei em deixar você escolher .

─ Não, nem pensar. ─ digo balançando a cabeça e tentando o meu melhor tom acusador ─ A ideia toda foi sua, é sua responsabilidade escolher um filme.

─ Tudo bem então ─ ele respira nervosamente─ Isso vai contar como um teste?

─ Agora que você mencionou...

Compramos os bilhetes após Parrish escolher um filme pouco interessante com tema romântico, que sozinha, eu nunca pagaria pra assistir, mas mantenho minhas expressões neutras e o deixo curioso a ponto de ser engraçado.

Os trailers começam , e mal consigo olhar para a tela. Parrish tem um pacote enorme de pipoca amanteigada no colo e o come distraidamente enquanto tem os olhos fixos virados pra frente. Ao nosso lado, copos extragrandes de refrigerante, apesar de eu tê-lo garantido que não estava com fome.

Após meia hora de filme tentando não soar rude e começar a criticar de todas as formas possíveis a protagonista problemática e ser par sedutor, sinto lábios se aproximarem de minha orelha esquerda, e ouço um sussurro vindo deles:

─ Você está bonita ─ Parrish não se afasta ao final da frase, fazendo minha pulsação ficar mais rápida.

─ Com os cumprimentos de Lydia Martin ─ respondo, me virando devagar para encara-lo, não conseguindo desvia o olhar de seus lábios, tão próximos... ─ Você também está bem elegante. Mas na próxima eu escolho o filme.

─ Estava pensando que uma coisa calma cairia bem ─ ele argumenta, afastando meu uma mecha do meu cabelo que estava entre nós ─ Mas tudo bem, você querer escolher a próxima vez, significa que vai ter uma segunda vez.

─ Eu não disse isso ─ argumento, vendo um sorriso convencido se formar─ Mas já que o filme não está interessante, isso nos dá a oportunidade de fazer algo me melhor.

Encaro fixamente seus olhos e me aproximo, deixando o ponto claro. Parrish também se aproxima e nossos lábios se encontram, seu beijo carinhoso com gosto de pipoca amanteigada. Ele leva uma mão a meu pescoço e a outra segura meu queixo delicadamente. Minhas mãos acariciam sua nuca desajeitadamente, meu coração batendo forte e meu estomago gelando.

***

No caminho para o restaurante, meus pensamentos estavam todos voltados em como eu teria de ingerir uma refeição inteira e nada atraente apenas por aparências. Nem a conversa agradável de Parrish, nem seu modo de andar de modo protetor ao meu lado conseguiu desviar a tensão que estava começando a se acumular em meu pescoço, fazendo meu estomago roncar furiosamente e me deixando levemente tonta.

Passamos devagar por uma série de ruas, e observo superficialmente as pessoas que cruzam nosso caminho, e o rumo que os calçamentos tomam. Estou pensando seriamente em dar uma desculpa a Parrish e voltar correndo para casa, me arrependendo pelo resto da noite por ter concordado com tudo isto em primeiro lugar, quando ouço um disparo vindo não muito longe de nós.

Viro-me bruscamente na direção de Parrish, sentindo meus olhos bem abertos e minha visão começando a se aguçar por causa do cheiro de sangue que entra em contato com minhas narinas predadoras. Parrish também tem uma expressão alarmada, e quando se vira na direção do som, começa a correr, gritando por sobre os ombros:

─ Fique aqui, já volto!

Como uma boa pessoa teimosa que sou, corro em seu encalço, e posso distinguir um choro desesperado não muito longe. Nos viramos para a esquerda, depois duas vezes a direita e Parrish por um momento parece perdido. Tomo sua mão e começo a puxa-lo na direção do cheiro, que começa a ficar forte e tentador. Chegando à esquina de onde o som veio, Parrish me afasta alguns passos, e ofegante diz num tom autoritário:

─ Dessa vez, fique aqui! ─ ele se vira e corre na direção dos gritos que agora ecoam ao redor.

Meu peito se aperta ao pensar na exposição dele ao perigo, mas tentando focar a atenção em minha audição, percebo que a ruela está deserta, a não ser por Parrish e pela moça que implora por ajuda numa voz entrecortada por choro e soluços de dor.

Pelo cheiro forte que seu sangue exala, sei que o certo a fazer é chamar por uma ambulância, e é o que faço. Imediatamente após ter dado nossa localização para o rapaz do outro lado da linha, me aproximo da cena, temendo não conseguir me controlar, mas sentindo uma necessidade ainda maior de ficar ao lado de Parrish neste momento complicado.

O vejo agachado junto a uma mulher apoiada inquietamente contra a parede de uma loja fechada, enquanto pressiona uma das feridas da mulher, na direção do ombro.

─ Você não é capaz de escutar ?! ─ Parrish diz, num tom que transparece preocupação e um tanto de raiva.

─ Senhora, chamei uma ambulância, estarão aqui em breve! ─ digo para a mulher que chora e aperta o braço de Parrish a ponto de faze-lo exibir uma careta.

─ Pegue meu celular aqui no bolso ─ ele me orienta. Quando chego mais perto da cena e pego o telefone, começo a sentir os dentes tentando rasgar minha gengiva. Me obrigo a ligar para o amigo de Parrish que está de plantão e pedir que venha ajudar.

Ao devolver o celular a seu lugar de origem, percebo que algumas gotas de sangue sujam minhas mãos, e é o suficiente para trazer o monstro à tona. Viro o rosto rapidamente e começo a me concentrar na imagem que tenho bem guardada na memória do rosto em decomposição de Carter, mas o cheiro e a fome são mais fortes que qualquer culpa que eu sinta. Os dentes aparecem, mas fecho a boca firmemente, fazendo que minha boca sangre o bastante por dentro pra fazê-los encolher novamente. Parrish parece perceber que há algo de errado, pois ele pergunta se está tudo bem.

─ Não posso... ─ começo a dizer, sentindo minha garganta áspera ─ Ficar perto de sangue, não posso.

─ Julie ─ ele chama ─ está tudo bem.

─ Tenho que ir─ o corto, pondo os calcanhares pra funcionar , disparando pra longe dali, deixando que eles me guiassem quase inconscientemente para a casa de Scott.

”Uma vez na vida

Estava tudo adequado

Não fizemos erros

Nem mesmo um deslizamento

Ou uma correnteza

Poderia nos tirar tudo que tínhamos



De alguma forma, parece que nada mudou

Agora, sinto que meu coração bate da mesma forma

Em voz alta, alguém está chamando meu nome

Parece você



Quando fecho meus olhos

Todas as estrelas se alinham

E você está ao meu lado

Você está ao meu lado



Uma vez na vida

Estava tudo adequado

E estávamos sempre seguros



Nem mesmo os bandidos

Na noite escura

Poderia nos tirar tudo que tínhamos



De alguma forma, parece que nada mudou

Agora, sinto que meu coração bate da mesma forma

Em voz alta, alguém está chamando meu nome

Parece você



Quando fecho meus olhos

Todas as estrelas se alinham

E você está ao meu lado

Você está ao meu lado



Você está ao meu lado

Você está ao meu lado



Uma vez na vida

Você me pertenceu”

Chegando a sua varanda, bato insistentemente contra a porta, e quando ele a abre, o empurro devagar sala a dentro , ignorando sua expressão confusa.

─ Julie , o que está acontecendo?

─ A coisa que me sequestrou era um wendigo, e agora eu sou um também ─ despejo as palavras, enquanto ando rápido de um lado para o outro ,agitando os braços no ar numa tentativa de diminuir a adrenalina que percorre minhas veias ─ Eu sou um maldito monstro que come pessoas pra sobreviver!

Scott tem os olhos arregalados, a boca entreaberta e as mãos estendidas em minha direção, como se estivesse decidindo entre me abraçar ou me bater.

─ O que quer dizer? ─ ele pergunta dando um passo em minha direção enquanto franze as sobrancelhas e aperta os lábios de modo incerto─ Do que exatamente você está falando?

Paro bruscamente e encaro seus olhos escuros. Lágrimas queimam em meus olhos, lutando por uma chance de percorrer pelo meu rosto, e finalmente cedo. Dou um passo na direção de Scott e abro a boca à espera de explicações, mas tudo que vem é um soluço abafado recheado de desespero e incertezas , acompanhado de muitas outras lágrimas. Scott se aproxima um pouco mais, de modo que posso me agarra à sua camisa e me permitir desmoronar.

Notas finais
Se liguem nessa carinha do Scott, não dá vontade de abraçar? Então pessoas, sei que a maioria queria que ela confiasse no Stiles e contasse tudo pra ele, mas justamente por ter tanto medo de perder a relação com ele, a Julie não conseguiu, e terminou contando tudo pro segundo bff. Alegrias, frustrações ,desabafos, criticas construtivas, estou totalmente aberta ok? Kisses, até a proxima